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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Contradições

A única certeza que posso ter é a da morte. Cientificamente falando, com o coração do cientista, que busca mudar, evoluir, sair do lugar comum, essa é a única certeza. Que premissa cheia de deliciosas contradições. Não preciso dessa postura pra saber que morrerei. Devia ser algo incutido em minha vida, em meus gestos, e até nos momentos mais sutis de felicidade ou tristeza, ela devia ser soberana. Assim fico pensando silenciosamente que se nasço e morro, tenho ainda mais uma certeza científica. Existe um caminho, um caminho bem delimitado entre vida e morte. Não existe fim definido nesse caminho, visto que o fim é a própria morte. Fica de repente tudo muito simples. Esse deve ser o tal processo que tantos em tantas épocas já falaram. O que vale é o processo, e o que é o processo senão a própria vida? Remexendo nos guardados da memória, sei que já ouvi isso tantas vezes, que não importa a quantidade de anos que se vive, mas a quantitade de vida que exite nesses anos vividos. Certezas, me parece que tenho muitas então. Certeza de que viver é o processo, que o fim é a morte e que não importa o tempo, mas a qualidade do meu tempo de viver. E a qualidade só pode estar ligada à felicidade, ao prazer e à alegria. Se pára encontrá-las tenho que caminhar no escuro, tenho que tropeçar e me ferir, isso não importa muito. Cada um tem que saber optar pelos caminhos certos, e me parece que o único caminho certo é o caminho do coração. Lá, onde somos inocentes, loucos, improváveis, pois quanto mais improvável, mais certeza deve haver. Os sonhos, os desejos, o amor e a amizade, são essências do improvável. Pois nossas almas solitárias, carentes de arbítrio, desencorajadas pelos fantasmas e temerosas pelo futuro, só encontram eco em outras vozes, em outros corações. Que seria do ser humano se ele acreditasse mesmo que esse caminho é solitário? Contadições deliciosas que bastam por si só, como a beleza das flores, as cores da manhã, e o perfume da noite.

Um comentário:

Chris disse...

Viver poderia ser mais, se a gente reconhece nosso bicho e essa verdade científica, todo a complexidade teórica parece insignificante. Gosto de chimarrão lá pelas dez da manhã.


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