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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Segredos X vida interior

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Porque será que uma paixão vira amor, e passado um certo tempo - meses ou anos -, a gente assiste, de camarote, a decadência de uma convivência?

Não tenho a resposta não, claro, mas acho que tenho algo que pude deduzir ao longo da minha vida. Tem a ver com a necessidade de se abrir ao máximo e sem limites para o outro. Talvez comece aí, discreta e silenciosa, como uma doença, o fim de uma relação amorosa.

Não se deve contar tudo para o outro, porque muitas vezes nossos pensamentos não estão completos, e nem necessariamente são potenciais. 

O outro não pode ser um receptáculo dos nossos sentimentos e das nossas dúvidas e ansiedades. 

Estar junto de alguém é sobretudo partilhar ideais, e não a vida interior. Contar tudo é frustrante para o parceiro e decepcionante para nós. Essa noção deixa implícito que esperamos respostas a todos os nossos anseios. 

Respostas que às vezes, levaremos uma vida pra descobrir, se descobrirmos. 

Conversas com amigos, momentos de reflexão solitários, leituras, o dia-a-dia com as pessoas amadas... esse é o caminho pra deixar fluir introspectivamente os insites que protegerão nossa mente e coração, da ditadura da dependência emocional.

Quem sabe esteja por aí um novo modelo de relacionamento, porque, sinceramente, não acredito nesse amor alardeado, cantado e poetizado  do pós-romantismo.
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23 comentários:

Sergio disse...

Carái Walll!!!
Que bela análise! Adorei e é isso mesmo!! beijão

Walkyria Suleiman disse...

É Sérgio, quanta dor podia ser evitada se a gente não fosse tão católico-judáico-islamista?

CAIS DO ORIENTE disse...

Concordo plenamente...
Tenho uma outra observação, também.
O mistério é algo que atrai no outro.Conhecer integralmente uma pessoa, de uma certa forma acaba com isso...
Olhamos nosso parceiro(a), como um livro já conhecido e sem surpresas.
Claro, que vamos mudando com o passar do tempo, e ninguém é igual eternamente, porém fica no ar, um sentimento de "já vi esse filme".
A pior coisa que pode acontecer aos amados, é virar parente...
Ótima análise!
Bjs
Nádia

b disse...

AMAZONA CAVALGOU E CHEGOU NESSA POSTAGEM.
Tô concluindo aquilo que eu já sabia: tu és mulher bem resolvida.
Que orgulho de ti!

Relvas, Wal, relvas prá o tempo de ser apenas.

ednampc disse...

Sempre que penso em amor penso em Drumond que diz que o amor foge a todas as explicações possíveis. Procuro não raciocinar, amo.

Sylvio de Alencar. disse...

Deduções assim, redondinhas, são as verdadeiras.
Esse papo de 'vc é minha', já era. Também não serei sua 'metade', nem seu 1/4... Pula-se a parte do 'eu quero', e fica-se com o que se tem: a pessoa que está do seu lado. Isso basta.

Sou bom em teoria!!!!; bom pra caramba!!! Mas, se pintar alguém, será dessa forma que rolará.

Abrçs de seu humildinho michelo.

PV.: tabouss
Já tomou uma dose? Sem duvida tá, Bols é o que há!

Tania regina Contreiras disse...

Wal, costumo dizer que a parte mais bonita e encantadora do outro é o mistério. Não, nunca me encantou o homem sem mistérios, aquele que traz tudo à superfície e não deixa nada a desvendar. Portanto, de pleno acordo com você, não é saudável nos despejarmos (derramar nossa profundidade, anseios, esperanças, medos, desejos amores...) num só recipíente.
Beijão pra você...

betina moraes disse...

wal...

não posso comentar... não consigo.

emocionante demais.

um beijo.

Sonhadora disse...

Minha querida

Depois de reflectir neste texto...muito pés no chão...acho que está aí uma explicação para o arrefecimento e até morte da relação...deixa de haver mistério, e o sentimento...morre, seca.

Beijinhos...tinha saudade
Sonhadora

Jéssica L. disse...

Sinceramente, não acho que seja isso. É inevitável se abrir totalmente a outra pessoa, mesmo que vc não queira de forma voluntária, o que vc sente por dentro acaba ficando evidente com o passar do tempo só pelo convívio. Eu vi uma certa vez um filme que se chama A prova de fogo e ele fala justamente sobre isso, um casamento que depois de alguns anos o casal não se suporta mais e já começam a se separar. O pai do protagonista, que é o marido, sugere a ele que siga os passos de um livro que o ajudaria a salvar o casamento. Ele hesita, mas depois começa a segui-lo. Enfim, se vc não assistiu eu acho interessante que vc assistisse.Uma das falas q eu achei bacana no filme é que um amigo do protagonista diz pra ele que na maioria das vezes os casamentos se arruinam pq o homem geralmente tenta descobrir e adivinhar os segredos e desejos da mulher apenas quando estão na fase de conquista. Depois quando se casam, ele deixa de estudá-la, de tentar entendê-la, ele se acomoda e não se cuida mais, as vezes aconrece isso também com a mulher. Só que entender o parceiro é como uma formação acadêmica que nunca acaba: vc se forma no 2º grau no namoro, cursa a faculdade no casamento, mas não deve parar de estudar o outro depois da faculdade, vc deve fazer uma pós-graduação, depois um mestrado, um doutorado... O ponto é que vc nunca para de estudar o seu parceiro e se vc analisar bem, sempre haverá uma surpresa pq as pessoas mudam, nós q talvez não saibamos enxergar mudanças tão sutis. É oq eu acho. Abraços.

http://insanamentehumano.blogspot.com

ROBERTO disse...

Eu tenho um livro aqui... Já li incontáveis vezes. Cheguei a pensar em pô-lo num sebo, doar pro "barblioteca" do bairro... Mas a vida parece tão melhor com ele por perto, simplesmente não consigo desapegar.

A naturalidade com que convivemos, mesmo no silêncio... acho tão sossegado, sei lá.

Não posso, todavia, deixar de concordar que a falta do que desvendar é meio desconfortante.

Acho que meu ânimo mora ali, em questionar se existe mesmo essa inexistência do que se descobrir.

Sei lá, eu.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Cais do oriente....
vou adotar essa, pq a pior coisa mesmo, é um amor virar parente.

Acho que mais que mistério, o outro é o outro, nunca será desvendado.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Bárbara
sou tão mal resolvida, estou sempre na berlinda de mim mesma, buscando, caindo, perdendo, sei lá, será que sou complicada?

Mas vindo de vc, que eu admiro tanto, esse elogio me impulsiona.
Obrigada querida....

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Edna
verdade, não tem muita explicação, aliás, tudo que mais importa na vida, não tem muita explicação. Mas não consigo só ir amando, não tenho esse verbo ativo em mim. Sempre pondero minhas atitudes, repenso, renovo, volto, repasso....ai, acho que sou muito complicada mesmo.

Queria assim, como vc, apenas viver o amor.
Te adoro, querida amiga. Beije toda sua linda família por mim. Família que é um pouco a minha tbm!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Sylvícola
discordo, caro colega, da tradução da PV. Tabouss,é tipo, tábons vai, até parece que se vc encontrar alguém, vai conseguir ser assim, tão desapegado....rerere

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

BB
eu sei, a gente passa a vida buscando, vivendo, aprendendo o amor. E quando percebe, parece que não sabemos nada.

Acho isso muito frustante e triste.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Tania querida
eu não me referi aos mistérios do outro, mas pode ser uma leitura, sim, pode mesmo.
Porém sua imagem de despejo num recipiente é demais. Era justamente isso que eu tinha pensado e vc colocou em palavras.

beijo grande

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Sonhadora...

me parece que toda relação morre.... sei lá, tô pensando assim agora, neste momento.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Jéssica
li direitinho o que vc escreveu e é uma leitura possível.
Eu, feliz ou infelizmente, acho que o único ser que posso "estudar", é o meu próprio ser.

E devo dizer que, pessimismos à parte, nem acredito no meu sucesso.

Agora, estudar ou conhecer alguém..... está fora de questão pra mim. Eu, coitada de mim, que não conheço nem a mim mesma...

Sempre haverá surpresas, claro, a gente está farta de ver e ouvir..."nunca esperava isso de vc".... e por aí afora.

Jéssica, me conhecer já dá muito trabalho....

Obrigada por teu comentário, vou pensar melhor em tudo isso.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Roberto...
Um dia vi uma entrevista do Gil, faz tempo, e perguntaram o que ela mais gostava na Flora. Ele pensou e respondeu, "a presença".

Eu gostei muito dessa resposta, e isso me parece a sua vrase ;"A naturalidade com que convivemos, mesmo no silêncio... acho tão sossegado, sei lá. "

esse sossego eu procuro

Sylvio de Alencar. disse...

Tábols, concordo que é uma variante válida!

Cacete! Será que não????? (Medo!)

Vc tem uma mistura de sensibilidade e racionalismo que transborda e nos atinge. (Não, não é critica).

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Sylvius.....acho que ainda caso com vc!

Sylvio de Alencar. disse...

Li de novo o post; é engraçado como, ao ler novamente, pescamos umas frases significativas, aquela que significam o desvio no qual pegamos um caminho que nos leva a situações inesperadamente esperadas; a frase é essa:
"Tem a ver com a necessidade de se abrir ao máximo e sem limites para o outro. Talvez comece aí, discreta e silenciosa, como uma doença, o fim de uma relação amorosa.
Errou a primeira premissa, acertou na segunda! Rsrsrs!!!!

Me explico: abrir-se a outro não lhe trará os benefícios que ocorreriam caso se abrisse a você mesma.
Tem lógica né?
E como aplicar essa teoria (verdadeira)? Ora, do jeito que a gente sabe!: aos trancos e barrancos!! Ahahahaha!!!!!!

Bem, falando sério: eu aplicaria esta 'fórmula' da seguinte maneira: um passo adiante, uma parada, mais um, uma parada; se me sacar que bestei, volto um passo, esclareço com a amada, a querida, e volta a dar um passo (ou dois, ou três...).

Sei lá, uma hora rola!

Casar? Eu e vc? Sei lá Wall, não boto muita fé na igreja deste papa exquisito (notou como ele olha por debaixo das sombrancelhas????). Rêrêrê!!!


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