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terça-feira, 9 de setembro de 2008

Samarina

Quando caminho na cidade, quando meu reflexo se abre em espelhos alheios, é seu olhar que me segue, é seu desejo que embala meus passos, me fazendo bonita para os olhares dos moços desconhecidos em calçadas que ficam tão íntimas por sua causa.

Na distância das coisas dadas, a vida passa sem perceber minha saudade. No olhar pela janela ao fim do dia, leio seus pensamentos nos raios de sol. Há um silêncio dolorido no meu peito. Mas é apenas o esforço da alma para entender mensagens enevoadas.

Fica o silêncio colorido das cores mansas do pôr-do-sol a reinar discreto à espera da noite. A noite vem entrando, a passos leves, delicados, para não alucinar os sonhadores, para não despertar o dragão dilacerante no coração dos amantes separados.

É doce olhar essa troca de guarda, a noite chegando, o sol saindo, e meu coração minguando, minguando, quase não o sinto, quase que a natureza consegue me preencher, e meu coração bate no pulsar do coração da terra, dos planetas, das estrelas desaparecidas.

Me sinto pertencente, a esse mundo, a todos os mundos, até mesmo aos mudos paralelos, que embora muitos não saibam, acontecem. Acontecem sim senhor. Acontecem e a delicadeza da noite pode ser sentida, silenciosa, iluminando tudo que não pode ser, mas que é, em alguma noite cósmica, em corações planetários.

Não há tristeza capaz de permear a coragem do dia e a delicadeza da noite.
E eu sigo pelas calçadas, e é seu olhar que me segue, me fazendo bonita para os moços bonitos da cidade.

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