.

.

sábado, 6 de novembro de 2010

Viver a minha vida

.
.
Tenho vivido a pior das ditaduras
A ditadura do Eu.
Tem um Eu dentro de mim que me invade sem convite
Que faz florescer idéias que me oprimem.

Idéias vindas de onde?
Idéias geradas por quem?
Sei dessa opressão
Sei que não posso mais culpar ninguém por isso
Sei dessa prisão dentro de mim
Pela infelicidade em que me encontro.

Tenho incertas certezas
Mas meu coração me diz que devo embarcar nessa poesia
Que devo optar por habitar os meus dias.

Que preciso arriscar minha importância,
Minha imagem, minha arrogância.
Tenho que vencer o meu medo de mudar,
Soltar as amarras deste barco e navegar outros mares.
Afinal, de que servem os barcos?

Não morrerei sem antes viver a minha vida
Sem molhar meu barco em águas desconhecidas
Sem ver florescer na minha mente
As idéias que me libertem.

Afinal!
De que valem as idéias
Se não conduzirem à nossa libertação?

Melhor não tê-las
Reconhecer o inadmissível
E Padecer no paraíso
Sem perdão possível.

foto: A_stray_child_by_ani_r.jpg
.

8 comentários:

sam rock disse...

Si no hay yo, no hay nada.

Un abrazo Walkyria, allá dónde te encuentres.

Jéssyca Carvalho disse...

Pois que a governante dessa ditadura, é tão dura e cruel que te acompanha e te impede de ser uma estranha a ti mesma...
Parece crual, mas no fundo é bom...

Não é bem assim?

Poetas são meio masoquistas, não é verdade? Escravas de nós mesmas, vamos vivendo, subordinadas ao nosso eu. Este mesmo, que insiste em nos deixar de fora, conjugando tudo em primeira pessoa...

Teu post, como sempre, me inspirou!

Beijo!

Wanderson Duke Ramalho disse...

Legal o blog. Vou segui-lo,ok?
Da um lida no meu assim que puder.
Grande abraço e belo texto.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Sam, Jéssyca, que bom ter vcs comigo!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Duke
amei tua sofia, e bebi com vc toda a cerveja, até a quente!

COISAS DE LUCI disse...

Mulher!!! eu te admiro!!!Esta batalha travada dentro do Eu..assusta..e me deixa maravilhada com as palavras bem colocadas nesta sua opressão!!!bjs

Martínez disse...

todo grande barco merece um barquinho pendurado ao estibor, para visitar águas menos profundas, ilhas de fodas intensas, catequizar com amor nativos antropofagos...se jogue nesse mar urbano...sem medos, nem desejos de perdão e ser perdoado!

Obrigado por seguir o litoral asfaltado! é uma honra lhe ter entre os oceanicos, ou quem sabe os asfaltados, voce decide! rss.

besos.

Erik Martínez.

ps: tenho o pessimo habito de nunca acentuar meus post it! va se acostumando!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Martinez
adorei a possibilidade de ter um barquinho que possa me levar a qulaquer lugar e ainda voltar pro meu barco seguro.
Viver sem querer ser perdoada e nem perdoar, é viver sem mágoa, e acredito que é mesmo a única forma de viver com alegria.

Seja bem vindo, e eu, sou oceânica quando no ocenao, e asfáltica, quando nos barrancos.

bjs


voltar pro céu