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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Cecília Meireles









Não te fies do tempo nem da eternidade
Que as nuvens me puxam pelos vestidos,
Que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,

Que amanhã morro e não te vejo!

Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
Nácar de silêncio que o mar comprime,
Ó lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
Que amanhã eu morro e não te escuto!

Aparece-me agora, que ainda reconheço
A anêmona aberta na tua face
E em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanha eu morro,
Que amanha morro e não te digo...
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