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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Copinho, só de chopp

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Gente, detesto fazer o papel da perseguida, da humilhada, da coitada. Gosto de estar no time fora da jogada. Dificilmente me deixo levar por matérias, vídeos, poesias ou choradeiras que encontro pela vida. Tento, através de muita água que já rolou aqui em cima destes pezinhos nº 39, separar o que me compete, e o que os fazedores de perseguidos estão criando. Sim, porque uma vez que você embarca no cargueiro dos injustiçados, ah! minha filha, é duro sair viu. Ninguém gosta de ter por companhia um ex-qualquer coisa.

Mas indo adiante e, tendo como respaldo lógico a minha colocação - e me perdoem se vai parecer trocadilho - a mulherada quase sempre paga o pato, a galinha, e até o porco.

Olha só: todas mulheres de sapato a sapatinho, sabem o lado desgastante e ingrato da menstruação. Nem vou falar pra também não apavorar os bofes. Mas não é fácil. E, intrigueiras de plantão, não estou falando aqui da parte boa, porque que na verdade, ela varia de mulher para mulher e este não é o assunto do post.

Mas minha Nossa Senhora do Modes, em nome da preservação do planeta, em nome da sustentabilidade e, em nome de algum filho da puta que não tinha mais o quê fazer e pra se vingar de sua mãe, inventaram um copinho. Sim meninas, um copinho pra gente enfiar na perseguida durante a menstruação. Nem vou falar dos inconvenientes de tirar, lavar, transportar. Não, vou falar do incômodo físico que deve ser.

Lá, no outro século, quando "virei mocinha", a menstruação era chamada de "incômodo", sério. A gente dizia pra madre-superiora da escola: "Hoje não posso fazer educação física por que estou incomodada." Eu comecei usando Modes, graças a Deus que é Pai. Mas algumas amigas adiantadinhas, usavam uns paninhos que tinham que ser desinfetados, lavados esterilizados e, se bobiasse, bentos pelo pároco mais próximo.

Quando apareceu o Modes, ah, foi uma festa. O Sempre-Livre? Era ouro puro. E quando acabou a polêmica se tampão tirava a virgindade ou não, já estava aprecendo o OB, ufa, que beleza. Posso dizer que a partir desse momento, não se dizia mais "incômodo". Não mesmo, por que menstruação virou uma coisa normal, amparada pela tecnologia e, por algum santo homem que quis dar mais conforto às mulheres. Ou ainda, pelo capitalismo dando seus primeiros passos em busca de outros mercados, prática que aprimoraria muito em meados do século XX e início do XXI.

Desculpe se me estendo, mas de novo, como tantas outras vezes na história da humanidade, as mulheres terão que fazer um sacrifício? E que sacrifício é este? Usar um "copinho de silicone" nas suas entranhas em nome da sustentabilidade?

Ah, faça-me o favor, e ainda ter que dizer que é confortável e aquela ladainha toda das "mina" politicamente corretas? E o mico. Imagina você naquele findi com o bofe novo, primeira viagem juntos, aquela saia-justa de se mostrar e ver ao mesmo tempo e, ao invés de levar OB, você, mulher moderna e engajada, leva seu copinho. De bobeira deixa o copinho dando sopa no banheiro. O bofe pega o elemento, sem querer e, adentra pela porta do banheiro perguntando:"Querida, que porra é essa?"
Bom, deixo o final da história pra sua criatividade, ou pra sua coleção de micos.

O que quero mesmo colocar(?) é que é ridículo, discriminatório, uma judiação fazer as mulheres pagarem esse mico, ainda que seja um mico (leão-dourado-último-da face-da-terra) ecológico.

ABAIXO O COPINHO!

PS- Meninas, as novinhas e as pós-balzac, as mais suceptíveis às críticas, não se deixem abater. As primeiras para serem aceitas no mundo "de verdade" e as segundas, para não parecerem velhas, desatualizadas. Ah, ser aceita, ser querida. Caceta que chegamos sempre nesse mesmo lugar?
Então tá! ABAIXO O COPINHO!
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8 comentários:

Eliana Andreia disse...

Valeu Wal, mete bronca ( hum , antiguinho isto) ,nada de copinho, ném de chopp;de chopp quero um canecão rssss

Miabog disse...

Nossa, Wal.... alguns dos vídeos são até “cirúrgicos”, mas tem um francês que dá nojo!!! E eu que sou neurótica, me pergunto sobre os riscos para a saúde. Afinal, corpo estranho, contaminado (afinal sangue é sangue, depois que saiu do corpo vira agente contaminante mesmo).... ai... quase que me sinto “incomodada”...no literal...rs...
Assusta... mas será?
Não estou convencida.
Agora, falando de sustentabilidade etc e tal, quanto tempo dura esse aparato e na hora de descartar...tem que levar no coletor instalado no Bradesco? Qual o impacto disto?
Olha que não vou deixar o meu no testamento...grhuuuuu...eka!!!

Walkyria Suleiman disse...

Eliana, verdade, copinho não dá. Vamos de canecão mesmo. E abaixo o copinho!

Walkyria Suleiman disse...

Márcia querida, nem tinha pensado nas implicações contaminates do lance. E na desova? Tipo vc chegando assim no Pão de Açúcar e perguntado: "Onde descarto meu copinho íntimo?" Haja mico.

Patrícia disse...

Oi Wal, não entendi, eu uso esse "copinho" há TRÊS ANOS e vou dizer que não inventaram coisa melhor, se não fosse a cólica eu esqueceria que estou menstruada. Não vaza, é muito fácil e higiênico, tem várias maneiras de manipulá-lo, dá pra correr, dormir e nadar com ele, no verão eu não me sinto com aquela fralda andando no calor, e NÃO VAZA!!! Na boa, não troco isso por nada, e ainda, jamais tiver que correr pra farmácia porque acabou o modes, o ob, etc...infecção, dependendo de como fizer, até ob dá infecção de enfiar com o dedo sujo não é?! até transar pode dar problemas não é? e sobre descartar o sangue, qual o problema de jogá-lo na privada, muito melhor que qualquer modes (que faz tempo não são de algodão)com sangue no lixo. É de silicone, não incomoda!!!

Walkyria Suleiman disse...

Pat, taí uma informação legal. Eu, que não conhecia o produto, achei esquisito, meti o pau. Mas vc usa e recomenda. Nada como a troca de idéias. Mas confesso, ainda tenho implicância com o conceito como um todo.
bjão

Lúcia disse...

pois é wal, até levei um susto com suas palavras e achei que poderia estar sendo enganada e tal... mas a verdade é que não me sinto uma pessoa que tenta ser mto moderninha e nem totalmente super ecologiamente correta (a ponto de usar algo que não me faz bem!), mas uso este maravilhoso copinho há 6 meses e nunca me senti constrangida!! muito pelo contrário: me sinto mais saudável (ob tem branqueadores e pode dar câncer!), mais em paz com a minha consciência com relação ao planeta, mais confortável (não se sente nada e não vaza!), mais descomplicada (não preciso sair correndo para comprar, esvazio/troco menos vezes durante o dia e não gasto mais dinheiro todo mês!)... claro que é preciso tomar alguns cuidados, mas nada que não fosse necessário fazer usando ob... apenas para limpar, mas que não dói nada! enfim, acho que vale a pena experimentar para dizer! para mim funcionou! e me sinto ainda mais segura em continuar usando com o relato da sua amiga patrícia que usa há mais tempo!!
obrigada pelo espaço!!
bjinhos,
Lúcia

Walkyria Suleiman disse...

Ah Lucia, você vê, tem gente que gosta do vermelho, gente que gosta do copinho, gente que usa só guardanapo de papel, e gente que usa só de pano, pra ser correta ecologicamente falando. O barato é que tem gente pra tudo, e isso é muito do bom. Fico feliz em saber que o copinho pode dar certo. Só fico puta com as "mina" que ficam de copinho em riste, dizendo que quem usa outro tipo de absorvente está por fora, polui o planeta e coisa e tal. Sabe, adoro ser livre e fazer apenas o que minha consciência manda, isso quando consigo encontrá-la, no meio de tantas vozes. Beijão pro cê.


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