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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Zé Rodrix


Quando o compositor Zé Rodrix apareceu no cenário da música brasileira, lá pelo final dos anos 60, não existia essa avalanche de informação que temos hoje, seja escrita, falada ou televisionada. Gente, não tinha emissora FM no rádio. Olha só, quando apareceu a Frequência Modulada, a gente ia comprar um rádio e perguntava - Tem FM?

Engraçado isso... de ouvir falar de uma música, até escutá-la, levava um tempo impressionante. Vocês imaginam o que era preciso pra ver o rosto do compositor? Se não me falha a memória, que tá boa viu, existia a revista Realidade, Manchete, Cruzeiro.... mais alguma? Não que chegasse às minhas pequeninas mãos, na época com uns 12 anos.

Não vou abrir espaço aqui pro papo da repressão, de artista ser mau elemento, tudo isso que você, quer pela idade, quer pelo papo, já está careca de saber. Vamos apenas nos lembrar da dificuldade na veiculação das artes em geral. A Folha Ilustrada era, de cabo a rabo, coluna social do colunista X que me esqueci do nome, sorry... mas ele nem é o foco deste post. Vamos ao foco então.

Bom, vou contar, passando um vexame justificado, que durante muito tempo eu pensava que Zé Rodrix Sá e Grarabyra fossem o mesmo cara... sério. E houve momentos que também inclui o Belchior nessa pessoa imaginária. A bem da verdade devo dizer, que por muito tempo pensei que Sandy Junior fossem uma pessoa só. É que apesar das informações diversas que recebo hoje, apelo pra ignorância programada, pois minha cabeça não tem 5000 gigas de memória e nem é lixo de imprensa desocupada.

Mas quando a linda, maravilhosa e inesquecível Elis Regina resolveu gravar tudo que era neguinho que fizesse algo diferente da famigerada Bossa Nova (feito que ela pagou caro) a gente começou a separar os Zés dos Sás. E veio aquela música que, para usar um chavão que nunca tive chance de fazer antes, foi um hino de uma geração. Uma? De várias. "Casa no Campo" tem a poesia e a melancolia suficientes pra ser em si, um sonho impossível, uma busca redonda, um paraíso sem portas de entrada.

Porque sério mesmo, quantas pessoas você conhece, incluindo o Zé Rodrix, a Elis Regina e você mesmo, talvez, que não tenham cantado essa música saindo lá do fundo da alma e que hoje, moram nessa casa no campo?

Sei dizer não, mas essa "Casa no Campo", é quase um lugar na alma, no coração. É nessa instância que ela fica bonita e real dentro de mim. Onde quer que eu esteja, levo comigo as músicas, as poesias, tudo impresso na parede indelével da minha alma. Lá estão também os amigos do peito, as memórias dessa vida milagrosa que Deus deu pra gente, e que aproveita quem merece, ou quem pode ou quem quer.

Óculos, bem, usei a vida toda, e o filho de cuca legal? Ah... Deus que é pai me deus três filhos de cuca legal, as dádivas da minha vida.

Então deixo aqui minha homenagem a esse ser-humano que soube ler lá dentro da história, que um sonho pode viver em muitas dimensões e que talvez apenas nestas instâncias eles possam superar os julgamentos severos da realidade.

Vai com Deus Zé, aqui manteremos vivas as esperanças que você enumerou tão lindamente em suas músicas.
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9 comentários:

Beatriz disse...

linda, merecida e sensível homenagem ao compositor que sintetizou em uma canção a essência do desejo - e do significado - de paz e amor, que ainda hoje, é tudo o que a gente quer da vida.

Walkyria Suleiman disse...

É véi, vc disse tudo, uma síntese enxuta, necessária e suficiente do que importa mesmo em nossas pequenas vidas.

Luiz de Macedo disse...

uma casa em um ilha serve?beijo

Walkyria Suleiman disse...

Ah Luís Edu, só se for aquela do Rockfeller que a gente invadiu, lembra?

Anônimo disse...

Wallll, adorei seu email e muito obrigada por todas as energias positivas. Tb adorei seu post, o clipezinho, tudo! Sempre passo aqui, mas não sou mto comentarista...pode deixar que, se tiver evento em sampa, te aviso! Bjoo

Laura H disse...

Wal, o comentário de cima é meu!

Walkyria Suleiman disse...

Laura, vi na hora que era você. Como assim, se tiver? Vamos fazer um evento em São Paulo pra lançar seu bloglivro. Amanhã, no laçamento do seu livro aí em BH, tudo de mais bonito pra essa nova fase da tua vida. Um beijão, querida.

ઇ‍ઉ mell® ઇ‍ઉ disse...

Wall

Trabalho em um hotel e por incrível que pareça Zé Rodrix, Sá e Guarabira fizeram um show lá para um evento de uma grande instituição financeira no início do mês!
Essa mesma instituição realizou outros tres eventos em março, mas trouxe o Jota Quest e outra banda que não lembro o nome (nada muito conhecido).
Mas imagine a geração vinte e poucos anos que trabalhou nesse evento e ao ver o nome do show perguntaram: "Quem?".
Eu lembrei-me de imediato, mas como os shows são a noite e eu trabalho de dia, não tive a oportunidade nem de cruzar com ele no lobby do hotel...
Que ele encontre a sua casinha em outros campos!
Beijos querida

Walkyria Suleiman disse...

Borboetinha mello...que esses campos se estendam a todos nós que temos esses sonhos tão simples e singelos. Um grande beijo da walll


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