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segunda-feira, 8 de junho de 2009

De malas desfeitas

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Mais uma vez estou de mudança.


Mudei inúmeras vezes na minha vida. Da casa dos meus pais, pra minha primeira casa, meu primeiro marido, meus primeiros sonhos. Na nossa vida, mudamos juntos pra três lugares diferentes. Depois, com o fim do nosso casamento, mudei de novo, de lugar físico, de sonhos e de ilusões.

Em meio a todas essas mudanças, houveram também casinhas alugadas em praias e em cidadezinhas do interior, tudo costurado como um bordado na memória da vida vivida.


A lembrança arquiteta espaços, delineia sombras, revela cenas e silhuetas perdidas dentro de memórias esfumaçadas nos corredores da alma.


É muita história!

Hoje me desfaço de outra casinha no interior, de alguns sonhos e de certezas que se mostraram bem incertas.


Agora, no meio da sala, lançando um olhar panorâmico, posso adivinhar e seguir, como num mapa, todos os anos que vivi. Para onde fui viajando nessa vida, levei junto a mim alguns objetos, testemunhas sensíveis, obedientes realidades do meu passado.


É desgastante essa história de livre-arbítrio, de fazer escolhas, seleções. Tenho vontade de, como inúmeras vezes fiz, levar tudo, guardar tudo, fantasiando um possível uso futuro, ou então, no caso ainda mais doloroso, admitir entre dentes, que não quero me desfazer de mais nada!


Quero tudo de volta!

Quero meus amores, minha infância, minha juventude, minhas doces e pueris ilusões, meus sonhos sonhados pra ninguém.

Quero meus entes queridos que se foram, quero meus mortos, minhas saudades, meus sentimentos efêmeros e imaginados.


Choro 360 graus de lágrimas, silenciadas, no centro dessa montanha, no centro do mundo, dentro dessa pequena casa, hoje, o centro da minha vida.

Sei, pressinto, vem enrodilhado no meu peito, dançando circularmente por entre minhas passagens, um tornado que vai explodir, agora, nessa sala.


Preciso decidir!

O quê preciso levar?

O quê não tem mesmo utilidade,

o quê devo guardar, como me desfazer?


Sei que na verdade, a opção é bem simples:

- Quanto de lembrança e memória vivida meu futuro precisa?

- Quanto de passado perdido meu presente suporta?


Pressinto a chance de esvaziar, de limpar, de tornar esse espaço tão amplo, que nenhuma bússola possa determinar os pontos cardeais. Sim,

porque num lugar sem fronteiras, sem referências, como determinar um norte?


Será esse finalmente então, o meu céu aberto?



10 comentários:

Pedro Antônio disse...

Waaalll!...

O seu blog é maravilhosooo! Parabéns!

Me diverti à beça com os dizeres do seu perfil! KKKKKKKK!

Você tem uma energia sensacional!

Obrigado pela visita! Agora já somos grandes amigos. Volte lá na Torre, tá!? Sempre!

Um beijãooooo!

Pedro Antônio - A TORRE MÁGICA

Pedro Antônio disse...

Obrigadooooo, Wal!

Você é muito lindaaaa! :)
E olha: o seu texto é muuuuuito gostoso! Você tem um jeito todo especial de escrever! Acredite!

Um beijooooooo estalado!

Pedro Antônio

Anônimo disse...

Wall, já te mandei diversos emails respondendo suas perguntas e acho q vc não está recebendo, por isso decidi mandar um comentário aqui. Por favor, dê uma olhadinha na sua caixa de lixo, pq meus emails devem estar sendo direcionados para lá! Ou então, se vc tiver outro email, me avise! Obrigada!

Laura H disse...

Ops, o comentário anterior foi meu! bjo Laura H

Bea - Compulsão Diária disse...

Choro 360º com vc. Vivi mais de 50 anos na avenida Paulista. Estudei no Dante, depois Puc, frequentei Clube lá embaixo nos jardins, mas eram walking distance. Sempre ali no 17º andar de um prédio na são Carlos do Pinhal . Casei, tive filhos sempre no mesmo quarteirão. Mudei muitas vezes mas no mesmo bloco - entre Carlos Sampaio e alameda campinas. Agora, aposentada e casada recentemente vim morar numa cidadezinha perto de poeto-seguro. Estou construindo uma casa estilo santa fé!
Walkíria tudo pra dizer que encontrar vc na net é um grande achado. uma descoberta feliz, imagino!
Seguirei seu blog e sua criatividade encantadors e fortes.
um beijo
Beatriz

RONALDO DERLY RODRIGUES disse...

maravilhoso seu texto e pensamento como sempre,parabéns,um abraço.

ronaldo derly.

Eduardo Barbossa disse...

Parabéns você é muito talentosa.
Obrigado pela sua visita. Agora que conheci o seu espaço, passarei mais vezes, pois estou seguindo você.

Um grande abraço.

Eduardo

Walkyria Suleiman disse...

Obrigada, Eduardo, Ronaldo, que seria de mim sem gente bacana assim como vocês? Escreveria pras paredes.... Obrigada pelo carinho!

Walkyria Suleiman disse...

Bea, vindo de você, que descreve sentimentos tão arrasadores no teu blog, é um elogio e tanto. Obrigada!

Walkyria Suleiman disse...

Obrigada, Eduardo, Ronaldo, que seria de mim sem gente bacana assim como vocês? Escreveria pras paredes.... Obrigada pelo carinho!


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