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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Espelho, fotografia, reflexo e ponto cego

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Uma pessoa que eu admiro bastante, disse uma certa vez, algo muito perturbador. Foi o Romeu, lá na Vila Yamaguishi, e foi mais ou menos assim que ele mandou.

- As pessoas têm que assumir as suas limitações. Por exemplo, por mais que alguém se esforce, ela nunca vai enxergar a própria bunda.

Cá cá cá, todos riram, aliviaram-se das tensões do assunto que a gente estava tratando, e boa, ficou por isso mesmo.

Eu, do meu lado, garrei a matutar, “Como assim? Que história é essa? Que coisa mais louca e idiota que ele disse. É claro que não posso enxergar minha bunda, afinal, meus olhos são na frente, não atrás”.

Ok, pode parecer loucura, mas eu continuei pensando nisso, enquanto, com o canto do olho, olhava pro Romeu. E não foi preciso muito pra eu me apaixonar pela idéia. Se eu não posso enxergar nem a minha bunda, imagina a quantidade de coisas em mim, muito mais importantes do que a bunda, que eu não consigo ver? Pois é macacada, acho que vem daí a expressão “o cara não se enxerga”, ou “ele não tem espelho em casa”.

Isso é muito sério, primeiro porque, definitivamente, precisamos do auxilio luxuoso de alguém para enxergarmos coisas em nós - por exemplo a bunda - , que não podemos nem nunca poderemos enxergar. Segundo, que se não fosse o olhar do outro, muitas coisas passariam despercebidas para nós. Haja vista a quantidade de atitudes iguais a dos nossos pais que perpetuamos, e que insistimos em criticar – como, aliás eu já comentei aqui, depois de passar um fim de semana com meu pai, onde, ele me irritou tanto, não pelas coisas que ele fez, mas porque eu me percebi fazendo tudinho igual a ele.

Resumindo, a gente tem mesmo, a exemplo dos olhos da face, um ponto cego nos olhos da alma.

Ai meu Deus, é engraçada essa vida, vamos rir macacada que é “causo” de riso mesmo.

Bom, tudo isso é só pra dizer que deve ser por essa razão que a fotografia exerce na gente - mesmo com o advento de tanta tecnologia - tamanho fascínio. A gente quer ver a foto da fulana na revista, a foto da mãe dela e do namorado dela. Quem não gosta de revistas, assim como eu, tem que manipular a mente, porque o olho vai lá dar uma volta e vê, e vê com todas as letras a chamada da capa: "Sensacional, Maria dos Anzóis nua em pelo” e dá aquela vontade de abrir a revista e ver a foto, daquela pessoa que, por Deus, eu nunca quis ver nada, que dirá uma foto nua em pelo e cabelo.

Pois é, quando a foto é nossa então, valha-me Deus, a gente para o filme - Pera ai, volta, hum, deixa eu ver, nossa, estou diferente, ah! eu não sou assim tão magra, ou gorda, ou vesga - what ever. Quando chega a nossa foto, o interesse é animal.

Então vamos voltar ao pensamento original. A gente também não pode ver a própria cara. Então, se ver assim, numa foto, é uma experiência avassaladora. “Poxa, é assim que eu sou? Tradução: é assim que os outros me veem, enquanto eu me imagino de outra forma?

A gente precisa do outro mesmo. Eu costumo dizer que minhas amigas são minha biografia ambulante. Eu digo isso e aquilo e elas fazem, nã nã nã com a cabeça e me dizem, as chatas, com as minhas palavras, uma coisa que acaba por contradizer totalmente minha afirmativa anterior e que, via de regra, eu já havia me esquecido.

Sou obrigada a pensar, a repensar, e dar o bracinho a torcer.

É muito lindo isso, alivia, faz a gente dar importância ao que merece, e de quebra, ver a própria bunda.

Isso gente, se nesse mundo maluco, você conseguir plantar, cultivar e cuidar de uma amizade. O quê não é pouco, acreditem..

Então era isso.

No videozinho a seguir, tem uma montagem de fotos que o Daniel fez de mim, sua própria mãe, motorista, cozinheira, diagramadora, letrista, revisora, costureira, conselheira, cabeleireira, enfermeira, lavadeira, e agora, modela.

Foi pra Faculdade (o trabalho) e o professor disse que eles teriam que fazer um ensaio fotográfico, sem máquina digital, onde o mote fosse a naturalidade, lembrando-se de passar um astral, um clima, tipo um editorial de moda sem moda. É duro entender, mas é o subliminar, minha gente.

O Daniel achou que, nada mais natural do que a mamis aqui, acordando numa manhã de domingo. Dá pra perceber pela cara de bolacha descabelada.

E para ter sentido o romance que escrevi acima, pra mim ficou assim: “hum...será que eu posto isso no blog? Será que vão me chamar de bonitona encalhada? Ou será que vão achar que eu tô me achando”?

O fato é que eu gostei, porque a auto-estima é uma coisa muito volúvel, quase líquida mesmo. E às vezes - como eu e um amigão comentamos (o Alam) - , auto-estima é feito boi bravo: você tem que laçar o bicho no muque.

Ficou confuso? Desculpa gente, mas eu sou confusa mesmo... e complexa. Ah, e não enxergo minha própria bunda.

video
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18 comentários:

Senhor da Vida disse...

Esse seu texto daria uma excelente reflexao no meu blog, no que se refere ao arcano A lua, numero 18 no tarot.
Ele ressalta de certa forma essa coisa da gente nao ter uma ideia clara sobre alguns aspectos da gente mesmo, ou como no seu exemplo fotografico, as vezes fantasiamos coisas, que a foto pode desfazer de forma positiva ou negativa.
A beleza como sempre é relativa.
Mas de fato, como seria dificil se nao tivessemos amigos pra apontar nossos limites, nosas qualidades, auxiliando-nos nesse mudno tao doido e divertido.
Beijos!

Walkyria Suleiman disse...

É, eu não entendo de Tarot, acho difícil, mas ouvindo(?) vc falar, até que realizo algo. As fase da lua, os lados escuros, a lilith.... legal, legal! Sinal que tem a ver, que somos assim e que talvez, faça parte essa caminhada. E sem os queridos amigos...que seria?

Sergio disse...

Nossa, que linda!! Ficou muito boa a sequência, Wallll!!!
As fotos, a trilha... lindas!
E o texto de brinde está demais!
beijão pra você, parabéns pro Dani!

Denigro disse...

What a wonderful blog. The image on the top is a screen-shot of "Streets of Rage" (a Sega Genesis Videogame)? :D

disse...

Amiga, viva o espelho, que sem ele nem a alma nem a bunda a gente veria!
Mesmo que a fotografia as vezes seja o espelho do outro e não o nosso, que prazer ver um espelho.
bjs

Walkyria Suleiman disse...

Serjaço, vindo de vc é um elogio e tanto. Legal o trabalho do nosso menino, né?

Walkyria Suleiman disse...

Hi, i don´t know, if it was.... actualy is a GIF. Thanks for your visit and for your words.

Walkyria Suleiman disse...

Má minha nega, gente que se re-conhece como a gente, adora encontrar espelhos. Né, espelhinha....

A.S. disse...

Walkyria,

Apreciei muito este post. Confesso que fiquei a saber coisas que desconhecia!

Um tema bem interessante!

Beijos...

A.S. disse...

Walkyria...

Claro que vi as fotos! Lindas, sensuais e muito intimistas... Adorei!!!


Beijos...

Duras Realidades disse...

Clap...Clap..Clap....você viu as fotos..aposto que nem viu? ENAAAAAAAAAAAAAA Clap..Clap..Clap...a menina está a vender o corpinho é? chery que coisa mais vulgar..precisava chamar assim a sua atenção...precisava OFERECIDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA.******** BERROU******* por cá têm fama e é bem verdade BRASILEIRA É OFERECIDA MESSSSSMOOOOOOOOOOO

Walkyria Suleiman disse...

E mulher é invejosa. Bem, pelo menos as que enfrentam uma Dura Realidade. E sem mais POR CÁ!

Elinha disse...

adorei seu texto, um deleite para os olhos.
realmente fica a reflexão: como me vejo?
como os outros me veem?
e a discordancia de algo tao simples e ao mesmo tempo tao complexo...
boa noite, bjo.

Walkyria Suleiman disse...

Elinha, adoro este tipo de questioamneto. Ele abre espaço na mente, ao invés de encolhê-la. Essa discordância, a proximidade louca entre o simples e o complexo.... legal querida, já comecei a matutar.

Gaby Tischer disse...

Amiga...tudo lindo!!! Seu texto, você, a visão do Dani, as fotos , a música...aceitar-se e ver a beleza real que se tem. Linda por dentro e por fora, cabeça linda, coração lindo... bom ter vcs nessa vida.
Parabens pros 2!! beijokonas

Walkyria Suleiman disse...

Gabirobinha, vc sabe, a gente não é nada sem o outro. E cada um é por si...vai entender. Mas o fato é que como disse o Júlio, sobre aquele filme "Na natureza Selvagem", a felicidade só existe quando compartilhada. Resumo, vai, a gente aqui de casa te adora!

Sylvio. disse...

Fácil se apaixonar... Será que me apaixonei? Não..., acho que não. Não poderia. Talvez, não deveria...
Mas que é fácil, é.

Pensei ao abrir: será que tem musiquinha? Tinha. Abri meu espírito, relaxado, e deixei que as imagens entrassem pelos meus olhos, descessem pela minha garganta, e enchessem meu peito, tipo assim, com uma 'alegria', como essa que sinto agora, por ter visto um trabalho muito bem feito, e feito por quem o fez. Ficou tãão bom! Se colocar sua imagem fumando naquela manhã, na parte de trás dos maços de cigarro..., ferrou! Como as outras, todas elas, essa ficou bonita.
Parabéns. À vc, e ao Daniel. E não só pelas fotos, mas por toda a riqueza de um passado que permitiu que elas fossem tiradas, e que esse bonito trabalho fosse feito..

Francisco Coimbra disse...

O desafio é só pensar: O que dizer? De seguida, basta voltar a esse momento, deixando as palavras que se formam. Quanto às que nos transformam,são aquelas capazes de desvendar do que vimos, quem vimos a ver sem ser o que vimos. Neste ponto já me começo a parecer com meu modelo, ela (você) acaba dizendo ser complexa e coisa e tal. Bem à falta de fotos, os factos levam-me a dar os parabéns e dizer ter gostado de ver o trabalho feito e o que não sendo trabalho já estava feito: cenário, modelo, tudo isso... Como acabo? Bjs


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