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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Isabel Allende e erros hipotéticos


Eu li tudo que a Isabel Allende escreveu, menos um livro de culinária e sensualidade, que não me cativou.

Ela começa todos os livros no dia 7 de fevereiro, é um tipo de lema, impulso, mágica, sei não dizer melhor. Vai daí, que fico na maior torcida, em fevereiro, pra que ela se anime e, comece mais uma obra que mudará os rumos da minha vida.

Sim, porque eu sou outra pessoa depois da Isabel. Eu gosto de tudo que me transforma, que me impulsiona. Que graça tem ver, assistir, conversar, ler ou pensar algo que fica dando volta dentro de si mesmo, tipo peão? Nenhuma gentefina.

Quero novos horizontes, quero pensar algo livre do passado e, ao mesmo tempo, dependente do passado. Pois, qualquer pensamento, seja ele qual for, nasce lá, em algo que vivenciamos e, que, se você ficar esperta, está espreitando pra florescer com as semente que o presente lança, ininterruptamente, no solo do nosso coração.

Mas... esse movimento tem seu lado (supostamente) negativo. Veja bem: quando você descobre algo, realiza uma novidade, não dá pra seguir adiante sendo a mesma pessoa. A gente muda automaticamente e, automaticamente também teima em repetir velhos modelos, anteriores ao novo pensamento. É da natureza humana.

Isso causa muita dor e arrependimento. Porque a gente sabe já algo novo, “mas saber, não é fazer”. Logo, tem que pôr alguma força de vontade nesse lance.

Tipo que, a gente estava aí na vida, errando hipoteticamente, porque, veja bem , nem sabia que existia outra maneira de agir. Então vem alguém, como a Isabel, e abre uma porta nova dentro da mente da gente. É uma espécie de problema porque, a partir daquele momento, você não pode fingir que não sabe, teimar em fechar os olhos e deixar pra outra hora encarar. Não dá!

Quando a gente descobre algo, “não há caminho para trás” - como disse o Herman Hesse (que por sinal, é outro que agradeço a existência).

Mas tem uma coisa bonita nisso tudo. Além de seguirmos em frente, agora com novas possibilidades de ação, ainda sabemos que não há caminho para trás. Legal, né? Vai, dá pra sentir uma ponta de esperança.

Essas coisinhas assim, que brotam no meu coração, me dão uma espécie de felicidade muito íntima, dessas que a gente guarda com muito carinho e, que nada, nem ninguém pode tirar de mim.

Meu único problema com a Isabel Allende é que todos os livros dela eu começo e vou, até quase o final, em tempo recorde, tipo 1 semana. Depois fico 1 mês lendo 1 página por dia, com pena que o livro acabe. Coisa de gente ansiosa, endorfínica e sanguínea.

Mas, fazer o quê.... essa sou eu. E é melhor eu me aceitar, se é que quero que alguém compre o meu peixe. Digo, a minha bacia de peixe.
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22 comentários:

umihoney disse...

visiting you my friend, as always i love your article.Take care.Hugs

Ana Lucia Franco disse...

Oi Walkyria, Isabel é uma das minhas escritoras prediletas. O que acho legal nela é que não tem muito intelectualismo, muita erudição, ela escreve com o coração e pega de jeito. Difícil largar um livro dela, depois de começado. O que mais gostei foi Paula, que ela fez para a filha e, claro, A Casa dos Espíritos. Afrodite, o de receitas, também achei ótimo!

abrs!

Manuel disse...

Sabe minha amiga que noto dos seus escritos alguma tristeza e muita nostalgia. Será que estou enganado?
De facto, a Isabel Allende tem algo que nos prende embora eu ache que ela enveredou um pouco pelo lado comercial.

alice disse...

eu li dois livros, só, mas gostei. não sabia do fetiche do dia 7 de fevereiro... acho muito interessante! será que dá sorte? beijinhos, walkyria.

umihoney disse...

My dear friend do visit my blog coz I have an award for you :)

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Amiga.

Só o que nos dá sentido.
têm sentido.

Sobre o amor conjugal tema de um comentário,
penso que ele é importante.
mas há ( e ainda bem que há)
felicidades plenas fora dele.
São tantas as formas de amar,
que são muitos os caminhos para se chegar a este amor.

Que o amor tome sempre conta de ti

Gilson disse...

Minha menina, continuarei te esperando. A foto ficou excelente.

Bjs

Gerana Damulakis disse...

Um dos maiores prazeres da vida: ter paixões literárias e usufrir disso.
Tenho inúmeras.

betina moraes disse...

wal...

durante a semana passada coloquei isabel em minha página, para lembrar e homenagear a escritora talentosa que ela é. coloquei a capa do livro "inés da minha alma" que é um grande alento para a alma feminina, como todos os que ela escreve.

se te falta "afrodite", acredite, não pode faltar! há trechos imperdíveis sobre erotismo, sensualidade e sexo. há impressões perfeitas sobre o amor e ainda a paixão por uma arte que exercito como religião: cozinhar.

o mundo se cura na cozinha, com-prove...


suas sensações sobre isabel são impressões maravilhosas de sua identidade.


um beijo, irmã.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Gentefina, eu acho bem engraçada e tosca a ideia de que para ser bom, o cara tem que passar necesssidade, morrer na miséria etc.

Enfim, no nosso mundo capitalista significa não vender. Ou seja, se o cara vende, é comercial. Desculpe, mas tem algo errado nessa formulação.

Adoro a Isabel Allende, espero que ela venda bastante mesmo, pois assim pode continuar a escrever, e não fazendo bolinhos naturais pra vender na praia da Califórnia, para sobreviver.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Garana
quer me deixar maluca, é quando descubro que li tudo de alguma paixão literária. Falta chão. Então vou correndo pra vida arrumar outra paixão.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Umihoney
darling, thanks for evrething. You are so kind!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Ana
assino embaixo. Cada linha da Isabel me abala!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Alice
podemos tentar...rsss. Mas no caso dela, é para ter método, senão ela viaja muito.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Alice
tem mais, isso tem a ver com a morte da filha dela....

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Aluisio
é isso aí, tem muito amor em tudo. Amor conjugal é apenas um dos amores possívei. Mas acredito que quando se ama, coisa difícil, está-se apto a todo tipo de amor.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Gilson
fica firme mano!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Manuel meu querido

estive um pouco ensimesmada mesmo, mas são passagens necessárias.

Nostalgia não. Sinto saudade apenas do futuro!
obrigada pela tua sensibilidade.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Betina, mana

olha só, vou providenciar Afrodite então. Amei Inês da minha alma.
Adoro a Isabel, ela é alguém que, como vc, me traz de volta pra casa.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Betina
vc é demais
com-provarei!

ju rigoni disse...

Isabel é tudo de bom. É como aquele amigo que te convida para conhecer um novo caminho e, numa linguagem muito clara, tantas vezes criticada, te toma pela mão, e quando você se dá conta, soltou-se, e está caminhando por sua própria conta para dentro de si mesma, entre ânsia e pena de chegar ao final.

Devo dizer que sofro dessa, digamos assim, síndrome do final, toda vez que tenho o livro de um bom escritor em mãos.

Se a vida é tão boa, quem quer saber antecipadamente o dia em que vai morrer? É mais ou menos esta a sensação, se é que me fiz entender... rsrs

Vou pra outro, que aqui já falei pra caramba... Bjs.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

JU...rerere, se fez entender sim... detesto finais, seja do que for, até de uma barra de chocolate no armário....economizo! Detesto despedir das pessoas num festa, reunião, até almoço familiar quero sair sem dizer nada.


voltar pro céu