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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Saudade mata a gente, neguinha


Olha, tenho que dizer. Desde ontem tô morrendo de saudade da minha mãe. Ela morreu faz 1 ano e meio e é o seguinte gente: não melhora. Muito bacana e consolador quando as pessoas me diziam que, com o tempo, ia melhorar, que eu me acostumaria. Não é verdade. NÃO É VERDADE!

Pode passar o tempo que for, que eu ainda terei saudades da minha mãe. Ou será que o tempo me fará esquecer dela? Besteira, eu tenho cada dia mais saudades. Eu vou vivendo, coisa vai coisa vem, os dias vão passando, a vida seguindo seu curso, como um rio e, de repente, puta merda, eu acordo de manhã e realizo que não tenho mais a minha mãe. É assim mesmo, tipo uma surpresa falsa, porque eu sei que ela morreu e, ao mesmo tempo, ainda me surpreendo com sua falta.

Sabe quando a gente revê um filme e fica, o tempo todo, achando, em algum lugar indefinido dentro de nós, com uma esperança débil, que desta vez será diferente o final do filme? Pois é, é assim.

Há um tempo atrás, eu estava meio revoltada com minha mãe. Eu pensava "mãe, tenha dó, você podia telefonar, mandar um e.mail, um sinal, uma mensagem qualquer, que falta de consideração. E daí que é proibido mandar mensagens? E eu com isso? Quanta coisa proibida a gente faz na vida, quer me enganar que na morte é diferente? Vai me dizer que você não podia dar uma pisada na bola e me dizer como você está?" Pode parecer engraçado, mas eu pensava isso mesmo. Fiquei muito ressentida com a falta de notícias. Mas com isso me conformei.

Porém existem coisas que não passam. Não sei dizer, mas é como se o tempo tivesse ficado suspenso depois de sua morte. As coisas que compartilhávamos, a hora do dia em que eu telefonava pra ela, o jeito que ela me agradecia aquela reles ligação.... As coisas que me acontecem e que, só pra ela eu poderia contar, porque só ela gente, só ela me achava a pessoa mais dotada de todas as eras da humanidade. Era minha mãe né? Desconto gente, desconto.

Todo gesto que compunha o nosso pequeno mundo, cada parte desse sonho da memória, ainda acontece, meu coração lembra disso todo dia, como se em outro universo, num mundo paralelo, todos estes pequenos atos, ainda acontecessem. Porque acontecem, eu sei, eu sinto!

Às vezes, o meu lado crítico me diz, que isso tudo é um pouco de irresponsabilidade; explico. Parece que é mais fácil eu ficar assim toda chorosa pela minha mãe, enquanto, simultaneamente, ainda restam alguns vivos, tipo meu pai, que eu poderia estar fazendo mais.

A gente não presta mesmo. Não sei se fui clara, mas se eu não pegar este trem, no futuro, quando meu pai se for, desta pra melhor ( é o que dizem), eu vou me arrepender do que deixei de fazer por ele. Ou seja, saudades da minha mãe, independente de quanto é doloroso, tem que servir a algo, ou eu não me chamo Walkyria, como ela , aliás, chamava também. Tem que servir pra me fazer mais presente na vida daqueles a quem amo.

Mas e a preguiça? E meus compromissos? E a minha vida, meus sonhos, minhas necessidades, minha dúvidas e a falta de tempo?

É gente, eu confesso, algo tem que mudar nessa equação. Quando as pessoas a quem amo se forem, quero saber, de dentro do meu coração, que tudo foi dito, que tudo foi feito, que não guardei nem um pedacinho do coração pra outra encarnação, quero ter gasto todo amor de que fui munida por Deus.

Quero ter a alma leve e os olhos límpidos, pra poder chorar de saudades, sem medo, sem vergonha e sem arrependimento.

Isso me leva a outro assunto, que fica pra uma próxima, mas vou voltar a falar dessa coisa louca que é a nossa mente nos enganando.

8 comentários:

tati blue disse...

eu era assim com meu pai, meu melhor amigo, o cara que eu conversava TUDO... mas ele se foi... de cara disseram a mim e a minha mãe (detalhe, no mesmo dia perdemos meu irmão junto com meu pai, era irmão único... era somente eu e ele), que iria amenizar depois de 3 anos. só Deus sabe o quanto doeu esses 3 anos.
este ano fez 13 anos sem eles, sem meu melhor amigo, mas hoje em dia não dói como doía com 1 ano, 2 anos, 3 anos... etc...
hoje em dia consigo falar sobre isso sem chorar, sem morrer de dor de tanta saudades.
sinto saudades sim... mas... aprendi que chorar e lamentar não vai adiantar nada!
entendo seu sentimento.
não tem o que falar, tem?
bjo
Deus abençoe.

Walkyria Suleiman disse...

Tati, lamentar não adianta mesmo, mas ter saudades, é como vc disse, tem o quê falar? Obrigada por me escutar e retornar essa mensagem tão amiga.

Hammelinn disse...

Interesante tu publicaciòn, un beso grande,

Interessante seu post, um grande beijo,

Fede Hammelinn

ednampc disse...

Querida Wal,
Hoje usei aquela panela tipo frigideira que você me deu e fiquei com saudades. Imagina quanta saudade a gente tem pra sentir das pessoas que nos são caras. Somos assim: paralizamos no tempo desejos e afetos. O importante dessa vivência é a compreensão da singularidade da vida, as coisas vem e vão. Como se diz: Deus dá Deus tira. Nos resta a lembrança que aplaca a saudade e sempre ela estará lá viva nas coisas que vivemos.

Walkyria Suleiman disse...

Edna querida, que bom que eu tenho você na minha vida. Em todos os momentos, estamos sempre conectadas.

Senhor da Vida disse...

Apesar de atrasadinho, preciso dizer que concordo com voce e acrescento que na religiao de espiritismo somos condicionados a nos conformar com a perda, pois sabemos que tudo segue um ciclo, mesmo que as circunstancia da morte nao nos pareça natural.
Mas gente, como é difici domar esse sentimento de tristeza, falta, nostalgia, principlamente quando essa pessoa que hoje pode estar num lugar infinitamente melhor que aqui na Terra, é alguem que amamos muito.
Hoje tenho apenas meu vô materno, pois meus paternos ja estao em outros mundos, e a minha vó materna tambem faz pouco tempo de partida.
Mas toda a familia ainda sente sua presença, sonha com ela, se ressente, e tenta com custo seguir a caminhada.
Eu tento como espiritualista incentivar a todos com essa ideia de bom lugar , e que a realidade aqui exige nossa firmeza em continuar vivendo. mas sei bem o que sentir saudades,porque ela doi ate mesmo quando é de alguem que esta vivo.Bjs!

Walkyria Suleiman disse...

Então, na morte da minha mãe, essa espiritualidade estava bem presente. E, de muitos modos sinto que ela está realmente bem. Engraçado, a gente que não fica bem, né? Saudade....
Obrigada por sua atenção sempre tão clara e direta

Walkyria Suleiman disse...

AH, era pso Senhor...esse comentário.


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