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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Humana, límpida e delicada





Gente fina, poucas vezes na minha vida li algo tão humano, tocante e fino como a carta de de saída do PT da Senadora Marina Silva. Quero deixar claro que não voto no PV, não gosto dos figurões de lá, e deixar claro também, que isso aqui não tem nada a ver com política.

Mas, na hora em que muito do "mundo livre" se perde na discussão absolutamente esnobe e preconceituosa do criacionismoXdarwinismo, é gratificante ver essa mulher conseguir ser humana e límpida, por cima de qualquer seita, crença, partido ou "teorias científicas.
E aqui a carta, na íntegra, envia da pelo amigo Wagner Soares, o Gui.

“Caro companheiro Ricardo Berzoini,

Tornou-se pública nas últimas semanas, tendo sido
objeto de conversa fraterna entre nós, a reflexão política em que me
encontro há algum tempo e que passou a exigir de mim definições,
diante do convite do Partido Verde para uma construção programática
capaz de apresentar ao Brasil um projeto nacional que expresse os
conhecimentos, experiências e propostas voltados para um modelo de
desenvolvimento em cujo cerne esteja a sustentabilidade ambiental,
social e econômica.

O que antes era tratado em pequeno círculo de
familiares, amigos e companheiros de trajetória política, foi muito
ampliado pelo diálogo com lideranças e militantes do Partido dos
Trabalhadores, a cujos argumentos e questionamentos me expus com
lealdade e atenção. Não foi para mim um processo fácil. Ao contrário,
foi intenso, profundamente marcado pela emoção e pela vinda à tona de
cada momento significativo de uma trajetória de quase trinta anos, na
qual ajudei a construir o sonho de um Brasil democrático, com justiça
e inclusão social, com indubitáveis avanços materializados na eleição
do Presidente Lula, em 2002.

Hoje lhe comunico minha decisão de deixar o Partido
dos Trabalhadores. É uma decisão que exigiu de mim coragem para sair
daquela que foi até agora a minha casa política e pela qual tenho
tanto respeito, mas estou certa de que o faço numa inflexão necessária
à coerência com o que acredito ser necessário alcançar como novo
patamar de conquistas para os brasileiros e para a humanidade. Tenho
certeza de que enfrentarei muitas dificuldades, mas a busca do novo,
mesmo quando cercada de cuidados para não desconstituir os avanços a
duras penas alcançados, nunca é isenta de riscos.

Tenho a firme convicção de que essa decisão vai ao
encontro do pensamento de milhares de pessoas no Brasil e no mundo,
que há muitas décadas apontam objetivamente os equívocos da concepção
do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo,
com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a
maioria, ao custo, principalmente para os mais pobres, da destruição
de recursos naturais e da qualidade de vida.

Tive a honra de ser ministra do Meio Ambiente do
governo Lula e participei de importantes conquistas, das quais poderia
citar, a título de exemplo, a queda do desmatamento na Amazônia, a
estruturação e fortalecimento do sistema de licenciamento ambiental, a
criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação federal,
do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do
Serviço Florestal Brasileiro. Entendo, porém, que faltaram condições
políticas para avançar no campo da visão estratégica, ou seja, de
fazer a questão ambiental alojar-se no coração do governo e do
conjunto das políticas públicas.

É evidente que a resistência a essa mudança de enfoque
não é exclusiva de governos. Ela está presente nos partidos políticos
em geral e em vários setores da sociedade, que reagem a sair de suas
práticas insustentáveis e pressionam as estruturas públicas para
mantê-las.

Uma parte das pessoas com quem dialoguei nas últimas
semanas perguntou-me por que não continuar fazendo esse embate dentro
do PT. E chego à conclusão de que, após 30 anos de luta socioambiental
no Brasil – com importantes experiências em curso, que deveriam ganhar
escala nacional, provindas de governos locais e estaduais, agências
federais, academia, movimentos sociais, empresas, comunidades locais e
as organizações não-governamentais – é o momento não mais de continuar
fazendo o embate para convencer o partido político do qual fiz parte
por quase trinta anos, mas sim o do encontro com os diferentes setores
da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como
agentes da luta por um Brasil justo e sustentável, a fazer prosperar a
mudança de valores e paradigmas que sinalizará um novo padrão de
desenvolvimento para o País. Assim como vem sendo feito pelo próprio
Partido dos Trabalhadores, desde sua origem, no que diz respeito à
defesa da democracia com participação popular, da justiça social e dos
direitos humanos.

Finalmente, agradeço a forma acolhedora e respeitosa
com que me ouviu, estendendo a mesma gratidão a todos os militantes e
dirigentes com quem dialoguei nesse período, particularmente a Aloizio
Mercadante e a meus companheiros da bancada do Senado, que sempre me
acolheram em todos esses momentos. E, de modo muito especial, quero me
referir aos companheiros do Acre, de quem não me despedi, porque
acredito firmemente que temos uma parceria indestrutível, acima de
filiações partidárias. Não fiz nenhum movimento para que outros me
acompanhassem na saída do PT, respeitando o espaço de exercício da
cidadania política de cada militante. Não estou negando os
imprescindíveis frutos das searas já plantadas, estou apenas me
dispondo a continuar as semeaduras em outras searas."

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8 comentários:

milu disse...

Eta mulher de fibra....Esse pais precisava de pelo menos umas 50 MARINAS..

L;uantes disse...

Olá
gostei de ver te a seguir o meu blog
Retribuo a visita com, muita simpatia e admiração
Mulher valente
bjsss
Vou continuar a passar por aqui

Walkyria Suleiman disse...

Milu, de longe vejo sua viagem.... e suas preces e desejos.

Walkyria Suleiman disse...

L;uantes, obrigada amiga cibernética. Vamos navegando!

Sylvio. disse...

Não li a carta agora. Já tinha conhecimento dela, passei uma vista de olhos.
De qualquer maneira ouvi outras coisas que ela disse qundo se posicionaperante outros parlamentares. Sempre surprende, sempre.
Estou me apaixonando por ela.

Se ela me pedisse, (ou não pedisse), mandaria um dízimo pro comitê de eleição dela.
Taí uma idéia! :D

Walkyria Suleiman disse...

Ai, ai Sylvio, pra você ver que não é difícil dar o dízimo. Eu vada também,

Walkyria Suleiman disse...

Mas só vc pra pensar algo assim...rsrsrs.

Sylvio. disse...

Nosso dízimo não seria inconsequentemente burro, né?
"Vc vada também"..., como assim? :)

Ahhhh, Wall. Vc se surprenderia!
De qualquer modo, vc é um terreno fértil para que despertemos/criemos boas idéias.

Wall, vai ter almoço de fim de ano? :)


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