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sábado, 24 de outubro de 2009

Pablo Neruda

Há alguma coisa mais triste

que um trem imóvel na chuva?


Por que choram tanto as nuvens

e cada vez são mais alegres?


Posso perguntar ao meu livro

se é verdade que o escrevi?


Por que os velhos esquecem as dívidas

e as queimaduras?


Também não pode matar-te

um beijo de primavera?


E o pai que vive nos sonhos

volta a morrer quando despertas?


Se a minha alma se foi,

por que me segue o esqueleto?


Que mais pesam na cintura,

as dores ou as recordações?


É tão pouco o que sabemos

e tanto o que presumimos

E tão lentamente aprendemos,

que perguntamos, e morremos.


Melhor guardemos o orgulho

para a cidade dos mortos

No dia dos defuntos.


E ali,

quando o vento recorra

aos buracos da tua caveira

Te revelará tanto enigma,

sussurrando-te a verdade

Onde estiveram as tuas orelhas. "

Dica de Amigo - YuriBranckholi

18 comentários:

Lau Milesi disse...

Olá Walkyria!!! Obrigada por ter me visitado e "ficado". rs Demorei a retribuir a visita, mas cheguei. Desculpe.
Lindo poema !!! Amo Neruda!!!
Um beijo e volte sempre no Renascendo. Adoro esssa interação!

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

"Melhor guardemos o orgulho para a cidade dos mortos
No dia dos defuntos"

Essa frase me deu medo e alegria porque é uma sentença e uma verdade, ela nos leva para uma única verdade: somos finitos

Sylvio. disse...

Uma interação que acaba 'pegando a gente'.

Bem... Quanto ao Neruda: suas palavras (nem os sinto como 'versos') penetram profundamente misturando-se à nossa química corporal, como um bom veneno.

Sergio López disse...

Your photography is very visual. I like it!. Very good blog content.

Greetings.

Walkyria Suleiman disse...

Lau, qu é o tempo? Nada...olha agente aqui. Muito prazer viu!

Walkyria Suleiman disse...

Ediney, de um modo geral, esse poema mexeu comigo. Revela tanta coisa boba que pensamos, que fazemos, que temos tanta certeza....e no final, como disse vc, somos finitos. Mas levamos a vida dando opiniões e julgando como se fôssemos deuses imortais e onicientes. E quanto sofremos...

Walkyria Suleiman disse...

Sylvio, bem colocado, se mistura como veneno, arrepia, parce uma vredade revelada que incomoda. esse Neruda....

Walkyria Suleiman disse...

Sérgio, thanks and best regards.

Carlos Bayma disse...

Tem premio para seu blog.
Vá buscá-lo:
http://koyaanisqatsi-cb.blogspot.com/2009/10/premiacao.html

Carlos Bayma

Francisco Nery disse...

muito belo...

Casa do Poeta e EC Vila Maria disse...

Gostei do seu blog, parabéns!
Muito bom o texto!
Sua poesia é magnífica!
Se quiser visitar o meu blog,
falo sobre educação e cultura.
Quero divulgar os meus textos,
se puder prestigiar
é só visitar o endereço abaixo:
http://giovanipasini-educacao.blogspot.com

A partir de hoje sou seu seguidor!

Sonia Schmorantz disse...

Que lindo poema! Nem sempre comento, por causa da escassez do nosso tempo, mas amo estas tardes de domingo em que posso me deliciar lendo e vendo os amigos!
beijos, linda semana

Mimi disse...

Oi, magrela! Afe, que saudades...
Adorei o poema, fico assim meio nas nuvens quando leio um que me toca .Lembrei-me de vc, fui ao Itau e tem uma exposição do Leminski, cada poesia mais chocante de bonita, de verdadeira, de inesperada...bjos da Mimi

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Lau,
obrigada a você!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Francisco
amei tua poesia com jeito de música, saí cantando já...

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Ah Sonia
eu sei, eu sei, mas que nunca se torne uma obrigação as visitas aos amigos. Fique bem, querida.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Mimimimimim
saudade docê, saudade de verdade...que bom que vc lembra de mim.... Conheci o Leminski quando eu tinha 25 anos....pode? Sempre curti o cara.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Carlos
fui, peguei, postei, e agradeço, de verdade.


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