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domingo, 13 de dezembro de 2009

Documentos, por favor!

Gentefina, eu citei isso aqui, do passado, no outro post. Fui ler e me pareceu novo, nem sinto que fui quem escreveu, ou seria eu que escrevi?

V
ejam vocês que, a dúvida é extensa.... bem, na dúvida, resolvi, republicar.

Está cada dia mais difícil provar quem eu sou.
Nasci, não sabia de nada, era uma criança pronta pra receber as informações que me eram passadas, fosse pela família, pelos meios de comunicação, pelo entorno da minha pequena vida.

Pronta pra assimilar tudo, ingenuamente abrindo as portas da minha percepção e de meu coração, sem saber as consequências de tudo aquilo que eu deixava entrar na minha alma.


Lá pelas tantas, tive que tirar minha carteira de identidade. Sim, pois naquela idade determinada, a sociedade começou a duvidar da minha existência.

Nesse momento descubro que já tinha outra identidade, uma certidão de nascimento, e também uma certidão de batismo. Tudo muito bem explicado, de onde eu vinha, onde cheguei, quem eram os responsáveis pelo feito, o hospital em que nasci, o horário e o data. (descubro emocionada, até uma digital do meu pezinho...oh, que mimo!) Juntamente com essa papelada, vejo o atestado
da minha tradição, a minha religião, nem tanto minha, mas dos meus pais, e eu nem sabia o que tudo isso significava.

Oquei, o RG, registro geral, minha foto numa carteirinha, devo dizer que foi empolgante. Aí fiz 18 anos, carteira de motorista. Logo após carteira de trabalho, PIS, FGTS, a somatória de documentos e identidades, a pessoas que diziam que eu era, começou a pesar, literalmente, na minha bolsa.

Um belo dia, resolvo que quero me casar. Se você quer se casar na Igreja, não se esqueça de provar quem é você, e de comprovar, através de documentos, que você foi batizada. Leve a certidão de nascimento, leve tudo, e receba um não à sua documentação. Afinal, você tem mais de vinte anos, aquela certidão tem essa idade, pode ser falsa. Na verdade, você pode já estar morta há muito tempo, independente de estar num cartório, querendo se casar.

Bem, alguém que a sociedade preza tanto, a ponto de esmiuçar a legalidade da existência, tem que ter conta em banco. Banco, cartões, números, senhas, vamos mostre tudo, seus registros, sua assinatura, prove que você nasceu, cresceu e é essa pessoas na frente de um gerente abrindo esta conta no banco.

Tudo certo? Não, agora, para dar mais valor a tudo isso, por favor, dirija-se a um cartório e reconheça a sua assinatura, prove mais uma vez que você é mesmo você.

- Minha filha, eu estou aqui, vivinha da silva na sua frente, eu nasci, juro, não teria chegado até aqui sem toda a documentação que prova a minha existência.
- Pois não, senhora, pode me dizer se seu nome se escreve com W ou com V?


Nesse momento respondo consciente da minha inexistência real:
- Escreva como quiser. Essa, nesse papel não sou eu."


E eu me vejo num deserto, ajoelhada debaixo de toda papelada que se produziu depois de meu nascimento. Quem sou eu afinal? Como me desafogar desse mar de conjecturas e descobrir finalmente quem sou eu?

Perdidas entre os fatos perdidos de mim, perdida entre salões de quereres, perdida entre janelas e portas entreabertas, fecho os olhos e respiro, sem muita certeza de que tudo isso tenha sido real.


Dentro do meu coração descubro um grande cartório, onde foi registrado cada transformação da minha vida. Olho praquilo com muita preguiça. Não sei, não sei mesmo se dou conta dessa pesquisa. Acho que prefiro os documentos, por incrível que pareça.

Terão eles sido inventados por alguma força maligna, a fim de distrair nossa atenção da verdadeira varredura na nossa existência? Ou será mais uma manobra do criador, confundir a criatura para provar seu grau de convicção e sua força de vontade inconteste, mesmo diante de situações de intensa pressão?

Sei lá, agora me conta...tem cabimento a minha cabeça ficar assim, elocubrando tanto só porque tenho que provar a minha existência pra finalizar uma documentação?

28 comentários:

sam rock disse...

Los papeles se los lleva el viento o quedan para siempre archivados en algún lugar polvoriento y olvidado. Você permanece por encima de frías burocracias.

Buen fin de semana

Sylvio de Alencar disse...

'Sei lá, agora me conta...tem cabimento a minha cabeça ficar assim,...?'
Não, não tem... Mas, faz parte né?

Galaxy6139 disse...

haha, really nice post... I use google to translate your post :D

Yep the document works are very labored and complex :D

So keep your ID and related certificates safe ^^

Have a nice weekend

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Sam, você sempre tão gentil, atento, nem sei como agradecer teu carinho.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Sylvio, ando pensando numa lobotomia...que vc acha? Deve ser mais barato que décadas de terapia

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Yes Galaxy....so fany your comment and i´ll keep save my IP....hahahaha

Sylvio de Alencar. disse...

Acho, tenho percebido, minha querida, que não temos aonde se esconder, a saída é caminhar...
Lobotomia é castração mental, né. Tentamos fazer isso com todos que conhecemos (claro, de uma maneira 'leve'), assim como eles tentam fazer com a gente...
Se não tivesse estudando, me consideraria um inútir...
:)

Gisele Freire disse...

Walzinha
Que texto bacana, gostei!
...quanto as noites sem dormir..., tb me deu frio na barriga...
...quantos aos blogs rs, são muitos e muitos virão rs.
... eu reparei sim na foto do Duchamp e digo, gostei muito viu!
bj querida e obrigada por tua cia!
bjs

Betina Moraes disse...

moça, me diz uma coisa,

por que motivo eu demorei tanto para vir até aqui, afinal???

sensacional o teu blog e os textos... excelentes.

uma grande coisa para mim conhecer o "CéuAberto".

um beijo!

Srta Laís disse...

Essa sociedade democrática... onde tudo é burocracia e a existência das pessoas não passam de papéis! Quantos invisíveis sem documentação existem no nosso mundo! Obrigada pela visita!! belo blog! beijin!

Cíntia disse...

Vim aqui agradecer a sua visita e também agradecer por seguir meu blog...seguirei o seu tbm...adorei o post da viagem a NY...abçs

Rui da Bica disse...

Walkyria, aqui também as minhas desculpas por obrigar-te ao comentário fora do local das "galinhas"
Já deixei lá explicado.

Beijão.
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Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Sylvio, se eu não sonhasse, me consideraria uma útil à sociedade. Mas como sonho, sou mesmo uma inútil...rsrsrs

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Gica
vc é bem da reparenta, como eu. Significa que autor da foto, tbm tirou a dita lá no Moms, né!
Adoro estar na sua cia. Hehehe

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Betina, adorei teu blog, o outro, o animal social. Coloquei no meu favorito para lê-lo todinho. Obrigada pelo entusiasmo.... me alegra.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Betina, adorei teu blog, o outro, o animal social. Coloquei no meu favorito para lê-lo todinho. Obrigada pelo entusiasmo.... me alegra.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Srta Laís, diz que o número de crianças dem certidão baixou bem, mas ainda beira milhares.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Cintia, acomode-se e sinta-se em casa.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Rui, tem perdão não vc excluir as galinhas, minhas colegas. rsrsrs

Sylvio de Alencar. disse...

Talvez a estranheza venha de uma mudança: hoje, vc vai e tira a papelada que te pedem, sem se questionar muito (ou será que vc pondera ainda sobre essa inevitabilidade?).

Un Colibrí Viajero disse...

Aplaudiendo de pie !!! bravooo
mis humildes felicitaciones un cálido abrazo.
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JCesar disse...

Walkyria, seguidor de seu espaço, sempre apreciador dos seus post, a contextualidade e as imagens que as vezes falam por si só. Não vi as imagens do metro (a uma restrição aqui no meu acesso), mas lendo a 'sinopse' imagino. Ja fiz algumas filmagens tambem como 'tambem' fico a observar os 'transeuntes', não de hoje, que sou estudante de psicologia, mas desde longo tempo.
Passo para avisar, que deixei uma simples lembrança para ti no espaço, independentemente de aqui no seu espaço vir a estampar ou não. Um gesto que faço com carinho como uma forma de dizer-te que o espaço que tens é especial.
abraço.bjim
e
Obrigado.
Julio Cesar

Norberto Marques disse...

OI wall :)
Nem sempre é fácil provar nossa identidade, mas não te preocupes, porque só meia dúzia de "palhaços" procedem dessa maneira.
Tudo de bom, amiga :)

Beijoooo

Norberto

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Sam,
sempre alegre, sempre esperançoso. Sam, te invejo e admiro.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Colibri
obrigada pelo entusiasmo e pela linda árvore.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

JCesar,
adorei o presente, já vi e publico loguinho, com uito carinho.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Norberto, aqui no Brasil essa meia dúzia vira milhares de dúzias. Acho que vou pra Portugal.....

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

JCeasa,
se vc quiser, posso tre mandar os vídeos por e.mail


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