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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Normose, a doença do século XXI

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"NORMOSE" doença de ser normal
Michel Schimidt Psicoterapeuta

"Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar.

O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está passando por algum problema.

Quem não se "normaliza", quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.

A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós?
Quem são esses ditadores de comportamento que "exercem" tanto poder sobre nossas vidas?

Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados.

A normose não é brincadeira.

Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer ser o que não se precisa ser. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?

Então, como aliviar os sintomas desta doença?
Um pouco de auto-estima basta.




Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante.

O normal de cada um tem que ser original.

Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais e tentam viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Para mim são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações. Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada.

Por isso divulgue o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes."
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21 comentários:

BAR DO BARDO disse...

Sensibilidade pulveriza a normose...

Bom recado, Wal!

Luma disse...

“É tudo uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo”

Essa doença peca pelo lado errado!!

Boa semana! Beijus

Gisele Freire disse...

Bem dito Wal!!!!!
E viva a diversidade amiga!
Bj
Gi

Tainá disse...

a epidemia do século né! excelente texto!

casos e acasos da vida disse...

Olá Wal
Posso sofrer de muita coisa, de loucura à brava, mas de normose não, pelo contrário do que eu sofro é de querer ser diferente. Até me lembrei da poesia «Cântico Negrao»

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio

Espero que goste.
Bj

Marsha disse...

I absolutely LOVE the photo you used, very nice!

ana.d.w disse...

Tem um livro, A ditadura da beleza, de Augusto Cury, que trata sobre esse assunto...Eu chamo a Normose, em algumas situações de PIB, padrão inatingível de beleza. É uma doença séria, muito séria...
Adorei o post Wal! e tem um selo pra você lá no meu blog, depois da uma passada lá;)
beijos

Senhor da Vida disse...

Nossa mãe, ai de mim escorpiano roxo, que adoro uma coisa diferente, normose no plis.
Excelente texto, bjs!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Henrique...tenho minhas dúvidas....o coração da pessoa é tábula rasa.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

É isso Luma, repirar e deixar os cães ladrarem. Mas que a caravana empaca um minuto....hum...

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Viva Gisele, viva mesmo!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Marsha, hi, and i love the chicken...

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Senhor da vida, eu como libriana fico querendo agradar a todos, vc sabe, mas no final, dou mesmo um stop na moçada. bjão

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Ai Tainá.....eles querem a gente tudo igualzinha..... peitinho, barriguinha, narizinho....ufa!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Casos e acasos....eu semp´re achei que eu fosse louca sabe. Hoje, me acho bem normal, e louco são os outros.....hahahahaha

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Casos, vc é um caso viu:
"Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada."

Olha isso que máxima! Quero na minha lápide. Obrigada querida.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Ana lindona, PIB é demais. Sabe, nunca se alcança, e por mais que digamos que não, a gente fica meio que contaminada. Eu fico, confesso. Depois vou buscar meu selinho, brigadinha!!!!!!!!!

Maria disse...

O Normótico é o banal ser comum que vive só para as aparências e o dinheiro, grosso modo, e está completamente alienado de Si mesmo vivendo sem qualquer consciência do seu ser profundo e da sua realidade interior!
Gosto mesmo de ser eu com todas as diferenças, é isso que nos torna normais.
Adorei este post.
Boa semana desejo de ...
Maria

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Maria, adorei mesmo o seu pensamento, de que sermos quem somos, com todas as contradições e dúvidas que temos, é o que nos torna normais.

LuRJ disse...

Wal,esse texto é excelente e merece consideraçòes.Quem é diferente paga um preço,nào há dúvida.Mas paga um preço bem menor do que aquele que quer ser igual à maioria.E não falo só na diferença de aparência;essa é a mais fácil da pessoa insatisfeita mudar.Há mil maneiras de se transformar o layout humano.Difícil é querer ultrapassar os próprios limites,driblar a maneira de ser,mudar as próprias convicções;isso tudo,para fazer parte do rebanho ou ser aplaudido pela maioria.Pobre coitado de quem tenta isso.Vai ser apenas um ser sem identidade e sem características próprias.Há que se ser inflexível diante das pressões de uma sociedade que a tudo normatiza.É difícil ser genuinamente diferente? É,mas vale a pena.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Lu, palavras de uma mulher que sabe o que diz, que vive essa verdade. Eu acho também, que vale a pena. Chegar no coração da gente, fazer essa viagem, voltar vencedora de si mesma. Me diga: tem outro jeito de viver?


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