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sábado, 7 de novembro de 2009

Another Break In The Walll

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Gentefina, passeando no blog da
Luma, vi esse vídeo que veio do Vimeo, e postei. Muito bom, muita alegria mesmo sermos e não sermos outro tijolo nas paredes das cidades.

2o anos da queda do muro de Berlin. Feliz a cidade que tem mudo pra derrubar e, com isso, viver a ilusão da liberdade, ou não.

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BRIDGE THE DIVIDE from ABOVE on Vimeo.

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Blog do Daniel Pizza

"Passados vinte anos da queda do Muro de Berlim, já houve tempo suficiente para muitas de suas lições serem esquecidas. Os que não haviam nascido ou eram pequenos demais não parecem entender a grandeza envolvida no fato. Mesmo que sejam informados de que representou o fim da divisão de uma cidade, o fim da Guerra Fria e o fim do socialismo, não compreendem nem quanto se sofreu e se lutou para que isso acontecesse nem quais esperanças queriam ser erguidas entre os escombros. A queda do muro não era apenas desejo de ver TV e comer hambúrguer, até mesmo porque ele implicava desejos de outras dimensões; era sobretudo a noção duramente assimilada de que autoritarismo e nacionalismo podem até iludir, mas a médio e longo prazo só trazem desvantagem e desgosto. Chega de conversa fiada: 1989 foi uma reação ao controle estatal e uma afirmação de que toda fronteira fechada é falsa.

Naquele mundo dividido, toda tirania começava pela restrição à informação e à expressão e mesmo os que lidavam com elas, como intelectuais, jornalistas e artistas, caíram em grande número na propaganda oficial de que a democracia era mais bem defendida por regimes autoritários, fossem ditos de esquerda fossem ditos de direita. E qualquer forma de abertura econômica, salvo por conveniência ideológica, era vista como entreguismo ou submissão. Lembro essas loucuras porque elas não têm sido lembradas ou então são lembradas como se fossem detalhes. Quando vejo, por exemplo, tantos autores confundindo os problemas que a internet revela ou amplia com um defeito inerente a ela, não às sociedades humanas, fico pasmo. Sim, devemos criticar a boataria e a palpitaria que se multiplicam como vírus nos meios virtuais; mas esquecer a necessidade de sempre celebrar a liberdade tem um custo muito maior.

Do mesmo modo, me espanta que tantas pessoas digam levianamente que “o Estado voltou” ou algo do gênero quando a crise financeira deflagrada em setembro de 2008 é debatida. Primeiro, repetindo, o Estado mínimo é algo que só existia na cabeça de pseudoliberais um dia batizados de neoliberais. Ao longo de todo o século 20, mesmo em países como os EUA, o Estado sempre foi chamado a socorrer bancos e empresas, por um lado, e pressionado a estender uma rede de proteção social, por outro. Na mão de conservadores como Ronald Reagan e Margaret Thatcher, favorecia mais a concentração do que a competição e se esmerava em moralismo e belicismo, além de promover o preconceito contra os imigrantes. Segundo, há uma enorme diferença entre um Estado que intervém no mercado em seu favor, pontualmente, e o velho, velhíssimo desenvolvimentismo, que supunha que seu papel era comandar a economia, como se dispusesse de dados e recursos suficientes para substituir seu dinamismo cultural.

Vide o governo Lula. Depois de um primeiro mandato mal qualificado de “pragmático”, em que deu uma autonomia branca ao Banco Central para manter a mesma política econômica do governo anterior (juros altos e reservas em dólares para alegria de banqueiros nacionais e estrangeiros), no segundo tratou de gradualmente valorizar o também mal qualificado “planejamento”. Fez acordo com o PMDB do oligarca José Sarney, expandiu seus domínios sobre fundos de pensão, bancos estatais, monopólios e sindicatos – toda a burocracia corrupta e politizada que se dependura nos nossos impostos – e, claro, atraiu os “amigos do rei” para patrocinar compras, fusões e obras. No semicapitalismo brasileiro, os empreiteiros continuam a distribuir as cartas. Se a jogatina tiver um veludo de amparo aos pobres, então, não há quem possa com ela.

Qualquer crítica, como se sabe, não passa de “elitismo”, “torcer contra” e “pensar pequeno”. Sendo esta uma sociedade cujas ideias ainda são em boa parte determinadas pela agenda oficial, é cada vez mais comum ouvir também que não há problema nenhum em ser nacionalista; afinal, “os americanos são nacionalistas, os franceses são nacionalistas”, etc. Bem, uma coisa é saber que o mundo não é um só, reconhecer o sentimento de origem e tratar de defender os próprios interesses porque ninguém mais o fará inocentemente. Outra coisa é achar que sua pátria é o centro do mundo, que seu povo é um povo eleito (pela raça, natureza, língua ou história), e vender a imagem falsa de que estamos à porta do Paraíso. Os mesmos que hoje elogiam o nacionalismo de certos países criticavam, duas ou três décadas atrás, seu ímpeto imperialista.

Há, em suma, um aspecto humanista na queda do muro que tem sido esquecido. Aquela foi uma festa da liberdade em todos os sentidos – econômica, política e moral. Não se tratava apenas de uma defesa do mercado e do consumo, mas também de um alerta contra a natureza do poder. A defesa corrente do estatismo, além de desconsiderar a história do capitalismo democrático (em que Estado e mercado vivem em contínua tensão, mas não em mútua exclusão), põe de canto o fator mais importante: a permanente necessidade de cercear o poder, de conter sua vocação de inspirar o que há de pior na chamada natureza humana. A democracia não é apenas o sistema menos ruim que a humanidade concebeu, mas também aquele que mais resistência pode oferecer a suas próprias distorções. Que os muros mentais sejam derrubados."

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6 comentários:

Sylvio de Alencar. disse...

Boa lembrança. Quem viveu aquela época tem outras menos alegres. Mais razão para felicitá-la: boa lembrança!

RUBENS GUILHERME PESENTI disse...

wall, um muro que não precisa ser derrubado, mas deitado com carinho.
vou dar um tempo com meu blog, aliás, nem sei se volto a usá-lo, mas qualquer coisa meu e-mailo está lá, me escreva.

beijos & beijos.

Branca disse...

Querida amiga!! Obrigada por sua doce visita no blog do meu pai. Amei cada uma de suas palavras. Percebi que foram ditas com o coração!

bjos

P.S.:Me visite nos outros blogs, veja no perfil.

JPBARROS disse...

Data muito importante para o mundo, não só para os alemães, gostava de recordar Mikhail Gorbatchev e a Perestroika responsável por grandes mudanças a nível mundial, não discuto se foram boas ou más, mas que mudaram isso mudaram
um abraço

Tatiana disse...

è uma lembrança da qual nunca vamos nos esquecer , principalmente quem vivenciou de perto esse acontecimento .

um grande abraço

BAR DO BARDO disse...

FLORES E ESPINHOS COMPARTILHAM DA QUEDA...


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