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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Inferno, Sartre e Strindberg



Dia destes, o Paulo Tamburro escreveu um comentário, onde citou uma frase que rolou nos meus labirintos o dia todo: O inferno são os outros.

Talvez, por causa do livro “Inferno”, eu estivesse crente que era do Strindberg. Mas estava tão sem forças que não fui vasculhar meus livros. Hoje fico sabendo que a citação é do Sartre.

Bem, eu nunca fui chegada aos existencialistas. Gentefina, eu nunca suportei livros ou filmes existencialistas, onde os protagonistas, imersos em mirabolices metafísicas, não pagam um aluguel, uma conta de luz, não trabalham, enfim, não estão ligados aos problemas existenciais que sempre estive às voltas. Sustentar esse corpinho e seus derivados (3 filhos), sempre me custou muitas horas por dia, eu diria 45 horas semanais, já em vias de aposentadoria.


Então, hoje fui lá pegar meu “Inferno” numa edição bem antiga, da Max Limonad, onde fiz muitas capas e projetos gráficos, e me deliciei com as várias passagens grifadas.

Tenho essa mania de grifar tudo que curto num livro. Tenho a manha de grifar cada vez de uma cor, deixando claro, na passagem dos anos, meus vários humores.

Vou transcrever algumas para vocês, que se não leram ainda o “Inferno”, preparem-se: é adorável descobrir um livro que não lemos e que valha mesmo a pena.

Porque gentefina, tempo não volta, tempo é velocímetro rodado. Única moeda válida nessa Terra. TicTac, TicTac, TicTac....




“ O inferno? Mas eu fui criado no maior desprezo pelo inferno, fui ensinado a considerar o inferno uma fantasia que deve ser atirada aos monstros dos preconceitos. Mas, de qualquer maneira, não posso negar o fato , há uma modificação e é nela que reside a nova interpretação das penas ditas eternas: nós já estamos no inferno. A Terra é o inferno, a prisão construída por uma inteligência superior, de tal modo que não posso dar um passo sem perturbar a felicidade dos outros, e os outros não podem ser felizes sem me fazer sofrer.”

“ Perdi a memória de todo bem.”



“ Peregrino, viajante, se me queres seguir respirarás mais livremente, pois no meu Universo reina a desordem e isso que é a Liberdade”.

“ Alguém a quem eu posso agradecer! Não há ninguém. Como me pesa essa ingratidão forçada. “


“ Como explicar o fato de que à cada conquista no caminho da virtude, segue-se um vício novo?”

“Sinto piedade de mim e vergonha dos outros”.

“ Tendo chegado ao meio do caminho da minha vida, sentei-me a repousar e refletir. Havia obtido tudo o que audaciosamente desejara e sonhara. Saciado de vergonha e de honra, de alegria e de sofrimento, perguntei-me: E daí?”

Edvard Munch é o pintor das imagens que, acredito traduzirem bem, toda angústia e sofrimento da vida interior da pessoa viva. No caso eu!

11 comentários:

Sonhadora disse...

Minha querida
Considerações muito pertinentes do autor.
Vou ver se leio o livro, despertaste o meu interesse.

Beijinhos
Sonhadora

Lua Nova disse...

Wal, caríssima

Tudo que leio em seu blog me enriquece e sou eu quem se delicia com isso. Quero dizer, tudo que leio aqui, mais cedo ou mais tarde, cai como uma luva. E isso contraria a teoria desse brilhante escritor quando ele diz: "Como me pesa essa ingratidão forçada." Eu tenho muito que agradecer.
As citações que vc fez do livro, excitaram minha mente. Vou ter que ler. As pinturas, como vc disse, retratam bem a angústia do ser humano.
Beijos.

Diego Marques disse...

Wal!!!!!!!!!
Saudades d + de vc!!!
Adorei as pinturas e agora vou ter q ler o livro!

Td q vc escreve é mágico!

Manuel disse...

O Inferno, penso eu, é um pouco metafórico.
Tenho um conceito de vida que me deixa sempre confundido quando me falam em símbolos que o Cristianismo usa para punir ou premiar.
Fiquei curioso, vou procurar o livro e vou ler.

Mariana disse...

Walkiria...tem um premio pra voçê lá no meu Blog.
Carinhos

Gerana Damulakis disse...

O Inferno não são os outros, o Inferno somos nós mesmos.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Sonhadora
Mariana,
obrigada pela presença e pleo carinho. Me acostumei com a carimnha de vcs por aqui!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Lua Nova
agradeço muito suas palavras, pois, de algum modo, dentro de meu coração, espero falar a outros corações, e tento pensar que essa vontade não vem do meu ego, mas da minha alma, que anseia por compartilhar a vida com outros sêres humanos.

Vc não imagina como me fez feliz hoje!

E sim, nada como cotrariar citações. Tenho muita gratidão.....obrigada!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Diego, Diego
Saudade mesmo.
Olha, o livro é um clássico, meio pra baixo, mas muito sincero e franco. O cara era louco mesmo, diagnosticado, e sabia ler seu coração. Vale a pena.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Manuel
verdade, todas as palavras são, na verdade, metaf´roricas e subjetivas. Mas Strindberg não era cristão, na acepção da palavra. Era um ser humano perturbado e muito sensível.
obrigada por tua visita....eu adoro, vc sabe.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Gerana
o inferno não tem fronteiras....hehehehe


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