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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Estilhaços

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O que eu pensei ser
O que eu não soube ser
Um pouco do dia-a-dia
Tudo isso
E todas as dores.

Hoje eu me vi sozinha
Sentada e encolhida
Sem me haver sentado
Sem sentir que a vida foi me encolhendo
Como um trapo
Esquecido num varal de uma casa abandonada.

Eu, dos dias impossíveis
Eu, que amei loucamente as coisas possíveis
Me cansei dos dias
Me fartei incrivelmente das coisas.

Quis escrever, sem saber ao certo
O quê
Quis viver
Sem saber
Como
Me procuro
E o endereço foi me dado errado.
Tento o telefone
E ele não atende.

Como as ruas se cruzam
Como existem portas inatingíveis.
Existem coisas solúveis e insolúveis,
Existem idealistas e conformistas
E eu, idealista insoluvelmente solúvel
Não me conformo.

Me cortaram as pernas
Surgiram outros caminhos.

Me amputaram as mãos
Queimaram meus livros, meus papéis.
Arrancaram-me os olhos
Tiraram-me o vermelho da aurora
Minhas estrelas
Teus olhos meus...

E a gora tenho palavras
Amontoadas
Montanhas delas
E eu sobre elas procurando palavras para dizer.

Eu dos mil dotes
Eu, que nunca fiz nada certo
Eu, que tive tantas certezas....
Palavras, mas o quê falar?

Quando puder dizer o que quero
Já não sentirei o que penso.
Quando tudo puder ser
Eu não serei mais.

foto-Crystal_Waterdroplet_by_FlyawayFlicks
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23 comentários:

Lice Soares disse...

Parabéns pelo espaço. Lindo!
Vim também agradecer-te por tua presença lá no A Poesia em Mim.
Seja sempre bem vinda.
Bjs. no coração.

marinaCavalcante disse...

Busque, novamente,
a sua verdadeira essência.

Ela está perdida
e clamando por sua alma.

Não se canse!

Não se farte!


- Abraços e espero sua visita!

Sylvio de Alencar. disse...

Uma dualidade infinda...
Formados pelo infinito (olhando-nos pra dentro, nos perdemos), estamos bem aqui, agora, definidos (acabamos aonde acaba nossa mão), pro que der, e vier.

Vc me faz pensar, meu amor
Vc me faz pensar na vidaaa
(Rsrsrs!!!)

João Marçal disse...

belo poema. obrigado por agregar ao meu site. fique à vontade para comentar, criticar e dar opiniões.
paz e bem pra ti.

Mundo Mundaca disse...

Lindo ,profundo e cruamente despido!

Beijocas na ponta do nariz.
yasmin.

Gilson disse...

Fantástico, esse poema tem tudo a ver comigo também. Você é super.

Mega abraço

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga.

Este poema tem um quê de cumplicidade com quem o lê.
Há dias em que estamos assim, e não há palavras para definir o turbilhão de emoções que tempestuosamente nos agita.

E assim seguimos sendo chuva e sol em nós mesmos.

Sonhos para ti.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Lice
obrigada a você, por ter vindo ao meu céu, agora seu tbm.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

E Marina, é isso aí, sempre buscando, sempre avançando.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Sylvio,
tanto e tão pouco...né?

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

João, obrigada a vc.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Yasmim
a gente tem que ver todos os lados...né? recebeu meu mail?

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

ô Gilson,
então fico feliz em compartilhar esse momento com vc!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

ALUISIO
vc definiu tão bem, existe mesmo uma cumplicidade entre pessoas. Bacana é encontrá-las. Obrigada.

Wanderley Elian Lima disse...

As vezes nos sentimos perdidos , sem pernas, sem ar sem nada, àanossa volta só caminhos escuros. Chegará a hora da verdade aí poderemos nos reencontrar.
Beijos

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Wanderley
é nessa perdiçaõ que eu me encontro...rsrsrsr

Sonhadora disse...

Lindo poema

Como as ruas se cruzam
Como existem portas inatingíveis.
Existem coisas solúveis e insolúveis,
Existem idealistas e conformistas
E eu, idealista insoluvelmente solúvel
Não me conformo.

Maravilhoso...adorei

Beijos

angela disse...

Tristes contradições do humano.
beijos

Sylvio de Alencar. disse...

Não estamos no tempo de sofrer.
Se se fartou incrívelmente das coisas, deve estar na hora de se alimentar de outras, com gosto e vagar.
Não ficar encolhida como um trapo, nem de peito aberto às tempestades. Mas, recolhida em seu interior, apoiada em seu natural equilíbrio, ouvindo a sua silenciosa voz que não cala.
Não 'queira' viver, viva. Faça o que faz, você não está parada. Andamos o que nos permitimos andar.
Não se procure, a muito que já se achou. O enderêço tá certo, ele sempre estará em algum lugar. Talvez não queira mais falar ao telefone, talvez a prefira mais perto.
Uma idealista inconformada..., com o que? Com o que você é? Como as coisas são?
Quando não for mais, afague-se.
É o que já fiz.

(Um salto no alguma coisa)

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Sonhadora, fiu ver teus sonhos no teu blog, e adorei, mesmo.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Ângela, e bota contradição nisso, menina...

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

ô Sylvio, é só uma poesia, não leva a séio não, meu querido

Sylvio de Alencar. disse...

De uma certa forma, o que escrevi também foi.
Bjus brodinha!


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