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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Velhos poemas e velhas fotos

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Velhos retratos são como velhos poemas.
Quando vemos uma foto recente, achamos que não está boa, que não faz jus a nossa pessoa. O cabelo não ficou bom, o rosto nem parece o da gente, que momento é aquele afinal, com aqueles gestual, que nem sabíamos que tínhamos vivido ?

Assim são os poemas.
Palavras que não aguentam os sentimentos.
Palavras que não condizem com a dor ou a alegria.
Palavras egocêntricas,
que dizem respeito apenas a nós mesmos,
aos nossos anseios, dúvidas e particularidades.

Junto com as fotos recentes, os poemas recentes ficam lá, escondidos, empoeirados no fluir dos dias e das inevitáveis reciclagens.

Após algum tempo, ao olhar a foto antiga, não sei dizer, parece que ela está boa mesmo. Que ela nos agrada, talvez mais do que a fotografia presente da vida vivida agora. E os poemas, parece até que eles têm algum eco, que talvez eles estejam bons, pertinentes, atuais.

Será um foco atrasado,
será uma nostalgia tardia pelo tempo vivido sem percepção?

Ou será apenas a busca inútil de perfeição
driblando magistralmente
nossa falta de compreensão pela vida e imagens sonhadas,
versus a vida e a imagem vivida?

Fica a dúvida, enquanto guardo estas palavras no rol das coisas inacabadas.

Ilustração: cande knd

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29 comentários:

Leonardo B. disse...

[gosto desse clube dos antiquários, relíquias quase ... onde o que já não (re)volta a ser, tudo era possível, tudo um dia volta a ser... reciclagem emocional?]

um imenso abraço, Walkyria
que de quatro se fazem dois braços

Leonardo B.

Andrea Galvez disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Andrea Galvez disse...

Oi queridona

Eu penso que muitas vezes nossas fotos são poemas captados,... é sabe? Nosso estado de espírito ali, registrado de alguma forma pela ótica da lente.Outro dia olhando algumas fotos , percebi que eram imagens poetisadas, lembranças gostosas, coisas que de vez enquando esquecemos.Enfim,são como as palavras que escrevemos e que depois de algum tempo vamos reler, e aí percebemos o quanto de nós foi modificado o quanto amadurecemos,assim como nas fotos, nossos registros físicos...

É isso..,

Sds de vc viu!!

Barbara disse...

Gosto de ver e ler coisas antigas mas não me identifico com elas.
Ou não vivi

Mai disse...

Poemas não envelhecem, nós é que mudamos. Assim, mudado o contexto, o sal adocica e a lágrima se transmuta em sorriso mas o poema continua belo.

beijos, querida.

betina moraes disse...

wal...

você está sempre "peneirando" na beira do rio que tem por dentro. não sei se a busca é por ouro, por pedras preciosas, ou se é só pelo prazer de ver a água escorrer pelos furos,

sei que é uma procura bonita de observar e eu gosto muito de presenciar você na margem, mexendo com a areia e as pedras do fundo...

"a busca inútil de perfeição
driblando magistralmente
nossa falta de compreensão pela vida e imagens sonhadas,
versus a vida e a imagem vivida?"

acho que fico com essa, ...

um beijo.

Julio Cesar disse...

Oi,

Penso que as fotos (assim como desenho, pintura, escultura...), são poemas impressos. Nem sempre 'encontramos' a palavra ideal para grafar o que a alma sente... a frase parece ficar solta... também nós, ficamos como essas frases soltas na poesia da vida... e então, em dado momento, as coordenadas de ambas se cruzam e atingimos com o alma o que a razão é incapaz: sentimos.


A arte é a comunicação da alma de quem a faz para com a alma de quem com ela se identifica. O resto são os 'criticos' e a sua 'razão'.

um ótimo final de semana para voce

Julio Cesar

Caio Martins. disse...

Coisa mais gostosa de ler! Walkiria, tens o sentimento da Era, do Tempo, e com toda certeza, orgulho da tua história, dos que vieram antes e dos que virão... Quando não há máculas, sai-se muito bem na foto!

Abraço, e obrigado pelo texto: fui remexer meu baú.

Manuel disse...

Eu diria que somos nós que vamos amadurecendo e os nossos olhos passam a ver e compreender melhor.
Os retratos ficam velhos mas as imagens que reproduzem são as recordações de tempos que já passaram e que nos deixam saudades.

Carol Morais disse...

"Assim são os poemas.
Palavras que não aguentam os sentimentos."

São palavras que, de tão egoístas chegam a ser indecifráveis! Daí o porquê de poemas nos intrigarem tanto. Concordo plenamente minha querida amiga. Não gostamos de fotografias recentes, pois elas acabam sendo um reflexo daquilo que já está, por assim dizer, fresco em nossos pensamentos! Gosto de fotos mais antigas, pois, com elas podemos sentir uma sensação que fotos de agora só poderão nos proporcionar daqui alguns anos: nostalgia!!

A nostalgia é o carro-chefe de um turbilhão de sentimentos. É ela que faz com que coloquemos aquele sorriso no rosto, ou que arregalemos os olhos numa tentativa infeliz e não eficaz de reviver o passado, de tentar fazer tudo de forma diferente, com a mentalidade do agora.

Ah! se pudéssemos reviver o passado, Fazer tudo de forma diferente, de outra maneira, com outros olhares, com outras verdades, com outra paixão que nos motiva!

Eu gosto de fotos, eu gosto de poemas, eu gosto de imagens, de quadros, de tudo que faz nossa alma ser traduzida puramente.

Um grande beijo minha linda!

ONG ALERTA disse...

Palavras que vem lá de dentro do coração...paz.

Sonhadora disse...

Minha querida
Tanto os poemas como as fotos, contam a nossa história.

Será um foco atrasado,
será uma nostalgia tardia pelo tempo vivido sem percepção?

Eu acho que é mesmo isso.

Beijinhos
Sonhadora

Pérola disse...

A foto é o poema do mais lindo negativo de nosso espírito.
Beijokas amada.

Elaine Barnes disse...

Para mim o poema é como uma foto que registra ali o nosso momento. No dia seguinte podemos estar diferentes e escrevermos nada a ver com o dia anterior. É. são fotografias passadas.Falando em fotos eu com certeza demoro mais para escolher uma do que para escrever,rs...Montão de bjs e abraços de saudades e carinho. Gosto muito da maneira com que se expressa,sempre me leva a uma reflexão.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Leonardo
que saudade de vc. preciso te visitar pra encher minha alma de imagens do planeta coração.

Faço muita reciclagem emocinal, e encontro cada coisa....

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Andrea
vejo assim tbm, mas vc explicou de modo magistral, simples e enxuto. São nossos registros mesmo.

E é bom poder fazer essse balanço, acho que não podemos prosseguir sem essa avaliação, sem julgamentos, claro.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Bárbara...
às vezes nem percebemos a vida vivida.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Mai
penso muito nisso, não são as coisas que passam, somos nós que passamos por elas. Obrigada por sua percepção, sempre pronta a dar, a doar.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Julio
é verdade, o coração fala ao coração. O resto passa ao largo!

boa semana

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Caio
que delícia de comentário. Só posso agradecer e torcer que, de seu bau, saiam seres maravilhosos, que te ajudema viver de verdade.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Manuel
nós passamos ´pelas coisa, e a todo momento podemos olhar tudo de modo diferente....não achas?

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Carol
que maravilha, é verdade neguinha, é verdade que a gente adora tudo aquilo que nos joga de bermuda e sandália havaiana, dentro da praia do coração. Ah...é lá que a brisa é mansa e fresca, as águas são convidadtivas, e o horizonte, rsss esse, toca-se com os dedos.

Carol...adoro seus entimentos. Tô na paraia através deles!

Mas querida, não reviveria minha vida com o que sei hoje, seria impossível. Aliás, sei menos a cada dia que passa.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Pérola
que foto,
que jóia essa menina....
e, que negativo mais positivo que vc me deixou!
A sua amizade e carinho!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Sonhadrora
eu sei que vc entende de nostalgia, de focos atrasados, leio isso sempre nos teus belos poemas. Me inspiram sabe!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Ong Alerta
obrigada por saber ver e ler meu coração. Isso é generosidade.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Elaine
muita verdade nisso, bem complementar, puxa, como não pensei nisso! rssss.

Querida, a gente leva cada susto né? Podemos jurar que não escrevemos aquilo. Ah, a vida, tantos momentos, e nós aqui, querendo dar um sentido a isso!

Querida....me desculpe a ausência...

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Betina
suas palavras atingiram-me como uma manda de anjos. Ou seja, uma manda enorme, levantando poeira, coisa de meter medo, um barulho louco. Quando me refaço do susto, vejo anjos suados e alegres me fitando.

Sei lá, vc assim, me vendo onde eu me achava tão sozinha. Me vendo assim, sem julgamentos, sem pensamentos, com o olhar de anjos de manadas...

obrigada querida, sempre e todo dia e mais ainda depois.

ju rigoni disse...

Nossa, passou tanta coisa pela minha mufa enquanto eu lia esse post...

Poemas, acho que a gente escreve, em primeira instância para nós mesmos. É um modo de falar com aquele outro eu... Uma reação, que pode resultar feia ou bonita, a um sentimento, a uma situação... A gente precisa fazer alguma coisa, não sabe o quê, especialmente quando trata-se de uma questão social, e diante de tanta impotência, a gente escreve, bota no papel, - a gente tenta...

Fotos, a gente sabe de antemão que serão vistas, no mínimo em âmbito familiar. Mas, com o passar do tempo elas criam seus próprios códigos, seus mistérios, seus segredos, e passamos a olhá-las em separado como versos, em conjunto, poemas a desvendar alguém que um dia fomos...

Sei lá!...

Vou pra outro. Bjs.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

JU, entendo e me desvendo com tuas palavras. As fotos criam um código mesmo, muito preciso, e muito particular.

Me fez pensar nos poemas que vc faz, de cunho social, sinto o quanto vc se entrega a estes pensamentos e, escrever, é uma forma de registar em vc, e no tempo, aquilo que te incomoda.

Legal querida...priemiro a gente escreve pra gente mesmo, pra provar que vimos, que somos e que existimos.


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