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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Depressão de araque e bicho peçonhento

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Tendo como premissa que, todos aqui leram meu manual do bom blogueiro, depois de vários posts curtos, mando um palavratório.

Minha mãe era um ser doente, na alma e no coração. A exemplo de seus ancestrais, os Rennós, que 9 entre 10 morreram loucos, ela também não escapou da sina.

Os Rennós casavam entre si, para não dividir propriedades e famílias, principalmente as famílias de escravos, que eles possuíam. Nem todo aristocrata era sem coração, eles tinham pena de dividir aqueles seres sem alma, mas que tinham a capacidade de formar uma família. Goethe também, cercado de servos, tinha medo que a Revolução Francesa acabasse com a única classe social que ele conhecia, a aristocracia. Thomas Jefferson e John Adams, enquanto faziam cumprir a Carta Magna Americana, defendendo os direitos de todo cidadão, tinham mucamas esquentando seus leitos. Sinal dos tempos minha gente, nada pessoal.

Mas então, o assunto era minha mãe, que nem era o assunto, na verdade. Quando eu tinha 4 anos, ela foi internada pela primeira vez, e ao longo de sua vida, esse números ultrapassou uma dezena. Vai daí que, cresci com este medo de ficar louca ou deprimida, ou coisa que o valha.

Mas, eu tinha minha avó Carolina Rennó Ribeiro de Oliveira, que se fosse homem seria Marechal do Exército, que me ensinava que “primeiro a obrigação, depois a devoção”. “Não deixe para fazer ano que vem o que você pode fazer agora”. Eu tinha uma disciplina assustadora na casa da vovó, e adivinhem, eu adorava. Tinha hora pra tudo, eu sabia o que esperar, eu tinha um ritmo, e isso pra uma criança é tudo, gera confiança na vida.

Cresci, bem louca mesmo, acreditando, por causa da vovó, que a gente pode ter tudo, é só uma questão de método e paciência. Assim, gentefina, nunca quis menos que tudo. Vomitava nas pessoas que me diziam “ ah, mas você não pode querer ter tudo!”

Desde cedo então me defendi da pose aristocrática dos Rennós, fazendo tudo que é  serviço típico da plebe e dos menos dotados - leia-se, os pobres -, para repúdio geral da renozada.

Da saga dos Suleimans, que ainda vivem na época de árvore genealógica com galho seco, onde o varão que tem filha mulher, é sumariamente desclassificado dessa jardinagem islâmica, me defendi sendo mais e melhor que os homens da minha família. Aprendi a atirar em animais e pratos,  andar a cavalo, moto e esquiar antes dos 14 anos. A guiar ônibus, a capotar carros com 12 anos, a fumar com 11 e a fugir de casa pela primeira vez aos 4 aninhos, época em que decidi que seria pipoqueira na praça, lá em Barretos gentefina.

Meu pai, Hamad Ibrahim Aidar Suleiman, filho mais velho de seu homônimo, teve uma menininha, conhecida por muito tempo por Nininha: Eu, gentefina, que não tinha nome ao nascer, e que minha mãe resolveu então me fazer juniar, dando-me o mesmíssimo nome dela.

Aos 18 anos deixei a casa de meus pais, fui tentar a vida por minha conta. Não deu outra, com 21 anos eu tinha duas filhas....ave, nem gosto de me lembrar. Foi nesse período que comecei a temer a sina dos Rennós, e a melancolia, aliada à sensação de fracasso começaram a invadir minha vida.

Foi aí que conheci a Marilena Chauí, minha professora. Ela tinha pena de me ver grávida durante todos os 2 anos em que convivemos. Um dia ela disse que estatisticamente, as mulheres com filhos, saíam mais facilmente de depressões que as sem filhos ou do que os homens. Foi engraçado, nas palavras dela: “você está ali, na cama, se achando a última das mulheres, incapaz de prosseguir. Chega o filho e quer jantar. Meninas, não há depressão que resista a uma frigideira, um fogão e uma pia cheia de louça”.

Gênio essa Marilena, eu embarquei nessa e lá fui vida afora, entre movimento estudantil, fralda para lavar sem máquina, leituras em bibliotecas - não tinha NET nessa época -, tristezas, dureza financeira, frigideiras, ovos fritos e muita droga, que ninguém é de ferro.

Criançada cresceu, a mais nova tinha 13 anos e, pimba na gorduchinha, com o perdão da expressão, estava grávida de novo.

Quando nasceu o Daniel, 35 anos, duas adolescentes em casa e o pai do rebento, 10 anos mais novo do que eu... não só entrei em depressão pós-parto como em depressão pós-moderna!
 
Uma noite, dando de mamar pro Daniel, lembrei a criatura alegre, engraçada, escachada e feliz que eu era, e pensei que era essa que eu queria que meu novo filho conhecesse, não aquela escrota, de chinelo e moletom, se arrasatndo da cama pro quarto dele com o peito na mão.

E toquei.... de novo.

Bem, vou poupá-los de todas as vezes em que alguma depressão me cercou. Tem um pedaço de uma carta da Clarisse Lispector para uma amiga, que sempre me deixou assim, como cara de curiosidade, sem entender, entendendo.....um lance meio misterioso.

Outro dia, conversando com o Daniel, que diz que tenho um depressão de araque, coisa que muitos concordam, o que me deixa puta, ele disse: mãe, você é diferente, você tem uma força, sei lá, nada te derruba de verdade. Você odeia ser derrubada.”
Então voltei na carta da Clarisse. É assim: eu sou uma criatura peçonhenta, juro, tipo uma cobra (minha mãe me chamava de jararaca), aranha, escorpião, esses bichos que ficam eternidades quietinhos no seu canto se você não for lá incomodá-los. Estou sempre armada com dentes, ferrões e veneno mortal, apesar de parecer inofensiva. Mexeu comigo, está perdido, eu vou derrubar a criatura.

É minha natureza gentefina, não me orgulho, e mais, venho tentando ser diferente por toda a minha vida.

Sou também uma pessoa, segundo o Daniel ,“doente”. Só porque tenho paninho pra pia, porque arrumo a casa direto, porque acho minhas coisas no escuro, ou porque tenho uma memória filha da puta, ou porque não perco nada...enfim, sou a rainha da organização. Eu sempre sei quando alguém mexeu em algo meu, porque gentefina, cada coisa está rigorosamente diagramada na mesinha, no armário, não pensem que tudo está ali, displicentemente colocado, fazendo parte da decoração. Tá não....

E aqui cheguei, ufa.... Quando estou deprimida - olha gente que eu sou capaz de muito sofrimento - preciso levantar e arrumar a casa. Preciso fazer minhas obrigações pra que nenhum filho da puta diga que sou incapaz por ser mulher. Tenho que fazer a obrigação, pra depois fazer a devoção. Tenho que mostrar que não sou uma encostada, uma vagabunda, tenho que provar pra torcida do coríntians, que eu dei certo na vida. Vou lá, me arrastando, com a depressão “de araque”, guio o carro nem sei como, faço tudo em câmera lenta pra não errar. Vou ao super-mercado, tento ser coerente nas compras, não faço contato visual com ninguém pra não chorar, toque de corpos, nem que seja a mão da caixa do super, nem pensar!

Volto pra casa e desabo na cama e choro, choro, choro, porque sei que dia seguinte tem mais.

Então gentefina, se não fossem meus defeitos, arrogância, autoritarismo, mania de arrumação e responsabilidade acima de tudo, eu não teria aguentado a vida.

Não fossem meus defeitos, estes que eu repudio, sofro e gastei os tubos com cursos, meditações, análises, terapias, macumbas e medicina chinesa para extirpá-los do meu ser, eu não estaria aqui, como muitos amigos não estão. Ou viraram as costas para seus sonhos, ou se mataram mesmo.

Restou pouca gente inteira da minha geração, daquela que imprimiu folheto em mimeógrafo, que não entrava em cinema sem prova de identidade, que foi nos primeiros Festivais de Inverno de Ouro Preto, que andou na Rua Augusta na copa de 70 com a polícia ao lado porque era proibido manifestações populares. E que tinha que levantar dos bancos do parque Trianon, ouvindo o clássico” circulando”, dito por policiais militares vestidos com trajes de guerra.

Meus defeitos foram a minha força, a minha tropa de choque contra os ataques do mundo.

Agora entendo a Clarisse, agora entendo...

Então, estava pensando aqui, que esse bicho peçonhento que tenho, tem que ser libertado. Abrir a jaula, levar o neguinho pra tomar sol, dançar, namorar, tudo que foi negado a ele. E principalmente, dar uns agarros neles, beijinhos e carinhos sem ter fim..... pra acabar com esse negócio de viver longe de mim!

Ah, já ia esquecendo, olha a carta da Clarisse Lispector.

"Não pense que a pessoa tem
tanta força assim
a ponto de levar qualquer espécie de vida
e continuar a mesma.

Até cortar os defeitos pode ser perigoso
- nunca se sabe qual o defeito
que sustenta nosso edifício inteiro...

há certos momentos 
em que o primeiro dever a realizar 
é em relação a si mesmo.

Quase quatro anos me transformaram muito.
Do momento em que me resignei,
perdi toda a vivacidade e todo
interesse pelas coisas.

Você já viu como um touro castrado se
transforma em boi. Assim fiquei eu...
Para me adaptar ao que era inadaptável,
para vencer minhas repulsas e meus sonhos,
tive que cortar meus grilhões - 
cortei em mim a forma que poderia 
fazer mal aos outros e a mim. 
E com isso cortei também a minha força.

Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você -
respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você -
não copie uma pessoa ideal,
copie você mesma
- é esse seu único meio de viver.

Juro por Deus que, se houvesse um céu,
uma pessoa que se sacrificou por covardia
ia ser punida e iria para um inferno qualquer.
Se é que uma vida morna
não é ser punida por essa mesma mornidão.

Pegue para você o que lhe pertence,
e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige.
Parece uma vida amoral.
Mas o que é verdadeiramente imoral
é ter desistido de si mesma.

Gostaria mesmo que você me visse
e assistisse minha vida sem eu saber.

Ver o que pode suceder quando
se pactua com a comodidade da alma"
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19 comentários:

Maria Valéria disse...

Oi. Entendi o que vc quis dizer com o posto e achei muito bonita a mensagem, mas não concordo cem por cento. Eu sou médica, e posso dizer que depressão é uma doença que precisa de tratamento.Força de vontade, garra são importantes, mas sem medicação e terapia, só isso não basta.Por isso, não acredito que exista " depressão de araque", pq a depressão é muito pouco diagnosticada, em grande parte devido aos preconceitos, inclusive vindos muitas vezes dos próprios médicos. É comum rotular pessoas que entram em depressão de " fracos", " sem força de vontade" ou como muita gente prefere dizer " que acontece por falta de ter apanhado de cinta quando criança".E muitos casos de depressão leve são erroneamente enquadrados aí. Não acredito que seja uma boa ideia. Claro que força de vontade é importante, principalmente para se tratar, pq se a pessoa não quiser se tratar e não quiser sair da depressão, naõ tem quem tire.Antes de tudo, a pessoa tem que querer melhorar e ficar bem.
Concordo que o fato de ter um filho é um baita estimulo, pq vc tira forças não sei de onde para ver seu filho bem- mas nem sempre os filhos são suficiente pra puxar vc pra cima, conheço casos de mulheres que deixam,de se cuidar e náo cuidam de filhos, esquecem deveres, cuidados, compromissos, e até tarefas basicas do dia a dia.
Então, é isso. Não estou dizendo que vc tem o diagnostico de depressão, nem o que vc tem que fazer, nem poderia me arriscar a fazer isso pela internet, pq seria anti etico , longe de mim querer fazer isso. Mas quis escrever esse meu comentario p/ deixar de alerta, que se a pessoa tem mesmo o diagnostico da doença depressão, só força de vontade não basta para melhorar a vida dela. Ai precisaria de tratamento medico e terapia. De resto, concordo com algumas coisas que vc escreveu, entendi a ideia contida no texto. beijão

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Maria Valéria
ah, puxa vida, vc leu tudo. Olha, fico tão agradecida...é uma confissão que fiz, que está há dias me encurralando.
Verdade, verdade, eu sempre digo que além de tudo que é preciso na vida, ainda temos que ter sorte.

Assim, tbm na depressão a gente tem que ter sorte. Ter bons amigos, bons médicos, boas terapias, e um bom bicho por dentro...hehehe.

Eu tenho um quadro de depressão sim, mas sabe, amo tanto a alegria, que sei lá, me safo. (so far)Choro e rio.

Ontem tive um crise de choro e comecei a dizer assi: ai, ai, ai, um lamento profundo. De repente disse ai,ai,ai caramba! E comecei a rir pq me lembrei do Pepe Legal. Sei lá, talvez seja mais louca do que penso.

Mas ok, depressão é uma doença horrível....tem que tratar....e obrigada mesmo, de coração vc ter lido tudo!

Patrícia Gonçalves disse...

Minha linda, minha cara alma gêmea, também tenho casos de loucura na familia e de vez em quando tenho medo também de ficar louca. Mas, também, como você, não fico muito tempo na fossa, dou a volta por cima rapidamente. Algumas vezes rio também, aí a coisa piora pois penso é agora que tô ficando louca mesmo, e, na verdade, eu acho é graça da situação. Não sei, talvez seja, excesso de sentimento, emoção, querer ou loucura mesmo.

Como você também fui buscar equilibrio na meditação, macumba, radionica, constelação, body talk e etc.

Interessante nossa capacidade de sofrer, minha analista não entendia de onde vinha tanto sofrimento, depois da constelação descobri, dos meus antepassados igualmente loucos.

Mas, fica aqui meu abraço, minha companhia, sabe, me sinto sempre melhor quando me lembro que o céu é azul e sol brilha, não é pieguice barata, mas me sinto melhor.

Grande beijo

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Patrícia
alma pra lá de gemella.

Tbm descobri na constelação uns podres ligados ao escravagismo bem cabeludos. Descobri, que foi lindo, que minha mãe me deu seu nome para eu ser uma Walkyria que deu certo. Ela deu certo tbm, coitadinha, mas não dava pra perceber.

Rir da nossa tristeza e pieguice, é um meio muito do bom de saber ver o céu azul e o sol.

Se bem que tem dias que adoro que chova, principalemnte fim de semana. Então, não preciso sair de casa...hehehe. Ninguém vai falar: poxa, esse sol e vc em casa!"

Pat, obrigada por partilhar minha vida.

HM disse...

Como mero estudante de psicologia (e, de resto, em tudo, aprendiz) vivemos a era das síndromes. Qualquer tristeza pode ser, precipitadamente, rotulada como depressão, lavar as mãos, ao chegar em casa, é probabilidade de TOC, desatenção, em sala de aula, pode detonar o diagnóstico de TDAH.
Mas, subtraídos os exageros contemporâneos, até porque há uma diferençaa substancial entre estrutura e sintoma, há casos em que a terapia e/ou acompanhamento médico especializado são fundamentais e inevitáveis.
Loucos somos todos, um pouco. Mas o desdaparecimento das fronteiras entre realidade e fantasia, os delírios alucinatórios são geradores de intenso sofrimento e podem ser tratados, sendo que, insisto, afeto deve estar, sempre, no receituário - sem ele, a solidão, a incompreensão, a exclusão causam estragos, talvez, irreversíveis.
Abraço.

MOISÉS POETA disse...

walkyria ! sua vida daria um livro de grosso calibre , uma jornada e tanto...! expôs com maestria dados importantes de sua vida , prendeu minha leitura do começo ao fim.

ao visitar o seu blog , sempre percebo que dentro de voce existe um fogo que arde constante , nunca deixe que esse fogo perca a intensidade.

um beijo prá la de carinhoso pra voce .

Gerana Damulakis disse...

Nada me surpreendeu, eu já havia intuito muito do que está nesta postagem. Concordo com a médica acima, não há "depressão de araque". E há depressão mesmo nas pessoas ocupadas com serviços vários. Mas, creio, que há em você muita força. Na verdade, vc sabe que tem essa força, sabe e luta com ela. "Quem não tem ordem ao redor de si, não tem ordem na vida" e, nesse tocante, manter a casa em ordem demonstra a tal força que vc tem e que conserva a vida em (ou de) pé.
Guerreira, Wal, é isso que vc é, uma guerreira.

Sylvio de Alencar. disse...

Não vim preparado para tanto...

Sufocos são sufocos, por mais que queiramos dourá-los.
Hoje, recordando os meus, vejo que nem foram assim tão trágicos, horipilantes...

Mas, foram.
Na hora em que a onça tava bebendo água, só faltou eu suar sangue.

Encarei uma fase de minha vida que nem sei se foi depressão, na verdade acho que foi uma fase meio esquisofrênica.
Tinha hora que, realmente, achei que ía perdera razão: dá um medo disgramado ter a loucura ali, do lado...

Não sou metódico, não tenho muita disciplina, sou meio como um rio: uso o caminho mais fácil; 'fácil' para mim, para outra pessoa pode não ser...; outra, enfim, pode até achar que o que faço é coisa de cara sossegado...

Bem, o seu post:
confessional, completinho emocional e sentimentalmente: não há ódio, incompreenções, desânimos latentes; significa que seu exercício de auto conhecimento está desperto e dentro de uma realidade sadia (vc não está se debatendo, há humor em suas palavras).

Não tenho piques de depressão, não tenho mais medo de ficar louco, assumi alguns 'defeitos' (alguns talvez, me acompanharão até).

Considero que vc vive de maneira intensa, normal que picos emocionais uma vez que em termos de sensibilidade vc está mais 'exposta' (num sentido naturalmente benéfico - de sua natureza).

Se medicar por causa disso? você que deve saber, mais do que ninguém: discernimento não lhe falta.

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Então, vc foi colega da Marilena...
Que coisa!

Eu, fui cantado pelo Flavio Império, não é a mesma coisa...

Abraços.

Sylvio de Alencar. disse...

Altas gatenhas na linha de frente!!!!!

E esse desenho da Clarisse, foi vc que fez?

Legal aquela constelação (se me lembrasse agora seu signo, iria falar qual era, e vc iria ficar pensando: pô o Sylvio é fera!, entende de tudo!!!!!!).

...............................!
Caraca, não me lembrei seu signo! :(

Bom, de repente aquela constelação nem é do seu signo... Tava me preparando pra entrar em parafuso de bobeira!

betina moraes disse...

wal...

a doutora tem razão, o HM tem razão, a gerana tem toda a razão do mundo ♥, o sylvio não conta pois ele é você e você sou eu,

mas a maior razão está em Clarisse: "Até cortar os defeitos pode ser perigoso
- nunca se sabe qual o defeito
que sustenta nosso edifício inteiro..."
com a frase que, claro, motivou o post inteiro.

eu não acredito em perfeição, eu acredito em circunstância. nós somos resultado de nossas circunstâncias, acho que é a melhor definição para um conjunto tão dinâmico quanto um ser humano. você é uma vencedora, dentro de suas circunstâncias. uma pessoa sensível é um caleidoscópio de emoções, somos imensos!!! já se sabe que até o ambiente pode interferir em nosso equilíbrio emocional, somos capazes de captar as energias e quando falo “energias” não é nada místico não, estou falando de fios de alta tensão, de ondas de celulares, de computadores, TVs e etc. então acontece de tal sensibilidade ficar afetada por causa de tanta onda atacando o pobre campo magnético de nosso corpo e até aí a pessoa desavisada pode ter uma crise de choro. as vezes não dormimos ou dormimos mal por ter acontecido uma explosão solar!!! mas cacilda, O sol é longe para caramba e se lá tem explosão nosso campo magnético sente, é maravilhoso que seja assim, na verdade, somos uno com todo o sistema que nos cerca, até a mais longínqua estrela nos catuca... viver é mais amplo do que disseram para nós, tudo conta, até o que não vemos. estamos sujeitos a tudo mas não significa que estejamos deprimidos ou não. a vida é fluxo continuo, ninguém fica bem o tempo todo, e daí????

está na moda ser blasé... todo mundo tem que fazer cara de paisagem, ser equilibrado, falar baixo, colocar no ouvido o seu MPqualquer número, falar ao celular com fone no ouvido, andar em carro blindado, pedir comida em casa, não pagar mico de paixão cega, não se envolver, te pergunto: onde é que foi parar a boa e antiga relação entre entes que fazia com que ficássemos putos uns com os outros, com que nos apaixonássemos perdidamente por um desconhecido, ou chorássemos no meio da rua por causa de alguma inesperada beleza divina em uma borboleta? não mude em nada! Continue tendo suas crises de choro, pois é daí que vem o poema, continue rindo de si mesma, pois é daí que vem a glória e “a beleza de ser um eterno aprendiz”, não abra mão de ser humana, explosiva, inconformada, passional, organizada, infeliz, feliz, tesuda, errada, certa, pequena, imensa, pois é no conjunto de tais conjecturas que você caminha com 100% de identidade e total integração com as necessidades de sua alma.
e mais, vamos conversar uns com os outros, deixar de nos proteger! entre pessoas e nas conversas se descobre que não se está sozinho nem em uma grande tristeza, vamos trocar informações e emoções. “mais platão, menos prozac”!

você me deixa em ebulição com suas narrativas maravilhosas!


eu te amo.

um beijo.

sam rock disse...

Querida Walkyria no hay situación más triste que el depresivo que no encuentra más respuesta científica a su enfermedad que engullir pastillas que van cambiando cada cierto tiempo, para ganancia de la industria farmacéutica, y que sólo mitigan un poco los síntomas.

Un abrazo y buen fin de semana

tania disse...

Betina, estou 100% com você no seu comentário sobre esse negócio de ser blasé. Você foi perfeita. Embora tenha dito que perfeição não existe. E é somente neste ponto, então, que tenho que discordar de você. Beijo pra ti, beijo pra Walquíria, beijo pra todos. Nada de ser blasé aqui.

betina moraes disse...

tania,

:)

fui até os blogs para te conhecer e gostei muito!!!!!!

Chico de Assis disse...

Gostei de tudomque ví aquí. Mas uma coisa chamou-me atenção no belo poema:
" Respeite mesmo o que é ruim em você.
Respeite sobre tudo o que imagina que é ruim em você.
Não copie uma pessoa ideal
copie você mesma
- é esse seu único meio de viver."

- Uma definição de personalidade e caráter.

Parabéns!
Obs: tenho um Blog de poesia em áudio, gostaria que acessase:
www.chicodeassispoesia.blogspot.com
Um generoso abraço do meu nordeste-brasileiro.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Gentefina, dá licença.

Não consigo comentar nada ainda sobre isso!
Deixa eu tomar umas brejas, mano!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Moisés
Betina
Tania
Chico

olha só.vcs acretaram meu sentimento. Quando vc posta algo, as pessoas se prendem naquilo que tem repercussão pra elas naquele momento. Por esta razão, ver um filme de novo, ou reler um livro, nos surpreende por sentirmos que deixamos passar algo importante da primeira vez.

Assim, como disse a Betina, rainha da solidariedade, todos têm razão. Mas vcs, meus queridos, pegaram o cerne de meu post-lamento.

Essa coisa de termos que mudar algo que não é construtivo, que não se encaixa legal nas relações.... Normalmente é justamente aquilo que te sustenta nas horas de pânico. E ler a carta da Clarisse, uma rejeitada social, que tentou com todo tipo de tratamento e remédio pra se ajustar, me deixa com o coração na mão.

Muito corajosa, muito triste...

tenho vivido este drama, não mais de querer mudar, pq isso eu não consegui, mas de me questionar se devo mesmo mudar.

Quando apronto das minhas, pergunto a algum amigo próximo: mas vc acha que eu errei? Eles respondem, ai Walll, essa é a Walll, a gente tem que entender.

Eu ficava uma fera com essa resposta. Mas agora começo a entender.

Se mudar em mim aquilo que arrepia a galera, a arrepiada vai ser eu.
Sei lá, mil coisas......

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

BB
vc, coberta de razão e sensibilidade, parece filme...hehehe

BB é isso, esse lance de ser blasé é uma merda. Não sei ficar quieta, muito menos com cara de paisagem.

Acho um disparate ouvir ou ver algo, até que não me diga respeito, e ficar quieta. O Daniel diz que um dia ainda vou levar um pau, pq na rua, se vejo algo, nossasenhora, dou palpite, interfiro, afinal, tô viva e vendo pra quê, minha nega!

Então, mas vc, ah vc sim, vc imagina e sabe quanta cacetada a gente leva...e dos mais chegados, pq não tenho meias palavras, aliás, meio aqui só a meia e a pizza. De resto não sou mezza muzzarella.

BB...saudade....

Acho que vou continuar assim a vida toda. te contei que semana passada fui de metrô fazer um lance, e tive um acesso de choro. Sentei no parapeito do jardim, acendi meu cigarrinho de palha e chorei. Um guarda veio perguntar se estava tudo bem, eu disse que não, mas que ele não podia fazer nada.

Ah, foi ótimo chorar na porta do metrô Clínicas com os policiais me olhando. bem, acabei achando engraçado e comecei a rir.

Fui embora correndo, livre, linda e loira!

Cosmunicando disse...

nem comento.
estou aqui entre as explosões solares da Betina e a sapiência de Clarice, em plena cavalgada das Walkyrias (mãe e filha), puro êxtase, dizendo: puta que pariu, é isso mesmo!

beijos e tudibão for ever.
continue sendo.

betina moraes disse...

:)


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