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sábado, 9 de outubro de 2010

Entre corações

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Tenho no coração
um grande galpão de desterrados,
nele me alojo,
refugiada dos terremotos dessa vida.

Assim,
com a roupa do corpo
sem pertences
sem ideais
sem vontade
sem esperança.

Nesse desterro
a meu lado
senta-se uma criança.

Não nos conhecemos
Não nos falamos
Apenas habitamos o mesmo coração.

Eventualmente
sua pequena mão
toca bem de leve
nas minhas mãos...

Seria apenas alucinação?
o coração
o galpão
a criança
e toda a minha solidão???
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fofo: DaffodilLament

22 comentários:

Carol Morais disse...

Acredito que sej tudo que habita dentro da gente. É impossível a gente se conhecer tão bem. Talvez o eu dentro da gente conheça a gente melhor e a gente não o conheça.

Eu achei tão lindo esse poema.
Eu gostei muito.
Vermelho é a tua cor, Wal. Sem dúvidas.

Leonardo B. disse...

[coração bate a uma só voz, apesar de toda a distância, em cada hemisfério de nós, em cada longitude ou latitude, em sincronia: todo o abalo do mundo é provocado, provado por esse batimento... para além de toda a voz que por vezes é lamento, mas esvoaça no instante seguinte, onde bate um coração]

um incondicional e
imenso abraço, Walkyria

Leonardo B.

milu disse...

Bateu forte....só sei falar de coisas que sinto,e esta crianca me emocionou.
Sabe Wal dia 13 de novembro estarei indo pra S. Paulo, vou ver a flor e a Bienal,,,sera que a gente vai se conhecer fisicamente?Bjs,

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Carol
tá vendo? Vc sempre vendo o outro lado, quando não, todos os impopssíveis lados de tudo.
Achei super revelador para mim esse lance do eu da gente conhecer a gente melhor...e embora a gente não o alcance de todo, ele nos alcança, e isso me deu uma puta esperança.

Adoro vc Carol, adoro a pessoa que vc mostra pra mim. Por isso, te agradeço sempre.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Leonardo

sinto esse batimento daqui, através dos tempos e oceanos. E embora tenha lhe mandado um lamento, você me retornou um poema, um círculo inquebrável de viver.

Obrigado Leonardo, por escolher as palavras que cabem certeiras em minhas mãos.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Miluzinha
somente sabemos do que sentimos, e quem isso sabe, sabe o tudo que precisa nessa vida.

Querida, seria um delícia te conhecer.

Manda o fone da tua linda filha, eu ligo quando chegar de viagem, dia 12 à noite. Manda numa mensagem pelo face book...ok?

Gerana Damulakis disse...

Às vezes, quase sempre, vejo esse eu tão profundo como uma criação nossa. Uma criação que vai mudando conforme sentimos isto ou aquilo. A imagem criada foi fruto de solidão? Não teria sido fruto de uma conscientização total do momento, resumido em solidão, mas que, na verdade, vem junto com uma satisfação, com uma certeza, com muita liberdade para, enfim, sentir tudo tudo tudo?
Viajei nos versos.

angela disse...

É de onde nos partimos.É a nascente do nosso ser. É pra lá que vamos no desterro, no desamparo, na estupefação, na ignorância, no desamparo. É a morada da solidão e a nascente do humano.
Não estou mudando de endereço bloguistico...rs, só juntando os dois blogues que tenho em um.
beijos

betina moraes disse...

wal...

não. é tudo real, inclusive a inocência que não abandonou o seu coração...


depois de ler sobre sua morada na pobreza, o verso creceu tanto em mim que acabei chorando...

te amo.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Gerana...
sua viagem foi muito bem vinda, pois se esse eu é fruto ou semente, não importa mesmo.

Você me faz ver que esse eu pode ver e sentir todos os eus.... é a liberdade possível, mirando a liberdade absoluta.

Gerana, nem sei como agradecer sua paciência, seu carinho e sua presença....na minha vida!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Angela
que poesia o seu comment... tinha que vir de alguém como vc, que garimpa as palavras mais belas do ser no seu blog, agora único.

Sim, deve ser mesmo a nascente do ser, o lugar de onde viemos. E quem sabe, nossa ignorância não nos faça perceber que existe esse lugar desterrado, feito pro aconchego da nossa alma.

Angela, sou muito grata por vc me acompanhar nessa viagem escura da semente que retorna ao solo de onde brotou.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Betina

Nesse lugar onde a verdade é tão cálida e inocente, onde somos despidos de todo e qualquer bem terreno, nesse lugar eu te re-conheci.

Porque minha irmã, estamos perto nesse vale, para a luz e para as trevas.

E isso, isso! sabemos que é pra sempre.

Eu amo você com todos os meus eus!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Minhas queridas amigas...
♥*ღ*♥*ღ*♥*ღ*♥

Li os comments de vcs, sentei na minha janela da cozinha, acendi um cigarrinho e por entre a fumaça disse em voz alta pra essa noite fria e ardente: nossa, essas meninas são de-ma-is!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Ah Gerana
faltou apenas te dizer: adoro vc


Juci Barros disse...

Que post inspirador...
Beijos.

sam rock disse...

Walkyria, la esperanza es lo último que se pierde. Y cuando está a punto de desaparecer, siempre hay la posibilidad de una mano tendida: de un niño, de una anciana (mamá te necesito)... La vida que fluye como los ríos hacia el mar.

Bicos, miña fada loira.

Zélia Guardiano disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
*Mi§§ §impatia* disse...

Muito lindo seu texto, adorei.
Uma semana maravilhosa pra ti, beijos.

Let's disse...

Gostei do toque leve das mãos...parbéns..lindo aqui

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Miss Simpatia,
ver vc aqui sempre é uma alegria.
Tenha uma semana linda!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Roque
Nunca respondo seus cmomments na hora. Gosto de senti-los, de saborear tuas palavras.
Gosto do jeito como você me acolhe, me abraça e me embala.

Muitas vezes me sinto assim, embalada por você.

Já te disse que preciso dos seus sentimentos e pensamentos?

te gosto muito

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Let's
bem vinda e que bom que vc sentiu o toque


voltar pro céu