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terça-feira, 29 de junho de 2010

As Sereias da Juju

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Gentefina, queria que vocês reparassem como as sereias se arrumam, se enfeitam e têm expressões diferentes em cada foto. Fiquei impressionada, realmente elas me enfeitiçaram.
Foi num amanhercer lá em Floripa, na casa da Juju, a Julia Margarido.




domingo, 27 de junho de 2010

Replicante e Dementadora: alguém merece?

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Vivo em crise há 55 anos.

Já ao nascer, iniciei um processo brabo de aprendizagem, eu não sabia coisas elementares, como andar, falar, reconhecer as outras pessoas, entender afinal onde eu estava. Aliás, nem pensava nisso, eu ERA, eu ESTAVA, o mundo era a minha casa e eu, sua única dona.

Logo meus pais se incumbiram de dar um jeito nisso, me educando, me transformando, selecionando minhas qualidades, as que eles, com seus ideais escolheram como as mais adequadas à sua filha. Elencavam meus supostos defeitos, alegando hereditariedade, semelhança e temperamento iguais a ilustres desconhecidos - muitas vezes mortos - da minha família.

Não era fácil entender esse lance, ser má e ter um temperamento inadequado, sob a visão daqueles que eu amava acima de tudo, e ainda por cima, estar carregando uma espécie de sina familiar.Sem falar no repúdio que eu causava aos anjos, arcanjos e toda a corja celeste, com as minhas atitudes.

Foi aí gentefina, que eu comecei a achar que o mundo não era mais a minha casa onde eu, que me achava tão feliz, leve e loirinha, era na verdade um monstro, cheia de defeitos, reais e imaginários. Reais por que era repreendida o tempo todo, e imaginários porque provinham da imaginação de meus pais, de meus professores, eu nem sabia o que queriam dizer palavras como temperamento, personalidade, e duvido que alguém, em sã consciência - sem ficar como papagaio repetindo o que está escrito em algum livro -, saiba o que tudo isso quer dizer.

Simplesmente aceitei e tomei como certo a opinião daqueles que, de verdade, estavam investindo seu tempo, dinheiro e amor na mina reles pessoa. Sim, porque a essa altura eu já me sentia reles, inadequada, uma errada, gauche na vida. Tinha tantos pecados para confessar na missa aos domingos, que um dia percebi que tinha que dizer pro padre meu dia-a-dia inteiro, e ser repreendida pelo simples fato de não ser ainda a pessoa que esperavam que eu fosse.

Mas não parei por aí. Veio então a fase de implantação do projeto “filha”, estudo, carreira, etiqueta, bom casamento, aprender coisas básicas para uma menina de família, como dançar, falar outras línguas, saber andar, conter-se, comportar-se, enfim, não era fácil. Dentro de mim ecoavam as vozes de meus investidores, mas eu não estava totalmente certa de nada. Estava, na maioria das vezes, em crise com os ensinamentos recebidos e os desejos “diabólicos” de meu coração.


Fase três, testes vocacionais, terapias para aceitar o mundo como ele é de "verdade", quer dizer, na verdade do clube a que eu pertencia, que os presidentes eram meus pai; escolher uma faculdade com 17 anos, supondo que aquela escolha seria para vida toda, saber direitinho o quê queria ser - quanta bobagem menina, o que vale é a carreira, a educação, no final você vai conhecer seu futuro marido, neste meio que está escolhendo, tendo em vista que até agora, diferentemente de cicraninha e beltraninha que já se arrumaram na turminha dos pais dela.....azar o seu, sempre revoltada. Essa revolta vai acabar com tua vida!

Faculdade, trabalho, ganhar a vida, momento de aprender a engolir sapos, a entender que os fins sempre justificam os meios. E daí que você é jovem... tem que trabalhar sim ou ser uma esposa trabalhadeira em casa, deixa pra gozar a vida na sua velhice.

E vamos lá levando essa carga de conhecimento na fase 4, feito um iô-iô na mão das vozes interiores, que invariavelmente repetem o padre, seus pais e seus professores. Você é isso, é aquilo, tem esse temperamento, não vai conseguir nada na vida sendo assim, desperdício de tempo com alguém como você.... nem reconhece tudo que fizemos por você....

Fase 5.... estou aqui. Já cumpri essas etapas todas, já nem sei mais quem é quem dentro de mim. Me parece que 90% do que eu penso, sinto e considero certo, vem de alguma fala do passado. As decisões todas que tomei, não posso afirmar que vieram do meu coração, porque gentefina, falando bem sério, meu coração foi o que menos apitou nessa história. Ficou lá, quietinho e vagabundo, ébrio e solitário, se guardando pra mim, pro dia em que eu decidisse ouvi-lo.

Tem uma beleza nisso gentefina.... tem uma justiça, um coração pode se calar por anos, mas não nega fogo quando acendemos a fogueira dentro dele, ainda que hajam chuvas e tempestades, e a gente tenha apenas duas pedrinhas pra fazer um foguinho.

Mas vai daí, que agora que eu cumpri tudo, me pego pensando, o quê eu quero da minha vida¿ Afinal, já fiz tudo, plantei árvores, tive vários filhos, até neta eu tenho, namorei com mais de 200 homens diferentes, vivi com alguns por um tempo, enterrei familiares, amigos, estou quase pra me aposentar...e agora João¿ Que você quer da vida¿ Onde você quer morar¿ Como você quer gastar o resto de tempo que lhe cabe neste latifúndio chamado terra¿

Não sei. Quando as vozes do passado, que fizeram minha moral, ética, senso de justiça etc. falam, eu nem ligo mais, desacredito delas, e elas, desesperadas não se calam não. Já viu algum tirano desistir sem luta, e luta desleal? Sim porque essas ideias que foram colocadas na minha cabeça, estão lá firmes e fortes, e sabem que podem me vencer. Sabe por que gentefina¿

Porque eu, como a torcida do Corinthians quero ser amada, quero ser socialmente aceita, e quero ouvir, à toda hora a frase mais deliciosa que um ser humano ouve na vida: sim você está certa, boa garota! É a famosa síndrome do pedigree.

Nesse intrincado organismo que existe na minha mente, passeiam de mãos dadas, sistemas culturais, sociais, econômicos, políticos e psicológicos da época em que vivi, sem falar de campo morfo-genético e inconsciente coletivo, karma, destino, JesusMaria&Joseph, como diria Betina que não me deixa mentir. Eles são poderosos.

Então vem meu coração que agora resolveu aparecer, sabe como¿ Me deixando deprimida, sem coragem, sem vontade, sem alma.... essa dor de me perder nesse labirinto, antes tão organizado do meu EGO, essa dor me trouxe de volta para casa.

Sim, aquela casa que eu tinha quando nasci, quando era ignorante e nem sabia andar ou falar, mas que queria viver intensamente tudo que me era de direito, sem nem saber o que significava a palavras direito. Era inerente.

Me pergunto hoje, o quê significa ter razão em algo? Que porra é essa gentefina¿ Todos, mas todos mesmo dentro de seu ponto de vista, têm razão. Tiveram até que inventar leis para julgar essa razão tão cheia de Razão.

Num sistema totalitário, a razão é do poder. Num sistema monárquico, a razão é da realeza. Num sistema democrático, a razão é da maioria. Num sistema tribal, a razão é do Xamã e ad eternun. E aí, dentro de você, que sistema você tem usado pra saber quando deve ou não fazer, dizer, reclamar, exigir, aceitar, respirar, enfim¿

Sério gentefina. Tem me dado muita estranheza quando alguém diz que tenho que olhar com os olhos do outro. Que tenho que fazer as coisas pensando como o outro, do jeito do outro. Civilização é repressão, gentefina, como dizia Freud. Isso, gentefina, é ser politicamente correta, boa companhia, pessoa convidada para festas e momentos agradáveis em sociedade, seja ela na savana, no deserto, nas estepes ou na planície. Mudam apenas as máscaras e fantasias. Somos farinha do mesmo saco.

Mas eu quero sair desse saco, dá licença¿ Não aguento mais esse ar embaçado, essa atmosfera sufocante onde dependo do julgamento do outro. Esse aperto que me alcança o coração, me sufoca. Abre o saco que essa farinha aqui quer mais é ser espalhada pelo vento.

Sabe, é sério, tem alguma maneira de eu olhar o mundo que não seja com os meus olhos¿ Tem algum jeito de eu sentir algo que não seja com o meu coração¿ Posso viver, me movimentar pelas circunstâncias, me haver comigo mesma na hora de me deitar à noite, que não seja do meu jeito¿ Sim, daquele jeito que disseram que era inadequado, hereditário, vergonhoso, aquele jeito que me valeu inimizades, suspensões, demissões, mas pelamordedeus....tem outro jeito que não seja este¿

Então, sempre que quis me fazer de boazinha, católica, cidadã, e fiz do jeito do outro, "si dei mal". Porque quando o saco apertou e as farinhas entraram em pânico, eu não sabia como agir, porque aquele, não era meu jeito. E onde estava o bacana que me convenceu de que eu era autoritária e me fez fazer a coisa do jeito dele¿ Acredito piamente, por experiência própria, que somos como as plantas que nascem na terra dessa Terra, e somos mesmo. Se tiram nosso princípio ativo e desprezam o resto, nas hora do vamos ver, não tem lá dentro nada que enfrente os efeitos colaterias da vida.

Ah, sempre que tenho minha opinião, e que posso bancá-la - porque atenção, gentefina, ninguém mesmo implica com galinhas mortas -, sempre tem alguém que diz que sou egoísta, autoritária, orgulhosa e prepotente. E sabe por que¿ Porque vejo o mundo com os meus olhos. Sei que estou me repetindo. Mas agora, vai! gentefina, pensa bem. Pára tudo, fecha os olhos e se pergunta: você tem feito as coisas com os seus olhos, com suas mãos, ou tem querido ser amada, feito com o jeito do outro e se tornado essa pessoa dependente, carente, triste e sem graça¿

Oquei, são apenas elucubrações, escrevo porque descobri, nesse meu jeito, que meu coração se manifesta assim, escrevendo, quando dou esse tempo pra ele se colocar. Depois vou juntando os pedaços que caem aqui pela sala,  e que continuam a cair com os comentários das pessoas que me lêem, e que não imaginam que na verdade, estão conversando com o meu coração.

Por isso, e por tudo que poderei viver em alegria daqui pra frente, agradeço a Deus, aos meus pais que, certos ou errados fizeram a coisa do único jeito que sabiam, o deles, e a vocês, que me respondem do seu jeito, não com frases prontas, julgamentos seculares e medos embutidos. Obrigada gentefina.

Agora entendo, do meu jeito, aquela frase: o coração tem razões que a própria razão desconhece.

Vou em busca dessas razões desconhecidas, destemida, corajosa, porque sinceramente, não existe outro jeito,  é o único caminho que me levará a mim mesma. Juro que tentei alguns atalhos, desde partidos políticos, religiões, grupos de estudo, análise, sexo, drogas e rock&rool, sangue, suor e cerveja. Foi bem divertido, não posso negar, mas não me levou a lugar algum. 

Afinal gentefina, ficar olhando o mundo com os olhos de seus pais, não é muito diferente de ficar olhando como os olhos de Zaratrusta, Freud, Gurdijieff - qualquer cosmovisão que seja -, Paulinho da Viola, o quitandeiro da esquina ou daquele homem que você elegeu pra chamar de teu. Não senhora, tem que me convencer de verdade, de maneira que aquele ponto de vista se torne meu, que conviva em paz com o meu jeito. Tenho que ser arrebatada, capturada pela ideia.

CHEGA de quererem me mudar, me despejar de meu coração em troca de migalhas afetivas. Por que se isso acontecer, gentefina, eu fico sem lugar para morar. Não quero ser mais uma homeless vida afora, blasé, boazinha, adequada, inofensiva.  É a morte em vida.... que conheço bem demais.

Me desculpem se à vezes sou um pouco revoltada. Esse foi um dos maiores defeitos que, vários dedos me apontaram no nariz, a vida toda. Mas foi essa mesma revolta, que me trouxe até aqui. Sem ela eu não seria mais que uma replicante, uma dementadora, uma pessoa sem alma e sem coração.

Um brinde à nossa revolta!
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fotos: closed_for_eternity_I_by_ajss
A_sangue_Frio_by_DarkAnubis
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sábado, 26 de junho de 2010

Dunga desbanca a Vênus Platinada

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Genfina, primeiro quase morri de rir com este vídeo que o Sylvio postou. Então fui atrás dos fatos, e depois do vídeo hilário, tem uma matéria do João Muller. Se você estiver à toa na vida, vendo a banda passar, dá uma olhada nisso, é MUITO engraçado.
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Texto de João Inacio Muller
"O Jornal O Globo em sua primeira página da edição de quarta feira 16 de junho de 2010, desce a lenha na seleção e principalmente no seu treinador.

Qual a razão dessa súbita mudança de comportamento ?

Vamos aos fatos :

Segunda feira, véspera do jogo de estréia da seleção brasileira contra a Coréia do Norte,
por volta de 11 horas da manhã, hora local na África do Sul.

Eis que de repente, aportam na entrada da concentração do Brasil, dona Fátima Bernardes, toda-poderosa Pri meira Dama do jornalismo televisivo, acompanhada do repórter Tino Marcos e mais uma equipe completa de filmagem, iluminação etc.

Indagada pelo chefe de segurança do que se tratava, a dominadora esposa do chefão William Bonner sentenciou :

“ Estamos aqui para fazer uma REPORTAGEM EXCLUSIVA para a TV Globo, com o treinador e alguns jogadores...”

Comunicado do fato, o técnico Dunga, PESSOALMENTE dirigiu-se ao portão e após ouvir da sra. Fátima o mesmo blá-blá-blá, foi incisivo, curto e grosso, como convém a uma pessoa da sua formação.

“ Me desculpe, minha senhora, mas aqui não tem essa de “REPORTAGEM EXCLUSIVA” para a rede Globo. Ou a gente fala pra todas as emissoras de TV ou não fala pra nenhuma...”

Brilhante !!! Pela vez primeira em mais de 40 anos, um brasileiro peitava publicamente a Vênus Platinada !!!

“ Mas... prosseguiu dona Fátima - esse acordo foi feito ontem entre o Ren ato ( Maurício Prado, chefe de redação de Esportes de O Globo ) e o Presidente Ricardo Teixeira. Tenho autorização para realizar a matéria”.

- “ Não tem autorização nem meia autorização, aqui nesse espaço eu é que resolvo o que é melhor para a minha equipe. E com licença que eu tenho mais o que fazer. E pode mandar dizer pro Ricardo ( Teixeira ) que se ele quer insistir com isso, eu entrego o cargo agora mesmo!”

O treinador então virou as costas para a supra sumo do pedantismo e saiu sem ao menos se despedir.

Dunga pode até perder a classificação, a Copa , seu time pode até tomar uma goleada,
mas sua atitude passa à história como um exemplo de coragem e independência.

Dunga, simplesmente, mijou na Vênus Platinada ! Uma estátua para ele !!!

Quem presenciou na noite de domingo o editorial do programa “Fantástico” da rede Globo, lido pelo repórter Tadeu Schmidt, há de ter compreen dido todo o desespero que se apossou da “Vênus Platinada”, em relação ao técnico da seleção brasileira.

Chamando-o de “grosseiro, mal educado “ e outros mimos a mais, a poderosa estação do Jardim Botânico viu pela primeira vez em mais de 40 anos, um brasileiro desafiar seu domínio, e literalmente mijar na sua cabeça.

Recordando os fatos mais recentes, inconformado com a proibição das tais “entrevistas exclusivas” que só seriam concedidas à Globo, na sexta feira o Assessor de Imprensa da CBF levou ao técnico Dunga outro memorandum, dessa vez do próprio Presidente Ricardo Teixeira, solicitando que se ordenasse a abertura para que as tais “exclusivas” fossem concedidas.

Dunga então rasgou o memorandum na frente do Assessor de Imprensa e como a reclamação vinha diretamente por ordem da Todo-Poderosa sra. Fátima Bernardes, Prima Dona do jornalismo televisivo, Dunga foi mais uma vez taxativo :

- Diz p ro Ricardo que se é o que ele deseja, que coloque essa senhora como treinadora da seleção, eu entrego meu cargo” !!!!

Lógico que o técnico permaneceu. Dona Fátima então, sentindo-se “desprestigiada”. alegou um problema de “cordas vocais” e teria tomado o primeiro avião retornando ao Brasil.

Na entrevista coletiva, após o jogo contra a Costa do Marfim, Dunga então resolveu “premiar “ os repórteres da rede Globo que lá se encontravam. Pela leitura labial ficou fácil identificar que ele chamou Marcos Uchoa de “chato” e Alex Escobar de “babaca” e "cagão"

E disse tudo. O sr. Marcos Uchoa com aquela cara de diarréia reprimida é realmente um chato de galochas, e o sr. Alex Escobar, metido a engraçadinho e a bobo da corte, é a própria imagem do babaca cagão.

Em razão disso tudo que foi descrito, o sr. William Bonner, absolutamente descontrolado, escreveu do próprio punho o editorial ridículo qu e foi lido no Fantástico.

Agora à tarde chega a notícia publicada no Portal do Lancenet que a FIFA punirá Dunga pelos fatos ocorridos. A rede Globo certamente está por detrás dessa punição covarde e canalha.

Dunga merece uma estátua em praça pública."
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Um poema por dia.....


Essa poema visual é de Luis Carvalho, efaz parte do verso de um livro que publicou no final de 2008 chamado Buraco Branco. O cara é fera, gentefina.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Em teu seio, oh liberdade!


I
OUVIRAM DO IPIRANGA AS MARGENS PLÁCIDAS
DE UM POVO HERÓICO O BRADO RETUMBANTE,
E O SOL DA LIBERDADE, EM RAIOS FÚLGIDOS,,
BRILHOU NO CÉU DA  PÁTRIA NESSE INSTANTE.
SE O PENHOR DESSA IGUALDADE
CONSEGUIMOS CONQUISTAR COM BRAÇO FORTE,
EM TEU SEIO, Ó LIBERDADE,
DESAFIA O NOSSO PEITO A PRÓPRIA MORTE!

Ó PÁTRIA AMADA,
IDOLATRADA,
SALVE! SALVE!

BRASIL, UM SONHO INTENSO, UM RAIO VÍVIDO
DE AMOR E DE ESPERANÇA À TERRA DESCE,
SE EM TEU FORMOSO CÉU, RISONHO E LÍMPIDO,
A IMAGEM DO CRUZEIRO RESPLANDECE.
GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA,
ÉS BELO, ÉS FORTE, IMPÁVIDO COLOSSO,
E O TEU FUTURO ESPELHA ESSA GRANDEZA.

TERRA ADORADA,
ENTRE OUTRAS MIL,
ÉS TU,BRASIL,
Ó PÁTRIA AMADA!
DOS FILHOS DESTE SOLO ÉS MÃE GENTIL,
PÁTRIA AMADA,
BRASIL!

II
DEITADO ETERNAMENTE EM BERÇO ESPLÊNDIDO,
AO SOM DO MAR E À LUZ DO CÉU PROFUNDO,
FULGURAS, Ó BRASIL, FLORÃO DA AMÉRICA,
ILUMINADO AO SOL DO NOVO MUNDO!
DO QUE A TERRA MAIS GARRIDA,
TEUS RISONHOS, LINDOS CAMPOS TÊM MAIS FLORES;
"NOSSOS BOSQUES TEM MAIS VIDA,"
"NOSSA VIDA" NO TEU SEIO "MAIS AMORES".

Ó PÁTRIA AMADA,
IDOLATRADA,
SALVE! SALVE!.

BRASIL, DE AMOR ETERNO SEJA SÍMBOLO
O LÁBARO QUE OSTENTAS ESTRELADO,
E DIGA O VERDE-LOURO DESSA FLÂMULA
-PAZ NO FUTURO E GLÓRIA NO PASSADO.
MAS, SE ERGUES DA JUSTIÇA A CLAVA FORTE,
VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA,
NEM TEME, QUEM TE ADORA, A PRÓPRIA MORTE.

TERRA ADORADA,
ENTRE OUTRAS MIL,
ÉS TU, BRASIL,
Ó PÁTRIA AMADA!
DOS FILHOS DESTE SOLO ÉS MÃE GENTIL,
PÁTRIA AMADA,
BRASIL!
A letra do hino nacional do Brasil foi escrita por Joaquim Osório Duque Estrada (1870 – 1927) e a música é de Francisco Manuel da Silva (1795-1865). Tornou-se oficial no dia 1 de setembro de 1971, através da lei nº 5700.

Battery Park - reeditado

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E porque gente, é mesmo outra alegria, filmei algumas estrelas do mundo. Segue a primeira, um violinista do banco da praça, onde existe o ferry para se chegar à Estátua da Liberdade e Elis Island, que tem foto, gentefina, mas ainda não editei.

As pessoas são o que há de mais interessante, acreditem. Mesmo porque, salvo atentados naturais ou humanos, tudo estará por lá ad-eternun, mas as pessoas não. São apenas um instante efêmero e, de repente, não existem mais.
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O povo canta, encanta, mas não manda! - reeditado

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Gentefina, de todos os lugares que eu podia ter nascido,
de todos os lugares que eu poderia ter morado, nada,
mas nada mesmo é igual à minha pátria amada:
o Brasil uai, sô, cabra da peste!
Daqui eu não saio, daqui ninguém me tira.
Hua hua hua hua hua!

Dois vídeos da gente cantando o Hino Brasileiro. Um no Maracanã, e no outro a grandesensacionalmaravilhosa bateria da Mangueira.



quinta-feira, 24 de junho de 2010

Me explico:

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Graças a Deus que é pai, estou escrevendo como uma burrinha desenfreada, porque tirei 5 dias de licença premio. Não, não sou funcionária pública, mas licença, porque dá licença gentefina, e premio, porque eu mereço. 

E eu, como os antigos pagãos, as sementes, a natureza, as espécimes animais, o capitalismo,  a 25 de Março, a Nasdaq e a torcida do corinthians, sou movida a Estações do Ano.

E VIVA SÃO JOÃO!


ps: Juju, olha, parece nosso azulejinho de São João, que compramos naquele dia lindo em Florianópolis.

São João, famoso em tudo que é lado

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São João Batista no mandeísmo.
João Baptista é venerado como messias pelo mandeísmo.

São João Batista na umbanda
Na umbanda, religião afro-brasileira, este santo é sincretizado como uma das manifestações do orixá Xangô e é responsável nesta crença, por um agrupamento de espíritos que trabalha com a saúde e o conhecimento, chamada de Linha do Oriente, por congregar além de médicos e cientistas, hindus, muçulmanos e outros povos.

São João Batista no islamismo
São João Batista também é reverenciado pelos muçulmanos como sendo um dos seus profetas.

São João Batista no espiritismo
No espiritismo, a volta de Elias como João Batista é interpretada como sendo através da reencarnação; a decapitação de João Batista sendo uma espécie de punição ( comparada ao que outros por outros segmentos de filosofia espiritualista chamariam de karma) por ele ter, como Elias, massacrado os profetas de Baal.
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Maria, Maria é um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta

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Bem, mas vamos à história que eu realmente queria contar pra vocês.

Depois da anunciação de sua gravidez pelo anjo Gabriel, Maria sofreu poucas e boas. Vamos deixar claro que ela era uma jovem bem teimosa e remplis d´elle même.

Basta dizer que, apesar de grávida, ainda usava o manto azul, vestimenta exclusiva das virgens, coisa que ela dizia ser, independente da cara de “ ah sei, tá bom então” da galera da Galiléia e adjacências.

Se hoje, com tanta informação, a gente vive mesmo de fofoca e maledicência, imagina naquela época o que não deu de diz-que-diz-que essa atitude de Maria. Acredito que não tenha sido fácil pra ela, independente de apartes exotéricos, iniciáticos e o escambau que professam por aí.

Ela também não conseguiu assim, de chofre, convencer seu marido, o José, de que estava grávida do Divino Espírito Santo. Tem até a passagem de José, insone dentro da noite, com um burrinho e um anjo, onde ele finalmente acredita na história. Aliás, nunca vi uma família gostar tanto de burrinho como a de Jesus. Vira e mexe, aparece um burrinho como protagonista das peripécias da sagrada família.

 
Mas então, eu aqui comigo, acho que foi nessa hora de dúvida de José, que Maria foi visitar sua prima Isabel, mais velha e grávida também, por quem nutria grande respeito e amizade. Veja bem gentefina, até aquele momento, ninguém ainda havia reconhecido em Maria a mãe de Deus. Penso que foi nessa hora que ela foi visitar Isabel nos arredores de Jerusalém, porque me diga, gentefina, que homem em sã consciência deixa a mulher grávida ir de burrinho (olha ele aquitravez) fazer uma viagem pela região serrana da cidade¿

Confere¿ Confere sim. Isabel estava na laje, cobertura, ou coisa que o valha, naquele lugar onde eles preparavam alimentos, separavam grãos, enfim, onde as mulheres já davam duro, e viu ao longe a figura de um burrinho (ai, de novo) montado por sua prima Maria. 

Ela, mais que depressa - grávida também de São João -, corre a seu encontro e profere aquela que seria a introdução de uma das mais lindas e conhecidas orações da humanidade:

- Ave Maria, cheia de Graça.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto de seu ventre,
Jesus”

Acho linda essa passagem, e foi Isabel, aquela que primeiro teve a visão espiritual dos fatos que se seguiriam e que olhos, apenas físicos, ainda não podiam ver. Ela, como mãe daquele que acenderia o fogo espiritual, São João, teve esse privilégio, ouvir a voz do coração, e ver no visível, o invisível ao olhar.

Era isso gentefina....
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Carater espiritual da Época de São João



Por Silberto Azevedo

" Estamos entrando no inverno… o clima é frio, a noite chega mais cedo e se torna mais longa , temos vontade de voltar logo para casa e ficar bem quentinhos. Tudo favorece ao recolhimento, a interiorização, uma busca para dentro de nós mesmos.

A natureza também se recolhe e guarda suas forças no íntimo da terra para desabrochar novamente na primavera. Todas as sementes no inverno esperam na terra a luz solar, para brotarem com força depois do recolhimento. Assim, na época Romana a Terra vivia um grande recolhimento, um momento de secura de vida a espera pela luz de Cristo, que seria anunciada por São João. Pois a Terra naquela época vivia um grande inverno.

Nesse ambiente introspectivo e com os corações aquecidos, começamos a nos envolver com caráter espiritual da Época de São João.

João Batista nasceu no dia 24 de junho. Filho de Zacarias e Isabel, desde criança foi preparado para a vida sacerdotal. Sua vida foi dedicada a oração e penitência e sua missão foi anunciar a vinda de Cristo. João falava às pessoas da importância de se prepararem para a chegada do filho de Deus.

Todos que buscavam o arrependimento e a conversão eram batizados nas águas do rio Jordão por João Batista. A convicção de sua missão levava muitas pessoas a confundi-lo com o próprio messias, mas ele, dizia imediatamente: “Eu não sou o Cristo, mas fui enviado diante dele.” (Jo 3, 28) e “não sou digno de desatar a correia de suas sandálias.” (Jo 1, 27)

Jesus também veio para ser batizado por João. “No momento em que Jesus saía da água, João viu os céus abertos e descer o espírito em forma de pomba sobre ele;” (Mc 1, 10). “E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és meu Filho amado; em ti ponho minha afeição.” (Mc 1, 11)

João veio ao mundo para preparar o coração dos homens para o advento do Cristo. Ele representava uma era que estava terminando, que não poderia mais existir a partir do momento em que Jesus se tornou Cristo. Quando pregava o arrependimento, ele queria mostrar que o ser humano precisava buscar uma nova consciência para poder viver uma nova era – a possibilidade individual de cada ser humano encontrar conscientemente o caminho da espiritualidade.

João sabia que sua missão, bem como a Era que representava, havia terminado quando disse aos seus discípulos: “importa que ele cresça e eu diminua.” (Jo 3, 30)

Assim, na festa de São João a simbologia da fogueira, nos remete a lenha que se consome, ou seja, que diminui para que as labaredas cresçam. Aproveitar para fortalecer o fogo divino e transformador que temos dentro de nós deve ser então a verdadeira motivação para a época de São João. "
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Zacarias, o pai de São João

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Gentefina, eu adoro uma história, e como toda boa libriana, pego os fatos principais e recheio com minhas fantasias. Dizem que os librianos aumentam um pouco, maledicência de gente sem imaginação. Quando conto uma história, aumento vários pontos, mas não altero a verdade.

Vai daí que, para contar a história de São João Batista, precisamos entender bem quem eram seus pais, Zacarias e Isabel. Zacarias era um sacerdote influente e famoso, e conta Lucas (capítuloI) que sob o reinado de Herodes, ele e Isabel moravam numa região serrana perto de Jerusalém.

Deixemos de lado a Isabel, que é necessário ter seu capítulo também, porque além de mãe de São João Batista, era prima de Maria, a mãe de Jesus.

Mas achei um site que conta tão bem a história gentefina, que podia ter sido escrita por mim....rerere. É aqui ó: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/simonetti/zacarias-e-o-anjo.html

Selecionei para vocês as passagens que acho mais simbólicas e emocionantes. Boa leitura....mas depois tem mais, me aguarde que hoje é dia de São João, só vai dar ele por aqui.

“Era um dedicado sacerdote, homem piedoso e nobre, pertencente à turma de Abias, uma das vinte e quatro que, segundo a tradição judaica, serviam no templo, obedecendo a um sistema de rodízio.
Zacarias carregava uma tristeza. Não tinha filhos. Durante anos implorava a Deus lhe concedesse a graça de acolher um rebento querido em seus braços.

Com a madureza desistira da idéia. Difícil antes, impossível agora. Certamente Isabel, sua esposa, era estéril. Para os judeus, não ter filhos era uma desgraça, verdadeiro castigo divino. A desonra pesava sobre a mulher que nunca concebera. 

Mas, nos Espíritos evoluídos a confiança em Deus não está subordinada ao atendimento de seus desejos. Confiam porque têm plena consciência de que Deus sabe o que faz.

Certa feita, quando chegou a vez de sua turma, Zacarias partiu para Jerusalém. No templo, tirada a sorte, foi escolhido para entrar no santuário. A multidão aguardava do lado de fora o soar das trombetas que marcava o início das orações.

Para espanto de Zacarias, sozinho no sagrado recinto, surgiu diante dele uma entidade angelical.

Tratava-se de Gabriel, o mais famoso anjo das escrituras bíblicas, chamado pela tradição religiosa de alta categoria. Além de Zacarias, ele esteve com o profeta Daniel e também com Maria. Provavelmente apareceu em outros episódios bíblicos sem se identificar.

Em linguagem espírita diríamos que Gabriel é um Espírito superior, um dos mais importantes prepostos de Jesus.

Zacarias teve medo, o que revela sua pouca familiaridade com manifestações dessa natureza. Os judeus não estavam acostumados a lidar com os Espíritos. Diga-se de passagem, caro leitor, raras pessoas não se assustariam. São sempre temidas as "assombrações".

O anjo buscou tranqüilizá-lo:
- Não tenhas medo, Zacarias, porquanto a tua súplica foi ouvida e Isabel, tua mulher, te dará um filho a quem chamarás João. Ficarás feliz e muitos se rejubilarão com seu nascimento, pois será grande aos olhos do Senhor. Não beberá vinho nem bebida inebriante; será cheio de Espírito Santo, desde o seio materno. Converterá muitos dos filhos de Israel ao senhor deles e irá à frente do Senhor no Espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, a fim de preparar para o senhor um povo dedicado.

Gabriel reporta-se à grandeza moral daquele que nasceria como filho de Zacarias e Isabel. Tratava-se de um Espírito experiente, que já vivera muitas encarnações na Terra.

Impossível negar essa evidência.

Naqueles tempos recuados homens consagrados ao serviço de Deus se obrigavam a uma existência especial.Dentre os compromissos que assumiam, estava a abstenção de álcool. Daí a observação do anjo.
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Zacarias admirou-se.
- Como pode isso acontecer se eu e minha mulher somos velhos e ela, além do mais, sempre foi estéril?

O visitante parece não ter apreciado sua pergunta.
- Sou Gabriel, sempre presente diante de Deus, e fui enviado para anunciar esta boa nova. E porque duvidaste, doravante vais ficar mudo. Não poderás falar, até o dia em que teu filho nascer, visto não haveres acreditado em minhas palavras, que a seu turno se cumprirão.

O povo aguardava Zacarias, estranhando sua demora. Quando ele saiu sem poder falar, causou estupefação. Compreendeu-se que algo de muito grave acontecera no santuário. Zacarias explicou, por meio de sinais, e continuou mudo.

Decorridos os dias de seu ministério sacerdotal, regressou para casa.

Imensa foi sua surpresa quando, tempos depois, confirmando as palavras do anjo, Isabel ficou grávida. Após nove meses dava à luz um menino forte que, conforme a recomendação, recebeu o nome de João.

Seria conhecido mais tarde como o Batista.

Com o nascimento de seu filho, Zacarias recuperou a voz e pôde relatar melhor sua experiência, rendendo graças a Deus pela dádiva recebida.

Ressalta da narrativa evangélica algo interessante:
Gabriel parece um anjo de pavio curto, que não gosta de ser contestado. Pior, atropelou a justiça ao condenar Zacarias a tão longo mutismo, apenas por manifestar razoável dúvida.

Inadmissível os Espíritos Superiores nos castigarem por pedirmos esclarecimentos a respeito de suas afirmações. Eles orientam, explicam, ajudam, amparam, mas jamais se exasperam e muito menos impõem sanções, ainda que revelemos ceticismo.

Mas é fácil entender o que aconteceu.
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As circunstâncias que envolveram o nascimento de João tinham por objetivo chamar a atenção do povo. Em linguagem atual, com o devido respeito, diríamos que houve uma ação de marketing.

Um sacerdote que ficou mudo após conversar com um anjo, e uma mulher estéril que concebeu em avançada idade, eram acontecimentos marcantes. Fatalmente despertariam interesse, particularmente numa aldeia humilde como aquela onde o casal residia.

Importante que João fosse recebido desde o início como alguém consagrado a Deus.

Importante que o povo se habituasse a ver nele um novo profeta da raça, pois lhe seria confiada a tarefa de preparar o caminho para o Messias, o enviado celeste há séculos aguardado pelo povo judeu. João era Elias de retorno para anunciar o Salvador, cumprindo as profecias.

A experiência de Zacarias lembra algo importante:
Todos temos um anjo de guarda, um mentor espiritual que nos ajuda e ampara na jornada humana.
Sua função é inspirar-nos ao bem, ao cumprimento de nossos deveres.

O protetor espiritual é a nossa consciência mais profunda, aquela voz inarticulada que fala no imo de nosso ser alertando-nos."

São João

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Hoje é dia de São João, meu santo predileto e amado. Mas amanhã falo mais desse meu querido. Hoje apenas vou colocar as músicas que cantamos todos os anos na Escola Waldorf, ladeando a fogueira e os corações. Em todos os lugares do mundo, seja inverno ou verão, nesse dia se acendem fogueiras, pois São João é o guardião de nosso fogo espiritual.


Sobe a chama
Sobe a chama,
Mais alto
Mais alto,
Ilumina
Ilumina,
Nossas festas
Nossas almas







Eu vou com a minha lanterna
E ela comigo vai.
Nos céus brilham estrelas
Na terra brilhamos nós.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Fantasia


praCarolinaSuleimanCavini
Você chega com seu olhar de gata
Me amassa a roupa
Desarruma meu cabelo
E escorre por entre meus dedos
No momento em que penso que é minha.

Me pergunta coisas
Questiona as ordens
E desconversa o que não lhe interessa.

Você está sempre assim
Fresca e limpa
Ensaiando um sorrido ondulante
Me fazendo crer, à vezes,
Que a vida é uma grande dança.

Você chora e ri
Pula e se cansa
E quando penso que acabou
Você recomeça mais forte
Mais depressa.
Me chama de feia
E diz no escuro
Que nosso abraço parece fantasia:

- Mãe, você me queria?
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terça-feira, 22 de junho de 2010

Lamento

Acordou, como acordava todos aqueles que seriam os últimos dias de sua vida onde, antes mesmo de abrir os olhos, se sabia viva e inadequada àquele mundo. Não, claro que não havia sido sempre assim. Mas longe ia o tempo em que acordar era um ato de alegria e agradecimento.

Abriu os olhos finalmente, forçada por lágrimas que já estavam formadas nos sonhos da noite.
Não, nem sempre fora assim. Acordar sorrindo ou gargalhando com alguma lembrança ou percepção do mundo que se mostrava hilário aos seus olhos, havia sido uma constante. Constante antiga....

Sentou-se na cama e chorou. Entre soluços deixava vir de dentro do peito um lamento forte....ai, ai, ai....profundo, dolorido... que ecoava pela casa e constrangia os outros habitantes da casa.
Ai, ai, ai....entre lágrimas e a luz da manhã....entre ilusões e uma vida toda perdida, afinal!

De repente, talvez daquele lugar distante de seu ser, veio a fala: ai, ai, ai, caramba!
Começou a rir entre lágrimas, a gargalhar, e a se lembrar de um desenho antigo, Pepe Legal, um cachorro de chapéu e botas, se lamentando. Ai, ai, ai, caramba! Ou seria o Zé Colmeia?

E as pessoas da casa ouviram maravilhadas, naquela manhã, muitas gargalhadas vindas do quarto da enferma!

foto: Catarina Cardoso
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Momento L' Oreal na Copa do Mundo - 2

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Gentefina, eu sou do tempo que depilação, escova no cabelo, unhas feitas, era coisa de perua, porque eu mesma não faço nada disso. Agora, perua é um bicho assumido, gosta de ser perua, empluma as penas, faz piruetas e charmes no galinheiro. Não dá pra negar a graça da perua.

Então, do mesmo jeito que minha mãe não entendia como podia ter passado o Fax dizendo - olha, tá vendo, não passou o fax, o papelzinho saiu do outro lado dessa geringonça -  eu não entendo esse papo de Metrosexual. Afinal, de que lado da geringonça eles saem?

Gentefina, nada contra, nem a favor, ao contrário, cada um sabe de si, mas mudar o nome das coisas só pra agradar o capitalismo, que é um sistema super inteligente, pois, ao invés de ter uma fogueira pra queimar os diferentes, coloca logo os bobos na moda, deixa que eles se queimem na fogueira das vaidades.
Mas enfim, esse jogador de futebol, o Cristiano Ronaldo, me lembrou outro alguém.
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Me lembrou do Alberto Roberto...hehehe. 
Vai, olha a touquinha pra não desarrumar o cabelo! 
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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tutankhamon na minha bunda?

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"Tutankhamon na minha bunda?


Seu faraó safado, filho duma figa. 
Te dei essa liberdade?


Pois é. 
E você pensava que não existia pilantragem no Egito Antigo."


Ai gentefina, essa é uma comunidade no Orkut, pode isso?
Não sei se eu que sou muito L´Oreal, ou se estou me distraindo da quantidade de gente podre que tem nesse mundo, mas sei que ri demais.

E como disse Caetano, quando dizia algo que prestava: "Respeito muito minhas lágimas mas ainda mais minha risada".

domingo, 20 de junho de 2010

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Expeditas

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Fui tirar uma radiografia do quadril. Deito na mesa gelada, o técnico me posiciona e diz - coloque o dedo no umbigo. Mais que depressa acionei minha ancestralidade prussiana-filosófica, persa-estratégica e portuguesa mineira de especificidade e perguntei: qual dedo? - crente do sucesso!

Ele responde - qualquer um, é apenas para medir o espaço.

Pra quê gentefina, já fui logo bisbilhotando - mas e se a pessoa tiver feito uma plástica, que todo mundo sabe que o umbigo muda de lugar? O técnico teve que parar tudo e me dizer que dá o maior problema, porque a radiografia sai erradézima. Tem que fazer de novo, ainda com a pecha de plastificada, recauchutada e burra.

Gentefina, tem limite pra burrice humana no quesito ego e vaidade?
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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Depressão de araque e bicho peçonhento

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Tendo como premissa que, todos aqui leram meu manual do bom blogueiro, depois de vários posts curtos, mando um palavratório.

Minha mãe era um ser doente, na alma e no coração. A exemplo de seus ancestrais, os Rennós, que 9 entre 10 morreram loucos, ela também não escapou da sina.

Os Rennós casavam entre si, para não dividir propriedades e famílias, principalmente as famílias de escravos, que eles possuíam. Nem todo aristocrata era sem coração, eles tinham pena de dividir aqueles seres sem alma, mas que tinham a capacidade de formar uma família. Goethe também, cercado de servos, tinha medo que a Revolução Francesa acabasse com a única classe social que ele conhecia, a aristocracia. Thomas Jefferson e John Adams, enquanto faziam cumprir a Carta Magna Americana, defendendo os direitos de todo cidadão, tinham mucamas esquentando seus leitos. Sinal dos tempos minha gente, nada pessoal.

Mas então, o assunto era minha mãe, que nem era o assunto, na verdade. Quando eu tinha 4 anos, ela foi internada pela primeira vez, e ao longo de sua vida, esse números ultrapassou uma dezena. Vai daí que, cresci com este medo de ficar louca ou deprimida, ou coisa que o valha.

Mas, eu tinha minha avó Carolina Rennó Ribeiro de Oliveira, que se fosse homem seria Marechal do Exército, que me ensinava que “primeiro a obrigação, depois a devoção”. “Não deixe para fazer ano que vem o que você pode fazer agora”. Eu tinha uma disciplina assustadora na casa da vovó, e adivinhem, eu adorava. Tinha hora pra tudo, eu sabia o que esperar, eu tinha um ritmo, e isso pra uma criança é tudo, gera confiança na vida.

Cresci, bem louca mesmo, acreditando, por causa da vovó, que a gente pode ter tudo, é só uma questão de método e paciência. Assim, gentefina, nunca quis menos que tudo. Vomitava nas pessoas que me diziam “ ah, mas você não pode querer ter tudo!”

Desde cedo então me defendi da pose aristocrática dos Rennós, fazendo tudo que é  serviço típico da plebe e dos menos dotados - leia-se, os pobres -, para repúdio geral da renozada.

Da saga dos Suleimans, que ainda vivem na época de árvore genealógica com galho seco, onde o varão que tem filha mulher, é sumariamente desclassificado dessa jardinagem islâmica, me defendi sendo mais e melhor que os homens da minha família. Aprendi a atirar em animais e pratos,  andar a cavalo, moto e esquiar antes dos 14 anos. A guiar ônibus, a capotar carros com 12 anos, a fumar com 11 e a fugir de casa pela primeira vez aos 4 aninhos, época em que decidi que seria pipoqueira na praça, lá em Barretos gentefina.

Meu pai, Hamad Ibrahim Aidar Suleiman, filho mais velho de seu homônimo, teve uma menininha, conhecida por muito tempo por Nininha: Eu, gentefina, que não tinha nome ao nascer, e que minha mãe resolveu então me fazer juniar, dando-me o mesmíssimo nome dela.

Aos 18 anos deixei a casa de meus pais, fui tentar a vida por minha conta. Não deu outra, com 21 anos eu tinha duas filhas....ave, nem gosto de me lembrar. Foi nesse período que comecei a temer a sina dos Rennós, e a melancolia, aliada à sensação de fracasso começaram a invadir minha vida.

Foi aí que conheci a Marilena Chauí, minha professora. Ela tinha pena de me ver grávida durante todos os 2 anos em que convivemos. Um dia ela disse que estatisticamente, as mulheres com filhos, saíam mais facilmente de depressões que as sem filhos ou do que os homens. Foi engraçado, nas palavras dela: “você está ali, na cama, se achando a última das mulheres, incapaz de prosseguir. Chega o filho e quer jantar. Meninas, não há depressão que resista a uma frigideira, um fogão e uma pia cheia de louça”.

Gênio essa Marilena, eu embarquei nessa e lá fui vida afora, entre movimento estudantil, fralda para lavar sem máquina, leituras em bibliotecas - não tinha NET nessa época -, tristezas, dureza financeira, frigideiras, ovos fritos e muita droga, que ninguém é de ferro.

Criançada cresceu, a mais nova tinha 13 anos e, pimba na gorduchinha, com o perdão da expressão, estava grávida de novo.

Quando nasceu o Daniel, 35 anos, duas adolescentes em casa e o pai do rebento, 10 anos mais novo do que eu... não só entrei em depressão pós-parto como em depressão pós-moderna!
 
Uma noite, dando de mamar pro Daniel, lembrei a criatura alegre, engraçada, escachada e feliz que eu era, e pensei que era essa que eu queria que meu novo filho conhecesse, não aquela escrota, de chinelo e moletom, se arrasatndo da cama pro quarto dele com o peito na mão.

E toquei.... de novo.

Bem, vou poupá-los de todas as vezes em que alguma depressão me cercou. Tem um pedaço de uma carta da Clarisse Lispector para uma amiga, que sempre me deixou assim, como cara de curiosidade, sem entender, entendendo.....um lance meio misterioso.

Outro dia, conversando com o Daniel, que diz que tenho um depressão de araque, coisa que muitos concordam, o que me deixa puta, ele disse: mãe, você é diferente, você tem uma força, sei lá, nada te derruba de verdade. Você odeia ser derrubada.”
Então voltei na carta da Clarisse. É assim: eu sou uma criatura peçonhenta, juro, tipo uma cobra (minha mãe me chamava de jararaca), aranha, escorpião, esses bichos que ficam eternidades quietinhos no seu canto se você não for lá incomodá-los. Estou sempre armada com dentes, ferrões e veneno mortal, apesar de parecer inofensiva. Mexeu comigo, está perdido, eu vou derrubar a criatura.

É minha natureza gentefina, não me orgulho, e mais, venho tentando ser diferente por toda a minha vida.

Sou também uma pessoa, segundo o Daniel ,“doente”. Só porque tenho paninho pra pia, porque arrumo a casa direto, porque acho minhas coisas no escuro, ou porque tenho uma memória filha da puta, ou porque não perco nada...enfim, sou a rainha da organização. Eu sempre sei quando alguém mexeu em algo meu, porque gentefina, cada coisa está rigorosamente diagramada na mesinha, no armário, não pensem que tudo está ali, displicentemente colocado, fazendo parte da decoração. Tá não....

E aqui cheguei, ufa.... Quando estou deprimida - olha gente que eu sou capaz de muito sofrimento - preciso levantar e arrumar a casa. Preciso fazer minhas obrigações pra que nenhum filho da puta diga que sou incapaz por ser mulher. Tenho que fazer a obrigação, pra depois fazer a devoção. Tenho que mostrar que não sou uma encostada, uma vagabunda, tenho que provar pra torcida do coríntians, que eu dei certo na vida. Vou lá, me arrastando, com a depressão “de araque”, guio o carro nem sei como, faço tudo em câmera lenta pra não errar. Vou ao super-mercado, tento ser coerente nas compras, não faço contato visual com ninguém pra não chorar, toque de corpos, nem que seja a mão da caixa do super, nem pensar!

Volto pra casa e desabo na cama e choro, choro, choro, porque sei que dia seguinte tem mais.

Então gentefina, se não fossem meus defeitos, arrogância, autoritarismo, mania de arrumação e responsabilidade acima de tudo, eu não teria aguentado a vida.

Não fossem meus defeitos, estes que eu repudio, sofro e gastei os tubos com cursos, meditações, análises, terapias, macumbas e medicina chinesa para extirpá-los do meu ser, eu não estaria aqui, como muitos amigos não estão. Ou viraram as costas para seus sonhos, ou se mataram mesmo.

Restou pouca gente inteira da minha geração, daquela que imprimiu folheto em mimeógrafo, que não entrava em cinema sem prova de identidade, que foi nos primeiros Festivais de Inverno de Ouro Preto, que andou na Rua Augusta na copa de 70 com a polícia ao lado porque era proibido manifestações populares. E que tinha que levantar dos bancos do parque Trianon, ouvindo o clássico” circulando”, dito por policiais militares vestidos com trajes de guerra.

Meus defeitos foram a minha força, a minha tropa de choque contra os ataques do mundo.

Agora entendo a Clarisse, agora entendo...

Então, estava pensando aqui, que esse bicho peçonhento que tenho, tem que ser libertado. Abrir a jaula, levar o neguinho pra tomar sol, dançar, namorar, tudo que foi negado a ele. E principalmente, dar uns agarros neles, beijinhos e carinhos sem ter fim..... pra acabar com esse negócio de viver longe de mim!

Ah, já ia esquecendo, olha a carta da Clarisse Lispector.

"Não pense que a pessoa tem
tanta força assim
a ponto de levar qualquer espécie de vida
e continuar a mesma.

Até cortar os defeitos pode ser perigoso
- nunca se sabe qual o defeito
que sustenta nosso edifício inteiro...

há certos momentos 
em que o primeiro dever a realizar 
é em relação a si mesmo.

Quase quatro anos me transformaram muito.
Do momento em que me resignei,
perdi toda a vivacidade e todo
interesse pelas coisas.

Você já viu como um touro castrado se
transforma em boi. Assim fiquei eu...
Para me adaptar ao que era inadaptável,
para vencer minhas repulsas e meus sonhos,
tive que cortar meus grilhões - 
cortei em mim a forma que poderia 
fazer mal aos outros e a mim. 
E com isso cortei também a minha força.

Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você -
respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você -
não copie uma pessoa ideal,
copie você mesma
- é esse seu único meio de viver.

Juro por Deus que, se houvesse um céu,
uma pessoa que se sacrificou por covardia
ia ser punida e iria para um inferno qualquer.
Se é que uma vida morna
não é ser punida por essa mesma mornidão.

Pegue para você o que lhe pertence,
e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige.
Parece uma vida amoral.
Mas o que é verdadeiramente imoral
é ter desistido de si mesma.

Gostaria mesmo que você me visse
e assistisse minha vida sem eu saber.

Ver o que pode suceder quando
se pactua com a comodidade da alma"
.

Pela porta lateral do coração

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ProFredeCavini
Pela porta lateral da casa aberta
Entra meigamente o sol
E os ruídos silenciosos da alma
Se confundem
Na calma tarde do meu corpo.

Virar o rosto devagar
Olhar rápido e profundo
O lento,
O agitado,
A confusão clara
Que como um vento me habita.

A vontade de ter um sono calmo
Como um cansaço
O descompromisso com o corpo
Uma lembrança engraçada
De uma paz
Uma lembrança esfumaçada.

Um pedaço de cabelo que cai no rosto
E que distraidamente eu acaricio
Um pedaço do passado
Que cai doce no meu corpo.

De repente
A impressão da casa ser
Uma grande rede
A balançar no mundo
De um lado para o outro.

A impressão de ser
De não estar
De só sentir
E acreditar que até o fim desse momento
Eu ouvirei
No meio destes ruídos silenciosos
O teu silêncio familiar.

Entra meu amigo
Entra rápido nessa casa.
Fica comigo
E sente
Como o meu corpo
A calma desse tempo.

Me guarda como a um instante
Que inesperadamente chega à lembrança
Que é um segredo
Que te faz sorrir.

Um instante que passa rápido
Mas que,
Como um pedaço de cabelo no rosto
É acariciado,
E como o passado
Cai doce no teu corpo cansado.
.

voltar pro céu