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quinta-feira, 31 de março de 2011

O Útimo Mensageiro

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Gentefina, faz mais ou menos 200 anos, o André do Blog do Mensageiro, me mandou o livro que ele editou recentemente. Eu disse que estava com as leituras de molho, sem tempo por dentro pra ler, sabe. Ele disse que tudo bem. 

Mas gentefina, fui lá dar uma olhada, porque achei de verdade, que era uma coletânea do blog. Gentefina, é um romance policial, uma coisa que agarra você, que você não consegue desgrudar. Bom, tranquei o livro a sete chaves porque agora posso ler não. Deixo aqui a introdução pra vocês ficarem com água na boca!





"São Paulo me recebia com o costumeiro ar de indiferença em uma nebulosa manhã de novembro. A chuva pedia passagem em meio a tímidos raios de sol, que como pálidos frisos transpunham a barreira cristalina das nuvens em esforço inútil, desmanchando-se pelo caminho antes de atingir o solo. Quadro desolador para um mês de primavera, pensei, o sol a pino e o calor tranqüilizante teriam sido mais convenientes para a aterrissagem. 

Eu me perguntava que tipo de transtorno estávamos causando ao planeta para que reagisse de maneira tão contraditória, indignado que parecia estar diante do descaso e da insensatez humana. Que tecnologia maligna era essa, afinal, que insistia em justificar seus erros em nome do progresso, comprometendo a mais básica das estruturas? Haveria de existir, em sã consciência, algo mais importante do que a própria saúde da Terra?

Lancei um suspiro no vazio e desviei o olhar, deixando os pensamentos de lado. Passei a admirar o campo, o vasto território organizado traçado em perfeito contraste. E não é que sabíamos fazer coisas boas também? Um pouco de engenharia e uma boa dose de bom senso para desenhar o imenso tapete verde e suas nuances, tons claros e escuros que ganharam evidência, saltaram aos olhos e então cederam, até desaparecer por entre as nuvens. 

E foi quando tudo estremeceu. O avião pareceu perder altitude e os luminosos de apertar cintos se acenderam. Entrávamos em zona de turbulência e os golpes de ar passaram a chicotear o 747 para cima e para baixo como folha de papel. Engoli seco e virei para os lados em busca de um olhar sereno, um sorriso amigo ou qualquer sinal que pudesse me acalmar, mas a passividade era geral. Rostos se escondiam por trás de temores procurando disfarçar a agonia, provavelmente a mesma que eu sentia, camuflando as primeiras ondas de pânico que ameaçavam irromper. Isso ainda duraria intermináveis minutos, o alívio geral só viria depois que o avião baixasse por entre o mar de nuvens e novamente a terra se fizesse à vista.

Pouco depois entrávamos em procedimento de pouso em Cumbica e confesso que só senti o coração desacelerar quando a aeronave tocou a cabeceira da pista, deslizou mansamente sob a chuva e parou com elegância ao seu final. 

Desembarque, Polícia Federal, banheiro e bagagem. E a surpresa de encontrar Thais a minha espera. Um leve abraço e um beijo que durou poucos segundos a mais do que o usual foram as marcas do reencontro, nada de sorrisos ou traços de saudade. O olhar soberano ainda me fuzilou com indignação, deu meia volta e se afastou apressado pelo corredor. Um pequeno instante de hesitação e também saí, acelerando o passo para alcançá-la já quase do lado de fora. Lembro-me de ter sido preenchido por uma onda de calor, não soube precisar de onde vinha, que lambeu cada célula do meu corpo como se o transformasse no próprio inferno.

A considerar os eventos da ida até que foi um bom recomeço. Nove dias antes, Thais havia me acompanhado até o setor de embarque para ali, em meio à multidão, exaltada e fora de controle, vomitar uma montanha de insultos. 

De insano e débil mental a perdulário e outras expressões que prefiro não mencionar, havia jurado que aquele seria nosso último encontro. “Pode apostar sua alma nisso, Abel!”, dissera, o indicador colado ao meu nariz. Com todos os caprichos que o destino era capaz de nos reservar, lá estávamos juntos novamente, sem desculpas ou lamentos. O orgulho não lhe permitiria tomar a iniciativa, ela esperaria até o momento em que eu dissesse “Thais, se eu contar você não vai acreditar...”. Mas ele, o destino, julgou não ser necessário. Ela logo poderia constatar com seus próprios olhos."

5 comentários:

valquiria calado disse...

Um livro que ainda não li....


*..`♥"'..♥*....♥*....♥*....♥*....♥*..

A vida se renova a cada amanhecer...
e Deus nos concede a oportunidade de recomeçar sempre!

http://valvesta.blogspot.com

A vida se renova em cada sorriso...
e sementes de ternura, amor e esperança vão sendo espalhadas!

"Não vos conformeis com este mundo,
mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito".
(Rm 12,2)-

http://hanukkalado.blogspot.com/

Bom fim de semana, beijos amigo
*..`♥"'..♥*....♥*....♥*....♥*....♥*..

Blog do Mensageiro disse...

Wal, querida, obrigado pelo carinho! Mensageiro fazendo história, hehe... Bjos!

b disse...

Sr André Charak - quero um tantinho, um tanto, a Wal ofereceu o aperitivo e onde vou buscar o jantar?
Por favor - quero tudo, envie as referências, por favor!

Carol Morais disse...

Wal, onde que vende o livro? Será que tem na livraria cultura? Hoje resolvi colocar as leituras dos blogs em dia e tava lendo os teus posts que não tinha lido, daí li sobre o livro do André. Fiquei interessadíssima, pois, apesar de que não estou tendo tempo para ler nadica de nada, pois a faculdade tá acabando com o meu ser, eu planejo em julho ler algo que me faça sentir um pouco em contato com uma literatura que acaba sendo só minha sabe? Aquele livro que a gente carrega na bolsa porque quer. Aquele livro que a gente não precisa grifar, nem fazer anotações e nem fazer uma análise profunda sobre todos os elemntos literários. Quero ler para me deliciar, e, pelo seu post, fiquei afim. =)
Um beijo e obrigada pelas dicas!

Betina Moraes disse...

wal...

que narrativa envolvente tem o andré!

parabéns pelo texto.

você nos trouxe uma boa oportunidade com o post, querida.

a capa do livro também é muito boa e o título fala por si. excelente.

pena a gerana estar fora da net, ela ia gostar muito de conhecer o trabalho dele.

aguardo maiores informações sobre a venda do livro.

beijo, querida,
abraço, andré!


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