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sábado, 9 de abril de 2011

Verdades, livre arbítrio e liberdade

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Gentefina, quem me conhece sabe que vivo pra dizer a verdade. Mas que verdade é essa? A minha verdade, lógico. Aquela que capturo com meu olhar, com meu modo de ver o mundo, aquela que é apenas(mente) minha. Quem acha que existe uma só verdade, por favor, desempata a Net e pára djá de ler este post.

A Betina, minha irmã espiritual, foi ver sua cartomante de fé e ela disse: essa sua amiga é assim, nasceu pra quebrar regras. Quer ver ela desenfreada, diga pra ela - Walkyria, ISSO não pode!

Gentefina, dá pra perceber que eu sou uma filha da……




Eva!.... gentefina, olha o nível. 
Explico:
Tô na boa, tranquila, e se de repente, me dizem que algo não pode, eu quero desesperadamente o lance. Não é correto, eu vou me certificar. Não é justo, eu quero ouvir as duas partes. Não pode tocar? Eu dou um jeito de levar um tombo e encostar o dedinho na escultura.
Enfim, sou uma pedra no sapato alheio, mesmo. Mas também, quem mandou se aproximar de mim?

Oquei, depois dessa breve e concisa explicação sobre minha própria e única pessoa, volto à verdade.

Ninguém, mas ninguém mesmo nesse mundo, gosta de ouvir a verdade. Um dia, meu amado filho Daniel, faz uns 10 anos isso, me disse, enquanto eu estava descabelada com as atitudes de outrem. “Mãe, se as pessoas tivessem que ouvir a verdade, o anjo da guarda conversaria com elas”.
Ele matou a charada. O anjo fica lá, vê tudo, compartilha seus momentos, vê suas cagadas de camarote, aguenta seus rompantes mas em nenhum instante ele diz "corta, sái da cena, assim não vai rolar". Sabe por que, gentefina? Porque Deus inventou o lance do livre arbítrio.



Ah, mas fala sério…quem gosta do livre arbítrio?
Ninguém! Ninguém mesmo.

As pessoa gostam de regras, de rotina, de leis, de mandamentos, de normas. Precisam do Centro Espírita, da Pró Vida, da Santa Igreja Católica, dos Sutras, da filosofia, da metafísica, da ciência e por aí afora, porque se há algo que o ser humano gosta é citacão. O cara vem, diz a fonte e a plateia reponde aparvalhada: OHHHH!

Afinal, é muito mais fácil decidir em cima de regras, do que usar a liberdade, essa coisa infinita, mutável, desestabilizante e sui generis, que enche o saco, que se alimenta do presente, que pode ser e não ser, que só tem portas de entrada. Aliás, a bem da verdade, nem tem portas porque nunca se configura como uma construção acabada. Coisa que a gente sempre tem a ilusão de ter parido: uma verdade absoluta.

Dito isso, temos que entender de uma vez por todas que, uma coisa é a verdade de cada um. Assim, por exemplo, tem gente que cultua Hitler, Charles Mason,  Pinochet, Jesus, Buda, tem gente pra tudo neste mundo livre, capitalista e democrático. E no mundo oriental também. Sorry amantes do oriente! Isto faz parte da verdade pessoal, aquela baciada de conceitos e regras que sustentam os mortais que detestam a liberdade e o livre pensar.

Outra coisa é a realidade.

 

Poxa, não aguento mais ouvir dizer que tenho que aceitar a realidade. Quem disse? Onde está escrito? Quem é esse nego pra me dizer isso? Quero ser uma revoltada. Não vou aceitar a realidade, não mesmo. Quero mudar tudo, quero fazer da minha vida o que eu quiser e phoda-se a realidade. Não  serei uma marionete, um boneco, uma ameba na mão da realidade. Tudo menos me submeter à realidade da vida. Esse tipo de pensamento é um defeito de educação, não é defeito de fábrica. Deus, fez a gente com livre arbítrio, haja vista seu filho único que optou por morrer na cruz do que assumir o trono falido dos Judeus. Ele não era bobo nem nada.

O rei dos Judeus está pra nascer ainda, enquanto Jesus, bem…. Dá licença gentefina, eu também tenho meus ídolos.

Bem, tô na famosa enrolação de minha mente livre e pensante. O que queria dizer é que não temos que aceitar a realidade. Em última análise, existe sempre a possibilidade de suícidio.

Definitivamente eu detesto regras, vou quebrar tudo mesmo. Vou continuar a dizer a minha verdade e a admitir - sem muita convicção, devo confessar -  que existam outras verdades. Vou fazer das tripas coração pra aceitar que existam outras verdades que não as minhas. Porque sei, de papel passado, lá nos confins da eternidade, que não existe felicidade que não seja compartilhada. E que todo pensamento inteligente é uma citação….né Millor Frenandes, inclusive esta.

Porém, que fique DEFINITIVAMENTE entendido: verdades de gente submissa, escrava, ciumenta da minha liberdade, gente sã, porque quem não enfrenta a vida está sempre sadio, sem tensão interna, pão e circo e rede globo.… ah não…isso não vou aceitar. Quero que essas pessoas fiquem muito bem. Bem longe de mim.
Sabe por que? Porque eu faço a minha realidade (tentando gentefina).
Eu escolho o mundo em que vivo.
Eu sou o eu sou.
E dá-lhe Moisés incrédulo pra convencer a galera ao pé da montanha!

Quero mais é que se phodam! Ser boazinha e ter compaixão, é mais um dos mitos da vida. Tô fora de compartilhar paixões que não neguem a realidade. Minha vida é muito rara, e quero escolher onde vou colocar minha paixão, pra que ela se torne COM paixão.

Afinal, tem que ter muito cacife interior pra levar meu voto de confiança. Tem que ser vivo, e não simplesmente estar vivo, como um nabo ou uma jaca!
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17 comentários:

Sonhadora disse...

Minha querida

Um texto muito ao teu estilo...que eu adoro, porque convensões e o pode e não pode fazer isto e aquilo...não dá, sempre gostei de fazer o que PARA MIM É CERTO, não quer dizer que o seja para outros...ainda hoje que não sou jovém, não me conformo com tanta coisa e NUNCA hei-de mudar, nasci assim e assim vou morrer.
«««««««««««««««««««««««
Tem que ser vivo, e não simplesmente estar vivo, como um nabo ou uma jaca!

Este paragrafo...matou a charada...é mesmo isso.

Deixo um beijinho
Sonhadora

sam rock disse...

Walkyria, permítame que utilice algo tan simple como un refrán popular cantado por la gente sencilla. De esta manera defino su recorrido por este mundo, mitad ángel mitad diablo: Fui piedra y perdí mi centro
y me arrojaron al mar
y a fuerza de mucho tiempo
mi centro vine a tomar.



Su centro, amiga, no el centro político, geográfico...el suyo, como ese canto rodado que aguanta y se moldea con los embates, pero aguanta con su pureza, la suya.

Un beso

betina moraes disse...

wal...

é, você é assim mesmo,

ser assim é a sua maior grandeza e a sua maior tragédia.


eu estava com saudades dos teus textos. eu adoro a sua crônica humana.

olha eu ali! vou colocar a foto acima no face.. tá?

beijo, querida.

Leonardo B. disse...

[minha irmã,

esse teu jeito de escrever com um mão e disparar para matar com a outra, e ainda sobrar um coração...

só falta correr o mesmo sangue nas minhas veias!

um abracimenso, Wal

Lb

Maria Valéria disse...

Walkiria, não visito seu blog com tanta frequencia, mas sempre que venho aqui, vejo vc acertar no que fala.... seu texto me deixou sem fala... CONCORDO EM GENERO, NUMERO E GRAU E ASSINO EMBAIXO... nós nascemos para sermos LIVRES!!! nada mais a acrescentar pq seu texto já disse tudo;))) beijão de uma admiradora que não vem aqui com tanta frequencia, mas que gosta muito do que encontra aqui qdo aparece;)))

Migue disse...

Hola Wal que tal tanto tiempo, me contacto para pasarte mi nueva dirección de blog:
www.elanfibiofluo.blogspot.com

Un saludo grande
Migue

Francisco disse...

Bingooo!!
Finalmente encontrei alguém inquieto(a) e disposto a quebrar regras como eu.
Seu texto poderia se tornar um Manual de Aprendizado da Felicidade, com toda a certeza!
Beijos, Wal!

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Sonhadora

fico muito emocionada quando vc comenta mesmo o que lê aqui. Pq te acho uma mulher com muito a dizer, a compartilhar de suas experiências.
obrigada

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Sam....

"Fui piedra
y perdí mi centro
y me arrojaron al mar
y a fuerza de mucho tiempo
mi centro vine a tomar."

adoro você.
você me vê, me sente, me entende....
ai,ai, que pena que tem esse mar todo a nos afastar

Walkyria Rennó Suleiman disse...

BB

sinto uma ponta de tristeza e de maternidade no teu coment. Parece minha màe, ela que suspirava e dizia isso, que eu era assim mesmo.
ok....
agora vc sabe
e adivinha
ainda me ama!

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Leonardo irmào

nossa genética permite que vc reconheça isso em mim. Atiro com uma mão, estendo a outra, e se quiser, pode morar no meu coração.

mas poucas pessoas aguentam isso...e fazer o que né..... fico com os poucos que me querem como sou.

tipo vc!

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Maria Vléria
minha amiga sazonal....

venha quando for chamada. assim que vale a pena. É como se eu tivesse escrito pra vc. E não é mesmo?

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Migue
saudade
fui no teu blog novo.

Vc é fera na ilustração!

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Francisco
vem, vem comigo quebrar tudo!

gostei muito do post do funcionalismo!

Eliane Accioly disse...

É linda a ideia do Tokkou, abixo as convenções...
O que entendi por Tokkou é o lugar do não saber.
É isto?
Caso sim, acho que estou no time/clube.
Abrs

Eliane Accioly disse...

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Abr

Eliane Accioly disse...

Vou por aí, muita afinidade com seu pensamento: ético principalmente.
Também odeio ser impedida e explicada, sou pelaética, do que brota de dentro, no respeito pelo outro. Não sou amada por todos, acho que alguns me estranham, mas aguento as caras feias... :)


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