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sábado, 7 de maio de 2011

Detesto dia das mães

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Quem acompanha esse céu, sabe que adoro as festas de mudança de estação. Primavera na Páscoa, São João no inverno, São Micael no outono e Natal no verão. Mas detesto dia das mães.

Quando pequena, era um dia que eu fazia uma baboseira qualquer na escola e dava pra minha mãe, que acumulou desenhos, porta-retratos, colares de macarrão, pulseiras de pedras falsas, vindos de suas quatro filhas, em quatro diferentes escolas.

Depois, com 21 anos, eu já tinha duas filhas. Vou dizer gentefina, não foi fácil ser mãe solteira e concubina nos anos 70. Nem batizadas minhas filhas puderam ser. Oquei, minha mãe deu um jeitinho e batizamos as meninas em casa mesmo.

Por alguns anos, por conta de brigas familiares, não passei o dia das mães com a mamis, e quis que minhas filhas não dessem importância para essa data, já que pra mim era uma data triste. Elas ensaiavam bolos de neston com azeitona – juro -, faixas, músicas, mas sabe, era uma bagunça e eu não sabia o que sentir.

Depois, feitas as pazes familiares (pois se há uma coisa que deve ser economizada, é briga familiar, pois a gente acaba fazendo as pazes mas com mágoas profundas no coração - assim, sugiro não brigar, é mais cômodo gentefina) e de enfim retornar às boas com a família, era um pega pra capar. Uma não podia almoçar, o outro só podia na hora do almoço. Um queria uma pizza no final da tarde porque tinha compromisso à noite. O outro queria um jantar porque chegaria de viagem tarde. Minha mãe não queria era nada, porque estava doente, dava folga pra cozinheira, era um embaço. E a Mamis, nem sabia onde era a cozinha da nossa casa. Meu pai não queria jantar nem almoçar fora, pra não morrer com uma nota preta com suas 4 filhas, genros, netos e agregados.
Deu pra sentir o clima?

Eu sempre estava disponível, menos por santidade do que por organização. Ciente dos embaços que os seres humanos podem criar, ficava no aguardo e no comando de uma verdadeira guerra de vaidades, quem, onde, quando….um saco. A fortaleza era a casa da minha mãe. Não era dia das mães, era dia da avó.

Presentes, minha mãe tinha o péssimo hábito de reclamar de todos ”isso eu não uso, isso acho o fim você me dar, não acredito que você me deu isso, olha, pode levar de volta”. No quesito presente, sempre me dei bem. Eu escrevia cartas, que ela adorava. Na ocasião de sua morte, não encontrei nenhuma….. mas tenho a maioria gravada em meu disco, senão o rígido, o mole mesmo, do coração.

Aí a véia more, desintegra a família, outra leva de brigas….. acabou o dia das mães. Minhas filhas, criadas no “faça como você quiser que eu não sou o DOICOD", nunca ligaram para datas. Nenhuma, na verdade. Meu filho Daniel, liga, me fez muito agrado já e muita cartinha, mas tá ficando homem, é diferente, e se vê no meio dessa mulherada toda. Sendo de temperamento distante e pacífico, pra não dizer ausente, fica na dele, aguardando os acontecimentos. Iniciativa? essa qualidade passou longe da minha casa.

Enfim, no mais profundo recanto das minhas ilusões, espero um dia das mães, onde os filhos surpreendam, onde os filhos façam algo pras mães. Um almoço, uma apresentação, um café da manhã na cama - eu que bebo café preto e um simples pão francês - uma carta….. gentefina, sou humana, sangro, não posso negar.

Dia desses assisti ao seriado The Middle. Muito bom. Teve o episódio do dia das mães, hilário. No dia dos pais, tudo dava certo, claro, a mãe supervisionava o café da manhã, o presente, os afazeres dos filhos, tudo mesmo. No dia das mães, era aquela bagunça na cozinha, que ela iria limpar, óbvio. Acordavam a pobre antes da hora, com um café da manhã asqueroso e,  presente.... bem, o pai havia esquecido e comprava qualquer utilitário doméstico de última hora. No caso, uma bolsa inflável para escalda-pés. Me senti melhor, mais acompanhda nessa sina. Mas gentefina, não abrandou minha raiva do dia das mães.

Finalizando a ladainha, vai a foto do santinho da mamis….. e mais, onde quer que você esteja mamis, porque notícias você não manda mesmo, saiba que te amo, e que agradeço por tudo que você me deu. Sei que foi o seu melhor. E…..surpresa! Me ajuda muito ser como sou. De verdade mamis, não me trocaria por ninguém.
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23 comentários:

angela disse...

O melhor de estar aqui lendo você é que mais verdadeiro é impossível e isso tem um encanto imenso.
Vou torcer para amanhã você acordar com seu café preto com pãozinho na cama na hora certa e um beijo bem gostoso.

cduxa disse...

Um abraço de mãe para mãe.

Lilian Tibery disse...

Vc sempre me emociona!
Beijos

milu disse...

Pois é querida, como sempre "falou e disse".Tanta verdade num texto que emociona todas nós.
Como estarei longe da Flor, sózinha, meu presente foi ler o teu post.
Mesmo assim te desejo um final de semana lindo...Bjs minha linda...

A Mina do cara! disse...

não é fácil ler isso. até porque minha situação é completamente outra. Mesmo você não gostando, amanhã é dia das mães e desejo tudo de bom - pelo menos um almoço com os filhos e netos...

beijos!

A Mina do cara! disse...

se vc não soubesse se sou homem ou mulher hoje seria o dia da prova final... depois veja la na mina...
beijos

Manuel disse...

Este seu escrito é magnifico, aliás, como todos os que aqui costumo ler.
Mas, vai-me perdoar, eu não acredito que essas más recordações não estejam já arquivadas no baú dos esquecimentos.
Amanhá é outro dia e, sabe princesa, temos que transmitir aos vindouros o bom que poderia ter sido.
Tenho tanta pena de já não ter dia da mãe.
Peço perdão e um beijo.

Jorge Dorfman disse...

Uops, vou passar pra minha muie, pelo menos assistir a este episodio deste seriado ai...ver se reconhece o papaizao de 4 aqui 'tentando'organizar um dia das maes!!!num restaurante brazuca em terras distantes...Mas a verdade e' que seu blog e seus slides me deram saudades de rolar minhas pernas pela Artur de Azevedo (sobre quem,alias,outro dia escrevi um texto acho que interessante,quem sabe publicam?). Saudades de Pinheiros e das surpresas intangiveis de cada esquina esquisita daquele bairro...tanta coroa bonita, passeando despretensiosa...Beijos e keep it up, companheira! - Jorge Dorfman K

betina moraes disse...

wal...

sua escrita é tão bonita, tão intensa que eu me permito distanciar os acontecimentos retirando-os de sua vida e colocando-os em um aspecto mais geral...



as relações familiares estão cada vez mais complexas, ou melhor, sempre foram complexas mas hoje são menos disfarçados os desafetos e as reclamações. hoje, os filhos se permitem odiar os pais e vice e versa, sem qualquer constrangimento ou punição divina, acho melhor que seja assim. eu, como não tenho meus pais, escolhi os meus, passo o dia das mães na casa de minha mãe mais constante, a dona georgina, que é para mim a maior referência de mãe que tenho por perto e esse "perto" já são 28 anos! adoro chegara na casa dela, com o marido dela reclamando, as filhas falando alto, os netos pendurados na tv ou no vídeo game. lá tem sempre um monte de coisas que não como pro convicção como arroz branco, feijão, frango assado, doce com calda, bolo com muitoooooooo açúcar, mas lá, para ela e por causa dele eu como e repito, que é opara ela saber o valor que dou ao afeto que ela me empresta quando chego com o presente e ela me diz: obrigada, filha.



não tem preço!

betina moraes disse...

ah!

um beijo. beijo.*





*repetido, igual ao menininho do the middle..rs

Francisco disse...

Identificação total com seu texto, na ótica de filho, já que por motivos óbvios, não sou mãe...rss
As únicas datas que dou real valor, são os aniversários de quem gosto, e o meu, evidentemente!
Beijo grande!

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Angela
sabe, eu sempre acho que essa conversação fiada minha, é grande demais pra NET... e olha, vc vem com esse carinho, me lendo, me sacando. Vc sabe que te admiro demais. mesmo que de perto...ninguém seja normal, acho que encara a sua anormalidade.
bjs da walll

Walkyria Rennó Suleiman disse...

cduxa
ai, vale tanto esse apoio caloroso, desinteressado....
muito obrigada!

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Milu
vc foi sempre um presente pra mim. Cuidadosa, amorosa sem ser melosa, uma Lady sulista.

Tua Flor te ama demais, e recebo sim o teu abraço e fico feliz de tê-lqa emocionado. Porque sei como compartilhamos sentimentos.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Mina do Cara
cada um tem sua situação, mas acredite, minha avó dizia: filhos sois, pais serão.... eu não sabia que tinha uma verdadwe dolorosa aí!
mas obrigada por sua leitura e desejos...e te cuida!
Teu dia chegará

Walkyria Rennó Suleiman disse...

MinaMarcio

tirei minhas dúvidas quando vxc colocou teu perfil no blog e no Face.

e me conta....quis tanto amar....amou ou ficou na vontade?

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Manuel
minha briga interna, é saber o que está arquivado e o que realmente deixei, desapeguei.

Quero trnasmitir aos vindouros, não um conjunto falso de comportamentos sociais, mas a verdade de meu coração.

Obrigada, meu rei, por estarperto e opinar com siceridade. deixa mais claro os meus propósitos.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Jorge

puxa vida, que bom saber de vc. Péra lá, vc é exceção total. Sei o puta pai e marido que vc é. Sei tbm do seu carinho e amor pelas pessoas em geral.
Manda a crônica, quero publicar aqui. Será um prazer, e gosto do que vc escreve.

beijo grande, aqui da Artur, diretamente pra vc e sua linda famíla

Walkyria Rennó Suleiman disse...

BB
bem é muto louco isso

eu sempre tive várias mâes, de passar natal na casa, até de receber presentes delas na ocasião da morte das mesmas.
mas BB....isso nada vale, na verdade.
tem uma mãe interior introjetada... essa, não e fácil.
Quanto antes encararmos essa fera, melhor.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Bb
bb...
repetindo como o menino do the Middle
um sussurro

Walkyria Rennó Suleiman disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ednampc disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ednampc disse...

Este é o terceiro comentário. Cada um de um jeito cada um sob uma perspectiva. Mas o que gostaria de lhe dizer é que seus filhos estão encaminhados, sadios e seguindo suas vidas. Isso dá enorme felicidade a nós mães. Esse é o curso da vida, sonhamos, mas "vivendo e aprendendo a jogar nem sempre ganhando nem sempre perdendo". E sua mãe também deve ter tido muito orgulho dessa pessoa bacana que você é. bjos querida. Edna


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