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terça-feira, 17 de maio de 2011

Gente adentro - na mata


A mata muda a temperatura do corpo
chega de todos os lados,
envolve como presença…
a pele da mata.

A cada passo,
pele da mata
na pele de gente
se mistura.
A mata entra gente adentro.
E gente adentro é outra carne.

Alma e coração,
sentimento e impressão,
verdade e fantasia,
ilusão e certeza,
pequeno e grande,
longe ou perto.

O mundo antagônico se liquefaz
na mata…
dentro da carne da pele
gente adentro.

Árvores, troncos, folhas raízes,
pernas e braços,
gravetos, cipós, restos,
memórias e vestígios,
seres, predadores, caça e caçados,
guardados e violados,
tudo se mistura na gente,
mata adentro.

Caminho só de ida.
Gente adentro.
Sem saída.
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16 comentários:

Leonardo B. disse...

[rendo-me, feito passo e sangue nesse coração dos caminhos, perdido por mata, manta de sol e alma... evocação e amor do tanto ao mundo!]

um imenso abraço, Walkyria

Leonardo B.


* o video não se consegue ver, irmã minha; diz que é privado... vejo-me privado! :)

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Leo
poxa, deu um grilo, mas tá resolvido. Por tuas palavras, pensei mesmo que vc tivesse visto o vídeo. Veja-o que vc entenderá!

lucidreira disse...

E mata a dentro está no próximo dia 18 de maio o dia que se comemora o dia dos índios americanos. E esse poema veio a calhar.
Abraço

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Querido Lu
nem me diga, o dia do indio é um dia que lembro sempre. Tem um grande amigo que faz aniversário neste dia. E por muitos anos, comemoramos o dia do índio.
Mas o legal foi vc ter vindo me ver.
Obrigada

Márcia Luz disse...

Lindíssimo! Senti-me passendo em outro lugar, diferente de tudo da cidade que nos rouba do contato íntimo com a vida.
"E gente adentro é outra carne."
Até arrepiei!
Obrigada pela linda poesia!

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Márcia
é por ter sensibilidade como a tua, que ainda me animo a dizer o que sinto.
obrigada

Carol Morais disse...

A pele da mata tem um cheiro de verde que só ela tem. E me faz delirar e me dá vontad de ficar dentro dela pra sempre.
Sou bicho-do-mato mesmo, viu?
Adorei o poema sua felina!!
Um beijo!

Francisco Coimbra disse...

Sinestesia plena, das raízes às folhas, o corpo onde plantas os versos, qual arquitectura dos sentidos onde habitas e dás a habitar a palavra na sinédoque do poema: o todo pela parte, a p_arte duma vivência viva, muito viva. Viva! Bjs

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Carol
desde que nos conhecemos, soube que vc era bicho do mato, bichinha do mato, fada, pra dizer melhor.
Vc sabe, sabe quanto te gosto?

Walkyria Rennó Suleiman disse...

FRancisco
o corpo onde planta versos... que ideia linda, e que verdade. Nem sabia, mas agora entendo pq palavras me despertam dentro da mata.
bjs

Carol Morais disse...

Eu que te gosto mais ainda. Nem tem discussão!!!

Artes e escritas disse...

Esse me fez bem ao ler. Yayá

angela disse...

Fusão completa. Lindos versos.
beijos

Sylvio de Alencar. disse...

Na verdade, gosto de sentir a mata dentro e fora da minha pele, pois quando da mata se sai, a gente carrega ela dentro da pele; e isso é muito refrescante.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Yayá....
gosto que vc goste....

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Angela....
nem tenho o que dizer....
tô meio/inteira sem tempo


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