.

.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Os Homens Que não Amavam as Mulheres

.
.
Sei que se trata do nome de um livro, que por sinal li na sua primeira edição, há 4 anos. Assim que dei com este título, naqueles passeios por livrarias, pra ser encontrada por algum livro, parei no título, e ele me ganhou. Devo dizer que adorei a trilogia, porque gosto mesmo de mistério policial, de romance e de tudo que for coisa que retrate o ser humano sem muita filosofia.

Comprei o livro e desde então, viajo neste significado: Os Homens que não amavam as mulheres....

Tudo começou com o Criador, que fez o homem à sua imagem e semelhança, ou seja, macho, prepotente, onisciente, autoritário, desconfiado, cheio de regras e afeito a uma ameaça. E então, tendo em vista que o homem sozinho não deu samba, criou uma companheira, que já de cara, não era a imagem e semelhança de Deus.

Podia ter sido criada dos olhos de Adão, que ao abri-los, desfrutou aquela beleza toda que imaginamos ao ler o Gênesis, e que até hoje nos maravilha. Ou quem sabe, podia ter sido criada a partir de um sonho, ou pensamento de Adão. Seja como for, e na preguiça de especular muito uma história que estamos carecas de conhecer, vou logo dizer o que aconteceu. A pobre da Eva foi criada de uma costela de Adão, parte anatômica completamente insignificante em termos ósseos, pra não dizer em termos gerais. Vamos combinar que uma costela não é um rim ou um fígado, órgãos de indizível necessidade e prestígio em todas as medicinas.
Costela, gentenfina, só tem algum atrativo se for de porco ou de vaca, e mesmo assim apenas pra parcela carnívora da humanidade.

Posso concluir, não por este fato, mas por todos os outros fatos que aconteceriam de “fato”com as filhas de Eva, que o primeiro a não amar as mulheres, foi mesmo o Criador. Depois, com minha pouca cultura posso dizer que esse desmerecimento chegou a seu auge na Grécia Antiga, quando de Sócrates a qualquer gregozinho de merda, achava as mulheres seres inferiores, que não serviam nem pra uma transa rápida ou um sexo oral descompromissado, porque entre os homens era mais harmonioso conviver, inclusive sexualmente - coisa que não tinha nada a ver com viadagem, coisa que seria totalmente aceitável por essa que vos escreve.

Não, gentefina, tinha a ver com discriminação, mesmo que os homens ao longo da história, tenham feito algumas concessões e outros favores às mulheres, o desprezo e falta de amor às coitadinhas, floresceu impunemente nessa terra de Deus, que por sinal, foi o primeiro a não amar as mulheres, como vimos acima. O tempo foi passando, mulheres de todas as raças, credos e cruz credos, viveram à margem das sociedades tão bem desorganizadas dos filhos de Adão.

Vai século, entra século, permite-se isso ou aquilo, sempre atrelado a algum tipo de interesse de alguns homens que queriam ser amados ou que queriam se eleitos. Ou que, simplesmente, queriam um novo mercado consumidor. Porque se neguinho amasse as mulheres, dava logo tudo de baciada e pronto! Não se fala mais nisso. Mas não, dá-se apenas o necessário para aquela manobra, seja política, seja ecumênica, seja de cama mesa e banho.

E assim, em pleno século XXI, as mulheres ainda são subjugadas, não podem participar de política, não podem se vestir do jeito que querem, nem podem ter equiparação salarial. E quando uma dessas fulaninhas, por obra do acaso, porque sempre é obra do acaso, consegue ascender ao poder, de duas uma: ou é puta, ou é sapata. Diferente dizer: mulher solteira, ou divorciada, ou amante dos prazeres da vida, como todo macho que se preza.

Minha avó me dizia: filha, você tem que ser uma menina prestimosa. Se alguém encontra um homem com a roupa mal passada, barras e botões despregado, logo dizem – ah, pobre, a mãe e/ou a esposa, são muito incompetentes. Mas filha, se você aparecer assim, como esse homens, sem esmero, vão dizer que você é porca e desmazelada.

É vovó, eu achava que você exagerava, lógico, nos anos 70, em que as mulheres se engajavam em lutas sociais, publicavam livros e podiam até se amasiarem (como você diria), as coisas não eram bem assim. Ah vovó.... como você tinha razão.

Nem vou entrar no detalhe que minha duas primeiras filhas eram ilegítimas na certidão de nascimento, até lei posterior. Não deixa pra lá. Vou entrar em outro detalhe.

Um dia, um amigo estava inconsolável. A esposa havia saído de casa pra ser repórter da National Geographic. Eles estavam com alguns problemas, mas jamais imaginou-se que ela o deixaria. Ele estava acabado, chorando e, a gente ali, querendo ajudar naquele vale de sofrimento que é uma separação. Sei dizer, que numa hora qualquer ele disse entre ranhos e lágrimas: uma coisa tem de bom nesta história. Não vou mais precisar aguentar calcinha secando no box do banheiro.
Ah gentefina...... foi uma facada. Sabe, não era a primeira vez que eu ouvia isso. Mas ouvir isso de um moribundo de amor? Um moribundo culto, formado na Sorbonne, libertário e humanista?

E fui seguindo ouvindo os machos alegarem que mulher não sabe o que quer, que mulher bem comida fica mais calma, que mulher quer mesmo é fazer concorrência com as amigas, que mulher é burra, é fútil, é manobrável, vista sua incapacidade de ser lógica. Que mulher é emocional, que não se pode confiar na decisão das mulheres, que mulher é interesseira...... que mulher é um problema, que mulher enfim, é um erro da natureza.

Eu tive a sorte de conhecer alguns homens que amavam as mulheres, que foram incapazes de colocar a mulher nesse nível: Bisca, galinha, vaca, embucetada, e outros menos cotados. Homens que gostavam quando uma mulher procurava seu desejo, seu caminho, seu saber. Homens que não se sentiam capados pela eficiência de sua companheira. Homens que não se sentiam impotentes diante de mulheres agressivas sexualmente.

Podia relatar algumas confissões aqui, mas seria desleal com as mulheres que conheci. Mas elejo essa confissão, como um quadro da baixa estima feminina. Uma mulher me disse, que não admitia sexo oral nela, fique isso bem entendido. Ela fazia no parceiro, mas não queria para si. Eu, que acho sexo oral muito do bom, fiquei forçando uma justificativa coerente. Finalmente ela disse que não acreditava que algum homem pudesse realmente gostar de fazer sexo oral numa mulher. Fala gentefina, cansei de ouvir, desde o tempo em que nem sabia o que era isso, que mulher fedia feito bacalhau. Desculpe, mas fala sério, vocês ouviram também, ou falaram isso algum dia. E então uma menininha, que nem sabia do que se estava falando, guardou isso dentro da caixinha do desconhecido cruel.

E assim são criados tantos homens que pensam que satisfazem suas parceiras, enquanto as mulheres seguem fingindo. Desculpa gentefina, mas fingem mesmo. Homens que gostam de serem enganados, porque quando dão de cara com um mulher que diz que gosta assim ou assado, que não goza assim ou assado, de duas uma: ou é abandonada sumariamente, ou é considerada frígida.

E as mulheres inventaram TPM, dor de cabeça, indisposição e quarentena, só pra se livrarem dos homens. Porque gentefina, um homem dá muito trabalho. Ele quer comer, quer transar, quer sair e ficar, ver TV e conversar, quer atenção constante e qualificada, não necessariamente nessa ordem, e isso tudo o tempo todo. Não interessa se você está triste, cansada ou com problemas: nada que um bom sexo não resolva, essa é a cabeça da maioria dos homens.

Sou da opinião que o casamento perfeito tinha que ser poligâmico. Um homem e três mulheres, para dar um folga pras coitadinhas. Cada dia uma aguentava o cara, a que estivesse mais descansada. Aquela que não trabalhou o dia todo e ainda fez o jantar e cuidou dos filhos. Ou aquela que teve alguma melancolia, e quer um pouco de resguardo, de intimidade com ela mesma. Ou aquela que passou o dia em casa com crianças querendo e precisando disso e daquilo. Pensando bem, 5 mulheres.

Eventualmente frequento um lugar que tem galinheiro, e fico sabendo do comportamento dessa espécie. O galo fica lá, só protegendo, atento aos perigos do entorno. Vez ou outra quer se satisfazer, isso se a galinha assim o permitir. Mas de modo algum, ele interfere na vida da galinha. Penso que eu queria um homem assim, um galo, que me deixasse ciscar à vontade, achar meu caminho, meu lugar, minhas preferências, mas que continuasse ali, na presença, que é na verdade o que mais vale para mim: a presença. Mas essa é outra história. E eu não sou galinha nem nada.

Eu sei, gentefina, que conheci muito homem na minha vida. De analfabetos a doutores, passando pelos idealistas, utópicos e humanistas. Posso dizer que todos são iguais. Tudo farinha do mesmo saco. Ter nascido homens, faz deles algo de superior.

Mas também conheci homens que eram incapazes de usar esse tipo de lugar comum ao se referirem ao outro sexo. Talvez esses homens tivessem dentro de si, um sentimento mais delineado e puro do amor, do amor fraterno. Homens que não precisavam de religião ou filosofia barata ou cara, pra enquadrar as mulheres no quesito fraternidade.

E então, hoje o mundo masculino tem essa divisão de águas para mim. Os homens que amam as mulheres, e os homens que não amam as mulheres. Vou dizer que canudo, seita, cosmovisão ou o raio que o parta, não ajuda nada pra separar essas águas.

Como aliás, tudo que separa águas nessa vida tem a ver com amor, é mesmo o amor o quesito necessário e suficiente para gerar no homem a coragem e capacidade de abandonar esses dogmas e essa posição superior que ele ganha logo ao nascer.

Claro que tenho criticas às mulheres, como tenho dos homens. Mas esse sentimento arraigado que tanto um como o outro carrega tão avassaladoramente, me magoa, me entristece e me desconserta. Não consigo ver um caminho para o verdadeiro amor conjugal sem que tudo isso seja varrido dos corações humanos.

Vou dizer, gentefina, eu que sempre fui um bicho duro na queda, livre financeiramente, que estou há 3 anos da aposentadoria por tempo de serviço, que nunca me casei, que tive os filhos que quis, que dei pra quem e quantos quis, que fui um homem, por assim dizer..... vou dizer gentefina, que até hoje, com todos os calos que tenho, me dói quando tenho a infelicidade de ouvir homens falando de mulheres.

Nessa hora, penso que não tem jeito essa raça. O lance é acabar mesmo, tsunami, terremoto, peste, praga ou extra terrestres e começar de novo. Ou nunca mais!


17 comentários:

Noé disse...

Cabeça para escrever,
Coragem no divulgar,
Ser gente deve constar.

Homem ou mulher,
Faca ou colher,
Como melhor aprouver.

Cada qual sem igual,
Nada mal ser nagual,
Vale a pena ser normal?

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Noé.....
vale a pena ter vc aqui, com disposição e apreço!

Beatriz Amorim disse...

Adorei o texto! :)
Sincero e absolutamente correto. É triste ver uma realidade assim.

beijos

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Beatriz....
nem acredito que alguém se animou pra ler tanta letrinha juntinha.
Brigadinha....
é triste mesmo, mas a gente tem que se tocar sabe....fazer diferente, ensinar diferente pros filhos, né não?

Beatriz Amorim disse...

Com certeza, querida!
Muitas vezes são as próprias mulheres que permitem que valores assim sejam perpetuados! Que isso, foi um prazer, ler!


E obrigada pela atenção ao meu cantinho. Sim, é verdade, não a explicação, só resta a saudade.

beijos meus.

E.A. disse...

Algumas passagens do texto são extremamente verdadeiras. Deve faltar a alguns homens alguma coisa que as mulheres tem com maestria...
E viva a sensibilidade feminina.
\o/
Abraço!

b disse...

Homem come mulher prá poder passear com o pênis próximo a um útero.
Quase todos não viveram o complexo de Édipo em plenitude e guardaram as sobras disso prá usar com as chamadas mulheres.

Raríssimas excessões.

Homem quer voltar pro útero e só tem um jeito.

Manuel disse...

Belíssimo texto, aliás, como sempre.
Mas alegrem-se porque, com o desenrolar dos tempos, há tantos homens que já são quase mulheres.
Beijo Princesa.

Jenuíno disse...

...É fascinante, é clareador.
O substantivo que minha frase precisa...

Muito bom teu espaço, estou te seguindo, espero que me sigas tbm!

Um abraços,
Rafah!
http://eternizadoempalavras.blogspot.com/

placco araujo disse...

Menina. Gostei muito do teor e da sua forma de escrever.(realmente tem-se que ter um pouco de paciencia com tanta letra juntinha, mas o conteudo vale a pena). Como estou no trabalho, não posso me delongar, mas voltarei aqui prá postar algumas considerações sôbre estes tais dois tipos de homem. Não vi ainda se vc tem espaço prá seguidores, mas se tiver, segui-la-ei.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

huahuahuahuahua
BÁRBARA

só tu
só tu
só tu

garrei a pensar aqui, e não é que é verdade/
homem quer voltar pro útero....

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Manuel
não seja macho, ninguém está falando de homosexuais, pq no frigir dos ovos, eles se comportam igualzinho.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Jesuino
bem vindo

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Placco

obrigada por vencer a pequenês da letra.
Ave, parece raça de cachorro.
bem vindo

placco araujo disse...

Estive relendo seu texto hoje, e cheguei à conclusão, que qualquer observação que fizesse, seria apenas uma mera manifestação da necessidade de se mostrar brilhante, ou talvez iluminado, e na verdade o seu texto não é sujeito a retoques. Ele é perfeito, no seu sentimento e na exposição. Boa noite, amiga..

Tania regina Contreiras disse...

Wal, vc foi DEMAIS! Sem meias-palvras, falou TUDO e assino embaixo. Com um detalhe a mais nessa minha admiração pela forma como você se expressa: vc não só se expressa livremente, vc É livre, como TODA mulher deve ser, casada, solteira, viúva, amante...
Sim, já conheci homens, felizmente, que sabem amar as mulheres, mas são minoria. A maioria está longe de saber e as mulheres longe de entenderem que não precisam fazer descer goela abiaxo qualquer um. MULHERES são seres especiais. Essencialmente, muito mais evoluídas do que o homem. Mas esses seres mais evoluídos gostam e têm o direito ao GOZO pleno.

Já admirava vc, agora muuuuitooooo mais!
Beijos,

marlene edir severino disse...

Wal, querida, A-DO-REI!

Mas confesso, aquela história de um galo pra muitas galinhas...

E o contrário, que tal?
Sem julgamentos... por favor!

Mas quem sabe, (muitos galos para uma galinha)e que em cada um se possa encontrar uma parcela para completar o todo... aquele homem que as mulheres procuram (cúmplice, companheiro, amoroso, bom de cama e etc...)

Beijos!
Marlene


voltar pro céu