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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Empacotando o filho

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Já era hora de contar que o Daniel, meu filho adorado-idolatrado-salve-salve, vai passar 7 meses em New York. Vai daí que eu ando meio devagar, meio - pra não dizer inteira -, com saudades dele já. Hoje fomos ver umas malas pra ele levar. Na foto vocês podem perceber que ele coube direitinho na mala. Vontade de despachar logo o garoto e ver como fica minha vida sem ele.

Ser mãe, só pode ser uma brincadeira. O cara aparece do nada, dentro de você, vai crescendo, ficando visível que tem algo dentro da sua barriga. Por fora você parece um balão, uma enpanzinada. Por dentro, é costela chutada, é estômago empurrado, é sensação desagradável e alienígena o tempo todo. Toca a ir pro hospital, anestesia, corte e bisturi, ponto, recuperação enfastiante. Mas não bastasse tudo isso, seu peito incha de leite e você se transforma num bebedor ambulante. Quando o bebê chega no quarto, ave, você não sabe bem o que fazer, onde ir....tipo, "daria pra você segurar este embrulho pra mim, que eu vou tomar um café na esquina?"

Enfim, vamos todos para casa. O serzinho se acomoda nos espaços da casa. Mas o que esperar de alguém que já havia se apropriado de seu próprio espaço interior?

Bom, o tempo passa entre fraldas, cadernos, remédios, vacinas, reuniões escolares, inapetência, sarampo, caxumba e catapora, primeiras festas, buscar neguinho de madrugada, adolescência, namoros, indecisões, choros, medos, e haja mãe viu.

Mas poxa, é seu filho né, você deu espaço no corpo, deu espaço na casa, deu espaço na tua vida. Não fez mais que a obrigação.

Enfim, um belo dia, depois deste desterro todo, ele chega com a maior cara de passageiro da paróquia e diz que vai embora, que vai viver a vida dele. Mas como, então todos estes anos ele estava vivendo a vida de quem? E você? Heim heim? Você sua tonta, estava vivendo a vida de quem?

Pois é, são esses movimentos que me abalam que me deixam atônita diante da complexidade do viver. Quem foi mesmo que inventou este filme?

foto: WalkyriaSuleiman

32 comentários:

cristinasiqueira disse...

OI Walquiria,

Vivi esta história quando o Sérgio ,meu filho,foi para os Estados Unidos.Passou um filminho na minha cabeça.Clip bom!
Mas filho é isto mesmo,este eterno amor dentro da gente.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Cristina....
sabe, eu sei, eu sei, mas não alivia. Obrigada por vir me consolar.

Dino Costa disse...

Deixa ele ir, só assim ele pode voltar. E depois, como você mesma disse, não tem jeito de uma parte de você ir embora completamente, tem? Fica sempre alguma coisa, um cordão umbilical psicológico- afetivo-colo-de-mãe-e-tal com milhares de quilômetros de extensão...

Adorei o post.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Ai Dino...
ok, já me conformei. Mas sabe, a minha melhor parte é o Daniel....rsrsrs.
Obrigada pela leitura viu.

Anônimo disse...

Daniel... Daniel...
Parte de ti (porque vai)
Parte de ti (por seres mãe dele)

Então, amiga empacotado ele já está
é só despachar.rs
Aproveite a solidão.
Boa sorte pra ele.
beijos
Maria

angela disse...

A gente está sempre aprendendo na vida, mesmo quando não quer a lição.
Boa sorte para o filho e para a mãe
beijos

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Mari MINHa curupira...

vc sabe aproveitar a solidão? Sabe sim, e quero mais notícias de tudo que tá rolando com vc.
Uma coisa vc tem razão: Parte..... parte, partido..... pedaço....

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Angela
todo comentário seu é memorável. Adoro o jeito que vc encara as coisas, de verdade.
Obrigada querida, acho que preciso mesmo dessa lição.

'Lara Mello disse...

Oi, obrigada por seguir :)
É assim mesmo, eles crescem e tomam seu rumo :)

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Lara
ah puxa......
mas que bom que vc veioi
seja bem-vinda!

Augusto Dias disse...

O fato de ele ser capaz de viver a própria vida é que te faz uma mãe de sucesso.
Parabéns mamãe! Deus continue iluminado a vida de vocês!!!


Um abraço!!!

CEM PALAVRAS disse...

Wal,
O pior ainda virá. Um dia, uma qualquerzinha (sempre vamos achá-las assim) que apareceu não sabemos de onde, vem e ROUBA o nosso filho. Perdemos o nosso posto de primeira dama e passamos a ser sogra!!!
Ai de nós se elazinha não for com a nossa cara!!! Filhinho vai ficar do lado de quem???
E olha que MÃE não quer saber de disputa. O filho É dela e está acabado, não dá como mudar isso.
Já as noras...será que resistem quanto tempo???
Espero que as minhas durem muito, pois desejo a felicidade dos meus filhos.
Mas fácil não é não!!!
muitos beijos

guru martins disse...

Philho é paixão
Philho é pressão
Philho é prisão
Philho é porção
Philho é pulsão
Philho é punção
Philho é puxão
Philho é pensão
Philho é phoda!

bj

Eliane F.C.Lima disse...

Walkyria,
Continuo repetindo que você escreve "bem pra danar", como se dizia antigamente (no tempo em que as palavras eram escritas com todas as letras e com as letras certas).
Filho é mesmo essa relação inimaginável. Que consegue encher completamente nossa paciência, mas que a gente - masoquismo incompreensível - continua a amar e a querer bem (vá lá se entender mãe). O meu acabou de voltar da Alemanha, onde ficou quatro anos.
Espero que consiga suportar a ausência de seu menino.
Eliane F.C.Lima (blogues "Poema Vivo", "Literatura em vida 2", "Conto-gotas")

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Augusto....
pois é, é verdade mesmo. E se ele fosse um chato, iria estar dando graças pels partida dele.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Cem Palavras
vc quer me deixar louca????? hehehehe
nem me diga uma coisa destas. Aqui quem vai escolher a nora serei eu. Tipo família muçulmana.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Eliane
obrigada querida, era um desabafo, e vc entendeu bem. E gora, como está sua vida com seu filho?

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Guru
poxa, não me deixou nem uma deixa
falou tudo!

Adriano César Curado disse...

Um dia o passarinho sai do ninho e encara o azul imaculado do céu, quando aprende a voar por conta própria. E os pais?!" Ah, a esses só resta mesmo assisti-los voar para distantes paragens.

CEM PALAVRAS disse...

Wal,
Amei sua resposta ao meu comentário, kkkkk. Mas já comece a ficar de olhos bem abertos. E olhe a coincidência: meu filho também é Daniel e também é um doce. (e eu também sou coruja!!! he,he,he)
beijos

sam rock disse...

Wal, un fuerte abrazo en estos momentos de melancólico otoño.

Márcia Borlenghi disse...

Pois é mulher...
Estamos sempre nos ajeitando com os pedacinhos que vão achando morada em outro lugar. Acho que somos meio colcha de retalhos ao contrário... começamos cheias de pedacinhos e a medida que amadurecemos vamos virando um tecido único, até que a predominância seja nossa essência, costurada e cerzida.

Saudades, querida...

Parabéns ao Daniel-maravilhoso-salve-salve

Manuel disse...

Cara Princesa, venho apenas deixar a minha amizade.

CEM PALAVRAS disse...

Wal,
Vim te convidar para participar de um desafio que postei hoje no meu blog.

http://euprecisotecontar.blogspot.com/2011/10/um-desafio.html

Te espero lá. Muitos beijos

armalu,blogspot.com disse...

Pois amiga é assim. O tempo vooa e lá estamos nós sozinhas, vazias, tristes, porque nada do que temos, ou imaginamos ter nos pertence. è assim , sim.
Vim te desejar optimo fim de semana

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Adriano....
bonitinha essa história de passarinho....mas olha só, eu queria ele no ninho mesmo...srrsrs.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Sam... tenho tanta saudade de vc.... mas tanta....

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Manuel meu rei
nunca me esqueço de vc, nunca

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Márcia
vc nunca perde tempo com bobagens, vai logo na essência. Que coisa linda, que imagem vc criou e quanta verdade.
Tenho saudade de vc viu, na tua colcha tem meu pedacinho, assim como na minha tem o teu.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Armalu
quanta verdade, e quanta ilisão, né mesmo, minha amiga....
tenha um bom final de semana tbm!

ednampc disse...

Wal, querida acredito saber como deve estar sendo difícil pra você porque o Daniel é também amigo e companheiro. Mas ele é filho e os filhos são pessoas que devem se afirmar na vida como seres independentes, então ficamos naquela, devemos apoiar para ir quando na realidade estamos preocupados com essa partida. Enfim, seja como for, se for para o bem, quem não quer que aquele que a gente ama seja feliz. bjos. Edna

Sylvio de Alencar. disse...

Bom dia, policial.

Embora o post seja direcionado a saudade, não é sobre, meu comentário; mas, ao que isso irá adicionar a vida de Daniel. Claro, isso faz parte de seus sentimentos em relação a viagem; mas coração de mãe á gente sabe como é; e, além disso, é feminino.
No caso dele, ficará em contato permanente e diário; isso tornará esta separação mais palatável, e sem muitas surpresas ao voltar.
Estas palavras estão sendo escritas de pois de muito tempo após ele ter ido, mas, isso não importa.
Que tudo corra conforme o esperado, hoje, amanhã, e sempre.

Beijos.


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