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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

30 anos sem Elis Regina ao vivo

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Eu tinha 27 anos, duas filhas pequenas, cuidadas por um travesti meu amigo, que por casa e comida, me ajudava na lida doméstica, o Jorge, ou Ana Paula.

Morava na Rua Sto Arcádio, travessa de uma avenida que inundava toda semana, era uma loucura. Mais tarde, com a construção do Sopping Morumbi, o córrego seria asfaltado e drenado, enfim. Todos vizinhos corriam pra minha casa que era a única, no final da rua, que não inundava de água, só de gente. Fazia pós-graduação na Usp, e trabalhava como compradora numa grande empresa. Eu batia cartão às 7 da matina…… não tenho saudade desta época, me dá arrepio gentefina.

Mas vai daí que, dentro da minha brasília azul, horrível e velha, eu ouvi a notícia: Elis Regina havia morrido. Tive que parar o possante no acostamento da marginal e me estatelar. Das mortes de famosos, a da Elis foi a que senti mais, até hoje. Foi como se ela tivesse inaugurado a perda, tirado minha virgindade. Ela era uma luz pra mim, um exemplo de gente que fala a verdade, que não se importa de ser polida, política e que conseguia tocar sua arte pra frente. Eu me espelhava nela. Nessa época eu era muito revoltada, trabalhava, estudava, cuidava da casa criança e cachorro, e ainda pintava e desenhava de madrugada..... ehehhehe gentefina, hoje sou uma santa, acreditem.

Mas então, com ela morreu uma parte minha, ao mesmo tempo que nascia uma nova, que somente agora, depois de tantos anos eu reconheci como filha….. a esperança. Porque naquela época, gentefina, eu não tinha muita esperança não. Eu dizia com meus amigos aquele jargão, A vida me enganou.

Mas enfim, eu que tentei enganar a vida.

Hoje, muito mais loira leve e solta, homenageio aquela que foi meu exemplo, minha ídala, e a maior cantora do nosso SalveSalve Brasil.




Obrigada Elis, rezo para que você tenha encontrado a paz e o êxtase que você buscou entre socos e gritos.

Nesses links, há alguns anos, postei os vídeos que eram meus prediletos. Vai lá gentefina ver o que é um ser humano que canta como anjo e luta como arcanjo.





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3 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Elis era...(deixa eu encontrar uma palavra que, no meu entendimento, a defina bem como eu a via e sentia, vejo e sinto, porque ela continua maravilhosamente interpretando)...era INTENSA. Pisciana, né? Delirante, né? Poética, né? Sensível, né? Enfim...acho que os intensos, se não encontram um algo mais que os faça se aprumar vão embora mesmo, de uma forma ou de outra, antes da hora. E existe hora de ir? Eu não sei, às vezes penso que sim. Ela precisava cantar mais, sentir, mais, descobrir mais...Até hoje, quando a ouço, penso: NINGUÉM...ninguém como ela! E a sua vida, hem, Wal, quantas histórias! Dá bem um livro, desses com verdades contadas sem meias-palavras, que acabam fazendo a gente pensar: Taí, essa é gente de verdade!
Beijos, querida!

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Tania
com precisão e precisão...srsrrs, vc disse tudo. E quando se fala de um ser humano que gastou sua vida, pq vida é pra gastar e não guardar, a gente não encontra adjetivos.

Assim são as pesoas SUBSTANTIVAS. Como vc...
bjs da walll

Zininha disse...

Lembrei muito dela hoje... e ainda comentava aqui em casa...que parece que foi ontem...
quando soubemos da notícia, um misto de tristeza e decepção me invadiu...
não acreditava...

saudades...


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