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sábado, 28 de janeiro de 2012

Hierarquias, Medicinas e das vantagens da adoção

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Como tudo que nasce, que brota, que merda (desculpa Gilberto Gil), na cabeça humana, existe controvérsia a respeito de qual medicina foi a primeira do mundo. Eu aceito melhor a teoria de que a Medicina Chinesa foi a primeira, pelo menos, a primeira estruturada de modo acadêmico, escrita e compilada, pelo próprio Imperador Amarelo, na época em que Imperadores ainda eram emissários das forças divinas.

Vai daí que, esta medicina Tradicional Chinesa, é a mãe das nossas Medicinas Modernas, tanto as Alopatas, como as Alternativas.

Não sou especialista no lance, então paro por aqui nas explicações que, embora toscas, me servem de pano de fundo.

Entonces, uma das coisas mais interessantes a meu ver, é como a Medicina Chinesa criou uma Hierarquia entre os órgãos que, embora pareça caprichosa e aleatória, é exatamente a hierarquia utilizada pela Medicina Moderna para definir o relógio biológico. Assim, cada órgão tem seu horário de atividade, descanso e regeneração.

Partindo dessa premissa, essa hierarquia é muito importante para a Medicina Chinesa, porque ela delimita quem manda e quem obedece. Como cada órgão antecede mas também precede outro, todos mandam e todos obedecem. Os órgãos anteriores são chamados órgãos “Mãe” e os posteriores de órgão “Filho”. Dessa maneira, cada órgão é por sua vez, mãe e filho.

Veja gentefina, como na vida humana. Dia chega em que somos pais e filhos, simultaneamente.

Essa hierarquia, além de não ser aleatória, como vimos, ela também obedece a uma hierarquia maior ainda, a Hierarquia da Natureza. Explico: um dos pontos chave da Medicina Chinesa, é a compreensão dos 5 elementos da Natureza. A saber,
1 Madeira - fígado
2 Fogo - coração
3 Metal - pulmões
4 Água - rim
5 Terra –baço
com suas correspondências direta sobre cada órgão.
(Os Chineses consideram órgãos e vísceras, mas não vamos embolar o meio de campo.)

Assim, como cada elemento “bate”no posterior, e é “batido”pelo anterior – como no joquempô-, cada órgão tem seu papel definido na saúde e na doença.

Welll, assim, quando um paciente tem alguma doença em determinado órgão, o órgão “Mãe”, posterior a ele, como toda mãe que se preza, corre em seu auxílio, como que capturando a doença para ele, e, sendo ele mais forte hierarquicamente falando, as chances do paciente ficar curado são imensas.

Mas, se o paciente desenvolve alguma doença, e o órgão imediatamente anterior a ele, o “filho” fica debilitado, as chances de recuperação são quase nulas.

Eles explicam, também baseados na hierarquia das coisas humanas, que um “Filho”pode superar algo feito pela “Mãe”, mas uma “Mãe” não supera a agressão de um filho.

Quase lá gentefina, calma...

Estes dias pensei muito nisso, porque analisando melhor com meus neurônios ocidentais, que interna velhos em asilos(*) e que desconhece a hierarquia familiar e natural das coisas deste universo, pensei: é da Ordem Natural das coisas que nossos pais morram. A gente não quer, não acredita, foge do assunto, mas sabemos, lá no fundo do coração, que esse dia chegará. Sofremos, enterramos, fazemos missa e o escambau, mas depois, apesar da saudade, seguimos em frente com nossas vidas. Não me lembro de um caso sequer de alguém que NUNCA se recuperou da morte dos pais, a não ser pessoas com problemas psicológicos e físicos muito sérios, dependentes, por assim dizer.

Por outro lado, nada nos prepara para a morte de um filho. É impensável um filho morrer antes de seus pais. Está fora da Ordem Natural da vida. E sim, conheço milhares de casos de gente que não se recuperou jamais da morte de seus filhos.

Essa comparação elucidativa das hierarquias, ainda que ingênua, pode ser muito útil na compreensão das Hierarquias Naturais, digamos assim. Nós, que estabelecemos hierarquias artificiais, de classe, cor, credo em cruz e etc e tal, compreendemos apenas o que criamos, e assim voltamos ao início, onde tudo que cresce que brota, que merda......

Tudo isso foi pra dizer que, gentefina, é preciso pensar muito antes de ter um filho, porque vai ser barra. Não a parte prática, dar a vida, ensinar de um tudo, cuidar da criatura, sustentar, abandonar seus sonhos,...  isso, como dizia o Véio Ibrahim, qualquer uma(e aqui não cito textualmente porque pegaria mal) pode fazer. Mas EDUCAR é levar chumbo a vida toda, ah gentefina, isso não nos é contado nunca. Minha avó dizia: Filho sois, pais sereis.

Grande verdade......mas tem neguinho que não se toca nunca!

Pra finalizar eu digo que um filho pode esquecer o que seus pais fizeram de ruim para ele,  na ânsia de acertar, ou no erro de viver, ou na ignorância mesmo. Mas pais, não conseguem sobreviver aos mal tratos, indiferença, ingratidão e outras facadas mais que os filhos sabem dar, e muito bem.

“Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR teu Deus te dá.”
É um dos mandamentos de Deus, pra quem acredita, enfim, mas que as civilizações orientais, apesar de pagãs, entendem muito bem.

Olha gentefina, se fosse pra gente amar pai e mãe, Deus teria deixado bem claro isso. Mas ele diz HONRAR, isso é muito diferente de amar..... é mais fundo que isso.

E pra finalizar, que vocês devem estar fartos de tanta argumentação, um conselho: Se você quer companhia, amor, fidelidade e agradecimento, adote um cachorro, desista de ter filhos. Porque dia virá em que eles te machucarão demais, te ferirão com as facas mais aguçadas. E você vai sangrar muito e, nada neste mundo, mas nada mesmo fará essa ferida parar de doer. E o pior, gentefina, essa dor mata sentimentos e alegrias triviais, puras e corriqueiras, que por sinal, são a fonte da nossa vida.

Talvez, apenas um pequeno talvez me diga que TALVEZ a gente possa curar essa dor, honrando nossos pais, principalmente os vivos, porque é fácil dar uma de bonita e ficar agradecendo pra morto. Difícil é ir lá, honrar os vivos, pegar na mão deles, ouvir, limpar, dar de comer, e demostrar carinho. E mais ainda, continuar a receber ordens deles, porque na saúde ou na doença, eles estão na escala superior da Hierarquia.

Tenho pena, mas uma pena sádica, sabe gentefina, daqueles que não resolvem seus lances com os pais. Porque esse tipo de gente, vai aporrinhar a nossa vida, vai de algum modo cobrar essas coisas em outros relacionamentos, fazendo da nossa vida um inferno. Vai querer se vingar da mãe, do pai, da tia, do cachorro, tudo pra riba da gentefina....... Oquei, vou parar, juro!

(*) aqui vai uma ressalva advinda do comentário do Roberto Novaes. Existem asilos muito legais, onde o idoso vive como que numa colônia de férias. São caros, mas são bacanas, principalmente se recebe visitas diárias. 

Tem gente que não tem quarto sobrando na casa, não tem tempo nem grana, sei que é difícil, mas sei que toda solução que leve em conta cuidados, beijinhos e abraços e carinhos sem ter fim, é a boa solução. Eu mesma ajudo financeiramente uma amigo que tem uma mãe em casa, doente, e que ficava sozinha o dia todo. Hoje, eu e mais algumas santas minhas amigas, separamos uma quantia pequenina e ajudamos a pagar uma mocinha que fica com a véia. Esse amigo fez por conquistar nossa admiração,  e grana vem, vem sim, o banco do universo providencia em forma de loteria, trabalho, casamento, herança ou ajuda luxuosa dos amigos.
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35 comentários:

hardnhairy disse...

Cruzes, fia... Deu uma mêda! Mas acho que todo mundo, pais e filhos, poderiam ser loiros como os lá de casa: você pode estar lindo, caído, puto, feliz, dar esporro ou implorar carinho e a resposta é sempre a mesma... Uma lambida molhada na cara de presente e um balançar frenético de rabos... Por que não é?!?

Tania regina Contreiras disse...

Muito bom, Wal, aprendi um monte de coisas agora, outras já sabia, mas fiquei a pensar, porque o mundo endoideceu tanto e mudou tanta coisa, que nem sei mais o que está valendo. De qualquer modo, lembrei de Gilberto Gil falando, na ocasião da morte do filho, algo assim: "...mas como, pai morre antes de filho, eu sempre pensei assim, e agora meu filho morto..." Nunca esqueci a expressão dele dizendo mais ou menos isso. No mais, amiga, a espiritualidade passou a ser um caminho inevitável, porque aí dá para aquietar mais a alma, porque perder quem amo (pai, mãe, filho, cachorro, papagaio, amigos...) dóóóíiiii. Eu precisei acreditar que a morte é um grande portal que nos leva a outros territórios, porque senão eu seria muito e muito fraquinha para as perdas. E eu lembrei de Gibran, então lá vai, em metro, essa sabedoraia dele:

"Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável."

Beijos, Wal

Sylvio de Alencar. disse...

Pô meu, fica difícil comentar com tantas (numas), ideias assim jogadas de sopetão.
Cê fica um tempão sem escrever e aí vem essa enchurrada toda.
Vou comentar, mas quero o meu. Pode ser uma veijoca, um aprêto, um sei lá. Rsrs!!

Bem... Seguinte:

Filho que trata mal pai ou mãe, tem que se ferrar.
Pai, mãe que maltratou, que não acarinhou, que não gostou de filho, vai se danar um dia.

Por outro lado, amar não é obrigação de ninguém: as vezes rola, as vezes não. Intão...

Muito interessante a analogia que vc fez. enquanto eu aprendia essas cositas de MTC nas aulas de masso lá no SENAC, nunca pensei nessas coisas!
Ter feito filosofia, amplia conexões!

Sem duvida, quem quer só ser filiz com criação, nem pense em ter filhos!! Até porque nem um chutinho carinhoso a gente pode dar em filho, já com meigos bichinhos isso já é possível.

Um 'amigo' (era, mas..., sei lá... Morreu detonando a mãe, que foi antes), falava da mãe com tanta raiva por ter sido preterido na atenção dela pela outra irmã, que eu ficava meio pasmo, ouvindo-o. ele, não foi um cara feliz. Ou foi? Pois tem essa: as vezes o filho REALMENTE não gosta do(s) pai(s), ou da mãe. E daí? Morem os dois, pai e filho e acabou!

MININA! AGORA QUE VI!!!:
H-O-N-R-R-A-R!!!!!!
Isso isso!!!!! Tá aí toooda a diferença!!!!!
Não entra emoção nesta parada, mas (re)conhecimento!! Se não por nada, pelo menos pela oportunidade de podermos estarmos todos aqui lendo e comentando sobre este post nesta tarde em que o Sol está pintando prometendo um dia mais quente amanhã!
Mas tem gente que é cega... Esses voltarão n+1 vezes neste, ou em outro planetita.

Sea bién venida, Wall.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Yuri
meu loiro predileto
os loiros da sua casa são um exemplo vivo e latido do que estou aqui dizendo. E sei que vc honrou tua mãe, teu pai, que ainda honra fazendo coisas que nem Netuno acredita....ahahahha. Essa tirei do bau, diz.

Te gosto Yuri.....

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Tania
me marcou muito essa passagem do Gilebrto Gil, e saiba, penso nisso sempre, legal vc ter lembrado tbm.
Veja bem Tania, perder é da natureza do achar, mas ser espezinhada e ver seus pais serem espezinhados, fica difícil sabe.....
enfim, obrigada pelo poema, é muito bonito mesmo.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Sylvio
ah vc, vc....
é isso amigo, vc sabe do que estou falando. Vc tem mãe, sofre com ela, se apega a ela, honra a bichinha que eu sei.

E vc disse tudo. No honrar não entra emoção, entra respeito, ética, gratidão, coisas substantivas.
Meu querido.....

Carmven disse...

Walkyria, me emocionei três vezes lendo o texto. Eu sou obcecado, acho, com família. Meu nodo norte, no meu mapa astral, é em Câncer, o que assinala uma inclinação pra assuntos cancerianos, pra família, pra Mãe. Mãe é o centro da minha vida e do meu mundo. Não só a minha mãe por quem eu sinto todo o amor do MUNDO inteiro, mas as mães em geral me apaixonam, a Mãe Terra, a Mãe Vida, a Mãe Feminino Primitivo Ancestral que é a verdadeira força que move tudo dentro e fora da gente, e que nossa cultura paulatinamente nos forçou à ignorar até agora, em tempos de catástrofe e juízo final, onde nãos e pode mais negar as responsabilidades para com a Mãe Terra, e por ela comos cobrados de cuidados e mudança de posturas...tocar nesse assunto é ambiguamente fácile difícil pra mim, pois é algo que busquei me aprofundar toda uma vida, e que me move muito...a Ancestralidade, essa hierarquia não instituída por organizações ou interesses, mas sim pelo ritmo da vida em si...

E ouvir seu relato, como Mãe, das dores que podem causar a ferida de um filho...automaticamente somos levados á revisitar todas as palavras duras que escapuliram da boca, ou foram propositalmente cuspidos, e as cicatrizes deixadas...vem uma culpa, até. Mas acho que, mais que isso, faz com que, seguindo seu raciocínio, busquemos não criar mais cicatrizes, e apenas curar e amar e aproveitar o Presente do tempo na presença de quem nos formou. Deitar nas raízes e comungar com todo o resto que se espalha pra cima ou pra baixo delas.

Meu Deus, como esse assunto é difícil...tanto medo de perder, tanto amor pra viver...tanta culpa que não deve virar peso, tanta vontade de dividir e viver tudo que pode ser vivido no tempo que somos permitidos estar juntos...lindo texto. Muitas reflexões, sobre isso tudo, e sobre expectativas e doação e responsabilidade.


ps: Sylvio, é bem por aí. suas idéias e o fato de que fica difícil se organizar meio ao turbilhão que nos é sucitado.

Carmven disse...

ainda sobre o tema, uma das minhas músicas favoritas nessa vida:

http://www.youtube.com/watch?v=70G7rywtvIg

Roberto Novaes Xavier de Lima disse...

De tudo isso aí, Wal, só não consigo sequer construir qualquer pensamento que seja é sobre enterrar filhos. Não consigo imaginar dor pior. Mas páro aí. Não sei dimensionar isso... nem quero precisar.

No resto, baixar um cadim as expectativas nos relacionamentos costuma ser um achado; nem sei se é possível, isso ou se é só uma ilusão pra me livrar de me olhar no espelho dizendo "eu te disse! eu te disse!"; mas é um caminho pra um mínimo de sossego, senão na alma, pelo menos no cotidiano menos abstrato.

E agora, que a gente vive cada vez mais... esse "cuidar" que devemos aos velhos... devemos a nós mesmos, eu acho. E é um puta desafio, porque a gente vive mais, mas não vive melhor. E é tanto transtorno junto que fica difícil até pensar em julgar quem bota os velhos num asilo.

Se eu ficar velho que nem os asilados que conheço, quero que me asilem, tb. Vou querer visita todo dia, claro. Mas pode me asilar, que vai ser melhor do que o peso de ser um estorvo.

Sei lá, vai que melhora tudo e a gente vai viver (bem) até os duzentos anos?

Tania regina Contreiras disse...

Verdade, Wal...Nem sei falar muito sobre isso, porque sou cuidadora dos meus, não por obrigação, mas por coração, por alma. Mas enfim...sei lá!

Beijos,

Anônimo disse...

1. Ao meu pai não fiquei devendo nada.
2. À mãe fiquei devendo obediência - pelo que até hoje tem coisas que batem mal Peço perdão aqui no caso publicamente, já que em pensamento já pedi, já que ela não se encontra nesta dimensão há muito tempo.
3. Sobre filhos não quero falar mas sou grata porque sou cardiopata, fumo prá cacete - o que me dá quase certeza de que não precisarei passar pela dor de enterrar filhos ( morrerei antes deles).
4. Vou preferir nesse caso, ficar assim na superfície e apenas dizer que me comovestes e que sim, assim como você, reverencio a ancestralidade . Temos no intervalo entre esse esquema da medicina chinesa ( notável ), muitos pais e muitas mães, simbolicamente.
5. O Roberto , pelo que li, vai me colocar num asilo .
Vai nada ! Fujo antes.


Obrigada por me trazer a ler essa maravilhosa postagem.

Barbara.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Conrado....
nossa, me emocionei muito com tudo que vc falou. "Deitar nas raizes e comungar com todo o resto que se espalha para cima ou para baixo delas"..... e dentro de nós, ao nosso redor, em cada gesto repetido nesse universo.

revisar sempre as nossas atitudes, nunca deixar pra depois encarar. Sua mãe deve ter muito orgulho de vc, e estar perto assim, é uma dádiva para uma mãe. Ainda mais nestes tempos tão difíceis, particularmente e em geral.

As pessoas que pensam, que refletem sobre si mesmas, não podem estar bem, não dá. A gente erra muito... sei lá, pra mim tbm é estranhamente difícil falar sobre isso.

Só posso agradecer por suas palavras e por vc estar assim, testemunhando minha vida. Me sinto menos sozinha, ao mesmo tempo que testemubnho tua vida.
Obrigada!

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Tania....
é uma coisa que fazemos com humildade, acho eu.....
bjs querida

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Roberto...
Ok, baixar expectativas é algo salutar, quando verdadeiro, quando o desapego é grande, quando na verdade, sei lá sabe, as coisas e as pessoas passam a importar menos.

Não sei se quero ser assim, não sei mesmo. Não sei se devo parar de querer conviver e estar perto daquele que realmente admiro.

Acho que prefiro sofrer um pouco, mas me alegrar muito com as pessoas que considero queridas. Queridas por se fazerem queridas.... ai, sei lá cara, vc me dá nó nas tripas sabe...

Por outro lado, não dá mesmo pra julgar ninguém. Por essa razão, tento manter o nível de expectativa sobre mim mesma bem alto, pra que nada nesse mundo atrapalhe os meus sonhos, as minhas graças interiores. Se nego vem e me esfaqueia, putamerda, não posso deixar esse mal se espalhar no meu coração, de tal modo que eu me transtorne.

Olha, é uma luta, mas acho que enfim, já que luto por comida, espaço pra morar, campo de trabalho, vaga no estacionamento e o caralho a 4, vale a pena lutar tbm por essas coisas, pessoais e intransferívies, tipo minha alma e meu coração.

O olha, uma criança é um transtorno.... muda a vida da gente. Um velho é um transtorno, muda a vida da gente. Mas veja, é bom mudar de vida.

Se vc for internar a Barbara me fala viu, eu trago ela pra morar comigo e fazemos um asilo muito do especial aqui em casa.
Ah....já disse que te acho ducaraio?

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Bárbara
sabe querida, eu escrevo e penso em algumas pessoas sempre, e uma delas é vc. É uma maneira de eu me mostrar pra vc, e de vc se mostar pra mim. Esse lance é muito, mas muito especial, preenche lacunas na minha vida.

minha mãe tbm se foi, eu cuidei muito dela, mas cuidei tipo äi, como sou maravilhosa, que paciência de jó, que compaixão que tenho"Na verdade era uma obrigação e sobrou pra mim. Hoje me desculpo com ela, em orações, em conversas e aqui, publicamente. Me perdoa mãe, por não ter tido a humildade de te receber com as glórias que vc merecia, somente pelo fato de ser minha mãe, nada mais e nada menos.

Ufa...

Bom, é melhor deixar quieto esse lance de filhos, deixa estar, a praga está lançada....ahahhahaha. Sua alma sua palma! como dizia Jó.

Morreremos antes de nosso filhos, se deus quiser, mesmo eu que tenha de verdade, sofrido muito com algusn de meus filhos. Pra não dizer a maioria. Mas eles não iam fazer mais essa sacanagem comigo.... caralho.

Mas a pior morte, acho que é a indiferença...

Ok, se o Roberto quiser te internar, venha morar comigo, Ficaremos bebendo, fumando, vendo filmes e gastando nossas economias com cuidadores bonitões.

Brigada Bárbara.... por tudo!

Carmven disse...

Roberto, lindas reflexões. "se vive mais, mas não se vive melhor", e tão pouco isso é devidamente lembrado.

no entanto, espero de todo coração que o que o futuro reserva esteja mais pra "vai que melhora tudo e a gente vai viver (bem) até os duzentos"! é só pensando ASSIM que "nestes tempos tão difíceis, particularmente e em geral" onde "as pessoas que pensam, que refletem sobre si mesmas, não podem estar bem, não dá", como vc bem disse, Walkyria, conseguimos sonhar toda noite e acordar todo dia e continuar tendo FÉ de que há espaço pra mudanças SIM, e pra mudanças pra melhor!

Barbara, quanta vida ainda aí! emocionante o relato que vem com essa sabedoria de quem viveu e continua vivendo:')

Carmven disse...

Walkyria!

Sem exageiros, sua resposta mais uma vez me emocionou. "Sua mãe deve ter muito orgulho de vc"...me escapa sempre essa noção de que ela se orgulha de mim. E não é complexo de inferioridade não, é que ela é uma mulher tão incrível, e minha visão dela tão colossal...e eu me sinto tão humano e ainda inapto em tantas coisas, não páro pra pensar "Meu Deus, e essa Força da minha vida se orgulha de MIM"...vc, como mãe, ter dividido essa visão, me tocou MUITO.

Acho que o dia está para essas reflexões. Qdo cheguei de São Paulo hoje à tarde e minha mãe foi me buscar na rodoviária, no caminho, no som do carro, ela me mostrou o CD que meu primo, que mora lá nos rincões do Rio Grande do Sul, gravou com autorias próprias e a música que abre o CD é a música que ele escreveu pro meu tio, irmão da minha Mãe, que faleceu em 2004 num acidente na estrada. Minha mãe contou que meu primo estava fora do RS na época, e ambos se encontraram no aeroporto onde meu primo fez conexão para seguirem pra despedida no RS, ela me falou dor do meu primo que não tinha fim naquele instante. Não quero nem chegar perto de imaginar tal dor...e no entanto, de alguma forma, há uma certa redenção na partida de um pai, seja com uma música gravada em sua memória, seja na própria memória e amor de quem fica. Falamos de honra...o tanto que meu tio não estaria honrado agora. Ou minha vó Carmen, que faleceu aos 94 anos, pouco depois da morte desse meu tio, quando 03 dias antes de saber que ela partiria, assumi seu nome como parte do meu nome artístico - e que virou meu nome de fato. É importante demais honrarmos de onde viemos. Somos quem somos e como somos e o que somos pq refletimos - ou refratamos - a herança de todos aqueles que foram nossos pais antes dos nossos pais.

Eu que te agradeço, Walkyria, por estar conectada à esses planos de consciência que permitiram você me sentir e me convidar pra essa troca desse assunto específico, nesse dia específico que foi assim, matizado pelo medo da perda, pela necessidade do desapego, e a necessidade ainda maior de VIVER e RESPEITAR, HONRAR o Aqui e Agora, entendendo que o Aqui vem Dali e vai Pra-lá, e o Agora veio de Antes vai pro Depois, e que sem esses referências anteriores e posteriores, não existe o PRESENTE de viver esse Aqui e Agora. Tô com o peito apertado por tudo que isso move, e ao mesmo tempo acalentado pela troca sincera de almas que se importam, que estão dispostas, e se reconhecem nas encruzilhadas que o tempo todo nos aproximam - e afastam - de quem tem pra dar justo aquilo que a gente precisa receber, e vice e versa. Conseguirmos nos reconhecer nesses momentos e abraçarmos a oportunidade de trocar, é um abraço de coração com coração, é MUITO BOM!

OBRIGADO!

Carmven disse...

"tento manter o nível de expectativa sobre mim mesma bem alto, pra que nada nesse mundo atrapalhe os meus sonhos, as minhas graças interiores. Se nego vem e me esfaqueia, putamerda, não posso deixar esse mal se espalhar no meu coração, de tal modo que eu me transtorne.

Olha, é uma luta, mas acho que enfim, já que luto por comida, espaço pra morar, campo de trabalho, vaga no estacionamento e o caralho a 4, vale a pena lutar tbm por essas coisas, pessoais e intransferívies, tipo minha alma e meu coração.

O olha, uma criança é um transtorno.... muda a vida da gente. Um velho é um transtorno, muda a vida da gente. Mas veja, é bom mudar de vida."

puxa vida...:') !!!

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Roberto
fiz um acréscimo no texto por sua causa....


(*) aqui vai uma ressalva advinda do comentário do Roberto Novaes. Existem asilos muito legais, onde o idoso vive como que numa colônia de férias. São caros, mas são bacanas, principalmente se recebe visitas diárias.



Tem gente que não tem quarto sobrando na casa, não tem tempo nem grana, sei que é difícil, mas sei que toda solução que leve em conta cuidados, beijinhos e abraços e carinhos sem ter fim, é a boa solução. Eu mesma ajudo financeiramente uma amigo que tem uma mãe em casa, doente, e que ficava sozinha o dia todo. Hoje, eu e mais algumas santas minhas amigas, separamos uma quantia pequenina e ajudamos a pagar uma mocinha que fica com a véia. Esse amigo fez por conquistar nossa admiração, e grana vem, vem sim, o banco do universo providencia em forma de loteria, trabalho, casamento, herança ou ajuda luxuosa dos amigos.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Conrado
vc viu meu neguinho, que gente linda habita esse mundo? Deixa te contar que o Roberto é filho da Bárbara....

gentefiníssima essa família

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Cramven

teu nome....

bom, sou assim dura na queda, mas choro quando tocam meu coração, até em propaganda, ou filmes, sou assim.

Dormi envolta em nossas conversas, tão sinceras....dormi bem, e eu estava precisando.

Acordei , fiz tudo depressinha pq queria continuar, responder pro Roberto.

Entro e vejo essa história linda. Esse seu dia coroado de honrarias, dessa mãe que continua a te apresentar o mundo e que VC OUVE E RESPEITA!

Ela tem orgulho sim.... do mesmo modo que MORRO de ORGULHO do DANIEL. Vc conhece essa dádiva que Deus me deu.....

"VIVER e RESPEITAR, HONRAR o Aqui e Agora, entendendo que o Aqui vem Dali e vai Pra-lá, e o Agora veio de Antes vai pro Depois, e que sem esses referências anteriores e posteriores, não existe o PRESENTE de viver esse Aqui e Agora"

olha isso....vou levar essa frase no meu dia, como um proteção, uma luz, em presente de Deus vindo pelas tuas mãos.

Roberto Novaes Xavier de Lima disse...

Então, Wal... falei dos transtornos mas não quis dizer do transtorno que os velhos representam, mas dos transtornos (mentais e neurológicos, principalmente) que os velhos andam sofrendo (tá um andaço danado disso!);

Qunado penso na possibilidade de asilo, penso num bacana, mesmo, desse que tu falou. (vamo vê seu pareço menos canalha, rsr);

Trocando em miúdos... quero chegar aos 200 anos, sim, mas só se puder comer, beber, fumar e trepar até lá; se for pra ficar com a mente escorrendo pelas narinas, sei não... prefiro morrer, mesmo.
(E lá se foi minha tentativa de parecer menos escroto, rsr).

PS: Vai que blogar é preventivo contra alzheimer...

Roberto Novaes Xavier de Lima disse...

PS²: mâmi, quirida e amada: vou te internar, não; você e maria vão cuidar uma da outra, rsrsrs.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Roberto
veja bem, é 1:45 da madrugada. Vi sua msg no iPhone, que vc nem curte. Tive que vir te reponder, pq comecei a gargalhar na sala, ri muito no corredor, e ainda estou rindo. Vc é uma graça, uma brasa, mora!

Vc nunca é escroto, somente quando critica o corintiãns...mas te perdôo, pq time, religião e partido, dá licença....

A Maria da Paz, que aguenta vc, vai aguentar a famíla toda. Mas fica aqui minha promessa verdadeira. Sempre pensei em montar uma casa abrigo, grande, feliz, particular, onde as pessoaa maravilhosas e portanto sozinhas que conheço, pusessem compartilhar, não a velhice, mas a sabedoria, a cerveja e os drinks, enfim.

Te adoro roberto.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Bárbaravc jogou um verde e colheu uma floresta!

urbanascidades disse...

Wal, não sei o que esta mais interessante na tua postagem: o texto que ensinou-me sobre a a medicina e filosofia chinesa, a questão da morte de pais e filhos (já presenciei as duas situações), as relações entre ambos ou o pingue-pongue dos comentários. É um caso único em que os bastidores da matéria são tão bons quanto. Parabéns por ser este imã e agente provocador de tanta opinião.
Paulo Bettanin.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Paulo
primeiro obrigada por vir ao céu, que é aberto e só entra gente legal. São muitos os assuntos mesmo, mas eu sou assim complexa e desarrumada. Colocar em ordem os pensamentos é uma luta, e este blog me ajuda.

Depois, são as pessoas maravilhosas que aqui entram, que organizam meu coração, com seus comentários extraordinariamente pessoais, desinteressados e humanos, muito humanos...

Eu sempre digo que um blog bom a gente conhece nos comentários....

Sem modéstia que não cabe aqui, meu blog é bom por ter dentro dele, tantas pessoas maravilhosas. Como vc.
bjs

ednampc disse...

Uns vão Uns tão Uns são Uns dão... Uns pés Uns mãos Uns cabeça Uns só coração... quando repenso minha vida vejo que dediquei grande parte dela aos meus filhos.Quando me tornei mãe compreendi o que é ser filho. Vivi muitas coisas por mim e muitas outras por eles. Os filhos devem honrar os pais, mas antes de filhos são pessoas e reflito que é da condição humana as limitações. Então para o bem ou para o mal eles estão aí e um pequeno gesto de justiça feito por um filho reconforta o coração de uma mãe.

Aninha Monzon disse...

Oi, Wall!
Te amo,viu? Amo o jeito que vc escreve, sua sinceridade, seus esporros, sua liberdade e força.
Seus textos sempre me inspiram, de verdade.
Sobre relação pais e filhos, só tenho ainda como falar do ponto de vista de filha. Sei apenas que minha relação com meus pais se tornou mais verdadeira e saudável, quando paramos de nos olhar a partir das funções, e começamos a nos olhar mais como seres humanos, adultos, espíritos em evolução, que aprendem e trocam experiências simultâneamente.Nada dessa coisa de "eu digo, e vc cala a boca e obedece". Ás vezes, quando fico com meus sobrinhos, percebo como as crianças de hoje são tão mais espertas e evoluídas. Fazem perguntas que me deixam sem respostas. Esquecemos que, embora crianças, são espíritos com um passado repleto de muitas vidas, experiências, erros e acertos, como a gente.
Bom, esse foi o pouquinho de coisas que seu posto me fez pensar. Obrigada!
Beijos e abraços bem fortes!
aninha.

Carol Morais disse...

Resumindo: para mim, não importa mesmo. Você é filho de quem te ama mais do que tudo no mundo. Somente seus pais verdadeiros dariam a vida por você.

angela disse...

Coração magoado.
A tristeza rende lindos escritos.
beijinhos

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Edna
vc sempre indo à frente, compreendendo, amando, sempre Edna.

Com vc aprendi muito sobre amor e doação. É verdade né. Assim como uma pequena mágoa acaba com uma mãe, um pequeno ato de justiça nos enche de alegria. E tem o poder de esquecermos tudo.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Aninha

Esse ano me trouxe vc.... de verdade, alguém tão bonita, jovem, verdadeira e justa.

Alguém que procura a todo momento estar dentro de si, se vendo, se sentindo, para poder então interagir com o outro, sem rebarbas.

Esse mergulho dentro de si, sem ar, tendo que voltar à superfície para estar com os outros, é quase mortal pra nossa alma. Essa alma que quer apenas ANIMAção.
te gosto demais viu!

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Carol...
os pais já deram a vida por nós, eles nos trouxeram à vida. Mas pais verdadeiros.....bem, não sei não... a gente vê de tudo nessa vida.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Angela
verdade, acho que das artes, a escrita é aquela que mais se beneficia da mágoa....srsrrsrs
bjs querida


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