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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

PCC ou PM?

Quando acontecem ataques terroristas como estes que estão ocorrendo agora em São Paulo, não posso deixar de pensar o que penso, ou seja: não me pergunto o que fez destes homens assassinos, mas sim o que ainda os faz humanos como eu, como você, como todo o resto da da torcida do Corinthians e do Flamengo.

Acho mais difícil descobrir essa humanidade, do que os vários motivos que levam um ser humano a se tornar alguém tão sem amor à vida, seja a dos outros, seja a dele mesmo. Estendo essa procura para os corruptos, os poderosos em geral, sejam do PCC ou da Monsanto.

Nessa missão de encontrar a humanidade nas pessoas, nunca fecho o vidro do meu carro no farol, por exemplo. Quero que algum possível  ladrão veja que eu acredito que ele seja humano, que confio nele. Não sei se é sorte ou proteção, sei que nunca fui assaltada em farol. Claro que pode acontecer de um dia, eu dar de cara com alguém que perdeu toda humanidade, que vai me achar uma loira burra de vidro aberto, presa fácil. Porém, essa única vez não invalidará meus 40 anos de vidro aberto.

Certa vez em São Francisco, um negro alto, forte, morador de rua, me parou na calçada pedindo um a ajuda. Eu abri a bolsa, abri a carteira, peguei uns dólares e dei pra ele. Ele ficou paralisado, olhou nos meus olhos, agradeceu e não pegou o dinheiro. Naquele momento eu disse, com a minha atitude, que eu acreditava nele, que sabia que ele era um desafortunado, uma vítima, um ser humano digno do meu respeito. Ok gentefina, posso me estrepar algum dia, mas continuarei a dizer pra essas pessoas que acredito nelas.

No primeiro ataque do PCC em São Paulo, em 2006, um dos meus trabalhos era no Centro Empresarial. No começo da tarde fomos avisados do ataque e os prédios foram esvaziados. Estávamos perto do Terminal João Dias, um dos pontos atacados. 

Peguei meu carro, aquela onda de terror na rua, entrei na marginal, ouvi as notícias pelo rádio, os pedidos da Polícia Civil para que ninguém saísse de casa. Os transportes urbanos seriam paralisados, ônibus, metrô, enfim, quem estivesse na rua estaria por conta de Deus.

 Vi um ponto de ônibus lotado de gente. Parei meu carro, contei pras pessoas o que havia ouvido e ofereci carona. Mais de 60 olhos me olharam espantados, receosos..... ninguém aceitou. 

Nisso, um homem com uma maleta disse que topava. Ele entrou no meu carro, mezzo marguerita mezzo mutsarela. Comecei a puchar papo. Foi quando ele contou que era segurança de uma empresa na Faria Lima, que tinha porte de arma, e ao dizer isso, entreabriu a maleta e eu pude ver uma pistola. JesusMaria&Joshef, pronto, tô fudida, pensei.  Ele percebeu meu medo e se desculpou. Disse que dava o maior valor pra minha atitude e que poderia ir para seu trabalho e passar a noite em segurança. 

Foi muito bonito, porém não posso deixar de pensar nas dezenas de pessoas no ponto de ônibus que tiveram medo de mim. Medo de um ato de fraternidade...... é isso que me pesa, é isso que me machuca, a descrença do ser humano em outro ser humano.

Assim, não que eu seja a favor ou contra, muito pelo contrário. Não sou psicóloga, cientista social, mestre em psicologia de massas, sou porra nenhuma. Sou um ser humano tentando espalhar por aí, que eu acredito no humano que exite dentro da cada um, por mais difícil que seja encontrá-lo.

Era isso aí, gentefina...... Vale a pena tentar! Afinal estamos aí uns para os outros!

As imagens que salvei aqui, são de uma página muito bacana, a P.U.T.A ! Visitem

12 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Corajosa, heim, Wal? Já fui, não sou mais. Já vi corpos andando sem alma. Já fui agredida por causa de uma correntinha no pescoço, já acordei com um sujeito que escalou meu prédio e entrou no meu quarto enquanto eu inocentemente dormia...enfim, bons tempos aqueles em que eu olhava para todos e via sentimento em todos. Não confio mais. O bicho que mais gosto ainda é gente. E o que mais receio também.
Beijos,

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Ah querida Tania, não pense que não tenho medo, tenho até demais. Não sento de costas para a porta, escaneio cada centímetro, mas esse é meu desafio. Cada um com o seu né?

é minha adenalina....

Eleonora Marino Duarte disse...

Você voltou a letra ao seu formato que tanto me cativou e me fez te amar assim como te amo hoje!

adoro ler o que você pensa, principalmente por me fazer (re)pensar tanta coisa.



te amo.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Eleonora, BBzinha, vc sabe que minha maior perda ano passado, foi vc como leitora..... vc sabe! Brochei! Mas estou tomando um viagra ahahahahahha

Roberto Novaes disse...

Curioso, né... temos atitudes bem parecidas mas nunca pensei muito sobre isso; daí que resolvi descobrir onde é que a cidade me mete medo, afinal; fora os terno e gravata, quase nada. tenho medo mesmo é do fascismo disfarçadinho do brasileiro médio.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Isso Roberto, tenho medo da polícia, dos caras sem pátria, das coorporações....disso sim tenho medo

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Roberto.... pensei bem e tenho medo dos integralistas, DNA dos Opus Dei e dos fascistas.... Tudo com cara de gente boa. Cruz credo

R. Vieira disse...

Olá Walkyria!

Que coisa boa chegar aqui em teu blog e ler tuas linhas! Acho super interessante e válida esta tua posição. ACREDITAR é umas das virtudes que todos precisaríamos ter e estamos deixando que se perca.

Amei vir aqui!
Um abraço!

Walkyria Rennó Suleiman disse...

R. Vieira,
nunca superei a emoção de um comentário assim, que me une, que me faz presente, que me mostra que tem gente muito legal no mundo. Obrigada

Tatiana disse...

Humanidade mesmo não é discurso, é bem essa coisa que se pratica no dia a dia.
Walkiria, nem sei como cheguei aqui, mas dei uma boa passeada por teu blog e gostei de ler o que pensas e o estilo despojado como descreves fatos prosaicos do cotidiano. Parabéns! Ah, e parabéns tb pelo filhote - e por criá-lo adorando "qualquer porcaria que faz". Este award não é pouca porqueira, hein? ;) Eu tb sou mãe de um brazilian high school student e fico orgulhosa por empréstimo! rsrs
Um beijo pra ti

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Tatiana....
tem dia que o universo manda alguém como vc, que partilha minha vida. É um presente raro e muito querido. Obrigada pelo estímulo, pelo carinho, e parabéns pelo seu bebê....srsrrsrs.

grande beijo

Sylvio de Alencar. disse...

Seus assuntos, e sua maneira de abordá-los, sua escrita..., continua tesudinha.
Carentão como eu tou (isso é papo véio), fico ofegante na frente da tela, me dizendo:
- Pô, essa mina escreve bem...!
Quanto a se expor, se é que andar de vido aberto é isso, o barato é muito louco... Claro, depende de onde andas..., e o horário.
Já fui assaltado, uma vez dentro do Ibira: eu sentadinho lendo um livro, e um cara parou na minha frente, 'de boa', com uma faca na mão. Não deu nada. Mas... em outro, Fui assaltado como quem para um amigo na rua para conversar. A grana estava no outro borso.
Enfim, esse negócio de auto desumanizar parece que é moda. Poderia me estender sobre o assunto, a loucura em que alguns personagens desta peça vivem, como por exemplo um rapaz que é matador de bandido; vc olha pra ele e diz:
- Que amor de pessoa!
É isso.
Saudades, seus cabelos são lindos, e vc tem um corpinho razoável. Ahahahaha!!!!! Brincadeirinha.
Bjs.

Umas das PVs de hoje,fácil! -> running: corra lola! corra!!!!!


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