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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Biografia autorizada do Meu Preto


Era uma vez, em HelpCity, meu querido amigo Cláudio, Xu para todos, que adotou uma cachorrinha de rua, numa noite na ruela do Bar do Giovani, sob pressão do Marinho, recém voltado da França, com muitas ideias e histórias.

Madrugada, cubetes, e Xu topou, e quase que imediatamente a cachorrinha virou a Brigitte. Brigitte era uma peste, desde pequena até sua velhice. Só fazia xixi e cocô dentro de casa. Vomitava também, porque amava comer papel higiênico. Quando via o portão aberto, fugia, corria feito louca, a gente correndo e ela latindo e tentando invocar com todo mundo. Era um drama.

Os cachorros da rua, não gostavam da Bri, porque ela era metida à besta. Os cachorros de raça de nossos amigos, discriminavam a Bri, por ela ser da plebe. Conclusão: Bri nunca gostou de outros cachorros. Mas a gente amava a Bri, porque ela era da família, engraçada, antenada, sabia tudo a malandra.

Quando alugamos a casa da Marechal, a Bri estava tomando umas injeções pra não ter mais cria. Um belo dia, eu estava no jardim e um cachorro preto apareceu e ficou doente pra entrar na nossa casa. Ficou no portão um dia todo esperando. A Bri foi até o portão, eu corri porque ia ter briga, e eles se cheiraram e se tocaram e ficaram na maior alegria. Decidi deixar o cachorro preto, jovem, bonito e cheio de si entrar. Bri merecia uma despedida da juventude com um cachorro jovem e garboso. Além do mais, ela nunca mostrou interesse por nenhum ser que não fosse humano.
Foi uma festa! Rolaram, deram-se mordidinhas de carinho, correram, brincaram o dia todo. Nós, o Xu e o Ronaldo, adoramos. Só que o Xu ficou preocupado com a saúde da Bri. Levamos os dois no veterinário. Ele riu, disse que o cachorro era capado.

Na volta pra casa, o cachorro entrou e não quis mais sair. A Bri e ele se acomodaram, e ela até deixou ele comer no prato dela. Era amor verdadeiro.

Desse dia em diante, o Meu Preto ficou em nossa casa. Ele nunca fez xixi nem cocô, nem no jardim. Só fazia na rua, obedecia, a gente abria o portão, ele dava uma volta, a gente chamava, ele voltava.

Todos amavam o Meu Preto, principalmente a Bri, que pela primeira vez na vida, tinha um companheiro.

De dia, ninguém sabia onde o Preto ia. Passava o dia na rua e voltava à noite. Fim de semana grudava em mim, dormia na minha cama, e vigiava meu carro, porque ele adorava passear de carro comigo. Depois queria passear com todos. E todos adoravam aquele cachorro bem postado no banco de trás.

Outra coisa que o Preto fazia, era morder os pés, na traição, de tudo que era chato que ia em casa. Os chatos desistiram da nossa companhia….ahhaha. O Preto sabia de quem a gente não gostava.
A única hora em que o Preto era preso, era quando eu ia embora pra São Paulo. Ele já acordava desconfiado, até ao banheiro ele ia comigo, ficava na porta esperando. Os meninos prendiam o Preto, senão ele corria atrás do carro até a rodovia.

Um vez, o Xu deixou minha casa aberta pra tomar ar, e o Preto não voltou por dois dias. O Xu desconfiou! Ele havia ficado embaixo da minha cama, dois dias, sem comer, sem beber, só na tristeza.

O Preto virou o amor de todos. Até o Marinho que, apesar de ter forçado a adoção da Bri, não se dava bem com cachorros e afins, adorava o Preto. E o Preto adorava todo mundo.

A rotina do Preto era sair de casa junto com o Xu. O Xu pro trabalho, ele pra rua.

Belo dia, o Xu estava saindo, uma mulher gritou,- Ah o Sagui está aqui então, esse cachorro é meu! O Preto escapuliu, voltou pra casa correndo e se escondeu. Então, a mulher deixou o Preto pra nós, porque o Preto escolheu a nossa casa. O Xu jurou e se desculpou com a mulher, mas ficava evidente que o Preto era nosso, ou melhor, que nós éramos dele.
Saí da casinha, fiquei muito tempo sem voltar pra Socorro, sempre pensando em trazer o Preto pra Sampa.

Mas a rotina dele era a seguinte: Xu pro trabalho, ele pra rua. Todos os vizinhos adoravam o Preto. Ele comia em todas as casas, brincava com todas as crianças, e fazia companhia pros velhos.
Fim da tarde, voltava leve e faceiro, pra comer de novo e viver as aventuras da noite, na casa do Xu e do Marinho, onde aventuras nunca faltam.

Ontem a rotina se repetiu. Primeiro o vizinho o levou pra tomar banho, porque o Xu se descuidou, depois o Preto foi dar uma volta com algumas moças da rua que ele gostava, em seguida foi à padaria com outro vizinho que o adorava. Na saída da padaria, veio um caminhão, feito louco, da Mogiana, quase matou o homem, mas na verdade, atropelou o Preto.

Não sei como continuar….. Na minha mente só vem uma conversa que tenho sempre com meu pai: Filha, ficar velho é uma merda! Pai-respondo-melhor ficar velho do que morrer na flor da idade.

Nosso Preto se vai na flor da idade! Mal nos recuperamos da morte da Brigitte, que nos últimos invernos, ficava estatelada num puf da sala. O Zetão olhava e dizia, desse inverno ela não passa. Morreu velha, a nossa Brigitte. Morreu tão galante ainda o Nosso Preto.

Acabou! Fiquem bem meus queridos, Brigitte e Preto!









3 comentários:

Zininha disse...

Agora chorei... menina qe dor essa.. a de perder nosso companheiro...
nossa sombra... que dó, que triste...
Fique bem amiga... Preto é agora uma estrelinha junto da Bri... ela provavelmente estava precisando dele...

Chegou a hora dele... bjs...
Eu tenho a minha Clarinha... e não me imagino sem ela aqui do meu lado...
mas sei que isso não será para sempre...
Boa noite...

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Zininha querida.....
é assim mesmo né? Obrigada por vir, obrigada pelo carinho. Veja, o Preto me deu vontade de escrever de novo. Esse foi o presente dele pra mim. Dentre outros!

Zininha disse...

POIS É AMIGA, ERA A MISSÃO DELE NA SUA VIDA..
NADA PASSA NA NOSSA VIDA EM VÃO...
NADA TEM UMA RAZÃO...

BJS AMIGA... QUE LINDOS ESCRITOS POSSAM TE FAZER VIBRAR AINDA NESTA VIDA...
SOU TUA FÃ...BJS.


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