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domingo, 27 de outubro de 2013

Lou Reed



E assim
Morre mais um anjo
Em mim











Passei essa manhã de domingo revisitando alguns livros que se agarraram às várias estantes da minha vida, teimosos em não serem trocados, doados ou vendidos. Emprestados, nunca mais, que o povo pega e se apega e não devolve.

Adoro rádio, nasci na era do rádio, detesto televisão, apesar de ter nascido no ano em que ela chegou ao Brasil em média escala, 1954. Aqui em casa não se vê televisão, e isso não é modo de falar. Acostumei meus filhos assim, e apesar das rebeldices comuns à filharada, hoje em dia nenhum deles é fã de TV.

Oquei que sou radical, e daí??? Não gosto e não assisto e vivo muito bem sem conhecer as novelas, os galãs de hoje em dia, as notícias, as novidades sem graça…. Enfim, me perdi em vários assuntos. Esse fica ra outro dia.

Queria dizer mesmo, que estava lendo Leminski - lê minski, ou lia minski-, quando ouvi no rádio a notícia da morte do Lou Reed. Não acho que foi coincidência não…..

Sei que no final do anos 70 ele deu uma entrevista bem da famosa pra uma repórter bem da famosa também, que eu não tenho a menor ideia de como se chamava, que lá pelas tantas repara que ele tem vários vasos com plantas no apartamento sitiado em New York (é sitiado mesmo, viu), mas que estão com a terra seca, apesar da aparência saudável e verdejante. Ao que ele esclarece com sua cara de sonso, elas são de plástico mesmo!

Deu o que falar, a gente aqui do Brasil nem sabia que existia flor bacana de plástico. Imagina só…… isso era uma sensação, e a gente matava pra ter algo de plástico. Ele, o plástico, não era esse monstro atual, rssrs…. Aliás, sem o plástico, de muitos modos estaríamos perdidos, mas essa também é outra história.

Sei que senti um gosto ruim, um cheiro triste, e a certeza de que de duas uma, ou verei a morte de todos os meus ídolos, ou morrerei antes disso. Não sei o que prefiro; viver num mundo vazio de mim, ou esvaziar a vida de mim.

Tem muito mim nessa frase.

6 comentários:

Regina disse...

É, tb pensei agora há pouco: daqui a uns anos, não vai ter mais ninguém fazendo música que eu queira ouvir. Mas talvez eu é eu não esteja mais aqui para ouvir nada. Eita vida.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

É Regina, miga....rsrsrs,
já temos estrada até de internet, tanta estrada pra dar em nada.... ou não?
Mas esse pensamento que tivemos cabe bem aos dias atuais, né não? Ausência, na música, nas artes, nos políticos, na literatura, não sei, sou muito ignorante pros dias atuais. Metade das pessoas que cito ou me inspiro já morreu. Algumas há séculos, inclusive.

ana disse...

Sensacional!!!Amei e espero ainda algo mais de vida ,da vida....

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Ana querida, esperar é uma arte! Esperemos sempre!

Eleonora Marino Duarte disse...

wal...

nunca o que você escreve fica preso em um aquário para exposição pura e simples. tudo o que você diz tem a capacidade de fazer eco, sempre há o conceito por trás da ideia aparente da crônica, sempre uma luz para pensarmos sobre outras coisas, de outras formas.

eu gosto (e já lhe disse zilhentas vezes)do que você escreve, muito, principalmente na etiqueta/marcador conversa fiada. saio daqui com a sensação de que afiei o bico e posso cantar alguma coisa por aí.

apesar do ácido que voce joga, fica (e)vidente o seu carinho pela vida, pelo mundo, pela história e isso é um show de sabedoria.

t'amo juntas.

beijos.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Te ver como uma águia de bico afiado foi muito lindo! Sabe que adoro rádio por isso, sempre que escuto o povo opinando, dizendo, precisam convencer, não tem imagem. Fiquei feliz de vc me comparar assim.... e agora sempre vou pensar em mim de bico afiado quando ouço algo legal e guardo na memória.

Afora, adentro...rsrsr, como vc me conhece... a ponto de me lembrar, nessa hora tão azeda, que eu amo a vida!

Ah ßß, vc muda a minha vida a todo instante.
Essa é uma das razões do meu amor por vc!


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