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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Mandela e o Capital





Nenhum regime governamental, sustenta 300 anos de imperialismo e 50 anos de apartheid sem a ajuda e apoio da comunidade internacional. 

Muitos não compreendem como somos um Corpo Único em todos os sentidos, segundo Mi Yamaguishi, Jesus, Mandela, Martin Luther King, Jung e tantos outros corações que já intuíram essa verdade. Porém essa noção de unidade pode ser melhor compreendida pelo conceito de Capital, e quando entendemos a força das Sanções Internacionais. Ou seja, sem a aprovação da Comunidade Financeira Internacional, que decide quem ajudar, o quê importar, o quê exportar, para onde e a que preço, nenhuma nação sobrevive.  

Ok, vamos deixar Cuba de lado, mesmo porque, depois de tantas décadas de resistência - única no mundo moderno -, cedeu parte de suas terras para a construção de uma prisão hedionda, onde direitos humanos não conhecem o endereço, Guantanamo. Logo ali, virando a esquina do chamado Mundo livre.

Mas vai daí, que a morte de Mandela suscita em mim, além de todas as lutas que ele lutou, sempre em nome do mesmo fim, a dignidade humana,  as condições desse entrelaçamento do capital e das dignidades ditas humanas, que ele entendeu tão bem.

Haja vista que, recém eleito presidente, o primeiro país que ele visita é o Estados Unidos, claramente agradecido pelo apoio incondicional dos ativistas que tanto lutaram por sua causa.

Líderes dos direitos civis no mundo inteiro, porém mais ferozmente nos Estados Unidos, se manifestaram em atos públicos, passeatas, discursos, filmes e livros, contra o apartheid. De tal modo e, com tanta determinação, que num tempo em que Margaret Thatcher e Ronald Regan, abertamente chamavam Mandela de “terrorista”, ele consegue o apoio das massas, no mundo todo.

Vejam bem, não é dizer que tivéssemos a internet, as redes sociais, aderindo a isso e a aquilo num clicar de teclas. Não, foram os líderes dos direitos civis que instigaram a sociedade, indo cotidianamente a seu encontro, em palanques, assembléias, senados, jornais e televisões.

Assim, forçado pela opinião pública o capital faz sanções econômicas, que é mais ou menos isso: a Coca Cola diz, olha, acho que vamos desinvestir lá na África do Sul….

E assim, dobra-se o capital, vence-se esse monstro.


E eu pergunto, gentefina? Porque depois de mais de 50 anos da invasão Tibet pela China, até hoje não houve apoio internacional para libertá-lo? E olha que eles têm o Mandela deles, o Dalai Lama. Mãssssss, pra um mundo Made in China, interessa economicamente? 

Bom, sei que fica aí mais uma reflexão inscrita na história. Quando falo de opinião pública, não falo de alguns milhares passeando na rua, tomando cerveja e farreando. Falo de opinião pública que decide, assim, na lata: não vamos mais consumir um produto que negocia com tal regime. Fácil assim, gentefina, fácil assim.

Fica aqui minha gratidão por Mandela, por libertar gente da minha raça do jugo da barbárie humana. Mas mais fundo, fica a lição de reconciliação, de perdão e amizade que ele tanto apregoou.

Mandela, vai em paz, muita festa te aguarda no céu!



2 comentários:

Eleonora Marino Duarte disse...

tocou-me fundo...
primeiro porque a análise política que rapidamente fez aqui, é digna de você: gente que pensa e age de acordo com convicções e intervém sempre que pode contra a cegueira generalizada. admiro, muito!
depois, pela verdade contida no seu texto. eu sei que você REALMENTE se importa com o resto das pessoas e por isso eu te amo.


um beijo, querida.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Eá ßß, eu tenho essa mente que faz muito link com tudo. Nunca consigo pensar numa coisa como se ela fosse um evento à parte. Pode imaginar minha vida pessoal como é? Sim, vc não só pode como imagina e sabe.
Obrigada sempre por vir aqui no nosso céu, me dar respostas, e sim, eu me preocupo com as pessoas, com sua cegueira e em como elas são facilmente cooptadas para fazer mal às outras pessoas. te amo!


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