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sábado, 17 de maio de 2014

Redes Tradicionais, Familiares e Proprietárias


Sempre briguei muito com meus filhos, por eles ficarem de celular na mão enquanto estavam comigo. Mal sabia eu, que podia ser pior. Agora, não consigo concorrer com as redes sociais. Não consigo jantar ou almoçar, ou ainda, pasmem, não consigo nem que meu filho assista a um filme comigo, sem a luz incômoda do celular aceso na minha cara.

Ele diz que consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo. Eu, como mãe da criatura, digo que não é verdade. Ninguém é treinado para ver sem ler, ou ouvir sem escutar. Enfim, não vou entrar no mérito científico da questão, nem na música do Simon & Garfunkel.

A verdade, é que vejo o emburrecimento de todos, nada de falar em gerações, falo de gente, de seres burros, comprometidos com gente que nem conhecem, falando besteiras sobre qualquer assunto, e absolutamente incapazes de buscar informação na própria rede. 

Não, informação nunca foi o forte do ser humano. Desde que o mundo é mundo, as pessoas gostam de pão e circo, gostam de arautos, fofocas, de acreditar no fantástico, nas notícias, sejam dos jornais, da televisão, ou das redes sociais. O ser humano gosta de moleza, de malhar o Judas, de ser massa de manobra. 

Ser burro, impressionável e tiranizado, é característica inerente ao ser humano. Há quem diga que resolver esse perrengue, é uma grande missão, tipo Buda, Jesus, Maomé, e outros menos cotados.

Mas o que me incomoda mesmo, é a total falta de noção dessas pessoas todas. Por exemplo, se eu compartilho uma foto com outra pessoa, tem amiga que reclama, que diz que era uma foto particular. Como assim? Estava no Face Book!!! 

E meus filhos que ficam nervosos com meus comentários? Mãe, fulana é minha amiga, você não pode dar opinião. Mas criatura, ela postou para o mundo ver, porque que não posso? Porque mãe, tem coisas que são particulares….

Ai, ai, ai….. espera um pouco. Se você tem algo particular, acho que postar na NET, seja em que aplicativo ou programa for, configura que você espera que aquela informação seja lida por todos, de modo tão desapegado, que até mesmo quem não te conhece pode ter acesso aos seus sentimentos, passeios, vídeos, criações e burrices. Ou não?

Minhas filhas também acham muita loucura minha, aceitar como "amigo”, gente que não conheço pessoalmente. Pelamordedeus, se não fosse esse o ponto, abrir meus horizontes, qual a graça de estar em Redes Sociais?

E meus amigos, virtuais ou de carne e pescoço, que chegam a reclamar porque não respondo no Face Book?

Não sei, mas vejo em tudo isso a marca da tradição, do autoritarismo, da moda, da baixa capacidade de assimilação da realidade que possui, isso que conhecemos como, o simples ser humano, mortal e falível, agora!!! falível em rede mundial.

Sinceramente falando? Estou bem cansada da ignorância e da prepotência das pessoas. Ao mesmo tempo, não consigo sair de casa sem parar pra conversar com alguém na rua. Aliás, outro motivo de vergonha para meus familiares. Acreditem, eu converso com desconhecidos, no mundo real, o tempo todo! É demais para eles, é demais me aguentar com essa mania de interagir, de me meter na vida alheia, de dar palpites e de fazer amizades para sempre, numa fila de super mercado.

Até o mundo virtual me trouxe grandes amigos, grande namorados, e grandes ilusões. Em qualquer mundo eu sei me comportar como estrangeira, porque, fora das minhas 4 paredes interiores, gentefina, todo mundo é uma aventura diferente e perigosa.

A ignorância é uma das qualidades mais democráticas que conheço. Atinge gente de toda idade, estatus social e cultural, sem dizer nacionalidades. Minha sábia avó Carolina Rennó Ribeiro de Oliveira, cujo avô possuía escravos, dizia sempre: Filha, contra a ignorância, não há argumentação.

Hoje em dia, acho muito do caipira e do bairrista, se dizer de uma determinada cidade, ou país, ou mesmo continente. Hoje em dia, eu me vejo como terráquia, presa nessa estratosfera poluída, nessa civilização mesquinha e desalmada, nessa espécie tão fraca, que se acha cada vez mais capaz, só porque tem um celular e pode, num piscar de olhos, resolver questões que minha avó resolveria de maneira mais correta e acertava. 

Parece até aqueles caras, que se achavam demais porque inventaram a roda, a pólvora, a imprensa, ou a guilhotina. Parece até as grandes potências, que escravizaram os mundos, e agora os chamam de segundo, terceiro, um sem fim de números de mundos inferiores.

O que me salva são os amigos do peito, a minha gentefina, que não me enche o saco porque eu disse, ou postei, ou parabenizei. No meu mundo só te gentefina. Mas vai daí que, quando sua família acaba se revelando constantemente ignorante, de geração em geração, você fica meio que solitária….. e pensativa. Ou sera implicância da minha parte?

Pode ser, sou implicante mesmo, mas devo dizer que raramente me engano quanto ao caráter das pessoas. Por essa razão, NUNCA um amante me traiu, e vice-versa, NUNCA um empregado me processou, e NUNCA um patrão deixou de me pagar. Será coincidência?

NUNCA fui assaltada,(tirando a vez em que minha filha estava no carro, morrendo, de medo de ser assaltada, e a ladra levou um anel de família meu, irônico) nunca fui violentada, a não ser pelos maus tratos ocasionais de familiares ou certos amigos que queriam mandar na minha vida, me abduzir. Já tive uma amiga que me arrasou porque divulguei uma festa do Nabil Bonduke no meu face book…. Acabou a amizade, lógico, ela pensava que só ela havia recebido o convite, bom nem vou explicar porque acredito que ainda exista inteligência no mundo.

Oquei gentefina, era isso para hoje: indignação e pouco caso…. Há quem diga que não combina! De pérola em pérola, vou tecendo essa capa que me separa dessas pessoas. E acho muito do bom!


E desse lado da tela, sinto saudades de todos meus amigos, e me conecto com eles a cada momento do meu viver. Quando sinto o cheiro de comida no fogo, quando a pele arrepia pela brisa suave, quando alguém me sorri na rua, quando leio, vejo filmes, me allegro ou me sinto doente, esteja eu onde estiver, levo muita gente no coração, estou sempre junto dos meus queridos. Mesmo daqueles que já partiram dessa vida.

Fica este vídeo de presente pra vocês.


4 comentários:

Eleonora Marino Duarte disse...

Primeiro li, depois vi o vídeo...
sabe, Wal, sempre te disse que você é uma grande cronista, é, é mesmo, mas o que me "mata" mais em você é o ácido definitivo de sua capacidade de não esconder o que sente e dizer tudo, tudo, tudo, assim, na lata. tá muito bem dito isso aqui. eu também peno um bocado por falar com desconhecidos na rua, no mercado, no ponto do onibus, ainda mais aqui em Portugal, onde as pessoas acham que simpatia é sinal de algo muito errado. fico em muitos becos sem saída porque nasci para comunicar e não para outra coisa. acontece que para mim a rede social traz coisas boas também, inclusive a possibilidade de transformar em real o virtual, mas é também tanta porcaria - como os poemas de neruda que ele nunca escreveu, as denuncias que nunca tem fundamento, as petições que eu não sei se quer se são verdade ou mentira e a imensa dependência que as pessoas tem com o grande oráculo, o google... fico apreensiva e vejo que tá tudo ferrado mesmo, que daqui não saímos mais, que as novas gerações nem sequer vão andar na rua sem postar uma foto do buraco na calçada na rede social. fora o google glass, aguarde.... mas penso que mesmo assim devemos nos manter tentando o contato verdadeiro, até na rede social. eu também tenho muita gente no meu facebook que nao conheço pessoalmente e é para isso que serve a rede social, porque os que eu conheço chamo para um café. felizmente estou aqui com um grupo de poetas porretas, que postam coisas, vivem a rede social, mas convivem, gostam de estar juntos.
falei para caramba, mas é que me sensibilizei com a sua escrita, como sempre, com o desencadear das ideias, com a sua fluidez e no fim, com o vídeo.
obrigada por mais essa.
olha, e ainda é tempo de dizer, voce foi uma luz que a rede social me trouxe e eu agradeço ao deus da internet por isso :D
sigamos, meu amor.

um beijo.

Barbara disse...

Ah eu tô num parágrafo aí , porque reclamei que você não liga para a minha pessoa que é uma pessoa sim e porque você também é uma pessoa eu gosto de você já tem um tempão mas não vou mais reclamar não, senão vou estar em algum outro parágrafo de novo.
Que comentário burro este meu !
Importa o seu texto, tá demais e Eleonora tem toda razão e você também.
Mea culpa ( carambolas de novo)

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Eleonora, ßßzinha, minha irmã, minha metade, minha inteira.
A gente se conheceu na Net, e porque vc aguentou minha agressividade, pulou essa parte, entrou no meu coração e depois na minha vida.

Fizemos tanta coisa juntas, sem mesmo termos nos visto nessa vida. E nos vimos, e foi apenas um complemento físico de algo astral e espiritual.

Veja querida, na vida, seja qual for o meio que vc escolha, vc atrai o que deseja. Eu desejei vc, vc me desejou.... gritamos, brigamos, desesperamos, amamos, torcemos, e vivemos, e continuamos a viver nosso grande amor.

Penso em vc, tem todo um gestual que me leva a vc.....

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Barbara, ah grande Barbarela.... adoro sua família, sinto falta do Roberto, adoro ler o seu neto Espasmo, e neles vejo a grande mulher que vc é.

Citei vc sim. Vc reclamando que não ligo pra vc. Meu bem, como diria nossa amiga Eleonora, só não ligo mais porque o interurbano é caro.....ahhahahaha.

Vc está doladoesquerdodopeito, e sempre espero vc no meu céu. Adoro tbm que vc comente minhas fotos, sem esperar que eu comente seus posts. Isso é grandeza.... pode reclamar, eu gosto!


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