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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Terra em Transe

O COMPASSO DO DESCOMPASSO 

de Laura Moraes 






 "Na escola me perguntava como será que as pessoas continuaram suas vidas normalmente enquanto rolava um golpe militar. Enquanto pessoas eram torturadas e assassinadas. Enquanto a democracia era subtraída de suas vidas. Como não queimaram tudo, não arrancaram as próprias roupas, pararam avenidas e gritaram 24h o que estava acontecendo? Hoje eu entendo. 


O padeiro continua assando pão, a vida segue, a banda toca, a menina sorri e o golpe já é tido como dado. Tem gente resistindo, tem gente desesperada, tem gente que não se importa e tem até gente comemorando. 

Todo dia bato meu ponto sabendo que em muito breve não haverá mais ponto a bater, carimbo pra carimbar, política pra construir, diálogo a realizar, fomento a construir... 

É estarrecedor sair às ruas e tudo funciona normalmente.

Pego ônibus, 
atravesso na faixa, 
compro pão de queijo 

e todo mundo segue 
como se a nossa democracia não estivesse sangrando. 

Como se não estivesse piorando vertiginosamente a vida de tanta gente que nem sabe o quanto o golpe vai influenciar em suas vidas, suas liberdades, suas vivências, sua prática política enquanto povo protagonista de sua história e construção. 

Nunca imaginei que viveria isso e que resistir não é/foi suficiente. O que construímos, o que abrimos mão, o que lutamos... 

'Tempo rei, oh tempo rei, oh tempo rei 
Transformai as velhas formas do viver Ensinai-me, ó Pai, o que eu ainda não sei.' "

2 comentários:

Roque Soto disse...

Es muy triste, Walkyria, que como decimos en España, a estas horas de la película, las cosas sigan igual. Lo siento de verdad que Brasil se encuentre en ese estado de decaimiento crónico, con tendencia a lo terminal. Nosotros por aquí tampoco lo tenemos mejor: paro elevadísimo, corrupción a todos los niveles -sobre todo política-, inoperancia de los partidos democráticos, violencia machista, caída demográfica, amenaza yihadista...

En fin que la ocasión la pintan negra, pero siempre debajo de los adoquines puede haber una playa, aunque esté desierta para ti y las personas que amas.

Salud, suerte, alegría y un fuierte abrazo.

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Meu querido, é essa praia deserta das paixões que destróem o amor, onde estão aqueles a quem amo, que me salva. E você está lá.
obrigada pelo carinho


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