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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Empacotando o filho

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Já era hora de contar que o Daniel, meu filho adorado-idolatrado-salve-salve, vai passar 7 meses em New York. Vai daí que eu ando meio devagar, meio - pra não dizer inteira -, com saudades dele já. Hoje fomos ver umas malas pra ele levar. Na foto vocês podem perceber que ele coube direitinho na mala. Vontade de despachar logo o garoto e ver como fica minha vida sem ele.

Ser mãe, só pode ser uma brincadeira. O cara aparece do nada, dentro de você, vai crescendo, ficando visível que tem algo dentro da sua barriga. Por fora você parece um balão, uma enpanzinada. Por dentro, é costela chutada, é estômago empurrado, é sensação desagradável e alienígena o tempo todo. Toca a ir pro hospital, anestesia, corte e bisturi, ponto, recuperação enfastiante. Mas não bastasse tudo isso, seu peito incha de leite e você se transforma num bebedor ambulante. Quando o bebê chega no quarto, ave, você não sabe bem o que fazer, onde ir....tipo, "daria pra você segurar este embrulho pra mim, que eu vou tomar um café na esquina?"

Enfim, vamos todos para casa. O serzinho se acomoda nos espaços da casa. Mas o que esperar de alguém que já havia se apropriado de seu próprio espaço interior?

Bom, o tempo passa entre fraldas, cadernos, remédios, vacinas, reuniões escolares, inapetência, sarampo, caxumba e catapora, primeiras festas, buscar neguinho de madrugada, adolescência, namoros, indecisões, choros, medos, e haja mãe viu.

Mas poxa, é seu filho né, você deu espaço no corpo, deu espaço na casa, deu espaço na tua vida. Não fez mais que a obrigação.

Enfim, um belo dia, depois deste desterro todo, ele chega com a maior cara de passageiro da paróquia e diz que vai embora, que vai viver a vida dele. Mas como, então todos estes anos ele estava vivendo a vida de quem? E você? Heim heim? Você sua tonta, estava vivendo a vida de quem?

Pois é, são esses movimentos que me abalam que me deixam atônita diante da complexidade do viver. Quem foi mesmo que inventou este filme?

foto: WalkyriaSuleiman

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Saída sem ruas

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"...como nos moldamos às expectativas ocultas, 
e como é difícil fugir delas,
como se fizessem parte do nosso DNA, 
ou das ordens superiores de alguém..."

Fragmento de conversa com o amigo Itamar, sobre o filme "Não me abandones jamais".

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

São Micael


"No dia 29 de setembro comemoramos e iniciamos a Festa de São Micael, o arcanjo que, com força objetiva e inteligência cósmica, defende a humanidade por acreditar nela. Atualmente ele ajuda e inspira o homem que queira aprender a amar com consciência.

Nos dias de hoje a Festa de Micael esta praticamente esquecida e pouco comemorada.Na Idade Média ele era representado com uma espada na mão apontando em direção a um dragão, mostrando que não é necessário matar o mal, pois podemos mantê-lo controlado.

São Micael trabalha com o ferro da espada que é o ferro meteórico e que anualmente cai na Terra em forma de meteoritos (estrelas cadentes) nos meses de agosto e setembro, aproximadamente. No nosso sangue existe a substância ferro que nos garante força de atuação e coragem.

O conteúdo da Festa de São Micael é a Coragem. O homem deve se esforçar para ultrapassar seus limites e vencer seus medos, seus dragões; pois este é o único caminho para a liberdade.

A coragem é trabalhada na criança através de brincadeiras como pular corda, equilíbrio, pontes de corda e outras que requerem o exercício da força física e da própria coragem.

Podemos fortalecer a coragem das crianças através da espada (de madeira por exemplo) que representa a bravura, de contos de fadas que falem de príncipes corajosos e justos e também através de músicas ou versos pedindo a São Micael que nunca falte aos homens coragem para trilhar o caminho da liberdade e do amor, e para acreditar na humanidade.
A coragem permite que o homem vivencie a primavera no seu próprio ser."
Rumo do Girassol - Jardim Waldorf

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Atentar

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Voltando pra casa, agora de noitinha, na mesma rua que caminho há mais de 20 anos, pedras molhadas da chuva, reflexo das luzes dos postes, não pude deixar de notar pequenos brilhos nos paralelepípedos.

Brita, cristais de rocha, lascas de pedras, não sei dizer, nem me interessou. O que me encantou foi perceber a quantidade de brilho que vinha das pedras da rua, como pedrinhas preciosas, pedras que sentem meus pés há tanto tempo, e hoje, somente hoje eu pude ver seu brilho.

Silenciosamente pensei, que é possível mesmo um chão de estrelas. Basta prestar atenção e não deixar o momento passar. 

E respirar......
porque esperar e vigiar, faz parte do processo.

foto: DanielAndrade

sábado, 6 de agosto de 2011

Sem emendas

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Gentefina, eu ia escrever um lance, e percebi que já havia escrito aquilo....fui lá e tinha mesmo, não igualzinho, mas parecidinho. Entonces, reedito com algumas mudanças de percusrso.

Não sou uma pessoa normal, no bom sentido, sou uma diferente. Isso seria bom, se no escopo de ser alguém anormal (no bom sentido), não fosse eu também alguém anormal, no mau sentido.

Sou atrapalhada, obsessiva, emburrada, cismada. Não chego a ouvir vozes, mas pensando bem, nem saberia dizer se as ouço, porque dentro da minha cabeça rola tanta letra, tanto chamado e grito, que nem sei quem mora em mim. Estou ausente de mim, mas estou dentro da minha cabeça. Não sei onde estou, não saberia dizer. Se minha mente me domina, tenho uma alma solta, que vagueia sem dono pelos mares do universo. Fiz de tudo: toquei chocalho, rezei, fiz meditação, rezada, sentada, deitada, mantrada e o escambau….mas minha alma não voltou.

Estou amarrada em mim ao mesmo tempo que não me habito. Tudo isso não seria dito se não me sentisse culpada de ter um blog, de ter seguidores, e de estar assim, tão ausente, como se não desde a mínima. Deus, eu dou as máximas de ter gente me lendo, me ouvindo, porque mesmo sendo gente que nem sei quem é, elas têm o poder de me confortar. Então acho que é verdade que a gente escreve pra se sentir acompanhado….

Mas não era nada disso. Queria dizer que tenho tantas palavras, tantas frases, que nem sei por onde começar, nem sei se começo.

As palavras em português são muito fortes, dão rasteiras no pensador mais anormal. Em inglês, gift é presente, e presente de tempo, é present. Em português, presente, ganhar algo inesperado e único, é igual ao tempo presente. Outra….em inglês, sense, é senso, sentido. E sentir é feeling. Em português, sentir é sentir mesmo, mas ter senso, é fazer sentido. Poxa, não posso sentir o que não tem sentido…. Ave que minha cabeça vai assim, nessas palavras agarradas a sentimentos, desfilando na minha mente o dia todo.

Não sei mais o que é sonho, ou vida sonhada, vivida. Misturo os acontecimentos. Será que sonhei com isso, ou aconteceu? Minha biografia noturna se confunde com minha biografia diurna, soturna……

Não sei, não sei mesmo onde estou indo, onde chegarei, porque estou sendo levada. Pois é, estar sendo levada é estar sendo marota, desobediente…. ai meu Jesus…. quantas palavras significativas. Dava pra ser mais estadão?
Minha avó diria: menina, você tem que se emendar...
Pelamordedeus que passei a vida me emendando e deu nisso (outra palavra) sou uma emenda só, uma constituinte cheia de rabiscos, uma coisa pelo avesso, com nós, pedaços soltos, linhas partidas.... linhas interrompidas. E então a Gal Costa começa a cantar O Linho e a Linha bem agora, tinha que ser bem agora. E eu choro até não poder mais, e me sinto inteira, com alma, corpo e mente...será que terei que ficar chorando pra me sentir inteira? Essa emenda ambulante pode ficar inteira? Será essa a condição que a gente nem supõe que seja a necessária e suficiente? Divagando devagar..... devagar. Devagar uma ova, à velocidade da luz, que parece ser a única velocidade que conheço.

Me sinto alguém que se desculpa com todos, por não ser mais isso ou aquilo, enquanto secretamente quero distância, quero ser quem eu sou, ou melhor, quero poder saber quem sou. Mas são tantas culpas, tanto requisito, quesito, ai, não vou passar nesse concurso. É bilhete corrido. Nunca serei capaz de viver uma vida assim, normal, feliz, despreocupada. São muitas as palavras, muitas as imagens, e eu vejo tudo ao mesmo tempo....embora pareça que estou viajando em algum sonho, com cara de paisagem, tranquila e serena. Tudo mentira. Ou melhor, tudo imagem refletida na cara de quem quer ver o quer ver de mim. Sinceramente, nem eu me vejo, e quero me aventurar a achar o que os outros veem de mim.

Não sei, e aqui devia ter um ponto final, porque não vou dizer mais nada que não tenha já sido dito por mim, por outros, ai, por tanta gente nesse planeta. Talvez em outros também.

Hoje.... hoje eu tinha o firme propósito (dá vontade de rir) de responder aos comentários do blog, responder e.mail das minha amigas queridas.... e no entanto agora, de noite já, estou instalando atualizações no meu micro novo, que nem se justifica, porque não tenho mais tanto trabalho assim. Quando tinha, não podia comprá-lo.

Será tudo mesmo tão desconexo? Será essa a graça da coisa? Alguém poderia me fazer cócegas pra eu dar umas risadas, porque não tô vendo a menor graça?

A gente tem que achar a vida uma graça.
E eu não tenho achado isso, tenho perdido a graça.

Bem, resumindo, acho que queria era dizer isso pra vocês. Ando meio sem graça.

Pena que não acredito mais em nada que mude a nossa vida, tipo religião, seita, trabalho, dinheiro, novo romance, nada disso. Senão me ligava numa dessas tomadas e dava logo um update, mudava o papel de parede da minha mente, minha tela de descanso e o caralho a quatro. Mas não acredito, não consigo, não funciona pra mim.

Só eu posso mudar a minha vida.

E aqui retornamos ao ponto de partida. 
Onde é mesmo que eu estou? 
Qual o meu presente? 
O que faz sentido? 
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fotos - Walkyria Suleiman

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Tem Que, Tem Que, Tem Que

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Conhecem aquela passagem de Bridget Jones, em que ela acorda no domingo e pensa que é a única mulher no mundo que acorda sozinha na cama?
Pois é, eu acordo sozinha, não vejo nenhum problema e este não é o mot deste post, mas é uma dica.

O que realmente é estar fazendo algo, estar dando sentido às nossas vidas, estar participando, seguindo seu destino, realizando sua missão e, outros imperativos que ouvimos de montão desde pequenos?

Porque será que temos que realizar algo? Onde está escrito, onde foi proferida esta maldição? Taqueipariu, como diz o Roberto, que perseguição….

Tenho vontade de fazer nada, nada mesmo, ficar deitada, ouvindo os sons da rua, sentindo a segurança e carinho da casa que criei pra mim. Mas não, isso não pode ser. Tenho que sair, que ir às festas, bares, apresentações, vernissages, e em mais duzentos outros lugares em que as pessoas que estão bem, comumente vão arrastadas pelo imperativo capitalista da diversão.

Ah, e vem gente querendo colocar tristeza e melancolia no meu fazer nada. E o pior, é que eu acredito. Fico contaminada, fico tentando achar a razão de eu não querer ser igual a todo mundo e viver na rua. Fico me culpando, sentindo que estou desperdiçando minha vida.

Tenho que fazer um malabarismo mental, tipo pensar que se eu estivesse lá no Alasca e estivesse acontecendo a maior nevasca, ah, delícia, podia ficar em casa sem que ninguém, inclusive eu mesma, me culpasse de não quere sair de casa. Mas nasci num país tropical, tenho que tomar sol, passear na cidade, andar nos parques, tomar sorvete, malhar, ai que tortura tropical meu Deus.

O duro de tudo isso é que acabamos por acreditar que existe algo de errado na gente. E toca a inventar depressão, solidão, incompreensão, genética e psicanálise.

Perguntas que nunca nos fizemos em sã consciência, assomam nosso palácio de sossego. Querida, você tem que arrumar um namorado, tem que ter algum projeto, tem que se ocupar….. tem que, tem que…. Tem que! Detesto essa formulação que me tolhe, que me reduz a um monte de obrigações e me colocam ao rés do chão, tendo que ser e sentir tudo igual a todo mundo.

Quando vejo gente como a Amy, ou a Janis, gente que tinha uma vocação, um objetivo, gente que fazia algo, se matar assim, deixar a vida, tenho certeza de que o buraco é mais em baixo. E quero que ninguém venha espiar no meu buraco, tentando me ver lá dentro e diagnosticar minha alma.

Tem época da vida, em que precisamos desesperadamente nos ocupar, precisamos sair de casa, queremos nossa própria vida, não temos tempo de pensar em nada a não ser sobreviver. Mas tem épocas também, que podemos parar e pensar sinceramente se fazer algo demanda mesmo tanto esforço e tanta negação.

Me parece que só quem anda por aí, com fogo no rabo, cercada de compromissos e pessoas, está vivendo a vida. Quer dizer, não me parece, parece que é assim.

E eu fico pensando na égua, onde amarrei minha égua, onde foi que eu resolvi acreditar nessas máximas e perdi a ingenuidade do viver. Assim, como uma cachorro que dorme o dia todo, sem se preocupar se vai dormir à noite. Como uma criança que come quando tem fome, sem minhocar se vai ter fome na hora do jantar.

É, deve ter existido um tempo neste mundo, onde as pessoas não eram medidas com essa régua tão castradora e punitiva. Dever ter havido uma naturalidade maior, onde não éramos julgados por atos tão banais como estes, onde nosso jeito de ser não era um item na relação de doenças. Se esse tempo não existiu, ele vai existir, porque não pesamos em nada que não possa ser passível de acontecer. Não, não temos essa imaginação toda, tão solta.

E me sento na minha cama, observando as fotos nas paredes, os objetos do meu viver, as histórias…. Sinto a maciez dos meus lençóis, a ternura do meu travesseiro, ouço a música que vem finnnnnninha, pedindo passagem dentro do dia, que vem de algum tempo desta terra, e queria ficar assim, neste momento suspenso na eternidade, onde apenas sou, onde não faço porra nenhuma. E isso basta!

fotos: Sleep__by_miken2kol4u
e sleep_by_MadzZ
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domingo, 3 de julho de 2011

Os vilões da existência

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Aprendi alguma coisa na minha vida no que diz respeito às pessoas. Elas reclamam muito da solidão e ficam a imaginar outras vidas onde estivessem mais assistidas e amadas. Sem exceção, a solidão é uma lamúria geral, independente do sexo, da idade ou da condição do ser. Mas se você vai falando e mostrando que ela tem gente na vida dela, ela de pronto diz que não, que não era bem isso que ela queria, que não era esse tipo de solidão a que ela se referia. Mas então, que tipo de solidão a pessoa se refere?

Experimente entrar na vida dessa pessoas imaginada aqui. Imagine-se interagindo e você, por experiência própria sabe: vai ter pau. Ah vai, porque apesar das lamúrias, ninguém, mas ninguém mesmo quer ver sua vida esmiuçada, conhecida e sujeita a críticas e conselhos. Basta isso acontecer, entra o outro vilão desse tipo de problema: espaço.

Pronto, começa a reclamação que está sem espaço, que está invadida, que se sente perseguida, que anseia, com toda sua alma, pelo silêncio, privacidade, e porque não dizer, pela solidão.
Ai, vai entender essa raça.

Vejo por mim. Tenho amigos maravilhosos, e nem vou ficar aqui rasgando seda, mas tenho sim. Aí, na boa acordo num sábado, fico com muita vontade de partilhar meu dia e vou pensando, pensando, e não encontro um, mas um só amigo que eu quisesse estar perto. Não é mal agradecimento não…. Me acompanhem num outro pensamento.

Vocês já perceberam a força que tem um comentário ou conselho de um desconhecido? Por outro lado, já notaram a verdadeira tara que temos por conhecer alguém novo, um novo lugar, e por que não dizer, uma nova vida? De preferência, que ninguém soubesse quem somos, de onde viemos e por aí afora.

Percebo também, que chego em casa com um conselho bárbaro, dado por algum desconhecido, e a galera aqui fica em chamas, dizendo que já haviam falado aquilo mil vezes. Se eles têm razão ou não, não vem ao caso, mas eles têm sim. O que conta é que um desconhecido pode falar o que quiser que a gente não fica minhocando, não faz nenhum link, não acha que ele está folgando ou querendo dizer outra coisa. Ou seja, ouvimos o desconhecido com a alma aberta, sem traumas, sem receios de invasão. Afinal, o desconhecido vai desaparecer em questão de minutos, nunca vai te cobrar atitude, nem pesar seu desempenho diante da vida. Ele veio, falou e disse… e se mandou.

Ou seja…. Difícil inferir, viu gente fina…. Mas o que me parece é que estamos presos em nossos mundos, de tal maneira, que nem palpite queremos ouvir, porque algum palpite pode mesmo desmantelar um modo de ser, de pensar, de agir. E, por mais que queiramos alguém, queremos alguém mais pro desconhecido, alguém que a gente não veja como inimigo. Porque a gente vê os mais próximos com o inimigos, concorrentes, ou pior, se acha tudo aquilo da gente, como pode nos amar? Aí tem coisa, ataca logo nossa mente, contaminando num segundo nossa alma, chegando em forma de grande dor em nosso coração.

Me olho sinceramente e vejo, como o desconhecido me agrada, principalmente porque eu o vejo com simplicidade, confiante, sem medo, não porque eu seja uma santa, uma evoluída. Não, o vejo assim simplesmente porque ele não me conhece e, portanto, não tem nada escondido no discurso dele. Porque eu, na doença suprema dessa raça, vejo sombras, indiretas, perigos e outros bichos mais, no discurso daquele que supostamente eu amo. Vou dizer gentefina, que raio de amor é esse heim?

Por essas e outras, quando acordo num dia como esse, sabadão, sol, prezo minha solidão, mas queria alguém. Ah, já sabem, alguém assim, uma miragem, quase um espelho.

Mas tudo isso fica pior quando pensamos que o que pensamos, está condicionado à nossa experiência, ao nosso conhecimento. Lógico, vocês dizem. É! O que não é lógico é que pensamos em círculo, queremos um pensamento novo, dentro um saco de pensamento viciado. É aí que precisamos das pessoas….. e seus pensamentos novos, diferentes, nem precisam ser os mais corretos…não. Mas ele dão pano pra manga, nossa mente vai lá checar, se alonga, faz espacate, pirueta….

Porém, se não conseguimos ouvir o outro sem essa peneira deprimente dos nosso traumas, fica tudo mais asfixiante, e a gente vem com essa conversa de que queríamos alguém novo. O chato é que esse alguém novo vai se tornar velho, questão de tempo apenas. E toca reclamar da solidão, pra depois reclamar da invasão.

Tô enrolando né? Tô mesmo…. Porque isso tudo é muito do triste. Vejo essa verdade(por enquanto é verdade ainda) assim, na minha cara, o tempo todo, e estou paralisada.

Não me perco de mim, e não me encontro em nada nem ninguém.

Crise de GPS interior….. ou vai saber…. Ou sei lá…. Ou porra nenhuma.

domingo, 26 de junho de 2011

Como assim? Fui reconhecida?

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Domingo, 6 horas da tarde, tava eu lá no super, camiseta de pijama, DonnaKaran, véia e preta, bota sem meia, calça jeans, casaco preto, óculos escuros pra não ver mais do que o necessário, passando no caixa. A menina era bem qualquer coisa. Eu, formal, sim, por favor, obrigada, daria, ..... ela uma anta. 

O cara atrás de mim começa a cantar, bem pelo menos não está irritado com minha meticulozidade de embalar cada coisa em seu lugar.

Pago e coisa e tal e cadê meu cartão? Por favor, você não me deu o cartão. Deu nada, eu não tenho certeza de nada mais, porém você nem me deu o cartão. Olha aqui na carteira, nada, tá vendo? Será que essa esteirinha não andou? Como você tem certeza que não? 

O cara, o cantante olha pra mim, eu acho que andou sim, parece que vi algo. Viu, ele acha.....daria pra você abrir o compartimento da esteira? Olha lá...olha o meu cartão... , pode por a mãozinha, pega meu cartão. Obrigada... não pra você, fofa, pra você moço, que acreditou em mim.

Você é a Walkyria? Pronto, alguém do Paes Leme, ou da Usp, ou aqueles obscuros amigos das minha irmãs que adoravam frequentar a casa dos meus pais. Sim, sou eu. Suleiman? Isso, eu mesma. Você me conhece?  

Eu sigo o teu blog!

Ah gentefina, a jeca aqui não conseguiu dizer nada de bom. Ave timidez, falta de jeito, medo dos humanos, vai saber.....


Ok Placco, obrigada por me reconhecer....ave, que agadecimento mais tosco. Eu podia ter perguntado algo, dito outros tantos, mas sei lá, sou assim quando não conheço a pessoa. Depois que conheço melhor, o ser tem saudade do tempo em que eu falava pouco.


Enfim, fiquei pensando... estarei famosa, carne de vaca, arroz de festa, ou apenas uma coincidência?

Vai saber gentefina, vai saber.... a gente sempre quer saber o que significam os aconteciomentos da vida. E no fim, é isso, a vida simplesmente acontece. E nem tchum pra gente.

sábado, 18 de junho de 2011

Fadas, Travoltas e amigas do coração

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Vocês se lembram da Julia Margarido, aquela amiga que mora em Floripa, que eu fui passar uns dias e depois postei aqui os tesouros da casa dela? Foi no post  as sereias da Juju, e no da Lolita, a cachorra que nos ensina a dar as costas pras fatalidades da vida.... Se você não leu ainda, vai lá, pense que é um post que vale por três.....rsssrsr.

Bem, mas o que quero contar, é que ano passado, a Juju me mandou pelo coreio, uma caixa cheinha de presentes, um mais mimoso que o outro. Veio ainda uma cartinha reforçando nosso amor de 40 anos.

Junto com tudo, muito das faceiras e atrevidas, vieram 6 fadinhas. Juro gentefina, juro. Essas fadinhas a Juju me enviou, dizendo pra distribui-las pelas plantas. Hai, que começou um processo aqui em casa.

Coloquei em tudo que foi planta, estante, móbile, altar e nada, nada das fadinhas sorrirem. Ficavam com aquela carinha de boneca de plástico, que quem tem a menor noção de fada sabe, ah sabe muito bem, que elas estão putas da vida. E então, não se impressione quando as coisas começaream  a se perder na sua casa, ou a mudarem de lugar sem explicação. Nem se chateie se as flores não florirem mais, ou se florirem, minguarem no espaço de uma dia. Nada disso, mãos à obra com as fadinhas e deixe que elas decidam onde querem ficar.

E assim, obedientemente, fui colocando as meninas, cada dia num  lugar até que....tcharam! Elas acharam o seu lugar.

Vou mandar aqui a foto da mais danada delas, que como não podia deixar de ser, foi a Sininho. Ela ficou tão feliz com seu lugar de destaque, em cima da geladeira e ao lado do Victor, o pinguim tropical, que cismou a dançar. Gentefina, fala sério se ela não está dando uma de Travolta, nos Embalos de Sábado à Noite?













Era isso: minha amiga adorada, caixas que chegam pelo correio enchendo de mistério a nossa vida, e fadas..... o que queria contar pra vocês no dia de hoje. Com carinho sempre.







quinta-feira, 2 de junho de 2011

Os Homens Que não Amavam as Mulheres

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Sei que se trata do nome de um livro, que por sinal li na sua primeira edição, há 4 anos. Assim que dei com este título, naqueles passeios por livrarias, pra ser encontrada por algum livro, parei no título, e ele me ganhou. Devo dizer que adorei a trilogia, porque gosto mesmo de mistério policial, de romance e de tudo que for coisa que retrate o ser humano sem muita filosofia.

Comprei o livro e desde então, viajo neste significado: Os Homens que não amavam as mulheres....

Tudo começou com o Criador, que fez o homem à sua imagem e semelhança, ou seja, macho, prepotente, onisciente, autoritário, desconfiado, cheio de regras e afeito a uma ameaça. E então, tendo em vista que o homem sozinho não deu samba, criou uma companheira, que já de cara, não era a imagem e semelhança de Deus.

Podia ter sido criada dos olhos de Adão, que ao abri-los, desfrutou aquela beleza toda que imaginamos ao ler o Gênesis, e que até hoje nos maravilha. Ou quem sabe, podia ter sido criada a partir de um sonho, ou pensamento de Adão. Seja como for, e na preguiça de especular muito uma história que estamos carecas de conhecer, vou logo dizer o que aconteceu. A pobre da Eva foi criada de uma costela de Adão, parte anatômica completamente insignificante em termos ósseos, pra não dizer em termos gerais. Vamos combinar que uma costela não é um rim ou um fígado, órgãos de indizível necessidade e prestígio em todas as medicinas.
Costela, gentenfina, só tem algum atrativo se for de porco ou de vaca, e mesmo assim apenas pra parcela carnívora da humanidade.

Posso concluir, não por este fato, mas por todos os outros fatos que aconteceriam de “fato”com as filhas de Eva, que o primeiro a não amar as mulheres, foi mesmo o Criador. Depois, com minha pouca cultura posso dizer que esse desmerecimento chegou a seu auge na Grécia Antiga, quando de Sócrates a qualquer gregozinho de merda, achava as mulheres seres inferiores, que não serviam nem pra uma transa rápida ou um sexo oral descompromissado, porque entre os homens era mais harmonioso conviver, inclusive sexualmente - coisa que não tinha nada a ver com viadagem, coisa que seria totalmente aceitável por essa que vos escreve.

Não, gentefina, tinha a ver com discriminação, mesmo que os homens ao longo da história, tenham feito algumas concessões e outros favores às mulheres, o desprezo e falta de amor às coitadinhas, floresceu impunemente nessa terra de Deus, que por sinal, foi o primeiro a não amar as mulheres, como vimos acima. O tempo foi passando, mulheres de todas as raças, credos e cruz credos, viveram à margem das sociedades tão bem desorganizadas dos filhos de Adão.

Vai século, entra século, permite-se isso ou aquilo, sempre atrelado a algum tipo de interesse de alguns homens que queriam ser amados ou que queriam se eleitos. Ou que, simplesmente, queriam um novo mercado consumidor. Porque se neguinho amasse as mulheres, dava logo tudo de baciada e pronto! Não se fala mais nisso. Mas não, dá-se apenas o necessário para aquela manobra, seja política, seja ecumênica, seja de cama mesa e banho.

E assim, em pleno século XXI, as mulheres ainda são subjugadas, não podem participar de política, não podem se vestir do jeito que querem, nem podem ter equiparação salarial. E quando uma dessas fulaninhas, por obra do acaso, porque sempre é obra do acaso, consegue ascender ao poder, de duas uma: ou é puta, ou é sapata. Diferente dizer: mulher solteira, ou divorciada, ou amante dos prazeres da vida, como todo macho que se preza.

Minha avó me dizia: filha, você tem que ser uma menina prestimosa. Se alguém encontra um homem com a roupa mal passada, barras e botões despregado, logo dizem – ah, pobre, a mãe e/ou a esposa, são muito incompetentes. Mas filha, se você aparecer assim, como esse homens, sem esmero, vão dizer que você é porca e desmazelada.

É vovó, eu achava que você exagerava, lógico, nos anos 70, em que as mulheres se engajavam em lutas sociais, publicavam livros e podiam até se amasiarem (como você diria), as coisas não eram bem assim. Ah vovó.... como você tinha razão.

Nem vou entrar no detalhe que minha duas primeiras filhas eram ilegítimas na certidão de nascimento, até lei posterior. Não deixa pra lá. Vou entrar em outro detalhe.

Um dia, um amigo estava inconsolável. A esposa havia saído de casa pra ser repórter da National Geographic. Eles estavam com alguns problemas, mas jamais imaginou-se que ela o deixaria. Ele estava acabado, chorando e, a gente ali, querendo ajudar naquele vale de sofrimento que é uma separação. Sei dizer, que numa hora qualquer ele disse entre ranhos e lágrimas: uma coisa tem de bom nesta história. Não vou mais precisar aguentar calcinha secando no box do banheiro.
Ah gentefina...... foi uma facada. Sabe, não era a primeira vez que eu ouvia isso. Mas ouvir isso de um moribundo de amor? Um moribundo culto, formado na Sorbonne, libertário e humanista?

E fui seguindo ouvindo os machos alegarem que mulher não sabe o que quer, que mulher bem comida fica mais calma, que mulher quer mesmo é fazer concorrência com as amigas, que mulher é burra, é fútil, é manobrável, vista sua incapacidade de ser lógica. Que mulher é emocional, que não se pode confiar na decisão das mulheres, que mulher é interesseira...... que mulher é um problema, que mulher enfim, é um erro da natureza.

Eu tive a sorte de conhecer alguns homens que amavam as mulheres, que foram incapazes de colocar a mulher nesse nível: Bisca, galinha, vaca, embucetada, e outros menos cotados. Homens que gostavam quando uma mulher procurava seu desejo, seu caminho, seu saber. Homens que não se sentiam capados pela eficiência de sua companheira. Homens que não se sentiam impotentes diante de mulheres agressivas sexualmente.

Podia relatar algumas confissões aqui, mas seria desleal com as mulheres que conheci. Mas elejo essa confissão, como um quadro da baixa estima feminina. Uma mulher me disse, que não admitia sexo oral nela, fique isso bem entendido. Ela fazia no parceiro, mas não queria para si. Eu, que acho sexo oral muito do bom, fiquei forçando uma justificativa coerente. Finalmente ela disse que não acreditava que algum homem pudesse realmente gostar de fazer sexo oral numa mulher. Fala gentefina, cansei de ouvir, desde o tempo em que nem sabia o que era isso, que mulher fedia feito bacalhau. Desculpe, mas fala sério, vocês ouviram também, ou falaram isso algum dia. E então uma menininha, que nem sabia do que se estava falando, guardou isso dentro da caixinha do desconhecido cruel.

E assim são criados tantos homens que pensam que satisfazem suas parceiras, enquanto as mulheres seguem fingindo. Desculpa gentefina, mas fingem mesmo. Homens que gostam de serem enganados, porque quando dão de cara com um mulher que diz que gosta assim ou assado, que não goza assim ou assado, de duas uma: ou é abandonada sumariamente, ou é considerada frígida.

E as mulheres inventaram TPM, dor de cabeça, indisposição e quarentena, só pra se livrarem dos homens. Porque gentefina, um homem dá muito trabalho. Ele quer comer, quer transar, quer sair e ficar, ver TV e conversar, quer atenção constante e qualificada, não necessariamente nessa ordem, e isso tudo o tempo todo. Não interessa se você está triste, cansada ou com problemas: nada que um bom sexo não resolva, essa é a cabeça da maioria dos homens.

Sou da opinião que o casamento perfeito tinha que ser poligâmico. Um homem e três mulheres, para dar um folga pras coitadinhas. Cada dia uma aguentava o cara, a que estivesse mais descansada. Aquela que não trabalhou o dia todo e ainda fez o jantar e cuidou dos filhos. Ou aquela que teve alguma melancolia, e quer um pouco de resguardo, de intimidade com ela mesma. Ou aquela que passou o dia em casa com crianças querendo e precisando disso e daquilo. Pensando bem, 5 mulheres.

Eventualmente frequento um lugar que tem galinheiro, e fico sabendo do comportamento dessa espécie. O galo fica lá, só protegendo, atento aos perigos do entorno. Vez ou outra quer se satisfazer, isso se a galinha assim o permitir. Mas de modo algum, ele interfere na vida da galinha. Penso que eu queria um homem assim, um galo, que me deixasse ciscar à vontade, achar meu caminho, meu lugar, minhas preferências, mas que continuasse ali, na presença, que é na verdade o que mais vale para mim: a presença. Mas essa é outra história. E eu não sou galinha nem nada.

Eu sei, gentefina, que conheci muito homem na minha vida. De analfabetos a doutores, passando pelos idealistas, utópicos e humanistas. Posso dizer que todos são iguais. Tudo farinha do mesmo saco. Ter nascido homens, faz deles algo de superior.

Mas também conheci homens que eram incapazes de usar esse tipo de lugar comum ao se referirem ao outro sexo. Talvez esses homens tivessem dentro de si, um sentimento mais delineado e puro do amor, do amor fraterno. Homens que não precisavam de religião ou filosofia barata ou cara, pra enquadrar as mulheres no quesito fraternidade.

E então, hoje o mundo masculino tem essa divisão de águas para mim. Os homens que amam as mulheres, e os homens que não amam as mulheres. Vou dizer que canudo, seita, cosmovisão ou o raio que o parta, não ajuda nada pra separar essas águas.

Como aliás, tudo que separa águas nessa vida tem a ver com amor, é mesmo o amor o quesito necessário e suficiente para gerar no homem a coragem e capacidade de abandonar esses dogmas e essa posição superior que ele ganha logo ao nascer.

Claro que tenho criticas às mulheres, como tenho dos homens. Mas esse sentimento arraigado que tanto um como o outro carrega tão avassaladoramente, me magoa, me entristece e me desconserta. Não consigo ver um caminho para o verdadeiro amor conjugal sem que tudo isso seja varrido dos corações humanos.

Vou dizer, gentefina, eu que sempre fui um bicho duro na queda, livre financeiramente, que estou há 3 anos da aposentadoria por tempo de serviço, que nunca me casei, que tive os filhos que quis, que dei pra quem e quantos quis, que fui um homem, por assim dizer..... vou dizer gentefina, que até hoje, com todos os calos que tenho, me dói quando tenho a infelicidade de ouvir homens falando de mulheres.

Nessa hora, penso que não tem jeito essa raça. O lance é acabar mesmo, tsunami, terremoto, peste, praga ou extra terrestres e começar de novo. Ou nunca mais!


domingo, 8 de maio de 2011

Carta a uma desaparecida

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vele a pena reeditar, porque não perco tempo de escrever de novo, a mesma coisa que ainda penso. E foi niver da mamis dia 25, de novo, todo ano é isso!
Oi mamis, tudo bem com você? Resolvi romper nosso silêncio e te escrevo, já que você se foi, assim, sem mais nem menos, sem nenhuma explicação, simplesmente desapareceu da face da terra, e o que foi pior ainda, nunca mandou notícias.
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No começo foi normal, sabia que seria difícil a comunicação, mas com o passar do tempo, a saudade não diminuiu, como todo mundo falava pra mim que aconteceria. Não! Ao contrário, a saudade virou revolta e a revolta virou raiva. Eu pensava com meus botões e zíperes, que a senhora não ia querer usar métodos tradicionais pra nossa comunicação, tipo uma aparição, ou me assustar no meio da noite como um fantasma. Não! A senhora não gostava desse lance de espíritos, e, por outro lado, nunca foi santa, pra dar uma de aparecida.
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Mas tenha dó mãe, com tanta tecnologia, e.mail, telefone, celular, blogs, sites, uma reles carta, tenha dó mãe, nada, mas nadica de nada da senhora dar as caras.
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Então te escrevo hoje, que faz dois anos que a senhora se foi deste mundo, ou desta para melhor, supondo-se que exista algo melhor do que a vida. Imagino, que a exemplo da terra, o pessoal está comemorando seus dois aninhos de céu.
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Ah!, deve estar uma festa porque, se há algo que a senhora gostava era de festa e bate-papo. E imagino que, aos dois anos, a senhora já tenha se iniciado nos mistérios da eternidade e entendido muita coisa que antes não entendia.
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Ou será que é como fazer uma viagem pela primeira vez? Tipo que a gente volta empolgada por ter ido a lugares novos e sai contando dos roteiros e passeios e vem alguém e pergunta “massss, você foi no tal lugar assim assado?”, e a gente fica estarrecida por ter perdido aquela dica. E vai percebendo quanto ainda havia pra descobrir, que em uma única viagem não pudemos conhecer. Então a gente quer volta lá, ah quer sim, e fazer coisas que não fizemos da primeira vez. Nós, os eternos marinheiros de primeira viagem….
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Então, sei lá, talvez não exista mesmo um fim pra descobrir, nem uma iniciação cem por cento garantida.
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Quem sabe seja por essa razão que reencarnamos, que queremos voltar pra terra, quer dizer, se é que existe reencarnação né, porque aqui na terra, a senhora sabe, é um diz-que-diz mas ninguém sabe é de nada.
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E sabe do quê mais? Conversando assim com a senhora, acho que aí no céu, também ninguém sabe de nada. Senão… pra que voltar…. ou pra que nascer….. se todo mundo sabe de tudo… pra que né?
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Bem mamis, então, feliz aniversário, muita paz, contentamento e plenitude, é o que desejo pra senhora, que teve uma vida tão intensa, nas alegrias e nas tristezas.
E nada de choro heim!, porque espírito não chora!, dizem!
foto: closed for eternity by ajss

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sábado, 7 de maio de 2011

Detesto dia das mães

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Quem acompanha esse céu, sabe que adoro as festas de mudança de estação. Primavera na Páscoa, São João no inverno, São Micael no outono e Natal no verão. Mas detesto dia das mães.

Quando pequena, era um dia que eu fazia uma baboseira qualquer na escola e dava pra minha mãe, que acumulou desenhos, porta-retratos, colares de macarrão, pulseiras de pedras falsas, vindos de suas quatro filhas, em quatro diferentes escolas.

Depois, com 21 anos, eu já tinha duas filhas. Vou dizer gentefina, não foi fácil ser mãe solteira e concubina nos anos 70. Nem batizadas minhas filhas puderam ser. Oquei, minha mãe deu um jeitinho e batizamos as meninas em casa mesmo.

Por alguns anos, por conta de brigas familiares, não passei o dia das mães com a mamis, e quis que minhas filhas não dessem importância para essa data, já que pra mim era uma data triste. Elas ensaiavam bolos de neston com azeitona – juro -, faixas, músicas, mas sabe, era uma bagunça e eu não sabia o que sentir.

Depois, feitas as pazes familiares (pois se há uma coisa que deve ser economizada, é briga familiar, pois a gente acaba fazendo as pazes mas com mágoas profundas no coração - assim, sugiro não brigar, é mais cômodo gentefina) e de enfim retornar às boas com a família, era um pega pra capar. Uma não podia almoçar, o outro só podia na hora do almoço. Um queria uma pizza no final da tarde porque tinha compromisso à noite. O outro queria um jantar porque chegaria de viagem tarde. Minha mãe não queria era nada, porque estava doente, dava folga pra cozinheira, era um embaço. E a Mamis, nem sabia onde era a cozinha da nossa casa. Meu pai não queria jantar nem almoçar fora, pra não morrer com uma nota preta com suas 4 filhas, genros, netos e agregados.
Deu pra sentir o clima?

Eu sempre estava disponível, menos por santidade do que por organização. Ciente dos embaços que os seres humanos podem criar, ficava no aguardo e no comando de uma verdadeira guerra de vaidades, quem, onde, quando….um saco. A fortaleza era a casa da minha mãe. Não era dia das mães, era dia da avó.

Presentes, minha mãe tinha o péssimo hábito de reclamar de todos ”isso eu não uso, isso acho o fim você me dar, não acredito que você me deu isso, olha, pode levar de volta”. No quesito presente, sempre me dei bem. Eu escrevia cartas, que ela adorava. Na ocasião de sua morte, não encontrei nenhuma….. mas tenho a maioria gravada em meu disco, senão o rígido, o mole mesmo, do coração.

Aí a véia more, desintegra a família, outra leva de brigas….. acabou o dia das mães. Minhas filhas, criadas no “faça como você quiser que eu não sou o DOICOD", nunca ligaram para datas. Nenhuma, na verdade. Meu filho Daniel, liga, me fez muito agrado já e muita cartinha, mas tá ficando homem, é diferente, e se vê no meio dessa mulherada toda. Sendo de temperamento distante e pacífico, pra não dizer ausente, fica na dele, aguardando os acontecimentos. Iniciativa? essa qualidade passou longe da minha casa.

Enfim, no mais profundo recanto das minhas ilusões, espero um dia das mães, onde os filhos surpreendam, onde os filhos façam algo pras mães. Um almoço, uma apresentação, um café da manhã na cama - eu que bebo café preto e um simples pão francês - uma carta….. gentefina, sou humana, sangro, não posso negar.

Dia desses assisti ao seriado The Middle. Muito bom. Teve o episódio do dia das mães, hilário. No dia dos pais, tudo dava certo, claro, a mãe supervisionava o café da manhã, o presente, os afazeres dos filhos, tudo mesmo. No dia das mães, era aquela bagunça na cozinha, que ela iria limpar, óbvio. Acordavam a pobre antes da hora, com um café da manhã asqueroso e,  presente.... bem, o pai havia esquecido e comprava qualquer utilitário doméstico de última hora. No caso, uma bolsa inflável para escalda-pés. Me senti melhor, mais acompanhda nessa sina. Mas gentefina, não abrandou minha raiva do dia das mães.

Finalizando a ladainha, vai a foto do santinho da mamis….. e mais, onde quer que você esteja mamis, porque notícias você não manda mesmo, saiba que te amo, e que agradeço por tudo que você me deu. Sei que foi o seu melhor. E…..surpresa! Me ajuda muito ser como sou. De verdade mamis, não me trocaria por ninguém.
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sábado, 9 de abril de 2011

Verdades, livre arbítrio e liberdade

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Gentefina, quem me conhece sabe que vivo pra dizer a verdade. Mas que verdade é essa? A minha verdade, lógico. Aquela que capturo com meu olhar, com meu modo de ver o mundo, aquela que é apenas(mente) minha. Quem acha que existe uma só verdade, por favor, desempata a Net e pára djá de ler este post.

A Betina, minha irmã espiritual, foi ver sua cartomante de fé e ela disse: essa sua amiga é assim, nasceu pra quebrar regras. Quer ver ela desenfreada, diga pra ela - Walkyria, ISSO não pode!

Gentefina, dá pra perceber que eu sou uma filha da……




Eva!.... gentefina, olha o nível. 
Explico:
Tô na boa, tranquila, e se de repente, me dizem que algo não pode, eu quero desesperadamente o lance. Não é correto, eu vou me certificar. Não é justo, eu quero ouvir as duas partes. Não pode tocar? Eu dou um jeito de levar um tombo e encostar o dedinho na escultura.
Enfim, sou uma pedra no sapato alheio, mesmo. Mas também, quem mandou se aproximar de mim?

Oquei, depois dessa breve e concisa explicação sobre minha própria e única pessoa, volto à verdade.

Ninguém, mas ninguém mesmo nesse mundo, gosta de ouvir a verdade. Um dia, meu amado filho Daniel, faz uns 10 anos isso, me disse, enquanto eu estava descabelada com as atitudes de outrem. “Mãe, se as pessoas tivessem que ouvir a verdade, o anjo da guarda conversaria com elas”.
Ele matou a charada. O anjo fica lá, vê tudo, compartilha seus momentos, vê suas cagadas de camarote, aguenta seus rompantes mas em nenhum instante ele diz "corta, sái da cena, assim não vai rolar". Sabe por que, gentefina? Porque Deus inventou o lance do livre arbítrio.



Ah, mas fala sério…quem gosta do livre arbítrio?
Ninguém! Ninguém mesmo.

As pessoa gostam de regras, de rotina, de leis, de mandamentos, de normas. Precisam do Centro Espírita, da Pró Vida, da Santa Igreja Católica, dos Sutras, da filosofia, da metafísica, da ciência e por aí afora, porque se há algo que o ser humano gosta é citacão. O cara vem, diz a fonte e a plateia reponde aparvalhada: OHHHH!

Afinal, é muito mais fácil decidir em cima de regras, do que usar a liberdade, essa coisa infinita, mutável, desestabilizante e sui generis, que enche o saco, que se alimenta do presente, que pode ser e não ser, que só tem portas de entrada. Aliás, a bem da verdade, nem tem portas porque nunca se configura como uma construção acabada. Coisa que a gente sempre tem a ilusão de ter parido: uma verdade absoluta.

Dito isso, temos que entender de uma vez por todas que, uma coisa é a verdade de cada um. Assim, por exemplo, tem gente que cultua Hitler, Charles Mason,  Pinochet, Jesus, Buda, tem gente pra tudo neste mundo livre, capitalista e democrático. E no mundo oriental também. Sorry amantes do oriente! Isto faz parte da verdade pessoal, aquela baciada de conceitos e regras que sustentam os mortais que detestam a liberdade e o livre pensar.

Outra coisa é a realidade.

 

Poxa, não aguento mais ouvir dizer que tenho que aceitar a realidade. Quem disse? Onde está escrito? Quem é esse nego pra me dizer isso? Quero ser uma revoltada. Não vou aceitar a realidade, não mesmo. Quero mudar tudo, quero fazer da minha vida o que eu quiser e phoda-se a realidade. Não  serei uma marionete, um boneco, uma ameba na mão da realidade. Tudo menos me submeter à realidade da vida. Esse tipo de pensamento é um defeito de educação, não é defeito de fábrica. Deus, fez a gente com livre arbítrio, haja vista seu filho único que optou por morrer na cruz do que assumir o trono falido dos Judeus. Ele não era bobo nem nada.

O rei dos Judeus está pra nascer ainda, enquanto Jesus, bem…. Dá licença gentefina, eu também tenho meus ídolos.

Bem, tô na famosa enrolação de minha mente livre e pensante. O que queria dizer é que não temos que aceitar a realidade. Em última análise, existe sempre a possibilidade de suícidio.

Definitivamente eu detesto regras, vou quebrar tudo mesmo. Vou continuar a dizer a minha verdade e a admitir - sem muita convicção, devo confessar -  que existam outras verdades. Vou fazer das tripas coração pra aceitar que existam outras verdades que não as minhas. Porque sei, de papel passado, lá nos confins da eternidade, que não existe felicidade que não seja compartilhada. E que todo pensamento inteligente é uma citação….né Millor Frenandes, inclusive esta.

Porém, que fique DEFINITIVAMENTE entendido: verdades de gente submissa, escrava, ciumenta da minha liberdade, gente sã, porque quem não enfrenta a vida está sempre sadio, sem tensão interna, pão e circo e rede globo.… ah não…isso não vou aceitar. Quero que essas pessoas fiquem muito bem. Bem longe de mim.
Sabe por que? Porque eu faço a minha realidade (tentando gentefina).
Eu escolho o mundo em que vivo.
Eu sou o eu sou.
E dá-lhe Moisés incrédulo pra convencer a galera ao pé da montanha!

Quero mais é que se phodam! Ser boazinha e ter compaixão, é mais um dos mitos da vida. Tô fora de compartilhar paixões que não neguem a realidade. Minha vida é muito rara, e quero escolher onde vou colocar minha paixão, pra que ela se torne COM paixão.

Afinal, tem que ter muito cacife interior pra levar meu voto de confiança. Tem que ser vivo, e não simplesmente estar vivo, como um nabo ou uma jaca!
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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Caetaneando um mantra

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É uma lástima ter que repetir este post todo ano... reedito porque, diante dessa polêmica do Dê PUTADO, que não vou sujar meu blog com o nome, o problema não é o cara, mas o meio ambiente, a educação que se recebe.

Imagina gentefina a educação que ele recebeu e que deu a seus filhos, que segundo ele, é tudo macho. Então..... vamos pensar na gente, no que fazemos pra manter ativas pessoas como o Dê PUTADO.

E dedico este post aos machos da minha família, que são MUITOS!!!!!, e que fazem da minha vida uma inferno!


De uma música do Caetano Veloso, fiz um mantra que repito a todo momento. Escrevo agora sobre isso, não para alguém em particular, mas pra mim, pra você, nós, tu e eles também.

Ficam de fora, não são mencionados nem de forma implícita, os governantes, líderes mundiais, presidentes, papas, lamas, e sumos seja lá o que for, enfim qualquer um que tenha algum tipo de poder constitucional nas mãos.

Ou seja, é pra gente mesmo e pra torcida de todos os clubes desse planeta. O que eu quero dizer, é que está na hora da gente vestir a carapuça, deixar de cobrar dos governantes e políticos, deixar de se referir à raça humana como “a humanidade”, de modo que até parece, que a gente aqui, não faz parte dessa tropa.

Era isso, preciso explicar gentefina, porque o que eu vejo e sinto, nem sempre é tão global como algumas pessoas sentem e vêem. Eu costumo ver e sentir tudo, sempre com relação a mim mesma. Eu me acho parte do povo, da pova e da humanidade. Vejo meu umbigo refletido no universo.

Egoísmo? Egocentrismo? Qualquer nome, qualquer nota, é apenas questão de semântica, ou uma questão romântica.
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Qualquer poder é poder. Do pai sobre o filho, do patrão sobre o empregado, do sargento sobre o soldado, do apaixonado sobre a apaixonada, do maior sobre menor, do homem sobre o animal, do bonito sobre o feio, do inteligente sobre o burro e do ignorante sobre o visionário e, vice-versa.

Todos nós, por menores que sejamos, exercemos nosso poder sobre alguém ou algo. E nesse exercício, ainda que inconscientemente, nos vingamos de todo e qualquer poder que tenhamos suportado.

Todo homem tem poder, isso é um fato.
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Matar de fome é o que fazemos, privando as pessoas que nos cercam, da verdade, do carinho, da confiança, da nossa reflexão sobre nossos pensamentos e atos.

Fácil falar de humanidade enquanto em casa não nos damos bem com os pais, ou ignorando os nossos idosos, ou ainda, alimentando nossas crianças com fast-food, congelados e microondados, por pura preguiça e “falta de tempo”.

Se mata de fome um filho encurralado entre um televisor, o computador e um vídeo-game.

Se mata de fome com salários insuficientes a nossa faxineira, mas fazer o quê né, esse é o salário mínimo vigente, não podemos resolver o problema do mundo, mas podemos ajudar a matar de fome alguém perto da gente.

Se mata de raiva alguém que agredimos com nossa soberba, egoísmo e desinteresse. Se mata de raiva aquele a quem menosprezamos com nossa inteligência, nossa língua ferina e poder de percepção e persuasão. Sim, matamos de raiva muita gente ao longo dos nossos dias. Cada palavra de desdém e desamor, mata de raiva um pouco mais qualquer ser humano que se preze.

Se mata de sede, sede de viver, de amar, de partilhar, todos aqueles a quem excluímos de nossas vidas, todos aqueles a quem gozamos, que fazemos chacota, piadas, ou simplesmente ignoramos, fechados em nossas torres de prepotência e superioridade.
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Gestos naturais, porque eles são cotidianamente repetidos em nosso viver, e a gente nem se dá conta mais de todo mal que podemos espalhar, ainda que altamente críticos em relação “à humanidade” em geral.

Estamos engessados, auto-perdoados diante da impotência que o próprio poder nos incute. E nós, carneiros espertos, aceitamos essa impotência e transferimos a responsabilidade para nossos governantes.

Transferimos também, no melhor estilo “tirar o cu da seringa” a responsabilidade de nosso temperamento, personalidade e fracassos, aos pobres coitados - a saber, os pais - que nos criaram.

Tem gente mais ecelética, que apela pra época cultural, situação financeira, genética, ou pra seleção natural. Mas, raramente assumimos, que nossas decisões foram de nossa mais pura escolha e alçada.
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Sim, porque o meu cantar é um cantar vagabundo, eu não sou ninguém, a não ser mais um ser humano responsável por meus atos e omissões.

Por mais que isso me doa, vou reconhecendo
que fi-lo porque qui-lo com minha vida, e não há, em todo universo, alguém que possa ser culpado por meus enganos, desenganos e ilusões. Quem dirá culpar alguém pelo destino do planeta, eu, que malemá controlo minha língua.

Vagabundo, porque o meu cantar pode ser cantado em qualquer lugar, não precisa de uma bancada, remuneração, palanque ou microfone.

Esse é o cantar mais raro, mais puro e vagabundo que Deus colocou sobre a terra.
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Porque tem muita gente que morreu velando pela alegria do mundo. Tem gente que se dedica 24 horas por dia, 365 dias por ano, a rezar, meditar e velar, silenciosamente, pela alegria do mundo, ou seja, a minha, a tua, a nossa alegria.

Sim, quero me aproximar dessa gente, porque é com essa gente que quero partilhar meus dias, minhas alegrias e minhas dores.

É com essa gente anônima que se encara, que tem tesão em olhar seus sentimentos e que genuinamente
está viva que quero humildemente estar perto.

Porque, veja bem, que seria de mim sem essas pessoas? Pessoas que dedicam suas vidas a simplesmente ser e não a ter, vencer, chegar, ganhar.
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Fundo, porque apenas no coração dos homens é possível a verdadeira mudança que nos libertará a todos.

Fundo, porque não são leis, atos, constituições, jurisdições ou declarações globais que acordarão o homem pra vida realmente vivida.
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Tais como eu, como você, simples mortais.
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sábado, 26 de março de 2011

Adoro minhas tatuagens!


Quando, literalmente fiz minha primeira tatuagem, fiz nos tornozelos porque era proibido se tatuar antes dos 18 anos. Fiz com Nanquim e compasso. Ficava escondidinha na meia 3/4 escolar que eu usava. Aos 18 anos fiz um Yang Yin na mão, discreto, mas bonito, inspirado no livro "Os Jogadores de Zan", Editora Europa. 

Depois, aos 26 anos, fiz um pégasus unicorniano. Sei que, de madrugada, acordava apavorada. Ia correndo olhar no espelho, ver se meu cavalinho estava lá ainda. Eu pensava, e ainda penso, que minha estrela, meu signozinho, meu cavalinho e o tao, nunca me abandonariam nesta vida. E sabe gentefina, eles estão firmes na minha pele. Carne da minha carne. Sei que tenho algo que nunca vai me abandonar! e isso conta muito, para mim.

Há alguns anos, lá no Guarujá, minha mãe na cadeira de rodas, fomos a um tatuador. Ele amou minha mãe, e refez a tatuagem do cavalinho, sem cobrar, porque ele reconheceu o traço do tatuador, muito antigo, pra não dizer velho, o Fred. Ele fotografou, delirou, era como ver um Rafael da tatoo.

Mas vai dai que, fiz uma nova tatuagem que ele ficou impressionado e feliz da vida de ser o grande criador do lance: duas asinhas nos pés. Ele desenhou e pintou e eu fiquei assim, leve, viajante, itinerante e conversadeira como Mercúrio. Cuidado gentefina com aquilo que vocês tatuam em suas peles.

Mas enfim, a Catharina, durante as fimagens do filme Velar, tirou uma foto do meu dom de voar.
Tá aí......

terça-feira, 22 de março de 2011

Depois da Cena

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Gentefina, essa é a foto oficial, da Mariana Teixeira, fotógrafa do SET.
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E esta foto é da Catharina, pós cena, quando eu e o Victor nos abraçamos, aliviados depois de ficarmos pendurados na janela.
Sem falar na galera lá em baixo. Uns gritavam, "não pula!!!!" Outros de celular gravando tudo. Gente que ia embora quando ficava sabendo que era filme "ah, eles não vão pular? Que sem graça..."

Outros, ficavam e iam siceronando os próximos a chegar. "Na verdade eles vão fazer as pazes e sair pela porta do hotel, espera só, já me contaram tudo".

Bem, teve a parte da Catharina pensar em dizer que o Victor era argentino...hehehehe. Ela achava que o povo ia gritar "pula argentino, pula". O resto é lenda.....

segunda-feira, 21 de março de 2011

Eu menti!

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Então, gentefina da minha vida, confesso que menti. Eu não estava fazendo direção de arte de um curta metragem, eu era mêrmo a atriz (nojenta).

Não vou contar nada agora, nem depois, nem sei, tá!? O fato que essa é uma cena onde estou com uma espécie de cinto de castidade no corpitcho, amarrada num cabo de aço, e do outro lado do cabo estava o Martão, um bombeiro bombado, e uma espécie de anjo sobre a terra.

Eu, não satisfeita de desafiar as leis dos homens - metade das vezes, só pra ser revoltada,  detalhe que me custou muito sangue, suor e cerveja, pra não dizer, sexo drogas e rock&roll, que já tá meio que demodê - , eu sempre quis desafiar as leis da gravidade. Tinha essa viadagem de sair voando, de me jogar e ver como era. Foi louco, revelador, porque lá em cima, eu percebi que não quero desafiar mais nada nessa vida. Quero apenas me desafiar. Me mandar calar a boca, me dar uns tapas, e beijos e carinhos.

Tá bom, ao invés de falar do filme, falo de mim. Mas gentefina, acorda, o filme não é meu. E olha, o filme é da diretora, a Nana Ribeiro, e do diretor de fotografia, o Lucas Eskinazi. E de toda gentefina que trabalhou, riu, amou, curtiu, ralou e viveu essa história toda. O ator, sério, é a parte menos importante. A gente apenas tem que ter o mínimo de inteligência, pra entender, digamos, lá pela décima vez, o que eles querem que a gente faça.

Às vezes, eles têm que mostar o desenho..... ehheheheeh. Nem precisa falar assim ó: quer que eu desenhe?

Gentefina..... a vida não pára de acontecer.......

Só faltou dizer que essa foto é da Catharina Suleiman, minha filha querida, que eu, muito da desobediente, levei pro SET. Mas vai daí que, a Catharina também trabalha no filme.......

quinta-feira, 10 de março de 2011

Mnemosine

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Gentefina, esse é o nome do meu novo blog. 
Mas acho tão difícil de lembrar, que fiz assim, 
penso na Minie numa Limousine....hahahahaha.

Bem, preciso dizer que o blog não é só meu, bem,
é quase nada meu. 
Tem uma fotógrafa e uma poetisa. 
Eu só diagramo e edito, ou seja empurro o piano
pras negas. 
E artistas, você sabem como são. 
Mas olha só, quando vejo as fotos e os poemas, 
aah! nem me incomodo de empurrar o piano.

Entonces, o blog vai ao ar dia 18, sexta-feira,
dia de vênus. Bacaninha né? 
Tem que ser tudo assim, gentefina, 
angarinado favor de tudo que é santo e deusa. 
Aliás, a Mnemosine é uma deusa, casada com Zeus, 
mãe de todas as musas. 

Vai lá pesquisar vai, que não vou dar de bandeja a informação. 
Chega esta que estou dando, que vou levar comida das artistas....hehehehe.
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segunda-feira, 7 de março de 2011

Domingo de Carnaval

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Gentefina, ontem, domingo, fui almoçar com a Maria Helena de Macedo. Cheguei tarde, e mais tarde ainda saiu o almoço, porque a gente ia fazer um encherabè. Receitas depois.

Mas o que rolou foi que, ao chegar à casa dela, dou de cara com essa lixeira, cheia de fantasia de Carnaval. Fiquei intrigada, pensando porque alguém teria se desfeito dos adereços do que parecia ter sido uma roupa usada num desfile.



Mais que depressa fotografei. Nisso, vem passando uma mulher muito simpática, que achou super normal eu, cheia de sacola de super mercado, agachada no chão. Ela parou e me contou que havia achado aquilo muito "intrigante". Olha, resumindo, tirei foto dela e ela de mim. 

Seu nome? Rosemar.... ah que delícia compartilhar na calçada, com desconhecidos. 

Amo a humanidade em geral, e tenho sérios problemas com o indivíduo em particular.

Gentefina.... adorei este Carnaval.
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sábado, 5 de março de 2011

Somos o que somos! Gostou? Leva!

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Ontem, como quase todos os dias, fui visitar o véio Ibrahim e sua esposa, a Luiza. Entre uma conversa e outra, achamos esta carta que mandei pros meus pais em 1964, imagina, eu tinha 10 anos gentefina. Estava em Águas da Prata com minha avó, Carolina Rennó Ribeiro.

O que intriga é que eu, aos 10 anos, já era quem eu sou. Já falava do jeito que falo hoje, já me ocupava do que me ocupa a mente....

E gentefina, passei a vida tentando ser outra pessoa, mais assim, mais assado, e foi tudo inútil, tudo bola fora. Eu já era o que sou, e poxa vida, daria pra me aceitar como sou, Dona Walkyria?

Porque é verdade que o hobby predileto de pais, amigos, amantes, maridos e filhos, é nos transformar na pessoa ideal de cada um. E haja personalidade múltipla pra agradar a corja toda.

Mas gentefina, que a torcida do Corintiãns tente nos fazer sob medida pra ela é uma coisa. Mas que a gente tente, desesperadamente, se tornar a pessoa esperada por todos, é outra.

Puxa, que cilada da mente.

Por isso agora, me olho nesse espelho que é a blogosfera e me digo "porra Walkyria, daria pra você aceitar este espírito, do jeito que ele é?

Aqui coloco um pedacinho da carta, que me impressionou mais, caso fique difícil de ler:

"Estou observando como é linda a Natureza daqui. Quando fui ao bosque, vi um tronco caído, veio a raiz e começou a brotar. Há bezouros de monte, e mariposas maravilhosas. A noite é linda, os dias maravilhosos."
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voltar pro céu