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Começou assim, cores bem discretas,
tudo menina bem-comportada,
aquarela manchada de cinza,
sombreada por construções silenciosas.
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Cimento, com inveja do Céu,
se tingiu de cor e refletiu a tarde
com toda força de seu coração de pedra ofendida.
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Cada detalhe exalava C
éu, Sol, Firmamento,
enchendo de luz a pele da cidade.
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Lua, dama quieta mas atenta, apareceu para conferir tanta brincadeira.
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E observou - de rabo de olho - tanto acontecimento
efêmero.
Quem tem olhos pôde ver, quem tem coração pôde sentir.
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E Lua -
engraçado - que não é de ninguém,
estava lá pra todo mundo.
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Ah, virgem santa! que
chegou Vermelho esbaforido, apressado e potente,
como que esquecido de algo, andando de um lado pro outro,
fazendo festa na palheta do céu.
Tudo que é cor ficou emprestada de Vermelho.
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E devagarzinho - num segundo que só Terra sabe girar -
Vermelho foi ficando sonolento, preguiçoso.... quase dormindo.
Então, Céu descansou dessa bagunça toda, de tanta cor pra-lá-e-pra-cá,
chamou Azul e calou a cor.
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E o dia acabou Azul, melancolia de Flor.

Mas não desespera não,
que amanhã, começa tudo de novo,
só que diferente.
Por que o que Céu sabe de cor,
a gente pensa saber de cor.
Mas sabe nada não, nem precisa.
Quem tem olhos pode ver.
Quem tem coração pode sentir.
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as fotos são daqui da minha janela...
eitcha que essa janela tem história