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sábado, 9 de outubro de 2010

Entre corações

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Tenho no coração
um grande galpão de desterrados,
nele me alojo,
refugiada dos terremotos dessa vida.

Assim,
com a roupa do corpo
sem pertences
sem ideais
sem vontade
sem esperança.

Nesse desterro
a meu lado
senta-se uma criança.

Não nos conhecemos
Não nos falamos
Apenas habitamos o mesmo coração.

Eventualmente
sua pequena mão
toca bem de leve
nas minhas mãos...

Seria apenas alucinação?
o coração
o galpão
a criança
e toda a minha solidão???
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fofo: DaffodilLament

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Educação



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Me ensinaram as leis 

Me mostraram os códigos
Me falaram dos preconceitos
Me ordenaram as instituições.


Me contaram das guerras
Me lavaram de dor
Me lacraram a cor
Me selaram a posse.

Me mataram sabendo
E eu morri sem saber.

sábado, 18 de setembro de 2010

Quimera

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Tem dias que me pesa o vivido
Ou a sombra do não vivido
Me cega a luz de minha mão vazia
Me esvazia o peso de minha casa e pertences
E a desnovidade de todas as coisas

Olho de soslaio pra um novo dia
Interpondo-se entre mim e meu desterro

Por preguiça de viver essa tal vida,
a vivida
ou a sonhada
ou a esperada
Atraso a ida ao sono

Madrugada me embala na sua atmosfera
Mãos de fada
Rosto de menina
Alma de quimera

obs: Quimera é peixe da ordem dos holocéfalos, que vive em águas profundas em todos os mares.


A divina Quimera é do blog Livres Pensadores

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Preguicite

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foto - Daniel Suleiman, e a pessoa sou eu ué!


Hoje acordei com preguicite,
Uma inflamação crônica que tenho.

Uns dizem que é genético
Outros, que é por causa do meu signo,
Libra, muito eclético.

Mas o fato é que meu coração permanece cético.
Só quer poder ser inflamado,
Ainda que por uma doença mal-vista,
A preguiça, não se importando em ser difamado.

Ele gosta!

Ter preguiça assim,
Nesses tempos de tanta ansiedade,
Lhe dá uma noção vaga - eu diria -
Quase uma esperança,
Que há muita estrada,
Muito tempo,
Muita vida ainda,
Antes do tão aclamado nada.
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Quem decide a minha vida?


Quem tem decidido a minha vida? 
 Que voz é essa
que, quando acordo pela manhã
me conta os sonhos
de algum sono profundo?

De que lugar vêm
as respostas
que saem da minha boca
em palavras tão surradas
que se olhadas de frente
são apenas
repetições perpétuas
atestando as vibrações de outras bocas?

Quem tem decidido
a minha vida?
A que está cordada,
a que está dormindo
ou aquela que sonha?
E quem observa tudo isso?

Dentro de mim existe uma caixa preta
inacessível nessa dimensão do viver.
Terei que me despedaçar
em algum solo sagrado
ou quem sabe,
mergulhar em oceanos dantescos,
pra acessar seu conteúdo?

Só então, invisíveis mãos abririam a caixa.
E, aí sim, eu descobriria
as verdadeiras intenções da minha vida?

Terei mesmo que passar por essas provas
por esses acidentes de percurso?

Como posso aceitar a monotonia desse jogo
de cartas extraviadas, mandadas para ninguém?

Não deve ser à toa
que a maioria dos mortais apressa seu fim,
ao mesmo tempo que lamenta a falta de tempo.
Esse tempo sui generis....
Simultaneamente longo e tão efêmero.
Viu.... já passou,
Cada e todo instante...
Intermitentes.
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domingo, 25 de julho de 2010

Sábia Decisão

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Na véspera do que não serei,

tomo a decisão:
Amanha resolverei tudo!

No dia em que já não sou,

me decido:

Amanhã me procurarei!
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terça-feira, 20 de julho de 2010

Ainda na parede da memória

Trago os dedos ensanguentados de passá-los na parede da memória
Nesse muro onde lamento meus dias sem fim.

Barreira de lascas, estilhaços, raspas, esmolas do passado,
Que me impedem de prosseguir.

Tem uma réstia de sol que ainda insiste em brilhar.
E eu penso entre dedos cicatrizados
com meu resto de humor, negro:
Será assim, pelo "réstio " de meus dias?

Pequenos degredos....

domingo, 18 de julho de 2010

Na memória


Vou medindo
com passos de anjo
o meu tempo de viver
caindo, como todo anjo suspeito
nas armadilhas do eterno querer.

Passo os dedos com cuidado
no afresco enevoado de teu rosto
pintado em minha memória
viva e ensanguentada
de fragmentos estilhaçados,
composto.

Estanco,
imitando a estaca que perfura minha alma imortal!

Agora, olhar a manhã, sonhar com a noite
E morrer com a tarde enquanto for cedo.

Seria essa a minha eternidade?

foto: Amor,morte, eternidad by phveiga

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Poeminha enfeitado de cor - da minha janela

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Começou assim, cores bem discretas,
tudo menina bem-comportada,
aquarela manchada de cinza,
sombreada por construções silenciosas.
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Cimento, com inveja do Céu,
se tingiu de cor e refletiu a tarde
com toda força de seu coração de pedra ofendida.
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Cada detalhe exalava Céu, Sol, Firmamento, enchendo de luz a pele da cidade.
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Lua, dama quieta mas atenta, apareceu para conferir tanta brincadeira.
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E observou - de rabo de olho - tanto acontecimento efêmero.
Quem tem olhos pôde ver, quem tem coração pôde sentir.
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E Lua - engraçado -
que não é de ninguém,
estava lá pra todo mundo.
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Ah, virgem santa! que chegou Vermelho esbaforido, apressado e potente, 
como que esquecido de algo, andando de um lado pro outro, 
fazendo festa na palheta do céu.
Tudo que é cor ficou emprestada de Vermelho.
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E devagarzinho - num segundo que só Terra sabe girar - 
Vermelho foi ficando sonolento, preguiçoso.... quase dormindo.
Então, Céu descansou dessa bagunça toda, de tanta cor pra-lá-e-pra-cá, 
chamou Azul e calou a cor.
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E o dia acabou Azul, melancolia de Flor.
Mas não desespera não,
que amanhã, começa tudo de novo,
só que diferente.
Por que o que Céu sabe de cor,
a gente pensa saber de cor.
Mas sabe nada não, nem precisa.
Quem tem olhos pode ver.
Quem tem coração pode sentir.
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as fotos são daqui da minha janela...
eitcha que essa janela tem história

domingo, 4 de julho de 2010

Rio das Mortes

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 pro MarioConti
Olho pros lados e desespero o tempo
Penso no que dizer.
Roo as unhas e penso no que dizer.
Invariavelmente você não me entende
Você nem finge que me ouve!
Conotações de cada um
Mas por favor não conote errado
Quando de repente eu disser
Que quero teu corpo.
Pecar amando? Ah meu amor,
É como se Deus mostrasse seu RG.

Mas não vamos falar disso!
Falar do proibido
É estar fora das aspirações seculares.
E os séculos correm no meu sangue
E eu me transporto a impérios passados
A lendas misteriosas
A amores fatais.

Volto pra você
E sinto o sangue minguando nas veias
Como este rio em tempos de seca.
Paro no caminho
Olho as placas do grande trevo
Elas não conseguem dizer
De que lado está a minha estrela.

De repente as placas se cobrem
De musgos e imposições intransponíveis
O mundo está visceralmente contra mim.
Fecho as janelas
Tranco as portas e choro.

Minhas lágrimas irrigam as folhas
Me enraízo na terra
E uma ciranda de nuvens
Brinca distraidamente à minha volta.
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foto: Lord-Kevinz

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Outono

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A tarde
Com seu manto de luz - invisível
Cobriu a cidade - de outono
E sinto um antigo sono - ressono
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foto: Walkyria Suleiman - da minha janela - São Paulo
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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Reconhecer o fim das coisas

.Hoje vou ouvir alguma música (tipo chorável)
Tomar um porre
Reler velhos cadernos
Fumar cigarros (trinta)

Depois
Dormir com aquela
Indisfarçável esperança
De que amanhã será um novo dia
De que amanhã estarei nova (até quando?)

Porra,
Será que esta noite vai acabar assim?
Impunemente?
Tá bom,
Eu sei que a noite acabou
Mas eu não acabei ainda!

(como é mesmo que se faz
nestas horas?)

foto: Slowly by Monislawa
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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Tem dias


Tem dia que me baixa
a maior dúvida:

Devo pegar o barco,
como manda o figurino
atrás daquilo que chamam destino?

Acreditar, como reza a lenda
que esse barco veio pra mim
sob encomenda?

Ou devo perdê-lo
de uma vez por todas
e aguentar a reprimenda?

Tem dia....

foto: NanjoKoji
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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Sem medo de ser feliz

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Olho as estrelas
Mapeando sonhos

Como um piloto na plataforma
Inquieto antes de decolar

E sei,
Com tudo que sou,

Que estou pronta pra esse voo.

(meda!)
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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Fera e Fada

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Sou fera e fada!
Depende da vara
Com que for cutucada.

Se com vara de domador
Revelo fera ferida e sem amor.

Mas com vara de condão
Ah, viro fada
Sou toda coração.

Porém, cuidado
Não escolha entre elas
Pois, embora diferentes
São muito unidas
Essas duas parentes.
foto: a inesquecível Janis, mas não sei o autor
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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Réptil ao contrário

Meu coração de liquefaz toda madrugada
Sísifo apócrifo.....eu te cacifo.

Sim!
podem me roubar
delatar
encarniçar e
despedaçar.

Gargalho deste meu Olimpo
Refletindo minha liberdade!

Pois meu coração se refaz
Com qualquer garimpo
Como réptil ao contrário
No solo fértil da minha eternidade.
ilustração: RossoAlicante
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sábado, 17 de abril de 2010

Sonho acordado

.pro DanielSunSuleiman - 1993

Todas as noites vigio teu sono

E me divirto inventando sonhos

Que te conto, em forma de histórias maravilhosas,

E você ouve com seus olhinhos atentos e crédulos.


Me esqueço nesses poucos momentos

Que foi a vida que não passou de um sonho

Desses que a gente sonha acordada
Naquela idade em que acreditamos

Que somos fortes

Capazes, insuperáveis....

Ô, que idade mais besta....
Mas sem ela,
Como eu saberia inventar sonhos pra você?

Foto: Daniel com 4 anos - BeatrizMasson
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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Mar adentro

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É verdade,
O coração fala ao coração
E somente a ele
O resto...
Passa ao largo desse mar
Ao qual demos o nome de alma

Esse poeminha vai pro meu amado filho Daniel SunSuleiman, que faz 21 anos hoje, que me ensinou que, se quero que alguém me escute com o coração, as minha palavras têm que sair do meu coração.

Sinceramente, n
ão conheço outra maneira.

Escolhi esta imagem, porque um dia, a pintamos juntos num quarto de uma de nossas casas.
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quarta-feira, 31 de março de 2010

Liberdade

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Todos os instantes que passam por mim
Passam por mim sem me deixar.

Eu, infinitamente eu
Todo tempo que me concedo
Neste tempo que me concebo.

Todo horizonte que meu olhar alcança
Só diviso a mim mesma.

Todos os corpos ansiosamente tocados
Foi o meu corpo intocado que toquei.

Todo coração beijado
Todo sonho sonhado em outro alguém
E as palavras ditas pra ninguém
Tudo
Tudo isso
E tudo o mais
Que nunca é dito.

Eu te busquei
Te procurei
Liberdade!

Eu, infinitamente eu,
Em cada instante que passou
E não me deixou.

Enquanto ser
Enquanto for.

foto - Walkyria Suleiman

quinta-feira, 18 de março de 2010

Saída sem rua

..
Sem silêncio e sem tristeza
Saída sem rua, sem caminho, sem estrada
Apenas um grande verde e um imenso nada.

Com as nuvens correndo
E a casa,
O grande templo, estático.

Sem sinos na Igreja fria e cinzenta
Sem fragmentos de vida
Ou velhas cartas.

Sou velho , sou criança
Sou poema, sou jornal
Sou aquilo que você não é.

Não me esquecendo de nada
Esqueço do tempo
E volto atrás daquilo que não fui.

Eu canto a canção como quero
Como um grão do infinito.
Sem pedaços de você
Sou do céu.
Eu seu que você jamais
Será aquilo que não é.
Mas eu canto mesmo triste.

E vejo a rua sem saída
Sem verde
Sem nada.

A Igreja continua cinza
A torre continua branca
E o canto continuará
Na boca dos mortos.

Vou à procura do que não fui
Para nunca mais ser.
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foto - voo by juanabranco

voltar pro céu