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sábado, 31 de janeiro de 2009

Balada das mamis

Meu Deus, será que "mãe" é tudo igual mesmo?

Mãe boa, mãe ruim, era um tema que o Gasparetto conversava em seu programa na Rádio Mundial (quarta-feira, 10h). Ele dizia que o inferno estava cheio de mãe boa, aquelas que deixavam tudo, as que não tinham força nem disposição de manter ordem, disciplina e ritmo. Que mãe ruim estava no céu. Era aquela mãe que ficava atrás, que dizia "não", que cobrava postura, responsabilidade e respeito. É fácil ser mãe boa, deixar o filho fazer tudo que deseja, largar mão. Difícil é ser mãe ruim, desligar a televisão, aguentar cara amarrada, ficar acordada enquanto o filho não chega, cobrar lições-de-casa, ir à reuniões de escola, inventar recreações saudáveis ao invés de comprar um vídeo, viajar para lugares que possam interessar aos filhos, fazer comida bonita, artística pra negaiada comer...ufa. Então, vamos ver o vídeo.

dica de amigo - SérgioTegon

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Aldous Huxley


"Na história
nada muda
e mesmo assim,
tudo é
completamente diferente. "


Barak Obama e as religiões

Não tem jeito, evitei a todo custo seguir a campanha presidencial Norte-Americana. Não quis conversa com ninguém, tinha até uma certa implicância com ele. Mas agora, devo confessar que estou virando uma Obanete, ou seria uma Barakete?

O fato é que faz sentido o que ele fala. Hoje mesmo ele assinou a primeira lei - de equiparação salarial - baseado num processo movido por uma mulher, que ao se aposentar descobre, boquiaberta, que sempre ganhou 40% menos que os homens, ocupando o mesmo cargo. Nesse vídeo ele fala sobre religião, fé e bom senso. Gosto da parte em que ele nota que devemos nortear decisões, por fatos e coisas que todos escutem e enxerguem. Isso já seria uma grande proeza, imagina então, nortear nossas vidas por sensações subjetivas - como as religiões fazem.

dica de amigo - IsabelFry

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Inspiração possível

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dica de amigo - AlamMinowa

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

100 anos de Carmem Miranda, a homenageada do SPFW 2009

Eu e o Dani fomos a alguns desfiles e passeamos por lofts badalados - ui, é assim que escreve? Mas o ponto alto da nossa tarde, foi mesmo a exposição de vestidos, jóias, chapéus e sapatos de Carmem Miranda. As peças eram lindas, quando não, absolutamente curiosas e malucas demais! A exposição bem montada, iluminação estratégica, muito legal mesmo. Esse videozinho mostra um pouco disso tudo.

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Machado de Assis em desenho

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Um Táxi Para a Escuridão

UM TÁXI PARA A ESCURIDÃO, de Alex Gibney é vencedor do Oscar 2008 de melhor documentário e, faz um registro das torturas praticadas por militares americanos no Iraque e no Afeganistão. Não vi ainda, mas acho bem adequado o alerta no momento em que Guantanamo pode ser fechada. No fundo, tudo gira em torno da opinião pública. Quem é o responsável então? Quanto vale a nossa opinião? E, será que ela deve valer algo? Não sei, não sei mesmo.... Somos tão facilmente enganados pelos formadores de opinião, pelos nossos medos, por nossos sentimentos e pensamentos, que não sei quanto vale uma opinião. Mudei de assunto...será?



segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A Bela e a Fera

Bela e a Fera foi um dos filmes mais vistos pelos meus filhos, só perdendo para A Dama e o Vagabundo. Antes mesmo de termos vídeo, tínhamos as fitas cassetes, onde ouvíamos tudo, mil vezes, decorávamos as músicas, líamos os livrinhos e, depois, do meu quarto podia ouvir alternadamente, meus filhos cantarolando as canções.
Mas meu predileto sempre foi Bela e a Fera, inclusive eu vi a versão do cinema mudo, que é bem impressionante. Baseado em uma lenda, ele foi transformado em hitória pela primeira vez em 1740 - data de sua publicação - e sua autora foi Madame Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve. Aqui vai uma das cenas mais bonitas, e um pouco da história do filme, segundo a Disney, estúdio que lançou em desenho a lenda.

" A Bela e a Fera representou um marco para o departamento de animação dos estúdios de Walt Disney à época de seu lançamento, em 1991. Tendo uma fábula popular como inspiração, "A Bela e a Fera" transcendeu seu meio - tratava-se de uma aventura romântica mágica que tanto a crítica quanto o público consideraram um dos melhores filmes daquele ano, animado ou não.

"Bela" foi o primeiro e único longa-metragem de animação a receber uma in
dicação ao Oscar® de Melhor Filme da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, vencendo as estatuetas de Melhor Trilha Original e de Melhor Canção. "

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Bike Tour - 25 de janeiro de 2009


"O Bike Tour nasceu em 2006 na cidade de Lisboa com a travessia da ponte Vasco da Gama em bicicleta, e contou com a presença de cerca de 4000 participantes que contribuíram para o sucesso deste evento.
Os participantes, devidamente equipados com capacete e bicicleta, pedalaram ao longo de 13 km pela ponte Vasco da Gama. E como nesta prova não existem vencidos nem vencedores, todos eles levaram a bicicleta para casa.
Em 2007, fruto de um crescente envolvimento de organizadores, parceiros e entidades públicas e privadas, e dos resultados obtidos com a primeira edição, Lisboa voltou a ver um mega- pelotão de amantes da velocipedia de lazer. Porém, o conceito ganhou forma ainda mais abrangente com a realização da primeira iniciativa na cidade do Porto, nas margens do rio Douro."

Quer saber mais?

dica de amigo - EloSilva

O mundo conforme Casciari

Li uma vez que a Argentina não é nem melhor, nem pior que a Espanha,só que mais jovem. Gostei dessa teoria e aí inventei um truque para descobrir a idade dos países baseando-me no 'sistema cão'.

Desde meninos nos explicam que para saber se um cão é jovem ou velho, deveríamos multiplicar a sua idade biológica por 7. No caso de países temos que dividir a sua idade histórica por 14 para conhecer a sua correspondência humana. Confuso? Neste artigo exponho alguns exemplares reveladores.A Argentina nasceu em 1816, assim sendo, já tem 190 anos. Se dividimos estes anos por 14, a Argentina tem 'humanamente' cerca de 13 anos e meio, ou seja, está na pré-adolescência. É rebelde, se masturba, não tem memória, responde sem pensar e está cheia de acne. Quase todos os países da América Latina têm a mesma idade, e como acontece nesses casos, eles formam gangues. A gangue do Mercosul é formada por quatro adolescentes que tem um conjunto de rock. Ensaiam em uma garagem, fazem muito barulho, e jamais gravaram um disco.

A Venezuela, que já tem peitinhos, está querendo unir-se a eles para fazer o coro. Em realidade, como a maioria das mocinhas da sua idade, quer é sexo, neste caso com Brasil que tem 14 anos e um membro grande. O México também é adolescente, mas com ascendente indígena. Por isso, ri pouco e não fuma nem um inofensivo baseado, como o resto dos seus amiguinhos. Mastiga coca, e se junta com os Estados Unidos, um retardado mental de 17 anos, que se dedica a atacar os meninos famintos de 6 anos em outros continentes.

No outro extremo, está a China milenária. Se dividirmos os seus 1.200 anos por 14 obtemos uma senhora de 85, conservadora, com cheiro a xixi de gato, que passa o dia comendo arroz porque não tem - ainda - dinheiro para comprar uma dentadura postiça. A China tem um neto de 8 anos, Taiwan, que lhe faz a vida impossível. Está divorciada faz tempo de Japão, um velho chato, que se juntou às Filipinas, uma jovem pirada, que sempre está disposta a qualquer aberração em troca de grana.

Depois, estão os países que são maiores de idade e saem com o BMW do pai. Por exemplo, Austrália e Canadá. Típicos países que cresceram ao amparo de papai Inglaterra e mamãe França, tiveram uma educação restrita e antiquada e agora se fingem de loucos. A Austrália é uma babaca de pouco mais de 18 anos, que faz topless e sexo com a África do Sul. O Canadá é um mocinho gay emancipado, que a qualquer momento pode adotar o bebê da Groenlândia para formar uma dessas famílias alternativas que estão de moda.

A França é uma separada de 36 anos, mais puta que uma galinha, mas muito respeitada no âmbito profissional. Tem um filho de apenas 6 anos: Mônaco, que vai acabar virando puto ou bailarino ... ou ambas coisas. É a amante esporádica da Alemanha, um caminhoneiro rico que está casado com a Áustria, que sabe que é chifruda, mas que não se importa.

A Itália é viúva faz muito tempo. Vive cuidando de São Marino e do Vaticano, dois filhos católicos gêmeos idênticos. Esteve casada em segundas núpcias com Alemanha (por pouco tempo e tiveram a Suíça), mas agora não quer saber mais de homens. A Itália gostaria de ser uma mulher como a Bélgica: advogada, executiva independente, que usa calças e fala de política de igual para igual com os homens A Bélgica também fantasia de vez em quando que sabe preparar espaguete.
A Espanha é a mulher mais linda de Europa (possivelmente a França se iguale a ela, mas perde espontaneidade por usar tanto perfume). É muito tetuda e quase sempre está bêbada. Geralmente se deixa foder pela Inglaterra e depois a denuncia. A Espanha tem filhos por todas as partes (quase todos de 13 anos), que moram longe. Gosta muito deles, mas a perturbam quando têm fome, passam uma temporada na sua casa e assaltam sua geladeira.

Outro que tem filhos espalhados no mundo é a Inglaterra. Sai de barco de noite, transa com alguns babacas e nove meses depois, aparece uma nova ilha em alguma parte do mundo. Mas não fica de mal com ela. Em geral, as ilhas vivem com a mãe, mas a Inglaterra as alimenta. A Escócia e a Irlanda, os irmãos de Inglaterra que moram no andar de cima, passam a vida inteira bêbados e nem sequer sabem jogar futebol. São a vergonha da família.

A Suécia e a Noruega são duas lésbicas de quase 40 anos, que estão bem de corpo, apesar da idade, mas não ligam para ninguém. Transam e trabalham, pois são formadas em alguma coisa. Às vezes, fazem trio com a Holanda (quando necessitam maconha, haxixe e heroína); outras vezes cutucam a Finlândia, que é um cara meio andrógino de 30 anos, que vive só em um apartamento sem mobília e passa o tempo falando pelo celular com Coréia.

A Coréia (a do sul) vive de olho na sua irmã esquizóide. São gêmeas, mas a do Norte tomou líquido amniótico quando saiu do útero e ficou estúpida. Passou a infância usando pistolas e agora, que vive só, é capaz de qualquer coisa. Estados Unidos, o retardadinho de 17 anos, a vigia muito, não por medo, mas porque quer pegar as suas pistolas.

Irã e Iraque eram dois primos de 16 que roubavam motos e vendiam as peças, até que um dia roubaram uma peça da motoca dos Estados Unidos e acabou o negocio para eles. Agora estão comendo lixo. O mundo estava bem assim até que, um dia, a Rússia se juntou (sem casar) com a Perestroika e tiveram uma dúzia e meia de filhos. Todos esquisitos, alguns mongolóides, outros esquizofrênicos.

Faz uma semana, e por causa de um conflito com tiros e mortos, os habitantes sérios do mundo, descobrimos que tem um país que se chama Kabardino-Balkaria. É um país com bandeira, presidente, hino, flora, fauna... e até gente! Eu fico com medo quando aparecem países de pouca idade, assim de repente. Que saibamos deles por ter ouvido falar e ainda temos que fingir que sabíamos, para não passar por ignorantes.
Mas aí, eu pergunto: por que continuam nascendo países, se os que já existem ainda não funcionam?

NOTA SOBRE O AUTOR:Hernán Casciari nasceu em Mercedes (Buenos Aires), a 16 de março de 1971. Escritor e jornalista argentino. É conhecido por seu trabalho ficcional na Internet, onde tem trabalhado na união entre literatura e blog, destacado na blognovela. Sua obra mais conhecida na rede, 'Weblog de una mujer gorda', foi editada em papel, com o título: 'Más - respeto, que soy tu madre'.

dica de amigo - IsabelFry

QUINCY JONES


Uma nova esperança para a nação


COMO MUITOS americanos e cidadãos do mundo, acordei em 5 de novembro de 2008 com um sentimento renovado de objetivo na vida. Na véspera eu assistira a um acontecimento que jamais imaginara, a eleição de um afro-americano para presidente dos EUA. É verdade -se você vive tempo suficiente, qualquer coisa é possível.

Mas resignei-me à necessidade de moderar minhas emoções. Como todos os partidários de Barack Obama, eu me sentia encorajado pela força, a habilidade e a serenidade com que ele levou sua campanha adiante. Eu sabia que ele era a melhor pessoa para o cargo. Mas, como negro vivendo na América, eu sabia por experiência própria que não devia deixar que o que eu queria que acontecesse se distanciasse demais da realidade do que eu sabia que poderia acontecer.

Como muitos afro-americanos de minha geração, minha experiência foi imbuída da ideologia de que nós éramos, na melhor das hipóteses, cidadãos de segunda classe. Nascido em Chicago sob a Grande Depressão, meu futuro parecia traçado de antemão: eu seria um anônimo que faria o que o que fosse preciso para sobreviver. Por sorte, meu pai mudou-se para Seattle comigo e meu irmão, e ali encontrei a música e o caminho para um futuro diferente.

Como adolescentes, não tínhamos um Will Smith, um Michael Jordan ou uma Oprah Winfrey para nos servir de modelo. Os exemplos nos quais eu me inspirava eram os músicos que viviam na cidade e os que passavam por ela. Homens como Count Basie e Ray Charles, que me tomaram sob sua proteção e me contaram sobre o grande mundo lá fora. Ray e eu sempre repetíamos o mantra "nem uma gota sequer de meu valor próprio depende de sua aceitação de mim". Isso nos dava a coragem necessária para enfrentar as realidades duras e intransigentes daquela época.

Graças a essa experiência e aos anos no colégio Garfield High, onde o multiculturalismo era incentivado, tive desde cedo a convicção de que nossa convivência não se resumia a "nós e eles". Eu não era ingênuo; tinha consciência das atitudes raciais em meu país.Quando eu era jovem, fiz turnê no sul do país, racialmente segregado. A única pessoa branca no ônibus era o motorista -precisávamos dele para entrar nos restaurantes e nos trazer comida. Vimos os bebedouros e banheiros distintos para brancos e negros. Tocamos em salões nos quais o público ficava separado. Na Virgínia, dormimos numa funerária.

Passamos por cinco cidades do Texas sem parar, pois isso não era uma opção cogitável. Em Dallas, havia uma efígie de um negro com uma corda no pescoço pendurada da mais alta torre de igreja na cidade.

Mas eu sabia que a música podia superar fronteiras culturais e unir as pessoas. Vi isso nas minhas primeiras viagens à Europa, onde as platéias e outros músicos de todos os tons de pele nos tratavam como homens de estatura igual. Vi isso como diretor da turnê de Dizzy Gillespie para o Departamento de Estado. Nossa tarefa era fazer uma turnê de boa vontade pelo Oriente Médio, Europa e América do Sul, mas na realidade éramos uma banda kamikaze enviada para acalmar a turbulência civil em locais como Chipre, Beirute e Teerã.

Prestei atenção à maneira como o mundo via os EUA e como os EUA encaravam seus cidadãos. Vi um jovem pregador de Atlanta ganhar força pregando a desobediência civil pacífica, vi um pastor da Nação do Islã que pregava a autoconfiança como solução, e vi todo um povo aderir e celebrar o orgulho e o individualismo negros.

Assisti ao país pouco a pouco se dar conta de que os afro-americanos não iriam mais ficar passivos, aceitando a opressão, não importava o tipo de véu que a cobrisse. Queríamos todos os direitos que a Constituição nos garantia, e trabalhamos para nos destacar e realizar nossos sonhos, pois as alternativas não eram uma opção.

Como povo, avançamos até os mais altos níveis da política, dos negócios e das artes. Mas, apesar de tudo o que tínhamos realizado e superado, fiquei sentado ali, em 4 de novembro, assistindo ao anúncio dos votos, com entusiasmo comedido. Ao ficar claro que Obama vencera, meu coração explodiu com uma alegria que só senti quando nasceram meus filhos.

Depois de tudo o que nosso povo suportou, do genocídio da travessia atlântica nos navios negreiros, à tortura de corpo e espírito e o desmonte sistemático de nossas famílias sob a escravidão, até o terrorismo decorrente da Reconstrução, chegando ao racismo institucionalizado e à luta pelos direitos civis, um homem de aparência como a minha agora se tornaria presidente dos EUA.

E, como tantos outros de nós, chorei. Chorei por todas as pessoas que sacrificaram suas vidas para que pudéssemos chegar a este momento. Chorei pelos que não estão mais conosco e que nunca poderiam ter imaginado que algo assim pudesse acontecer. Sobretudo, chorei por meu pai e por meu irmão Lloyd. Queria que eles tivessem vivido para este momento.

A eleição de Obama trouxe um sentimento renovado de esperança e fé nos EUA. Nas semanas que se seguiram a sua eleição, recebi ligações de congratulações de 15 chefes de Estado. Obama tem uma quantidade tremenda de trabalho para recolocar os EUA no rumo certo, mas ele conta com o espírito de cooperação do mundo.

É claro que ele terá seus detratores, aqui em nosso país. Eles já começaram sua campanha para desacreditá-lo e desmoralizar sua Presidência. Mas Obama instilou nas pessoas que o elegeram um sentimento de esperança em nosso país, algo que não víamos havia tempo. Com tal positividade coletiva, um futuro mais iluminado e próspero está pela frente.

A América ainda tem muito trabalho a fazer com relação à questão racial, mas me conforta muito saber que todo menino e menina americano (obrigado, Hillary Clinton) de agora em diante poderão crescer acreditando "um dia eu posso vir a ser presidente", e não será uma fantasia impensável.

Deus o abençoe, presidente Obama. As esperanças da nação estão depositadas no senhor.

QUINCY JONES é compositor, produtor, arranjador e regente. Este artigo foi distribuído pela Tribune Media Services
Dica de amigo - Thomaz H. Dirickson

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Discurso de posse de Barack Obama







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Meus caros cidadãos:
Eu me coloco aqui hoje humildemente diante da tarefa à nossa frente, grato pela confiança com que vocês me honraram, ciente dos sacrifícios realizados pelos nossos ancestrais. Eu agradeço ao presidente Bush pelo seu serviço à nossa nação, bem como pela generosidade e cooperação que ele mostrou ao longo da transição.

Quarenta e quatro americanos agora já fizeram o juramento presidencial. As palavras foram ditas durante crescentes marés de prosperidade e as águas calmas da paz. Mas, de tempos em tempos, o juramento é realizado entre nuvens que se formam e tempestades violentas. Nesses momentos, a América seguiu à frente não somente pela habilidade ou visão dos que estavam no alto escalão, mas porque Nós o Povo permanecemos confiantes nos ideais dos nossos ancestrais e fiéis aos nossos documentos fundadores.

Assim tem sido. Assim deve ser com essa geração de americanos.

Que nós estamos em meio a uma crise é agora bem sabido. Nossa nação está em guerra, contra uma rede de longo alcance de violência e ódio. Nossa economia está bastante enfraquecida, em consequência da ganância e irresponsabilidade por parte de alguns, mas também por nosso fracasso coletivo em fazer escolhas difíceis e preparar a nação para uma nova era. Casas foram perdidas; empregos cortados; negócios fechados. Nosso sistema de saúde está muito dispendioso; nossas escolas fracassam com muitos; e cada dia traz novas evidências de que as formas como usamos a energia fortalecem nossos adversários e ameaçam nosso planeta.

Esses são os indicadores da crise, assunto de dados e estatísticas. Menos mensurável, mas não menos profundo, é o enfraquecimento da confiança ao longo de nossa terra - um medo repetido de que o declínio da América é inevitável, e que a próxima geração deve diminuir suas perspectivas.

Hoje eu digo a vocês que os desafios que nós enfrentamos são reais. Eles são sérios e são muitos. Eles não serão vencidos facilmente ou em um período curto de tempo. Mas saiba disso,
América: eles serão vencidos.

Nesse dia, nos reunimos porque nós escolhemos a esperança em vez do medo, a unidade de propósito em vez do conflito e da discórdia.

Nesse dia, nós viemos para proclamar o fim às queixas mesquinhas e falsas promessas, às recriminações e aos dogmas desgastados, que por muito tempo já têm enfraquecido nossa política.

Nós continuamos uma nação jovem, mas de acordo com as palavras da Escritura, chegou a hora de se deixar de lado as infantilidades. Chegou a hora para reafirmar nosso espírito tolerante; para escolher nossa melhor história; para prosseguir com esse precioso dom, essa nobre ideia, passada de geração a geração: a promessa dada por Deus de que todos somos iguais, todos somos livres e todos merecem uma chance de buscar sua completa medida de felicidade.

Ao reafirmar a grandiosidade de nossa nação, nós entendemos que a grandeza nunca é dada. Ela deve ser conquistada. Nossa jornada nunca foi de atalhos ou de aceitar menos. Não foi a trilha dos inseguros - daqueles que preferem o descanso ao trabalho, buscam apenas os prazeres das riquezas e da fama. Em vez disso, (nossa jornada) tem sido uma de tomadores de risco, atuantes, fazedores das coisas - alguns celebrados, mas muitos outros homens e mulheres obscuros em seu trabalho - que nos levaram pela longa e espinhosa rota rumo à prosperidade e à liberdade.

Para nós, eles empacotaram suas poucas posses e viajaram pelos oceanos em busca de uma nova vida.

Para nós, eles trabalharam duro em fábricas exploradoras e seguiram rumo a Oeste; suportaram o açoite do chicote e lavraram a terra dura.

Para nós, eles lutaram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg; Normandy e Khe Sahn.

Ao longo do tempo, esses homens e mulheres lutaram e se sacrificaram e trabalharam até suas mãos ficarem em carne viva, para que pudéssemos ter uma vida melhor. Eles viram a América maior do que a soma de suas ambições individuais; maior que todas as diferenças de nascimento ou riqueza ou facção.

Essa é a jornada que nós continuamos hoje. Nós permanecemos a mais próspera e poderosa nação da Terra. Nossos trabalhadores não são menos produtivos do que quando essa crise começou. Nossas mentes não têm menos imaginação, nossas mercadorias e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Nossa capacidade permanece a mesma. Mas nossa hora de proteger interesses estreitos e adiar decisões desagradáveis - esse tempo certamente passou. Começando hoje, nós precisamos nos levantar e começar de novo o trabalho de reconstruir a América.

Para todos os lugares que olhemos, existe trabalho a ser feito. A situação da nossa economia pede ação, ágil e rápida, e nós agiremos - não apenas para criar novos empregos, mas para lançar a fundação para o crescimento. Nós construiremos as estradas e pontes, as instalações elétricas e linhas digitais que alimentam nosso comércio e nos mantém juntos. Nós levaremos a ciência a seu lugar de merecimento e controlaremos as maravilhas da tecnologia para aumentar a qualidade do sistema de saúde e reduzir seu custo.

Nós usaremos o Sol e os ventos e o solo para abastecer nossos carros e movimentar nossas fábricas. Nós transformaremos nossas escolas, faculdades e universidades para suprir as demandas de uma nova era. Tudo isso nós podemos fazer. E tudo isso nós faremos.

Agora, existem alguns que questionam a escala das nossas ambições - que sugerem que nosso sistema não pode aguentar planos tão grandiosos. Eles têm memória curta. Porque eles se esqueceram de tudo o que nosso país fez; o que homens e mulheres livres podem conseguir quando a imaginação se junta para objetivos comuns e a necessidade para a coragem.

O que os cínicos não entendem é que o chão que eles pisam não é mais o mesmo - que as disputas políticas que nos envolveram por muito tempo não existem mais. A questão que perguntamos hoje não é se nosso governo é muito grande ou muito pequeno, mas se ele funciona - se ele ajuda as famílias a encontrarem empregos que pagam um salário decente, que tipo de seguridade eles dão, uma aposentadoria que seja digna. Onde a resposta é sim, nós queremos ir em frente. Onde a resposta é não, os programas acabarão. E aqueles de nós que manejam os dólares públicos terão que prestar contas - para gastar de maneira sábia, reformar maus hábitos, e fazer nossos negócios à luz do dia - porque apenas assim nós podemos restaurar a confiança vital entre o povo e o governo.

Também não á a questão que se apresenta a nós se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. Seu poder de gerar riquezas e expandir a liberdade é ilimitado, mas esta crise nos fez lembrar que sem vigilância, o mercado pode sair do controle - e uma nação não pode prosperar por muito tempo quando favorece apenas os mais ricos. O sucesso da nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho do nosso Produto Interno Bruto (PIB), mas do poder da nossa prosperidade; na nossa habilidade de estendê-la a cada um, não por caridade, mas porque esse é o caminho mais seguro para o bem comum.

Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos a falsa escolha entre nossa segurança e nossos ideais. Os fundadores do país, que enfrentaram perigos que sequer imaginamos, redigiram uma carta para assegurar o primado da lei e dos direitos do homem, uma carta expandida pelo sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e nós não vamos abandoná-los por conveniência. E, então, para todos os povos e governos que estão assistindo hoje, das grandes capitais ao pequeno vilarejo onde meu pai nasceu: Saibam que a América é amiga de cada nação e de cada homem, mulher ou criança que procure um futuro de paz e dignidade, e que nós estamos prontos para liderar uma vez mais.

Lembrem-se que gerações anteriores enfrentaram o fascismo e o comunismo não apenas com mísseis e tanques, mas com alianças robustas e convicções duradouras. Eles entenderam que nosso poder sozinho não pode nos proteger, nem nos dá o direito de fazer o que quisermos. Em vez disso, eles entenderam que nosso poder cresce com seu uso prudente; nossa segurança emana da Justiça de nossa causa, da força de nosso exemplo, da têmpera das qualidades de humildade e moderação.

Nós somos os guardiães desse legado. Guiados por esses princípios uma vez mais, podemos enfrentar novas ameaças que exigem um esforço maior - maior cooperação e compreensão entre as nações. Começaremos por sair do Iraque com responsabilidade e por criar um esforço de paz no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos adversários vamos trabalhar incansavelmente para diminuir a ameaça nuclear, e reduzir o espectro do aquecimento global. Não vamos pedir desculpas por nosso modo de vida, nem vamos vacilar em sua defesa, e, para aqueles que procurarem avançar em seus objetivos produzindo terror e matando inocentes, diremos a eles que nosso espírito é mais forte e não pode ser quebrado; eles não poderão prevalecer e nós os derrotaremos.

Sabemos que nossa herança multicultural é uma força, não uma fraqueza. Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus - e ateus. Somos moldados por cada língua e cultura, de cada parte desta Terra; e por causa disso provamos o sabor mais amargo da guerra civil e da segregação e emergimos desse capítulo mais fortes e mais unidos; não podemos senão acreditar que os velhos ódios passarão um dia; que as linhas das tribos vão se dissolver rapidamente; que o mundo ficará menor, nossa humanidade comum deve revelar-se; e que a América vai desempenhar o seu papel em uma nova era de paz.

Para o mundo muçulmano, buscamos um novo caminho a seguir, baseado em interesse e respeito mútuo. Para aqueles líderes pelo mundo que buscam semear o conflito, ou culpam o Ocidente pelos
males de suas sociedades: Saibam que seus povos irão julgá-los a partir do que vocês podem construir, e não destruir. Para aqueles que se agarram ao poder por meio da fraude e da corrupção, saibam que estão no lado errado da História; mas nós estenderemos a mão se vocês estiverem dispostos a cooperar.

Às pessoas das nações pobres, nós queremos trabalhar a seu lado para fazer suas fazendas florescerem e deixar os cursos de água limpa fluírem; para nutrir corpos famintos e alimentar mentes ávidas. E para aquelas nações como a nossa, que vivem em relativa riqueza, queremos dizer que não podemos mais suportar a indiferença quanto ao sofrimento daqueles que sofrem fora de nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem nos importar com as consequências. Nós devemos acompanhar as mudanças do mundo.

À medida que entendemos o caminho que se desdobra diante de nós, recordamos com humilde gratidão aqueles bravos americanos que, a esta mesma hora, patrulham longínquos desertos e montanhas distantes. Eles têm algo a nos dizer hoje, como aqueles heróis caídos que jazem em Arlington murmuram através dos tempos. Nós os honramos não apenas porque eles não os guardiães de nossa liberdade, mas porque eles representam o espírito de servir ao país; a disposição de encontrar um significado maior que si mesmos. E ainda, neste momento - um momento que vai definir uma geração - é precisamente esse espírito que todos nós devemos viver.

Porque, por mais que o governo possa fazer e precise fazer, em última instância é da fé e da determinação do povo americano que esta nação depende. É a bondade de receber um estranho quando os diques se rompem, é o desprendimento de trabalhadores que preferem reduzir suas horas a ver um companheiro perder o emprego o que nos auxilia em nossas horas mais sombrias. É a coragem do bombeiro de subir uma escada cheia de fumaça, mas também a disposição de pais de criar uma criança o que, no fim das contas, decide o nosso destino.

Nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com os quais nós os enfrentamos podem ser novos. Mas aqueles valores dos quais nosso sucesso depende - trabalho duro e honestidade, coragem e justiça, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo - essas coisas são antigas. Essas coisas são verdadeiras. Elas têm sido a força quieta do progresso ao longo de nossa história. O que se exige, então, é uma volta a essas verdades. O que se exige de nós agora é uma nova era de responsabilidade - um reconhecimento, por parte de todo americano, de que nós temos deveres para conosco, nossa nação e o mundo; deveres que nós não aceitamos a contragosto, mas com alegria, firmes no conhecimento de que não há nada tão satisfatório para o espírito, tão definidor de nosso caráter, do que dar tudo o que podemos numa tarefa difícil.

Este é o preço e a promessa da cidadania.

Esta é a fonte de nossa confiança - o conhecimento de que Deus nos convoca a dar forma a um destino incerto.

Este é o significado de nossa liberdade e de nosso credo - por que homens e mulheres e crianças de toda raça e de toda fé podem se unir numa celebração neste magnífico Mall, e por que um homem cujo pai, menos de 60 anos atrás, poderia não ser servido num restaurante local, agora pode estar diante de vocês para fazer um juramento sagrado.

Por isso, vamos marcar esse dia com a lembrança de quem somos e quão longe viajamos. No ano do nascimento da América, no mais frio dos meses, um pequeno grupo de patriotas se encolhia em torno de fogueiras que se apagavam, às margens de um rio gelado. A capital estava abandonada. O inimigo estava avançando. A neve estava manchada de sangue. Num momento em que nossa revolução estava em dúvida, o pai de nossa nação ordenou que essas palavras fossem lidas para o povo:

"Que seja dito ao mundo futuro que, na profundidade do inverno, quando nada além da esperança e da virtude poderia sobreviver, a cidade e o país, alarmados diante de um perigo comum, saiu para enfrentá-lo."

América. Em face de nossos perigos comuns, neste inverno de nossas dificuldades, vamos lembrar essas palavras eternas. Com esperança e virtude, vamos enfrentar uma vez mais as correntes geladas e resistir quaisquer tempestades que possam vir. Que seja dito pelos filhos de nossos filhos que, quando fomos testados, nós nos recusamos a deixar esta jornada terminar, que nós não viramos as costas, que nós não vacilamos; e, com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus sobre nós, levamos adiante o grande dom da liberdade e o entregamos com segurança paras as gerações futuras."
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