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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Espelho, fotografia, reflexo e ponto cego

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Uma pessoa que eu admiro bastante, disse uma certa vez, algo muito perturbador. Foi o Romeu, lá na Vila Yamaguishi, e foi mais ou menos assim que ele mandou.

- As pessoas têm que assumir as suas limitações. Por exemplo, por mais que alguém se esforce, ela nunca vai enxergar a própria bunda.

Cá cá cá, todos riram, aliviaram-se das tensões do assunto que a gente estava tratando, e boa, ficou por isso mesmo.

Eu, do meu lado, garrei a matutar, “Como assim? Que história é essa? Que coisa mais louca e idiota que ele disse. É claro que não posso enxergar minha bunda, afinal, meus olhos são na frente, não atrás”.

Ok, pode parecer loucura, mas eu continuei pensando nisso, enquanto, com o canto do olho, olhava pro Romeu. E não foi preciso muito pra eu me apaixonar pela idéia. Se eu não posso enxergar nem a minha bunda, imagina a quantidade de coisas em mim, muito mais importantes do que a bunda, que eu não consigo ver? Pois é macacada, acho que vem daí a expressão “o cara não se enxerga”, ou “ele não tem espelho em casa”.

Isso é muito sério, primeiro porque, definitivamente, precisamos do auxilio luxuoso de alguém para enxergarmos coisas em nós - por exemplo a bunda - , que não podemos nem nunca poderemos enxergar. Segundo, que se não fosse o olhar do outro, muitas coisas passariam despercebidas para nós. Haja vista a quantidade de atitudes iguais a dos nossos pais que perpetuamos, e que insistimos em criticar – como, aliás eu já comentei aqui, depois de passar um fim de semana com meu pai, onde, ele me irritou tanto, não pelas coisas que ele fez, mas porque eu me percebi fazendo tudinho igual a ele.

Resumindo, a gente tem mesmo, a exemplo dos olhos da face, um ponto cego nos olhos da alma.

Ai meu Deus, é engraçada essa vida, vamos rir macacada que é “causo” de riso mesmo.

Bom, tudo isso é só pra dizer que deve ser por essa razão que a fotografia exerce na gente - mesmo com o advento de tanta tecnologia - tamanho fascínio. A gente quer ver a foto da fulana na revista, a foto da mãe dela e do namorado dela. Quem não gosta de revistas, assim como eu, tem que manipular a mente, porque o olho vai lá dar uma volta e vê, e vê com todas as letras a chamada da capa: "Sensacional, Maria dos Anzóis nua em pelo” e dá aquela vontade de abrir a revista e ver a foto, daquela pessoa que, por Deus, eu nunca quis ver nada, que dirá uma foto nua em pelo e cabelo.

Pois é, quando a foto é nossa então, valha-me Deus, a gente para o filme - Pera ai, volta, hum, deixa eu ver, nossa, estou diferente, ah! eu não sou assim tão magra, ou gorda, ou vesga - what ever. Quando chega a nossa foto, o interesse é animal.

Então vamos voltar ao pensamento original. A gente também não pode ver a própria cara. Então, se ver assim, numa foto, é uma experiência avassaladora. “Poxa, é assim que eu sou? Tradução: é assim que os outros me veem, enquanto eu me imagino de outra forma?

A gente precisa do outro mesmo. Eu costumo dizer que minhas amigas são minha biografia ambulante. Eu digo isso e aquilo e elas fazem, nã nã nã com a cabeça e me dizem, as chatas, com as minhas palavras, uma coisa que acaba por contradizer totalmente minha afirmativa anterior e que, via de regra, eu já havia me esquecido.

Sou obrigada a pensar, a repensar, e dar o bracinho a torcer.

É muito lindo isso, alivia, faz a gente dar importância ao que merece, e de quebra, ver a própria bunda.

Isso gente, se nesse mundo maluco, você conseguir plantar, cultivar e cuidar de uma amizade. O quê não é pouco, acreditem..

Então era isso.

No videozinho a seguir, tem uma montagem de fotos que o Daniel fez de mim, sua própria mãe, motorista, cozinheira, diagramadora, letrista, revisora, costureira, conselheira, cabeleireira, enfermeira, lavadeira, e agora, modela.

Foi pra Faculdade (o trabalho) e o professor disse que eles teriam que fazer um ensaio fotográfico, sem máquina digital, onde o mote fosse a naturalidade, lembrando-se de passar um astral, um clima, tipo um editorial de moda sem moda. É duro entender, mas é o subliminar, minha gente.

O Daniel achou que, nada mais natural do que a mamis aqui, acordando numa manhã de domingo. Dá pra perceber pela cara de bolacha descabelada.

E para ter sentido o romance que escrevi acima, pra mim ficou assim: “hum...será que eu posto isso no blog? Será que vão me chamar de bonitona encalhada? Ou será que vão achar que eu tô me achando”?

O fato é que eu gostei, porque a auto-estima é uma coisa muito volúvel, quase líquida mesmo. E às vezes - como eu e um amigão comentamos (o Alam) - , auto-estima é feito boi bravo: você tem que laçar o bicho no muque.

Ficou confuso? Desculpa gente, mas eu sou confusa mesmo... e complexa. Ah, e não enxergo minha própria bunda.


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quarta-feira, 17 de junho de 2009

A Bonitona Encalhada

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Sou uma leitora compulsiva.

Leio bulas, placas de carro, sinalizações, propagandas e, tudo ou qualquer coisa que passar diante dos meus olhos. Se estou comendo algo e tem um suco na minha frente, leio a embalagem, viro e reviro atrás de mais informação.

Porém existem coisas que não leio, como por exemplo, revistas, jornais e mãos, porque de cigana, tenho nada mesmo.

Também não leio livro algum que não me cative nas primeiras dez páginas. Largo sem remorso, seja o livro que for.

Outra coisa que tenho com livros, é que se gosto, tenho que tê-los, pois, a vida toda recorro a eles. Em cada lembrança saio à captura do parágrafo em questão. Para tanto, lógico que leio grifando tudo que me interessa.

Vai daí que, quando estou numa livraria, vou pegando um livro cá, um livro lá, esperando o momento em que serei capturada por letrinhas que, em fila, se alojarão no meu imaginário e, pronto! Estou à mercê do livro.

Foi assim que conheci (de susto) a maioria dos autores que leio avidamente. E foi assim com Isabel Allende. Lembro que peguei um livrinho pequeno, de capa colorida, uma edição do clube do livro da “Casa dos Espíritos”. Bem, a Isabel é au concours. Hoje em dia, só de ler seu nome me dá arrepios.

Muitas vezes ao lê-la, meu coração se enche de cumplicidade e agradecimento, por existir no mundo uma pessoa como ela, que traduz de forma simples e poética os meus sentimentos mais estapafúrdios. Sentimentos estes, tão desconexos, que nem chegam de forma organizada à minha alma. E ficam lá, fazendo a maior estrepolia na minha mente, como crianças deixadas à vontade numa doceira, ou numa gôndola de chocolates do um super-mercado.

Nestes momentos mágicos e abençoados, paro a leitura, procuro a foto da Isabel na contra-capa e abraço o livro com carinho, grata, mas muito grata mesmo por ela existir, e mais, por eu ter chegado a conhecê-la. Sim, porque nesta vida de tantos caminhos, muitos também são os desvios.

É assim a minha relação com os autores que admiro. Poderia citar muitos, graças à Deus. Mas hoje vou citar a Clarissa Estés Píncola, que escreveu o fantástico, “Mulheres que Correm Com os Lobos” (a Priscila, uma amiga do coração, me emprestou e eu nunca devolvi. Assumi que queria aquele livro, e tinha que ser aquele, porque eu já tinha grifado tudo, de cabo a rabo).

Costumo dizer que todo ser humano devia ler este livro, ele é um guia pra alma, um mapa para os corações humanos. Mas sua linguagem é às vezes hermética, sua literatura é de pesquisa, embora ela seja muito, mas muito humana. Resumindo: às vezes enche um pouco ler tanta teoria, mesmo que recheada se suas experiências sérias e criativas.

Mas, dia desses, tive a grande alegria de pegar um livrinho, q
ue também me capturou, e ter essa mesma emoção. Pois é minha gente, fui capturada no blog da autora, a Laura Henriques. Ela tem o blog “A Bonitona Encalhada”.

Foi lá que descobri essa delícia de pessoa. Seu blog virou livro, ou melhor, seus escritos viraram um blog que, por sua vez, acabaram voltando às origens e hoje, é um livro. A linda da Laura, que nunca me viu mais gorda (mesmo porque sou magra), me mandou pelo correio.

É este livro que agora abraço emocionada e penso, “ai Laurinha, obrigada por você existir”. O que a Laurinha conta ali, tem muita semelhança com aquilo que escreve a Clarissa, com a diferença que a Laurinha é engraçada, didática, aberta, cheia de amor pra dar, e receber.

E ela não é, nem de longe, encalhada, no sentido que vocês estão pensando. Acho que todas as mulheres que me leem aqui, deveriam ler "A Bonitona Encalhada" e, se emocionar, como eu, com as teorias e peripécias da Laura.

A Laura é calorosa, gentil com nossos sentimentos e encontra, a cada minuto de sua vida, uma forma de aproveitar a beleza, a alegria e a dádiva que é viver.

Desde o começo - de caneta em punho -, grifei algumas linhas. Depois parágrafos. Finalmente estava marcando a página inteira. E... desisti! Se tivesse que grifar “A Bonitona Encalhada”, gente, tem dó, eu teria que fazer uma linha à caneta debaixo de cada linha impressa.

Tá bom, tô exagerando? Tô nada. Eu amei, e tenho certeza que vocês, Bia, Priscila, Edna, Elôca, Tânia, Marta, Daniela, Isabel, Regina, Emília, Eduarda, Ana, Gabriela, Vera, Raimunda, Mimi, Massoca, Mary, Clarinha, Carolina e Catharina, vocês vão ficar doidinhas com o livro.

Todo "Bonitão" que se preze, também deveria lê-lo, porque é uma via de acesso ao coração das mulheres.

Não resistindo e nem fazendo força para tal, copio aqui, um pedacinho muito bacana do livro. Quem leu a Clarissa, sabe que ela também recorre a essa mesma imagem, mas a seu modo. Vejam que delícia é o modo da “Bonitona” em questão, a Laurinha. Colo também a capa do livro, pra vocês verem, que ela é mesmo uma bonitona.

Marquem ai: Laura Henriques. Vocês vão ouvir falar muito dessa bonitona.


...."Acho bom poder me surpreender comigo, porque os outros, de uma forma ou de outra, tem a capacidade de nos surpreender sempre.

Essa volta eu dei pra dizer que, no fundo, ser mulher é ser muitas.

E sempre que penso nas várias mulheres que cada mulher é, lembro com carinho de uma bonequinha russa, que ganhei de Simone, uma amiga muito querida.

Não sei se todos conhecem a Matryoshka, que é uma bonequinha de madeira, muito linda e delicada, que “abriga” outra, que abriga outra e assim sucessivamente, dentro dela várias outras, idênticas, mas menores. Descobri na internet que a tradução de Matryoshka é "mãezinha".

Adorei e adoro minha bonequinha russa, linda, cheia de metáforas com as quais vou poder me divertir por tanto tempo... Afinal, o que são, ou quem são as outras bonequinhas que aquela boneca guarda?

Pensei primeiro que fossem várias versões dela mesma, muito parecidas por fora, cada uma mais escondidinha, como os vários eus que escondemos dentro de nós, os eus que vamos revelando aos poucos e para poucos, pouquíssimos que conseguem chegar à nossa última instância, à nossa primeira essência: pequenininha, mas indivísivel, guardada pelas outras todas em que a gente se transforma: profissional, amiga, namorada, menina, mulher, aluna, aprendiz, companheira, irmã, mãe, tia...

As nossas cascas são muitas, vão se abrindo, revelando outras etapas, outras matérias, outros jeitos de ser, de agir, de falar, de sonhar...

Uma bonequinha que é tantas, mas que, olhando por fora, é uma só.

Pensei também que a bonequinha podia ser cheia daquelas que vieram antes dela...na bisavó, na avó, na mãe, em todas aquelas mulheres que foram de certa forma, contribuindo e influenciando para que aquela estivesse ali, maior que elas, melhor que elas, mais detalhada, aprimorada.

É isso que somos, não é? Uma porção de genes que progredindo, evoluindo, melhorando, cuidando (e haja tratamentos estéticos), mas que provam que a gente descendeu daquele ancestral comum e que, quanto mais próximo, mais marcas deixa na gente, às vezes um tom de pele, às vezes um olhar, um levantar de sobrancelhas, um jeito de dar gargalhada ou o tom de voz...às vezes uma canela fina, ou uma perna grossa, às vezes uma simpatia imensa, às vezes uma braveza incorrigível.

Enfim, como eu já disse, uma bonequinha que é tantas, mas que, olhando por fora, é uma só...

Pensei também que a bonequinha pode ser recheada pelas escolhidas dela.
Suas amigas que, com o tempo, com a convivência, com a amizade, acabam sendo incorporadas, trazidas para dentro dela...e por serem parte da outra, que as abriga, tem seu jeito, sua cara, fazem parte do seu coração, suas eleitas, suas pessoas, seus pedacinhos que faltavam, porque a vida é muito vazia se a gente não tem ninguém pra por dentro dela.

A vida pode ser oca se a gente não acha por ai, na escola, no prédio, na faculdade, na academia, na casa da vó, no colo da mãe, ou, ainda não sei, dentro da nossa barriga, essas outras que vão trazer tantas e tantas coisas...E ai, a gente chega à mesma conclusão sempre: uma bonequinha que é tantas, mas que, olhando por fora, é uma só...

Ainda não me decidi sobre qual é a opção certa.

Talvez, olhando para minha bonequinha, ainda possam surgir novas hipóteses. Mas uma coisa é certa: elas funcionam juntas - não dá pra sumir com uma, as outras ficam sem lugar, fica um vazio sem preencher, fica um espaço esperando para ser ocupado. Não dá para substituir, cada uma tem seu tamanho e sua importância.

E, por eu ser assim, mulher, sei que também sou, de certa forma, uma bonequinha com muitas outras dentro, e tento ser, cada vez mais, uma bonequinha com mais coisas dentro: uma mulher cheia de descobertas, de novidades, de ensinamentos, de garra, de vida, de alegrias, de receptividade, de abertura.

Uma mulher em que sempre haja espaço pra mais gente, amor, alegria, aprendizado, uma mulher nova a cada dia, e livre e independente o suficiente para me assumir dependente de carinho, afeto, apoio e de todas as formas de amor."
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Say a little prayer

Eu gostei muito desse filme, "O casamento do meu melhor amigo". Claro que é uma bobagem e tudo o mais que as pessoas inteligentes e profundas falam de cátedra. Mas atire a primeira pedra quem não gosta de nenhuma bobagem.

Ah, quer saber? O quê não é bobagem na vida, heim? Heim? Levar tudo muito à sério, dá olheiras e rugas. Enfim essa cena é muito gostosa, revigorante e alegre. Parece até almoço da minha família.....rsrsrs. Só faltou a parte da facada! Brincadeira gente...


terça-feira, 16 de junho de 2009

Lobos, cachorros e senadores


"Você acha que eu, como presidente do Senado, tenho minha biografia, vou discutir uma coisa dessa? Não vou discutir um assunto desse. Minha resposta para vocês é essa."

(Sarney, perguntado sobre a nomeação de seu neto como forma de retruibuição de favores)

Não pude deixar de rir quando li a declaraçao do Sarney. Quem ele pensa que é? Um dos Imperadores Romanos? Olha a vaidade, a prepotência. Ah, mas o peixe, ou o cachorro, ou o homem, morre pela boca. Seja ingerindo, ou vomitando. Vamos aguardar. E falando em cachorro, analisando a lenda da criação de Roma, podemos perceber que o povo lá era chegado numa mamação. Será que tudo que é senado padece desse mal? Será praga, maldição, ou falta de vergonha no focinho?

Deixo os comentários a cargo dos meus jornalistas políticos prediletos:

Janio de Freitas - "A cada dia uma revelação indignante, em nenhum dia alguma reação digna.

Onde está o senador Pedro Simon, imagem da respeitabilidade parlamentar, admiração unânime do país, onde está? O que foi feito do senador Aloizio Mercadante, personagem de momentos relevantes em defesa da moralidade na política e no poder?

O senador Jarbas Vasconcelos, que por muito menos sacou da sua peixeira oral e falou por mais do que Pernambuco, acha agora que uma entrevistinha é bastante? E aqueles outros, por poucos que sejam, aos quais nenhuma possível crítica interrogou sobre sua decência, nada têm a fazer agora senão curvarem-se como espectadores encabulados?"

Ricardo Noblat - "Quase todos apostam, porém, que a sobrevivência de Sarney no cargo se dará à custa de um alheamento ainda maior do cotidiano do Senado e de uma dependência cada vez mais explícita do esquema de poder gerenciado por Renan Calheiros (PMDB-AL)."

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Saudade mata a gente, neguinha


Olha, tenho que dizer. Desde ontem tô morrendo de saudade da minha mãe. Ela morreu faz 1 ano e meio e é o seguinte gente: não melhora. Muito bacana e consolador quando as pessoas me diziam que, com o tempo, ia melhorar, que eu me acostumaria. Não é verdade. NÃO É VERDADE!

Pode passar o tempo que for, que eu ainda terei saudades da minha mãe. Ou será que o tempo me fará esquecer dela? Besteira, eu tenho cada dia mais saudades. Eu vou vivendo, coisa vai coisa vem, os dias vão passando, a vida seguindo seu curso, como um rio e, de repente, puta merda, eu acordo de manhã e realizo que não tenho mais a minha mãe. É assim mesmo, tipo uma surpresa falsa, porque eu sei que ela morreu e, ao mesmo tempo, ainda me surpreendo com sua falta.

Sabe quando a gente revê um filme e fica, o tempo todo, achando, em algum lugar indefinido dentro de nós, com uma esperança débil, que desta vez será diferente o final do filme? Pois é, é assim.

Há um tempo atrás, eu estava meio revoltada com minha mãe. Eu pensava "mãe, tenha dó, você podia telefonar, mandar um e.mail, um sinal, uma mensagem qualquer, que falta de consideração. E daí que é proibido mandar mensagens? E eu com isso? Quanta coisa proibida a gente faz na vida, quer me enganar que na morte é diferente? Vai me dizer que você não podia dar uma pisada na bola e me dizer como você está?" Pode parecer engraçado, mas eu pensava isso mesmo. Fiquei muito ressentida com a falta de notícias. Mas com isso me conformei.

Porém existem coisas que não passam. Não sei dizer, mas é como se o tempo tivesse ficado suspenso depois de sua morte. As coisas que compartilhávamos, a hora do dia em que eu telefonava pra ela, o jeito que ela me agradecia aquela reles ligação.... As coisas que me acontecem e que, só pra ela eu poderia contar, porque só ela gente, só ela me achava a pessoa mais dotada de todas as eras da humanidade. Era minha mãe né? Desconto gente, desconto.

Todo gesto que compunha o nosso pequeno mundo, cada parte desse sonho da memória, ainda acontece, meu coração lembra disso todo dia, como se em outro universo, num mundo paralelo, todos estes pequenos atos, ainda acontecessem. Porque acontecem, eu sei, eu sinto!

Às vezes, o meu lado crítico me diz, que isso tudo é um pouco de irresponsabilidade; explico. Parece que é mais fácil eu ficar assim toda chorosa pela minha mãe, enquanto, simultaneamente, ainda restam alguns vivos, tipo meu pai, que eu poderia estar fazendo mais.

A gente não presta mesmo. Não sei se fui clara, mas se eu não pegar este trem, no futuro, quando meu pai se for, desta pra melhor ( é o que dizem), eu vou me arrepender do que deixei de fazer por ele. Ou seja, saudades da minha mãe, independente de quanto é doloroso, tem que servir a algo, ou eu não me chamo Walkyria, como ela , aliás, chamava também. Tem que servir pra me fazer mais presente na vida daqueles a quem amo.

Mas e a preguiça? E meus compromissos? E a minha vida, meus sonhos, minhas necessidades, minha dúvidas e a falta de tempo?

É gente, eu confesso, algo tem que mudar nessa equação. Quando as pessoas a quem amo se forem, quero saber, de dentro do meu coração, que tudo foi dito, que tudo foi feito, que não guardei nem um pedacinho do coração pra outra encarnação, quero ter gasto todo amor de que fui munida por Deus.

Quero ter a alma leve e os olhos límpidos, pra poder chorar de saudades, sem medo, sem vergonha e sem arrependimento.

Isso me leva a outro assunto, que fica pra uma próxima, mas vou voltar a falar dessa coisa louca que é a nossa mente nos enganando.

domingo, 14 de junho de 2009

BBB, ou Big Blogger Brasil


Deu pra notar que eu mudei o visual do blog, ? O Daniel olhou e disse, "Mãe, parece blog gay, ou não....hum, parece blog de física."

Independente da opinião de "filho", que nem sempre é imparcial, eu estava achando aquele blog meio juvenil. Assim, do alto do meu meio século de existência, estou mais confortável nessa cara mais madura, mais adulta.

Enfim, o que quero dizer mesmo que é nunca, nem mesmo de longe, pensei que veria esse número, quase 10.000 entradas no meu blog. Eu acho muito pra uma desconhecida, uma simples mortal complexa como eu.
Acho que era aqui a hora, em que eu deveria agradecer tudo isso à vocês. Toda essa alegria de escrever, de compartilhar, de conviver. Então, agora, eu agradeço, assim, esse presente diário que é poder escrever os meus pensamentos, desenvolver minhas sinapses, deixar meu pensamento bem conversível....aberto gente, sem capota... e ser lida.

Isso me levou a pensar, no porque as pessoas escrevem, no porque, gente de tudo que é lado, de tudo que é credo, religião, cor, tamanho e documento, quer ter um blog. Não me digam que é pra ter fama e glória, que blog não dá dinheiro nem bota comida na mesa. E, se fosse assim, gente como o Caetano Veloso, que espirra é notícia, não faria um blog. Me parece que, como nunca, as pessoas querem ser ouvidas. Ou, talvez, tenham querido isso sempre, mas agora, temos os instrumentos para sermos ouvidos: dedos e teclados.

Eu escrevo porque quero sentir que não estou sozinha, que tem gente que testemunha minha vida. Sejam as alegrias, as tristezas as achologias, os acertos e, principalmente, o que minha alma pressente e que, sem esse ofício aqui, não chegaria ao meu coração.

Então agradeço por vocês me lerem, rirem comigo, se emocionarem, dar notícias, deixar comentários, por vezes tão gentis e generosos. O que será que move uma pessoa que não me conhece e, se Deus quiser, nunca vai me ver mais gorda, a dedicar um tempo de sua vida pra me escrever algo, seja lá o que for? Isso gente, isso é muito grande e muito lindo. Acho que esse é o tão famoso amor que une pessoas dentro desse maravilhoso planeta, a nossa Terra, que tem nome de terra.....legal né?

Olha, meu coração é como essa pedrinha vermelha dessa foto. Pode parecer, no meio da selva de pedra que é o nosso cotidiano, que eu não percebo o que rola à minha volta. Mas não é verdade. Quem olha aqui, dentro deste céu, sabe que, apesar de ter a forma de uma pedra, meu coração tem essa cor, vermelha de paixão, de amor e gratidão.


Então, vamos continuar nesse
reality show, o Big Blogger Brasil onde a gente mostra, a todo momento, o que estamos vivendo, não só por fora, mas, principalmente, por dentro. É a exposição ininterrupta de nossas almas, a qualquer hora do dia, da noite, ou daquelas madrugadas(que nem é bom falar)onde tem alguém, do outro lado da gente, no avesso do nosso mundo, prontos pra clicar, e voilá..... tem uma pessoa online, lendo o meu coração!

Aos amigos, aos seguidores, aos conhecidos, aos desconhecidos, aos que nunca mais voltarão e aos que vão chegar, certamente - cada um a seu tempo, na minha vida - , toda gratidão e amizade.






sexta-feira, 12 de junho de 2009

A Namorada do Brasil


A namorada do Brasil, é Dercy Gonçalves. E, nada melhor do que o dia dos namorados para lembrá-la. Com uma vida novelesca, praticamente inventou o monólogo no teatro brasileiro, contando, pra uma plateia boqiaberta, as mazelas de sua vida.

Mazelas ou besteiras, a verdade é que tudo que ela falava, vinha revestido de muito humor. Com uma infância difícil, adolescência roubada e começo de vida adulta miseráveis, ela conseguiu se impor pra um público puritano, numa época de censura e perseguições. Um de seus programas de televisão mais famosos, - na Globo - saiu do ar em 1969, diante de protestos gerais.

Dama inclassificável, recebeu em 1985, o Troféu Mambembe, numa categoria criada especificamente para homenageá-la: Melhor Personagem de Teatro.

Subiu ao palco pela última vez em 2007 na comédia teatral "Pout-PourRir" (espetáculo criado e dirigido pela dupla Afra Gomes e Leandro Goulart, que reúne os melhores comediantes da atualidade e do passado). Neste dia ela comemorava "Cem anos de Humor", com DVD autobiográfico, direito à festa, autógrafos e, um teatro hiper-lotado por um público de fãs, celebridades e jornalistas. Ao cortar o bolo com suas próprias mãos, atirar nos atores, diretores e plateia, faz o público emocionar-se ainda mais, dizendo: "
Eu vou sentir falta de vocês. Mas vocês também vão sentir a minha". Um ano depois viria a falecer um dos maiores mitos da dramaturgia brasileira.

Aqui, algumas frases memoráveis dessa grande mulher.

"Eu fiz 94 [anos], mas me digo que estou com 95 para me energizar e chegar lá. Escrevem o que eu digo: eu só vou morrer quando eu quiser! Não programo morte, eu programo vida!"

"Todas as manhãs, a solidão me deixa deprimida. Moro sozinha, tem três pessoas que se revezam para me acompanhar. Minha filha não mora comigo. Filho não gosta de mãe; é a mãe que gosta do filho. Eles crescem, ganham independência e passam a ter prioridades. Eu me animo no cair da tarde, às 16h mais ou menos. Luto para ter forças para sair. Aí me arrumo, vou pro bingo. Lá, sou muito bem tratada, ganho cartelas e me distraio. À noite, vou a festas, jantares, adoro comer. E volto pra casa, durmo feliz. Assim são meus dias, sem expectativa."

"Quem me criou foi o tempo, foi o ar. Ninguém me criou. Aprendi como as galinhas, ciscando, o que não me fazia sofrer eu achava bom."

"Tudo que passou, acabou. Eu sobrevivi."

"O ontem acabou. Não tenho mágoa de nada e nem saudade de nada. Vivo o hoje. Tenho alegria de viver, adoro a vida."

"Eu já fui acusada de tudo. Eu era "negrinha" [sua avó era negra], menina de rua, mas nada disso me atingiu porque eu não sabia o que era o mundo. Não tinha nem amigos. Passeava na rua e era perseguida com 7, 10 anos, porque o negro é perseguido há séculos."

"Não acredito em santo nenhum. Minha religião é a natureza. Deus é um apelido. Ele pra mim não existe. O que existe é a natureza. Deus é fantasma, mas a natureza é a verdade."
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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Pirulitando na net


Ownn, que fofo, tô tão boazinha hoje....
Olha só o que encontrei nesse meu ofício diário de navegação.
Porque amigos, navegar é precioso!
Peguei nesse site aqui, de uma americana, Ann Elizabeth Schlegel,
que pinta o cotidiano com charme
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http://paintingeachday.blogspot.com/

São Valentim


Pois é, cada dia que passa, fica mais patente para mim, que não vale a pena ser uma santa. Primeiro porque ninguém reconhece mesmo, segundo porque você, santa, tem que morrer, normalmente de um modo bem tenebroso, para que depois, digamos uns 300 anos, alguns fiéis (vindos não se sabe de onde) façam cartas, moções e mocinhas para o Papa, implorando sua canonização. E aí, me conta? Qual a vantagem? Seria a publicação de milhares de santinhos com teu rosto de sofrida, espalhados pelos açougues, farmácias e cabeleireiros da cidade?

Tava pensando nisso, porque fui lá cavar a origem desse tal de São Valentim. Não deu outra, coitado, teve aquela vida dura e ainda foi morto pelas autoridades do seu tempo.

Então moçada, o negócio é deixar de procurar a tal santidade, viver nossa tão adorável, obtusa e mortal humanidade, porque essa farra aqui na Terra vai acabar. Quem viver verá!

Segue então, um resumo da vida de São Valentim, tirado da Wikipédia. E olha que graça a fofa (ou fofo, não sei) do cartão postal ao lado. É de 1910 a raridade.

São Valentim

"Durante o governo do imperador Cláudio II, este proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que os jovens se não tivessem família, se alistariam com maior facilidade. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. Seu nome era Valentim e as cerimônias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens davam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que deram mensagens ao bispo estava uma jovem cega: Assíria filha do carcereiro a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram-se apaixonando e ela milagrosamente recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: "De seu Valentim", expressão ainda hoje utilizada. Valentim foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270 d.C."

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Iniciando as comemorações

Quem lê meu blog, sabe que adoro uma comemoração. Como é muito difícil o tema "corpus christis" (na verdade, não tô no clima) vou falar do dia dos namorados. Exaustivamente, pelo menos acho isso agora, tá valendo então.

Vamos iniciar os trabalhos (hehehe) com esse videozinho que você pode mandar de presente pra sua namorada ou namorado, ou tico-tico-no-fubá, ou ficante, extasiante, enfim, aquela pessoa que, mesmo você dizendo que não tem nada com ela, você gosta....ah, você gosta dela sim.

Bem, o resto vem depois, por que eu sou aquele tipo de pessoa, que faz mil coisas ao mesmo tempo e, já tô apurada. Tenho uns 200 compromissos hoje e, desconfio, que já perdi alguns.


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voltar pro céu