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domingo, 8 de agosto de 2010

Do pensar e do dizer

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Estava aqui separando, pela milésima vez na minha existência, alguns livros para vender, ou dar, enfim, sempre juntei muito livro na vida. Certa vez, eu e o Moisés, meu segundo marido, juntamos nossas coleções e ao vendê-la, compramos uma máquina de lavar, a nossa primeira. 

Mas, voltando a hoje, encontrei esses dizeres, escritos por mim dentro do livro - coisa que faço demais -, e tem apenas umas iniciais. Não tenho ideia de onde tirei. Mas achei bem sugestivo, e de muitos modos explica a minha fala, a minha dificuldade vez ou outra.
  
 "Pensar é esgueirar-se entre as palavras e as coisas. 
Dizer é trair as coisa. 
Para não dizer traindo, tenho que trair o meu dizer. 
Tenho que dizer, não dizendo."

poema:  J. A. Peçanha
foto: palavras_by_Erickeps

sábado, 7 de agosto de 2010

Violentos Anjos

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proCelsoVidal
E os ventos que sopraram
Me fizeram lânguida de ternura.

Os ciclones levaram minhas
bicicletas da infância.

E eu não tenho nem céu­
E eu não tenho nem jeito
E eu não tenho nem saudades

Eu me esfolo em joelhos alheios
E fico por aí sem reclamar­....

Violentos anjos em seus aviões.
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Conforto no corpo e na alma

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Dia destes, fim de semana ensolarado, fomos almoçar na Vila Madalena - nosso quintal, por assim dizer - eu, a Mimi, a Eloca e mais um amigo.

Sei que um almoço que, na minha concepção, deve durar
umas duas horas, se arrastou até sete da noite. Isso é uma exceção das bravas na minha vida pois, costumo dizer que, se eu ficar mais que 3 horas na casa de alguém, pode mandar a ambulância porque, ou eu tive uma intoxicação, ou um enfarte. Mas sei lá, conversa vai e conversa vem, sei que ficamos juntos a tarde toda.

Na volta pra casa, andando pelas ruas ao entardecer, a Mimi me disse algo intrigante. Disse que pela primeira vez em sua vida, se sentia confortável dentro dela mesma. Bem, já eram sete da noite, mas quase que nós enveredamos nestes pensamentos. A Mimi se foi e eu "garrei a matutar". Não sei se nunca me senti confortável na minha pele ou, se o senti, não percebi, não coloquei minha consciência no sentimento.

A partir daquela revelação da Mimi, comecei a me perceber melhor e a descobrir como eu estou me sentindo confortável dentro de mim mesma. Sinto meu corpo, meu metabolismo, sei o que me faz mal comer, o tanto que posso beber sem perder a noção, enfim, percepções que vulgarmente colocamos ao lado dos malefícios de envelhecer.

Ou seja, com a idade as comidas, bebidas, certas pessoas e certas situações, nos fazem mal, têm que ser evitadas e, parece que sofremos um corte nas nossas atividades, como se embebedar, ouvir conversa fiada e comer qualquer coisa a qualquer hora, só para citar algumas.

Mas será que sempre não foi assim e, simplesmente, pela falta de percepção, de ligação com meu eu, acabava por não perceber? E fruto disso aconteceram muitas infelicidades, contratempos, para não dizer ressacas, arrependimentos e controvérsias? Não sei, não sei mesmo.

Antroposoficamente falando, me sinto mais associada a mim mesma. Todos os meus corpos, o físico, o etérico e o astral, estão menos dissociados. Desta maneira, meu espírito “ganha um brilho definido”. Não digo que esteja espalhado os benefícios como uma jardineira aplicada, mas posso perceber que as pessoas a meu redor estão mais felizes, mais seguras. Será que é porque eu estou mais feliz? E o que é a felicidade?

Estou enrolando, estou, tá bom, também não sei o que é felicidade. Mas se pudesse arriscar um palpite, quase um sentimento, diria que este conforto que sinto dentro de mim mesma, é um bom começo. Esse conforto envolve principalmente, eu me aceitar. Aceitar que nunca serei a bela, por exemplo, boa, caridosa, gentil. Sou casca grossa, raivosa, vingativa. Aceitar que não sou como a Madre Teresa de Calcutá, com uma inesgotável paciência. Ao contrário, meu pavio era tão curto que agora a combustão é espontânea.

Qual a novidade? É que eu não aspiro mais a essas qualidades que me colocavam desconfortável dentro dessa, que queira ou não queira, sou eu. Mas o maior barato disso tudo, é que ao ser mais eu mesmo, deixar acontecer como acontece o meu temperamento, eu me desgarrei de algo, tipo um bloco de gelo se soltou da geleira. Um bloco duro, forte, "insoltável" até, mas que soltou. Derreteu, a olhos nus, no mar gelado do meu coração - que nem estava mais tão gelado, visto poder até derreter geleiras. E aí, nesse vazio, algo novo pode surgir, algo espontâneo, vicejante, novo como uma semente abrindo espaço para luz do sol.

E acreditem, apareceu dentro dos inúmeros quartos e terraços da minha alma, alguém totalmente inusitado, nem a que eu pensava ser, nem a que eu almejei ser.

Porque gente fina, querer ser assim calma ou agitada, boa ou uma p
este, ciumenta ou desligada, é uma meta tipo como querer ser médica ou comprar a casa própria. Em algum momento da minha vida, fui convencida que tinha que alcançar alguns objetivos. E me diz, tenho que alcançar algo além da felicidade e da paz de poder ser quem eu sou? Mas quem sou, na verdade?

Ai que embolou....mas não faz mal. Também é confortável deixar embolar, como os seixos rolando em rios caudalosos, que numa hora ou outra, encontraram pouso. Pra depois serem rolados novamente, e assim, sucessivamente, como é caráter de tudo aquilo que vive e que rola por aí. E vou dizer... eu já rolei muito, pousei, descansei e segui rolando, mesmo quando achei que tinha chegado na fresta mais aconchegante desse rio. Tô viva, tô muito da viva.

Outro amigo, o Romeu tem me falado que, o que aparece na vida dele ultimamente, ele vê como um convite: é pegar ou largar, que aliás é da essência do convite.

Eu digo pras minha amigas que não aceito self-service na vida. Quero á la carte. Quero escolher, quero usar da minha liberdade, não pra decidir ser alguém que não sou.

Por incrível que possa parecer, quero usar da minha liberdade para ser o que sou. Com aceitação, carinho e muito, mas muito tesão.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Novos carinhos



Sabadão, sol com frio, pé gelado, cerveja igualmente gelada, e a alegria de postar os carinhos recebidos das amigas.


Este selo chiquézimo, é da Patrícia, uma espécie de alma gêmea, dessas que a gente agradece ter conhecido. Seu blog, Dias Genéricos, já foi indicado por mim, no Vai que é Blog, que a nível de indicação, aqui neste blog, é pura emoção. Patrícia, obrigada por lembrar de mim, obrigada pela amizade, pelos comentários, pela companhia sempre inovadora. Pra você o meu carinho e agradecimento.




Este selinho campeão, foi de uma nova amiga, a mariana, que se esforça, e muito, em traduzir meus posts e entender o que vai no meu coração. Dou o maior valor a isso, porque eu, gentefina, nem sempre tenho iniciativa de traduzir blogs em outro idioma. Mariana, teu blog é bem instigante, você deixa muito aberto pra nossa imaginação, e isso, além de me agradar, me faz crescer. Obrigada! O blog da Mariana é o Si pódes imaginarlo, pódes lograrlo.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Engessados corações

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"Dar a alguém os bons-dias por vezes intimida-me. Seca-se-me a voz, como se houvesse uma audácia estranha em ter essas palavras em voz alta. É uma espécie de pudor de existir – não tem outro nome!”

Essa citação de Fernando Pessoa, foi feita pelo amigo blogueiro Djabal, que aliás, faz citações maravilhosas, pertinentes, dentro do assunto, não é como uns e outros que entram nos comentários pra deixar assunto de outros carnavais. Se bem que faço isso de monte com a Betina e a Gerana. Ah, mas elas me perdoam.

Enfim, amei a citação, que nem conhecia, mas que esbarrou num pensamento que tenho dentro de mim há anos. Se de um lado é educado, gentil e polido dizer "bom dia" às pessoas - ainda mais em elevador - de outro lado é uma obrigação besta, desprovida de significado, um cacuete gentefina.

Olha a phinesse do Fernando Pessoa na pessoa do Djabal. Dentro do coração, triste e melancólico, vergonha de não partilhar as alegrias do dia, vergonha de não estar vivenciando as coisas boas de um "bom dia".Vergonha de não ser feliz, de não estar bem, de não ser um vencedor.....de ser um plebeu entre príncipes.....

Eu, muitas vezes dou bom dia e fico, dentro de mim, pensando no vazio dessas palavras.

Bem, foi apenas uma divagação, culpa do Djabal.

Isabel Allende, a Deusa

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Hoje é dia dela, lá no FLIP, Festa Literária Internacional de Paraty, que começou com baixarias dele, que nem vou dizer o nome porque "é de manhã, vem os pingos da chuva que ontem caiu..." : Isabel Allende.

Fiquem de olho na palestra dela, que nem aconteceu ainda! Uma Deusa, uma Deusa! Li todos os livros dela, e anseio, todo ano, por outro.

E, falando da Isabel Allende, achei que seria legal assistir a esse vídeo dela, onde o tema é a paixão. Tem uma caixa para legendas, no próprio vídeo. Espero que vocês gostem. Eu adorei, lógico.

Desde a morte de sua filha Paula, ela criou uma fundação para mulheres. Paula era uma adolescente destemida, que trabalhou voluntariamente, junto a várias comunidades carentes. Vale a pena acessar o site. E mais ainda, vale a pena ler "Paula". É uma lição de humildade, de perenidade, amor, raiva, ódio e desespero....hehehe, mas acaba bem. Hoje, milhares de mulheres, no mundo todo, se beneficiam com a fundação criada por sua mãe, Isabel. Além disso, leitores de norte a sul do planeta, escrevem sem parar para Isabel, tocados por seu livro "Paula".

Mulheres pelo mundo afora sendo tiranizadas, é um tema sempre atual, infelizmente. No que tange aos direitos, não vejo diferença entre protestar pelo fim de uma guerra ou pelo direito de um único ser humano. E por essa razão, a cada dia, cresce minha admiração pelo meu presidente. Antenado, desprovido de falsas vergonhas e falsos estilos de comportamento de quem é da turma dos bonitos, ricos e famosos, compreende dentro do coração o valor de uma vida, uma simples vida, pequenina, doce, delicada, como a minha, a sua ou a da Sakineh Ashtiani.


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Inferno, Sartre e Strindberg



Dia destes, o Paulo Tamburro escreveu um comentário, onde citou uma frase que rolou nos meus labirintos o dia todo: O inferno são os outros.

Talvez, por causa do livro “Inferno”, eu estivesse crente que era do Strindberg. Mas estava tão sem forças que não fui vasculhar meus livros. Hoje fico sabendo que a citação é do Sartre.

Bem, eu nunca fui chegada aos existencialistas. Gentefina, eu nunca suportei livros ou filmes existencialistas, onde os protagonistas, imersos em mirabolices metafísicas, não pagam um aluguel, uma conta de luz, não trabalham, enfim, não estão ligados aos problemas existenciais que sempre estive às voltas. Sustentar esse corpinho e seus derivados (3 filhos), sempre me custou muitas horas por dia, eu diria 45 horas semanais, já em vias de aposentadoria.


Então, hoje fui lá pegar meu “Inferno” numa edição bem antiga, da Max Limonad, onde fiz muitas capas e projetos gráficos, e me deliciei com as várias passagens grifadas.

Tenho essa mania de grifar tudo que curto num livro. Tenho a manha de grifar cada vez de uma cor, deixando claro, na passagem dos anos, meus vários humores.

Vou transcrever algumas para vocês, que se não leram ainda o “Inferno”, preparem-se: é adorável descobrir um livro que não lemos e que valha mesmo a pena.

Porque gentefina, tempo não volta, tempo é velocímetro rodado. Única moeda válida nessa Terra. TicTac, TicTac, TicTac....




“ O inferno? Mas eu fui criado no maior desprezo pelo inferno, fui ensinado a considerar o inferno uma fantasia que deve ser atirada aos monstros dos preconceitos. Mas, de qualquer maneira, não posso negar o fato , há uma modificação e é nela que reside a nova interpretação das penas ditas eternas: nós já estamos no inferno. A Terra é o inferno, a prisão construída por uma inteligência superior, de tal modo que não posso dar um passo sem perturbar a felicidade dos outros, e os outros não podem ser felizes sem me fazer sofrer.”

“ Perdi a memória de todo bem.”



“ Peregrino, viajante, se me queres seguir respirarás mais livremente, pois no meu Universo reina a desordem e isso que é a Liberdade”.

“ Alguém a quem eu posso agradecer! Não há ninguém. Como me pesa essa ingratidão forçada. “


“ Como explicar o fato de que à cada conquista no caminho da virtude, segue-se um vício novo?”

“Sinto piedade de mim e vergonha dos outros”.

“ Tendo chegado ao meio do caminho da minha vida, sentei-me a repousar e refletir. Havia obtido tudo o que audaciosamente desejara e sonhara. Saciado de vergonha e de honra, de alegria e de sofrimento, perguntei-me: E daí?”

Edvard Munch é o pintor das imagens que, acredito traduzirem bem, toda angústia e sofrimento da vida interior da pessoa viva. No caso eu!

Pessoa na Pessoa do Pessoa

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Poesia mimosa

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"Com a corda Mi
Do meu cavaquinho
Fiz uma aliança pra ela
Prova de Carinho"

Adoniran Barbosa


Gentefina, visitem o Guia do Centenário do Adoniran, é bem bonito, dinâmico e uma grande homenagem ao sambista mais esculachado e matreiro do Brasil.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Scrivimi, Renato Russo

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Tenho muitos amigos e, embora muitos tenham partido nos curso de meus dias nessa terra abençoada, muitos chegam sem mandar aviso, e muitos persistem nossa amizade de décadas. Verdade gentefina, tenho amigas e amigos íntimos de décadas, que sabem tudo de mim e vice-versa. Essa, é a riqueza que Deus me deu.

Mas vai daí, que agora tenho amigos virtuais, amigos de blog. Eles são mais que amigos virtuais, porque os outros virtuais que conheci desde 1998, são amigos reais já. Mas o blog, não sei, não me dispus e nem pensei em chegar a ter um conhecimento, dito real, dessas pessoas. Já me sinto tão próxima, já têm um lugar tão certo na minha vida, que não vejo motivo, ao menos por enquanto, de mudar isso.

Mas então tia Walkyria, o quê mesmo você está querendo dizer?

Quero dizer gentefina, que faz parte dessa minha vida de blogueira, sentir falta, saudades, até mesmo uma certa preocupação com meus amigos de blogs. Às vezes, um simples olá já deixa meu coração esperto e agradecido. E foi pensando nisso que posto hoje essa música do Renato Russo, cantada num dos idioma do amor e da amizade, o italiano, e peço que vocês ouçam e leiam a letra, em italiano e em português no vídeo.

A dedico, no mais genuíno estilo romântico, a todos vocês, meus amigos tão reais, virtuais, e tudo o mais.

Porém, quero mandá-la com muito carinho, para um lobo solitário, o Roque.
E vamos ao que interessa. Curtam essa maravilha!
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Scrivimi, quando il vento avrà spogliato gli alberi
Gli altri sono andati al cinema, ma tu vuoi restare sola
Poca voglia di parlare allora scrivimi

Servirà a sentirti meno fragile, quando nella gente troverai
Solamente indifferenza, tu non ti dimenticare mai di me

E se non avrai da dire niente di particolare
Non ti devi preoccupare, io saprò capire
A me basta di sapere che mi pensi anche un minuto
Perché io so accontentarmi anche di un semplice saluto
Ci vuole poco per sentirsi più vicini

Scrivimi, quando il cielo sembrerà più limpido
Le giornate ormai si allungano
Ma tu non aspettar la sera, se hai voglia di cantare
Scrivimi, anche quando penserai, che ti sei innamorata...

E se non avrai da dire niente di particolare
Non ti devi preoccupare, io saprò capire
A me basta di sapere che mi pensi anche un minuto
Perché io so accontentarmi anche di un semplice saluto
Ci vuole poco per sentirsi più vicini
Scrivimi, anche quando penserai, che ti sei innamorata...
Tu scrivimi.
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domingo, 25 de julho de 2010

Sábia Decisão

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Na véspera do que não serei,

tomo a decisão:
Amanha resolverei tudo!

No dia em que já não sou,

me decido:

Amanhã me procurarei!
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voltar pro céu