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segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Livro dos Ciúmes - Carlos Trigueiro

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Bendito dia em que o livro Confissões de um Anjo da Guarda me chamou da prateleira numa livraria. De lá pra cá, me delicio com a escrita abundante e generosa do Carlos Trigueiro. Agora, como não achava esse seu livro - o da foto, que está esgotadíssimo-, não é que ele me manda pelo correio?

Ah gentefina, as histórias são ótimas, eu que nem gostava de conto. Mas além da história ser sempre boa, indizível, matreira e inusitada, o Carlos(olha a intimidade) escereve de um jeito único. Ele antecipa e volta pra trás com tanta graça e facilidade, que parece filme, imagem pura, a gente fica enredada. Sua forma de escrever, de manter frase longas e explicativas, recheadas de humor e de caricaturas que pulam das páginas, é uma dádiva, uma alegria, um desfile de vida e possibilidades.

Olha Carlos, com esse último livro, digo que até sinto ciúmes de você. Mas é um ciúmes ao contrário, queria que toda gente pudesse ter essa alegria que tenho ao te ler, nesses tempos de tantas atribulações e tão poucas alegrias.

Já na página 26, fiz meu primeiro de muitos rabiscos no teu livro. Aqui:
 - Por incrível que possa parecer, sem nehuma explicação plausível, senti ciúmes de mim mesmo, do jovem que morou em mim, do moço galante que fui outrora. E enciumado, comecei a escrever.

obrigada.....

quarta-feira, 25 de maio de 2011

VIDA

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Estou ouvindo
Abro a porta e procuro
Fecho a porta
Costas na porta
CO LA DA
Espreito devagar
Assustada
Descabelada
Seguro
Rápido e forte
É só um momento
A vida!

foto: JamieBeck

sábado, 21 de maio de 2011

Ato de caridade

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É o mínimo que você pode fazer, já que não vai pra nenhuma missão de paz no Oriente Médio, nem missão humanitária junto com a Angelina, nem ao menos à Praça da Sé distribuir uns pirulitos.

Vamos gentefina, coragem, os deseperados esperam por você. Pensa, só quatro meses e você fica quites com a eternidade. Bom negócio heim!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Gente adentro - na mata


A mata muda a temperatura do corpo
chega de todos os lados,
envolve como presença…
a pele da mata.

A cada passo,
pele da mata
na pele de gente
se mistura.
A mata entra gente adentro.
E gente adentro é outra carne.

Alma e coração,
sentimento e impressão,
verdade e fantasia,
ilusão e certeza,
pequeno e grande,
longe ou perto.

O mundo antagônico se liquefaz
na mata…
dentro da carne da pele
gente adentro.

Árvores, troncos, folhas raízes,
pernas e braços,
gravetos, cipós, restos,
memórias e vestígios,
seres, predadores, caça e caçados,
guardados e violados,
tudo se mistura na gente,
mata adentro.

Caminho só de ida.
Gente adentro.
Sem saída.
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domingo, 15 de maio de 2011

Rudolf Steiner

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Nego-me a submeter-me ao medo

que tira a alegria de minha liberdade

que não me deixa arriscar nada,

que me torna pequeno e mesquinho,

que me amarra,

que não me deixa ser direto e franco,

que me persegue,

que ocupa negativamente minha imaginação,

que sempre pinta visões sombrias.

Nego-me a submeter-me ao medo.
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terça-feira, 10 de maio de 2011

Daniel Ferraz

Gentefina, esse vídeo é do Daniel, o filho de um grande amigo, o Fernando Ferraz, Bebê para os íntimos. 

Ele mora na Dinamarca, com a mamis dele e a irmã, e faz cinema por lá. Esse vídeo é demais! Fala das relações entre diferentes, o amor, o socialmente correto, ai nem sei, me abriu a cabeça em mil pedacinhos.

Dentre centenas de curtas, o filme dele foi selecionado pra Cannes, pra uma votação à parte no YouTube, e pra ser exibido numa mostra em Cannes, independente do resultado da votação.

Ano passado ele foi pra ver a mostra. Disse pro Bebê - pai, acampei na praia de Cannes e saí da barraca de smoking pra ver a mostra. Fofo né gente, fofo ser jovem e livre assim!

Bacana também ver os outro vídeos, com dezenas de pessoas na produção, e o filme do Daniel, com meia dúzia de pessoas fazendo as coisas por amor e amizade.

E não deixem de ir no Youtube e votar no filme dele. Basta clicar que gostou, naquele sinal de positivo que tem por lá.

Gentefina, vale muito ver o curta do Daniel. Adoro esse nome. Por que será?

domingo, 8 de maio de 2011

Carta a uma desaparecida

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vele a pena reeditar, porque não perco tempo de escrever de novo, a mesma coisa que ainda penso. E foi niver da mamis dia 25, de novo, todo ano é isso!
Oi mamis, tudo bem com você? Resolvi romper nosso silêncio e te escrevo, já que você se foi, assim, sem mais nem menos, sem nenhuma explicação, simplesmente desapareceu da face da terra, e o que foi pior ainda, nunca mandou notícias.
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No começo foi normal, sabia que seria difícil a comunicação, mas com o passar do tempo, a saudade não diminuiu, como todo mundo falava pra mim que aconteceria. Não! Ao contrário, a saudade virou revolta e a revolta virou raiva. Eu pensava com meus botões e zíperes, que a senhora não ia querer usar métodos tradicionais pra nossa comunicação, tipo uma aparição, ou me assustar no meio da noite como um fantasma. Não! A senhora não gostava desse lance de espíritos, e, por outro lado, nunca foi santa, pra dar uma de aparecida.
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Mas tenha dó mãe, com tanta tecnologia, e.mail, telefone, celular, blogs, sites, uma reles carta, tenha dó mãe, nada, mas nadica de nada da senhora dar as caras.
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Então te escrevo hoje, que faz dois anos que a senhora se foi deste mundo, ou desta para melhor, supondo-se que exista algo melhor do que a vida. Imagino, que a exemplo da terra, o pessoal está comemorando seus dois aninhos de céu.
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Ah!, deve estar uma festa porque, se há algo que a senhora gostava era de festa e bate-papo. E imagino que, aos dois anos, a senhora já tenha se iniciado nos mistérios da eternidade e entendido muita coisa que antes não entendia.
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Ou será que é como fazer uma viagem pela primeira vez? Tipo que a gente volta empolgada por ter ido a lugares novos e sai contando dos roteiros e passeios e vem alguém e pergunta “massss, você foi no tal lugar assim assado?”, e a gente fica estarrecida por ter perdido aquela dica. E vai percebendo quanto ainda havia pra descobrir, que em uma única viagem não pudemos conhecer. Então a gente quer volta lá, ah quer sim, e fazer coisas que não fizemos da primeira vez. Nós, os eternos marinheiros de primeira viagem….
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Então, sei lá, talvez não exista mesmo um fim pra descobrir, nem uma iniciação cem por cento garantida.
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Quem sabe seja por essa razão que reencarnamos, que queremos voltar pra terra, quer dizer, se é que existe reencarnação né, porque aqui na terra, a senhora sabe, é um diz-que-diz mas ninguém sabe é de nada.
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E sabe do quê mais? Conversando assim com a senhora, acho que aí no céu, também ninguém sabe de nada. Senão… pra que voltar…. ou pra que nascer….. se todo mundo sabe de tudo… pra que né?
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Bem mamis, então, feliz aniversário, muita paz, contentamento e plenitude, é o que desejo pra senhora, que teve uma vida tão intensa, nas alegrias e nas tristezas.
E nada de choro heim!, porque espírito não chora!, dizem!
foto: closed for eternity by ajss

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sábado, 7 de maio de 2011

Detesto dia das mães

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Quem acompanha esse céu, sabe que adoro as festas de mudança de estação. Primavera na Páscoa, São João no inverno, São Micael no outono e Natal no verão. Mas detesto dia das mães.

Quando pequena, era um dia que eu fazia uma baboseira qualquer na escola e dava pra minha mãe, que acumulou desenhos, porta-retratos, colares de macarrão, pulseiras de pedras falsas, vindos de suas quatro filhas, em quatro diferentes escolas.

Depois, com 21 anos, eu já tinha duas filhas. Vou dizer gentefina, não foi fácil ser mãe solteira e concubina nos anos 70. Nem batizadas minhas filhas puderam ser. Oquei, minha mãe deu um jeitinho e batizamos as meninas em casa mesmo.

Por alguns anos, por conta de brigas familiares, não passei o dia das mães com a mamis, e quis que minhas filhas não dessem importância para essa data, já que pra mim era uma data triste. Elas ensaiavam bolos de neston com azeitona – juro -, faixas, músicas, mas sabe, era uma bagunça e eu não sabia o que sentir.

Depois, feitas as pazes familiares (pois se há uma coisa que deve ser economizada, é briga familiar, pois a gente acaba fazendo as pazes mas com mágoas profundas no coração - assim, sugiro não brigar, é mais cômodo gentefina) e de enfim retornar às boas com a família, era um pega pra capar. Uma não podia almoçar, o outro só podia na hora do almoço. Um queria uma pizza no final da tarde porque tinha compromisso à noite. O outro queria um jantar porque chegaria de viagem tarde. Minha mãe não queria era nada, porque estava doente, dava folga pra cozinheira, era um embaço. E a Mamis, nem sabia onde era a cozinha da nossa casa. Meu pai não queria jantar nem almoçar fora, pra não morrer com uma nota preta com suas 4 filhas, genros, netos e agregados.
Deu pra sentir o clima?

Eu sempre estava disponível, menos por santidade do que por organização. Ciente dos embaços que os seres humanos podem criar, ficava no aguardo e no comando de uma verdadeira guerra de vaidades, quem, onde, quando….um saco. A fortaleza era a casa da minha mãe. Não era dia das mães, era dia da avó.

Presentes, minha mãe tinha o péssimo hábito de reclamar de todos ”isso eu não uso, isso acho o fim você me dar, não acredito que você me deu isso, olha, pode levar de volta”. No quesito presente, sempre me dei bem. Eu escrevia cartas, que ela adorava. Na ocasião de sua morte, não encontrei nenhuma….. mas tenho a maioria gravada em meu disco, senão o rígido, o mole mesmo, do coração.

Aí a véia more, desintegra a família, outra leva de brigas….. acabou o dia das mães. Minhas filhas, criadas no “faça como você quiser que eu não sou o DOICOD", nunca ligaram para datas. Nenhuma, na verdade. Meu filho Daniel, liga, me fez muito agrado já e muita cartinha, mas tá ficando homem, é diferente, e se vê no meio dessa mulherada toda. Sendo de temperamento distante e pacífico, pra não dizer ausente, fica na dele, aguardando os acontecimentos. Iniciativa? essa qualidade passou longe da minha casa.

Enfim, no mais profundo recanto das minhas ilusões, espero um dia das mães, onde os filhos surpreendam, onde os filhos façam algo pras mães. Um almoço, uma apresentação, um café da manhã na cama - eu que bebo café preto e um simples pão francês - uma carta….. gentefina, sou humana, sangro, não posso negar.

Dia desses assisti ao seriado The Middle. Muito bom. Teve o episódio do dia das mães, hilário. No dia dos pais, tudo dava certo, claro, a mãe supervisionava o café da manhã, o presente, os afazeres dos filhos, tudo mesmo. No dia das mães, era aquela bagunça na cozinha, que ela iria limpar, óbvio. Acordavam a pobre antes da hora, com um café da manhã asqueroso e,  presente.... bem, o pai havia esquecido e comprava qualquer utilitário doméstico de última hora. No caso, uma bolsa inflável para escalda-pés. Me senti melhor, mais acompanhda nessa sina. Mas gentefina, não abrandou minha raiva do dia das mães.

Finalizando a ladainha, vai a foto do santinho da mamis….. e mais, onde quer que você esteja mamis, porque notícias você não manda mesmo, saiba que te amo, e que agradeço por tudo que você me deu. Sei que foi o seu melhor. E…..surpresa! Me ajuda muito ser como sou. De verdade mamis, não me trocaria por ninguém.
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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Vai que é Blog!


Ai gente, e não é que no auge dos meus 56 anos, entrei pra galeria do Blog A Mina do Cara?
Vocês conhecem esse blog? Eu adoro. Por muito tempo não soube se era um homem ou um mulher que escrevia.... deixo a dúvida com vocês.

Bem, eu estou lá em baixo, acho que por causa da idade né gentefina. Vai descendo, descendo, quando chegar lá no fim, tem minha foto na barra da direita.

Sei que fiquei bem feliz, o autor, ou autora, escreve crônicas bem instigantes, humoradas, sarcásticas. É minha dose diária de bom-humor.
Vai lá gente, vai.....

Essa mina da foto, descobri que é a Pri..... citada na última crônica.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Meninos e lobos

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proJoãoFarkas
Sinal.
Escadarias, corpos correndo,
Recreio.

A menina encosta no balcão,
pede café e um maço de Carlton.
O menino encosta na menina.
Amigos, sorrisos, esperanças…

A menina compartilha com todos,
costas no balcão,
nem nota seu café
servido ao lado do maço de cigarros.

O menino só compartilha a presença da menina.

Pega o maço, abre delicadamente a fita dourada,
o celofane, abre a caixa e com dedos de ponta de estrelas,
puxa o papel prateado que encobre os cigarros.

Sinal, escadarias, corpos correndo.
Final do recreio.

A menina pragueja, nem havia podido fumar.
Bebe o café num gole e corre atrás dos amigos.

Sinal. Fim das aulas.
Menina senta sozinha nas escadarias
observa a grande avenida com o nome de sua cidade.

Abre o maço de cigarros,
estranha que ele já estivesse aberto.
E lá dentro,
escrito com letras redondas como abraços,
ela pode ler as palavras do menino:
“Os lobos também amam”

E antes da primeira tragada,
ela já estava apaixonada.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Estadão - ESPM

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Essa crônica foi escrita pelo Nico, Antônio Penteado Mendonça, e foi ao ar na rádio Estadão ESPM, no dia 28 de maio. O Nico, além de amigo véio de guerra, ainda é colunista, escritor de vários livros, advogado e Presidente da Academia Paulista de Letras.

Dá pra entender o quanto ficamos felizes com sua generosa homenagem ao nosso blog tão feminino, tão pessoal e intransferível como é o Mnemosine?

Gentenfina, vale a pena acessar o site do Nico. Lá, na barra principal, estão publicadas as Crônicas da Cidade. É uma São Paulo vista através de um olhar crítico e amoroso. Uma verdadeira ode à nossa cidade. Elas vão ao ar todos os dias, em três edições, na Rádio Eldorado e na Estadão ESPM. Depois, são cuidadosamente arquivadas em seu site.

Nico, de coração, corpitcho e alma, agradecemos a preferência.

"MNEMOSINE
por Antônio Penteado Mendonça 

Minha amiga de infância, Walkyria Suleiman sempre teve queda acentuada para as artes, para a cultura, para o ato de pensar - de forma inteligente.

Menina, lançou um livro chamado Flash que me impressionou muito e me marcou, porque alguém da minha turma tinha coragem para publicar o que escrevia.

Depois tocou em frente, e a vida, como acontece invariavelmente, nos abriu caminhos diferentes o que nos afastou e quebrou o convívio da juventude.

Voltei a encontrar a Walkyria, poucos anos atrás, através de minha irmã Tiche que havia mantido contato com ela.

Walkyria estava criando alquimias no seu blog e eu fui lá ver o que ela estava fazendo.

Assim, acessei http://walkyria-suleiman.blogspot.com/ e descobri um tesouro que até hoje me atrai e me faz mergulhar de cabeça nos textos, nas poesias, no guardado de muito tempo.

Agora Walkyria, mais uma vez, decidiu inovar e com a filha Catharina Suleiman e a amiga Betina Moraes, criou outro blog.

http://mnemosine-musas.blogspot.com merece a visita.

Com fotos maravilhosas feitas pela Catharina e outros fotógrafos, com textos fantásticos de Betina Moraes fazendo contraponto para as fotos e com a edição competente e delicada da Walkyria o blog é um convite para a paz, para a meditação, para pensar no sentido da vida, para esquecer a vida do lado de fora e mergulhar de cabeça numa viagem inusitada dentro de nós.Ainda bem que no mundo tem gente como elas, que ainda dá valor ao belo, não porque é caro, mas porque é belo."

terça-feira, 3 de maio de 2011

Para Nydia Bonetti

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Estas fotos são para você Nydia, que vê a gente pequenininha como passarinho.










Blog Longitudes

fotos: minha Lumix Panasonic

Resposta da Nydia:

Que fotos Wal! Vão pra minha coleção de pássaros no fio. Qualquer dia vou usá-las para ilustrar um dos meus poemas - de pássaros no fio. Retribuo com um poema - de pássaro no fio, claro:)

há muito deixei de contar
os livros que li
vaidades
prefiro contar estrelas
passarinhos no fio
voares
lírios e pedras roladas
na beira do rio
delírios
rajadas de vento
amoras

obrigada, beijoos!

voltar pro céu