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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Gastura na alma

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Sei não, sei não....
quando entro na turma,
quando fico sócia do clube,
ou quando me sinto da panela,
me dá uma coisa,
um anseio de ser livre,
de não precisar seguir as regras pra ser querida,
chamada,
convidada...
me dá uma gastura na alma,
que sei lá,
tenho que dar porrada,
quebrar tudo,
ir embora gritando,
pra nunca,
nunca mais correr o risco de voltar,
de cair de novo no conto da necessidade social do ser humano,
quero ser bicho,
quero ser predador noturno,
quero silêncio e solidão,
quero poder ser eu mesma,
sem medir consequências,
sem medo de ferir,
de ser ferida,
quero ser bicho,
ou santa,
ou anjo caído
dá no mesmo.
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domingo, 26 de junho de 2011

Como assim? Fui reconhecida?

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Domingo, 6 horas da tarde, tava eu lá no super, camiseta de pijama, DonnaKaran, véia e preta, bota sem meia, calça jeans, casaco preto, óculos escuros pra não ver mais do que o necessário, passando no caixa. A menina era bem qualquer coisa. Eu, formal, sim, por favor, obrigada, daria, ..... ela uma anta. 

O cara atrás de mim começa a cantar, bem pelo menos não está irritado com minha meticulozidade de embalar cada coisa em seu lugar.

Pago e coisa e tal e cadê meu cartão? Por favor, você não me deu o cartão. Deu nada, eu não tenho certeza de nada mais, porém você nem me deu o cartão. Olha aqui na carteira, nada, tá vendo? Será que essa esteirinha não andou? Como você tem certeza que não? 

O cara, o cantante olha pra mim, eu acho que andou sim, parece que vi algo. Viu, ele acha.....daria pra você abrir o compartimento da esteira? Olha lá...olha o meu cartão... , pode por a mãozinha, pega meu cartão. Obrigada... não pra você, fofa, pra você moço, que acreditou em mim.

Você é a Walkyria? Pronto, alguém do Paes Leme, ou da Usp, ou aqueles obscuros amigos das minha irmãs que adoravam frequentar a casa dos meus pais. Sim, sou eu. Suleiman? Isso, eu mesma. Você me conhece?  

Eu sigo o teu blog!

Ah gentefina, a jeca aqui não conseguiu dizer nada de bom. Ave timidez, falta de jeito, medo dos humanos, vai saber.....


Ok Placco, obrigada por me reconhecer....ave, que agadecimento mais tosco. Eu podia ter perguntado algo, dito outros tantos, mas sei lá, sou assim quando não conheço a pessoa. Depois que conheço melhor, o ser tem saudade do tempo em que eu falava pouco.


Enfim, fiquei pensando... estarei famosa, carne de vaca, arroz de festa, ou apenas uma coincidência?

Vai saber gentefina, vai saber.... a gente sempre quer saber o que significam os aconteciomentos da vida. E no fim, é isso, a vida simplesmente acontece. E nem tchum pra gente.

sábado, 25 de junho de 2011

Falso brilhante



O dia acabou
Se esvaziou de luz
E encheu a sala de sombra.

De onde estou
Levanto a cabeça
E me vejo refletida,
Exatamente no vidro do quadro
Que tem por dentro a minha fotografia.

Eu aqui,
Do lado de fora
Adentrando em mim mesma
Num eu,
Que não é mais o meu eu.
Num eu, que nem me lembro como era.
Num eu, que nem sei bem se existiu, na realidade.

Deste ponto de vista
Que verdade pode haver nessa memória?

Ai me Deus,
Será que perdi alguém nessa história?
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sábado, 18 de junho de 2011

Fadas, Travoltas e amigas do coração

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Vocês se lembram da Julia Margarido, aquela amiga que mora em Floripa, que eu fui passar uns dias e depois postei aqui os tesouros da casa dela? Foi no post  as sereias da Juju, e no da Lolita, a cachorra que nos ensina a dar as costas pras fatalidades da vida.... Se você não leu ainda, vai lá, pense que é um post que vale por três.....rsssrsr.

Bem, mas o que quero contar, é que ano passado, a Juju me mandou pelo coreio, uma caixa cheinha de presentes, um mais mimoso que o outro. Veio ainda uma cartinha reforçando nosso amor de 40 anos.

Junto com tudo, muito das faceiras e atrevidas, vieram 6 fadinhas. Juro gentefina, juro. Essas fadinhas a Juju me enviou, dizendo pra distribui-las pelas plantas. Hai, que começou um processo aqui em casa.

Coloquei em tudo que foi planta, estante, móbile, altar e nada, nada das fadinhas sorrirem. Ficavam com aquela carinha de boneca de plástico, que quem tem a menor noção de fada sabe, ah sabe muito bem, que elas estão putas da vida. E então, não se impressione quando as coisas começaream  a se perder na sua casa, ou a mudarem de lugar sem explicação. Nem se chateie se as flores não florirem mais, ou se florirem, minguarem no espaço de uma dia. Nada disso, mãos à obra com as fadinhas e deixe que elas decidam onde querem ficar.

E assim, obedientemente, fui colocando as meninas, cada dia num  lugar até que....tcharam! Elas acharam o seu lugar.

Vou mandar aqui a foto da mais danada delas, que como não podia deixar de ser, foi a Sininho. Ela ficou tão feliz com seu lugar de destaque, em cima da geladeira e ao lado do Victor, o pinguim tropical, que cismou a dançar. Gentefina, fala sério se ela não está dando uma de Travolta, nos Embalos de Sábado à Noite?













Era isso: minha amiga adorada, caixas que chegam pelo correio enchendo de mistério a nossa vida, e fadas..... o que queria contar pra vocês no dia de hoje. Com carinho sempre.







quinta-feira, 16 de junho de 2011

Vai que é Blog!

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Quem é cria deste céu, sabe a alegria que tenho quando encontro um blog que me inspira, que me chama, que me agrada mesmo. Hoje quero apresentar pra vocês, o Blog Fondue For Two, da minha queridézima amiga Thais Bernardino.

Assim como eu, a Thais é uma fanática por filmes. A diferença é que ela procura, estuda, compara, sabe das coisas, e eu vou na dela, perguntando tudo, na maior cara de pau. Como muita gente consulta a Thais, ela resolveu fazer um blog.

Oquei que sou suspeita, porque eu e a Thais desenvolvemos uma amizade onde ela sabe do que eu gosto e por incrível que pareça, gostamos sempre das memsas coisas. A "coisa" mais linda que  nos une, é o Timoty Oliphant, ai meu Jesus que esse homem ainda me mata.

Mas deixando nossa luxúria de lado, entre eu e a Thais rolava de eu não gostar de um filme, e então a gente conversava e ela me dava uma dica que mudava tudo. E vice- versa. Vou dizer gentefina, podem abrir o blog, fazer a pipoca e aproveitar a distração. E tem mais: qualquer dúvida, perguntem tudinho que ela sabe, adora e se desmancha em gentilezas. E além de tudo é uma linda! Ah, poderosas anônimas e faceiras deste mundo de Deus!

Bons filmes!

domingo, 12 de junho de 2011

Paraíso, livre arbítrio e suicídio

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Tenho sim!
Tenho muito. Tenho todo apreço, afinidade, cumplicidade, admiração e orgulho até, eu diria, dos suicidas.

Mas vamos começar do começo, atitude louvável quando o meio se apresenta tão distorcido, inconcebível e pouco aceitável, como é a vida de todo mortal nessa Terra.

Quando Adão e Eva -que já deu pra notar, estão na minha mira, há algum tempo-, estavam ali no paraíso, a vida era uma beleza. Mas como era essa vida? Peixinhos, passarinhos, frutos diversos, verduras, água cristalina, natureza em abundância. Tudo era permitido, tudo era festa geral 24 horas por dia, isso claro, se pensarmos que eles eram escravos do tempo. 

Oquei, então não, tudo era alegria por toda eternidade. Ou seja, dois neguinhos soltos na selva num total desprendimento, inclusive do tempo. E o Senhor de tudo aquilo, Deus, Criador e todo Poderoso, como todo senhor que se preza, tinha uma lei, claro, tinha que ter, senão não era senhor. A lei era: não comer determinado fruto.

Pensem comigo: Se tudo era festa, porque então Deus inventou essa história pra ferrar a liberdade do casal? Vamos combinar que eles nem sabiam que eram diferentes, nem se tocavam ou se viam.

Um dia, pra história seguir seu curso, sim, porque essa festa toda não tinha o menor sentido, veio a cobra, também criada pelo Deus Todo Poderoso, porque em nenhum lugar está dito que ela chegou de mansinho de outra parte do universo, com documento falso e malandragem. Bem, sem mais delongas chegou a cobra e disse pra Eva comer a fruta e dar pro Adão também, pra não bancar a mesquinha logo de cara. Eva, aceitou no ato. Mas gentefina, que poderíamos esperar de uma costelinha? A Eva era uma tonta, e Adão também não ficava atrás e me pergunto, o que eles faziam o dia todo no paraíso.... 

Bem, mas vá lá. Os dois comeram a pobre da maçã, que é considerada erroneamente, se a gente for pensar ao pé da letra, a fruta mais nobre em termos de saúde pra nós, a parentalha dos expulsos. Vai daí que, subitamente perceberam que eram diferentes e fizeram aquilo que metade da humanidade faz e a outra quer fazer: transaram.

Me pergunto, a essa altura da história: então antes eles não faziam sexo? E como, pelamordedeus, O Todo Poderoso pensava em construir a humanidade? Ou Adão e Eva eram apenas um luxo, um brinquedinho, ou ainda, indo mais longe, uma aposta que Deus havia feito com Lúcifer que, segundo consta, anjo predileto de Deus, opôs-se firmemente à criação dessa espécie?


Oquei, mas para não perder o fio da meada, o casal desavergonhado foi expulso. Lá, no portão do paraíso Deus disse que eles seriam condenados a viver uma vida com limite de fábrica, que teriam que plantar e colher seu alimento, que ficariam doentes, e que Eva, por sua lascívia, pouca vergonha, assanhamento e outros impropérios recém criados no momento pelo Locatário Ensandecido, geraria filhos que pariria com dor. Tá lá gentefina, letrinha por letrinha no Gênesis.

Ora pois, como até os portugueses diriam, então antes a Eva não geraria filhos e o casal, que só se tocou, literalmente, após comer o fruto proibido, não era afeito a sexo e por conseguinte seriam eternamente sozinhos no paraíso, aquele de passarinhos, frutas, regatos….???

E assim foi. Foram expulsos, Adão e Eva, possivelmente prenha, vestidos e com vergonha de suas partes íntimas recém descobertas e deram de cara com o quê? Passarinhos, cachoeiras, rios, frutas, animais…..
Não sei, mas algo me parece estranho nessa mudança de perspectiva. A única coisa nova era não serem mais servidos por anjos e querubins (tinha escravo no paraíso?) poder transar à vontade, se reproduzir e ter, finalmente, o tal do livre arbítrio. Porque no paraíso, com apenas uma restrição – pelo que se saiba- eles eram dominados. Meia mentira, meia punição, meia injustiça, ah, vocês sabem, já conta como coisa inteira.

Assim, podemos deduzir, que o livre arbítrio, dom supremo e sublime da raça humana, foi um castigo. Ou foi e é, uma graça instrasferível, ou é uma desgraça. Não tem meio termo aqui.

Fica óbvio que essa história era uma parábola, uma metáfora, pra não dizer uma piada, não tem nada de lógico a não ser o fato de que a desobediência dos nosso ancestrais nos valeu o livre arbítrio.
Sigamos….

Qual o maior bem que temos senão a vida? E quem nos dá a vida? Deus? Não senhores, Deus não era a fins da reprodução, como vimos até aqui, e como ficou comprovado com a expulsão da dupla non grata. Mas como, ai Jesus, como Deus queria criar uma raça…. Por osmose? É, pode ser né, não duvido de nada mais. 

Ou será que Deus queria criar uma raça seguindo o dogma da virgindade de Maria, que acredito, diga-se de passagem, que gerou outro ser em estado de consciência alterado, ou seja, não participou do ato carnal, não viu nada acontecer. Ela e José eram iniciados eram Essênios, e coisa e tal. Mas não pode ser, isso só aconteceria mais tarde, quando Deus amoleceria um pouco e mandaria pra Terra seu Filho, pra bagunçar mais ainda a humanidade, mudando de cabo a rabo, metade das leis que ele levou alguns séculos para perceber que eram um pouco castradoras e desumanas. Oquei que tem um pedação da humanidade que ainda segue essas leis e que nem acredita que Jesus era Filho do Deus arrependido. Viche, tem que seguir bem atento tudo isso pra não se perder e virar Testemunha de Jeová, ou outra quebrada que a história propicia de montão.

Na falta de conhecimento do que Deus queria com aquele Neverland, o fato é que não deu certo e ele atacou de Laos Cambodja com toda sua fúria, que não era pouca naquela época, basta dar uma folheada no Velho Testamento.

Logo, o livre arbítrio veio assim como um prêmio de consolação, e agora, de novo, pergunto? Quem nos deu a vida? Papis e mamis. Deus deu a possibilidade disso acontecer no momento em que criou a cobra e a maçã, e Adão e Eva. Ele tinha lá suas dúvidas mesmo, e ficou muito decepcionado. Rogou tudo que foi praga no pobre do casal. Mas eles ganharam suas próprias vida, suas escolhas, a dor e a delícia de serem o que eram, e sobretudo, numa vida com tempo indeterminado, eles podiam então dar cabo dela, a hora que bem quisessem. Eles descobriram que eram seres humanos, plenos, conscientes, aptos, com suas particularidades e vivências, que os faziam únicos.

Demorou, mas expliquei porque tenho admiração pelos suicidas. Me parece eles têm o entendimento absoluto do que é o livre arbítrio. Tem coisa mais louca do que poder decidir TUDO, mas tudo mesmo na vida, mas não poder decidir se continuamos ou partimos desta, sabe-se lá pra onde?
Não gentefina, é outro paradoxo maçãzistico. Pode tudo tá, só não pode se matar.


Ninguém das altas esferas disse isso aqui pra galera do porão. Foi invenção de alguém ali nos primórdios da humanidade, e pasmem, de um lado dos primórdios, porque para a maioria dos orientais, ignorantes - ah, pobrezinhos – dos ditames ocidentais, o suicídio inclusive, pode ser muito pomposo e aclamado, transformando um cidadão corrupto, em exemplo de contrição.

 Então, era isso que eu queria dizer hoje.

Quando aguentamos dores, humilhações, injustiças, privações, tragédias de todo tipo, tamanho e qualidade, ainda nos é permitido a morte. Tem que ser. O livre arbítrio é soberanos pra tudo, ou não é livre arbítrio porra nenhuma e temos que rever tudo, mas tudo mesmo nessa droga de lugar que, começa onde finda o paraíso.

Abreviar a própria vida, é a coroação da nossa vontade, da nossa dignidade, ou somos um bando de idiotas, esperando viver em outro lugar, o que não vivemos aqui.

Toda essa história de Gênesis, de pecado original, de castidade, não me convence não. Se houve algum plano, ele é mais que isso.
Porque peraí: se os Deuses queriam saber como era viver esse mundo material, já não deu não? O plano deve ser outro, e sinceramente, ao diabo com o plano. Quero apenas poder exercer meu livre arbítrio, já que foi a única herança, embora maldita, que meus ancestrais me legaram. E esse livre arbítrio serve para que eu decida, soberanamente, o dia da minha morte.

Mas, entrementes, quero viver muita coisa ainda, se o tempo e a raça que me rodeia, assim me permitirem.

Mas minha cabeça fica assim, pensando nas incongruências da vida, as minhas, das pessoas, e sobretudo, do tipo de conselho que sou obrigada a ouvir quando acho tudo isso uma grande bosta.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Luto -3

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proPaschoal
Queria te dizer
Sei lá o quê
No nosso caso tudo já foi dito.

Nosso amor virou terror
Ódio e ressentimento.
Tenho medo até destas palavras
Tenho medo de trair aquilo que devo
Ao escrever sobre o que desejo

Sinto sua falta,
Natal, aniversário
Datas bestas como tantas outras
Que no final,
Se tornam mais bestas ainda
Por nos sensibilizar.
Pensávamos que passaríamos estas datas
Sempre juntos....

Tudo que brilha nos remete ao nosso fim
À nossa morte
Onde o terrível não é morrer
Terrível
É não acabar o luto.
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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Luto - 2

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proPaschoal
Estou de luto por nosso amor
Por toda ilusão,
Estou de luto.
E como aquelas viúvas de negro
Tenho um guarda-roupa completo em meu coração
No corpo e no desejo.

Como supor que o luto é passageiro
Se já me garanti
Com tantas provisões negras?
Negras como as lágrimas
Que já não choro por nosso fim
Negra como a grande noite que se instalou
No hemisfério -antes desconhecido- do meu peito.

Morto e enterrado.
E daí?

Pensei que essa realidade material, prática
Que essa eutanásia me libertaria
Daquele pedaço meu que te queria.
(sim, pois nosso amor já havia morrido
enquanto lutávamos para tirá-lo do coma)

Qual o que,
Qual pedaço
Que nada.

Todos os meus pedaços
Te reclamavam e gritavam
Se debatendo como feras feridas
Enquanto eu -solenemente persistente-
Enterrava o nosso amor.

Não te quero mais!
Não quero essa vida possível com você!
Não espero mais
Que você chegue de outro jeito!
Não sonho mais com um possível homem
Que você não soube ser!

Mas, pela manhã,
Na hora zero...
Quando abro meus olhos vivos
É em você que penso
E a roupa que meu coração escolhe,
Em suas inúmeras gavetas, é negra.

Negra como a rosa negra
Com suas incontáveis pétalas negras
Que vão me despetalando
Despetalando....
Despetalando....

foto: JamieBeck 
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Luto - 1

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 proPaschoal
A verdade é que te espero todas as noites
Aguardando que você passe e olhe pra cá,
aqui dentro, deste lado da janela,
e você faz ou não faz isso,
e nós não teríamos o que dizer um para o outro,
de qualquer modo.

Talvez, e é bem capaz,
que você ficasse ali a me olhar,
por entre metros de noite e escuridão que nos separam,
mudos, a não dizer tudo que já foi dito,
entre tapas e desejos.

Talvez, e é bem capaz,
que nosso olhar se soubesse olhado nessa distância,
e ela fosse mais surda
que o barulho surdo de todas essas noites.

Quantas noites te ouvi passar
e não me movi da cama,
quantas noites esperei à janela
e você não se moveu de você mesmo?

A verdade é que é pra você este resto de dor,
como se nosso amor fosse uma doença em vias de cura,
ou um ser preste a se extinguir.

Hoje minhas mãos estão vazias
e quando o fone toca às três da manhã,
e eu não atendo,
penso nas madrugadas em que espero o fone tocar
e você não me chama.

A verdade é terminal
E não sei o que fazer com esse ser
que se recusa a deixar o hospital.

foto: A_Kiss_for_Luto_by_Frenetic_Dreamer
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sábado, 4 de junho de 2011

Ventania

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Minha amiga Maria De Oliveira, que mora lá na Paraiba, que eu chamo de Curupira Maria( vide foto), em noites de solidão me manda poemas.... é a saudade e a vontade de estarmos juntas. Seleciono este, como um abraço forte, dado nessa mulher de tantas vidas. 
Pra você Maria Curupira, seu poema cheio de vida.

Se eu soubesse de onde vem minha dor de agora
Eu iria até ela
Faria nela um encontro alucinógeno.

E comigo carregaria tudo que há, em uma mala.
E esta mala seria eu.
Arrumada ou desarrumada, seria eu.

E no saculejo da estrada da vida
Meus ais seriam apenas vozes de mim mesma
Trançando cordas que me levariam a novos rumos,
Rumo ao desconhecido.

E mudando o tempo do verbo
Conhecerei como se conhece o vento em sua invisibilidade
Querendo que eu transite em mim sem obstáculos.

E vou eu desentupindo canais do tempo
Tempos de sofrimentos e tempo para entendimentos.
Escorregando em lodos que me levam a saber esperar.

Nada posso fazer, apenas esperar por mim mesma.
E espero...
Tecendo em mim mesma uma saída.
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foto: walkyriaSuleiman - Vila Yamaguishi - Jaguariúna

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Os Homens Que não Amavam as Mulheres

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Sei que se trata do nome de um livro, que por sinal li na sua primeira edição, há 4 anos. Assim que dei com este título, naqueles passeios por livrarias, pra ser encontrada por algum livro, parei no título, e ele me ganhou. Devo dizer que adorei a trilogia, porque gosto mesmo de mistério policial, de romance e de tudo que for coisa que retrate o ser humano sem muita filosofia.

Comprei o livro e desde então, viajo neste significado: Os Homens que não amavam as mulheres....

Tudo começou com o Criador, que fez o homem à sua imagem e semelhança, ou seja, macho, prepotente, onisciente, autoritário, desconfiado, cheio de regras e afeito a uma ameaça. E então, tendo em vista que o homem sozinho não deu samba, criou uma companheira, que já de cara, não era a imagem e semelhança de Deus.

Podia ter sido criada dos olhos de Adão, que ao abri-los, desfrutou aquela beleza toda que imaginamos ao ler o Gênesis, e que até hoje nos maravilha. Ou quem sabe, podia ter sido criada a partir de um sonho, ou pensamento de Adão. Seja como for, e na preguiça de especular muito uma história que estamos carecas de conhecer, vou logo dizer o que aconteceu. A pobre da Eva foi criada de uma costela de Adão, parte anatômica completamente insignificante em termos ósseos, pra não dizer em termos gerais. Vamos combinar que uma costela não é um rim ou um fígado, órgãos de indizível necessidade e prestígio em todas as medicinas.
Costela, gentenfina, só tem algum atrativo se for de porco ou de vaca, e mesmo assim apenas pra parcela carnívora da humanidade.

Posso concluir, não por este fato, mas por todos os outros fatos que aconteceriam de “fato”com as filhas de Eva, que o primeiro a não amar as mulheres, foi mesmo o Criador. Depois, com minha pouca cultura posso dizer que esse desmerecimento chegou a seu auge na Grécia Antiga, quando de Sócrates a qualquer gregozinho de merda, achava as mulheres seres inferiores, que não serviam nem pra uma transa rápida ou um sexo oral descompromissado, porque entre os homens era mais harmonioso conviver, inclusive sexualmente - coisa que não tinha nada a ver com viadagem, coisa que seria totalmente aceitável por essa que vos escreve.

Não, gentefina, tinha a ver com discriminação, mesmo que os homens ao longo da história, tenham feito algumas concessões e outros favores às mulheres, o desprezo e falta de amor às coitadinhas, floresceu impunemente nessa terra de Deus, que por sinal, foi o primeiro a não amar as mulheres, como vimos acima. O tempo foi passando, mulheres de todas as raças, credos e cruz credos, viveram à margem das sociedades tão bem desorganizadas dos filhos de Adão.

Vai século, entra século, permite-se isso ou aquilo, sempre atrelado a algum tipo de interesse de alguns homens que queriam ser amados ou que queriam se eleitos. Ou que, simplesmente, queriam um novo mercado consumidor. Porque se neguinho amasse as mulheres, dava logo tudo de baciada e pronto! Não se fala mais nisso. Mas não, dá-se apenas o necessário para aquela manobra, seja política, seja ecumênica, seja de cama mesa e banho.

E assim, em pleno século XXI, as mulheres ainda são subjugadas, não podem participar de política, não podem se vestir do jeito que querem, nem podem ter equiparação salarial. E quando uma dessas fulaninhas, por obra do acaso, porque sempre é obra do acaso, consegue ascender ao poder, de duas uma: ou é puta, ou é sapata. Diferente dizer: mulher solteira, ou divorciada, ou amante dos prazeres da vida, como todo macho que se preza.

Minha avó me dizia: filha, você tem que ser uma menina prestimosa. Se alguém encontra um homem com a roupa mal passada, barras e botões despregado, logo dizem – ah, pobre, a mãe e/ou a esposa, são muito incompetentes. Mas filha, se você aparecer assim, como esse homens, sem esmero, vão dizer que você é porca e desmazelada.

É vovó, eu achava que você exagerava, lógico, nos anos 70, em que as mulheres se engajavam em lutas sociais, publicavam livros e podiam até se amasiarem (como você diria), as coisas não eram bem assim. Ah vovó.... como você tinha razão.

Nem vou entrar no detalhe que minha duas primeiras filhas eram ilegítimas na certidão de nascimento, até lei posterior. Não deixa pra lá. Vou entrar em outro detalhe.

Um dia, um amigo estava inconsolável. A esposa havia saído de casa pra ser repórter da National Geographic. Eles estavam com alguns problemas, mas jamais imaginou-se que ela o deixaria. Ele estava acabado, chorando e, a gente ali, querendo ajudar naquele vale de sofrimento que é uma separação. Sei dizer, que numa hora qualquer ele disse entre ranhos e lágrimas: uma coisa tem de bom nesta história. Não vou mais precisar aguentar calcinha secando no box do banheiro.
Ah gentefina...... foi uma facada. Sabe, não era a primeira vez que eu ouvia isso. Mas ouvir isso de um moribundo de amor? Um moribundo culto, formado na Sorbonne, libertário e humanista?

E fui seguindo ouvindo os machos alegarem que mulher não sabe o que quer, que mulher bem comida fica mais calma, que mulher quer mesmo é fazer concorrência com as amigas, que mulher é burra, é fútil, é manobrável, vista sua incapacidade de ser lógica. Que mulher é emocional, que não se pode confiar na decisão das mulheres, que mulher é interesseira...... que mulher é um problema, que mulher enfim, é um erro da natureza.

Eu tive a sorte de conhecer alguns homens que amavam as mulheres, que foram incapazes de colocar a mulher nesse nível: Bisca, galinha, vaca, embucetada, e outros menos cotados. Homens que gostavam quando uma mulher procurava seu desejo, seu caminho, seu saber. Homens que não se sentiam capados pela eficiência de sua companheira. Homens que não se sentiam impotentes diante de mulheres agressivas sexualmente.

Podia relatar algumas confissões aqui, mas seria desleal com as mulheres que conheci. Mas elejo essa confissão, como um quadro da baixa estima feminina. Uma mulher me disse, que não admitia sexo oral nela, fique isso bem entendido. Ela fazia no parceiro, mas não queria para si. Eu, que acho sexo oral muito do bom, fiquei forçando uma justificativa coerente. Finalmente ela disse que não acreditava que algum homem pudesse realmente gostar de fazer sexo oral numa mulher. Fala gentefina, cansei de ouvir, desde o tempo em que nem sabia o que era isso, que mulher fedia feito bacalhau. Desculpe, mas fala sério, vocês ouviram também, ou falaram isso algum dia. E então uma menininha, que nem sabia do que se estava falando, guardou isso dentro da caixinha do desconhecido cruel.

E assim são criados tantos homens que pensam que satisfazem suas parceiras, enquanto as mulheres seguem fingindo. Desculpa gentefina, mas fingem mesmo. Homens que gostam de serem enganados, porque quando dão de cara com um mulher que diz que gosta assim ou assado, que não goza assim ou assado, de duas uma: ou é abandonada sumariamente, ou é considerada frígida.

E as mulheres inventaram TPM, dor de cabeça, indisposição e quarentena, só pra se livrarem dos homens. Porque gentefina, um homem dá muito trabalho. Ele quer comer, quer transar, quer sair e ficar, ver TV e conversar, quer atenção constante e qualificada, não necessariamente nessa ordem, e isso tudo o tempo todo. Não interessa se você está triste, cansada ou com problemas: nada que um bom sexo não resolva, essa é a cabeça da maioria dos homens.

Sou da opinião que o casamento perfeito tinha que ser poligâmico. Um homem e três mulheres, para dar um folga pras coitadinhas. Cada dia uma aguentava o cara, a que estivesse mais descansada. Aquela que não trabalhou o dia todo e ainda fez o jantar e cuidou dos filhos. Ou aquela que teve alguma melancolia, e quer um pouco de resguardo, de intimidade com ela mesma. Ou aquela que passou o dia em casa com crianças querendo e precisando disso e daquilo. Pensando bem, 5 mulheres.

Eventualmente frequento um lugar que tem galinheiro, e fico sabendo do comportamento dessa espécie. O galo fica lá, só protegendo, atento aos perigos do entorno. Vez ou outra quer se satisfazer, isso se a galinha assim o permitir. Mas de modo algum, ele interfere na vida da galinha. Penso que eu queria um homem assim, um galo, que me deixasse ciscar à vontade, achar meu caminho, meu lugar, minhas preferências, mas que continuasse ali, na presença, que é na verdade o que mais vale para mim: a presença. Mas essa é outra história. E eu não sou galinha nem nada.

Eu sei, gentefina, que conheci muito homem na minha vida. De analfabetos a doutores, passando pelos idealistas, utópicos e humanistas. Posso dizer que todos são iguais. Tudo farinha do mesmo saco. Ter nascido homens, faz deles algo de superior.

Mas também conheci homens que eram incapazes de usar esse tipo de lugar comum ao se referirem ao outro sexo. Talvez esses homens tivessem dentro de si, um sentimento mais delineado e puro do amor, do amor fraterno. Homens que não precisavam de religião ou filosofia barata ou cara, pra enquadrar as mulheres no quesito fraternidade.

E então, hoje o mundo masculino tem essa divisão de águas para mim. Os homens que amam as mulheres, e os homens que não amam as mulheres. Vou dizer que canudo, seita, cosmovisão ou o raio que o parta, não ajuda nada pra separar essas águas.

Como aliás, tudo que separa águas nessa vida tem a ver com amor, é mesmo o amor o quesito necessário e suficiente para gerar no homem a coragem e capacidade de abandonar esses dogmas e essa posição superior que ele ganha logo ao nascer.

Claro que tenho criticas às mulheres, como tenho dos homens. Mas esse sentimento arraigado que tanto um como o outro carrega tão avassaladoramente, me magoa, me entristece e me desconserta. Não consigo ver um caminho para o verdadeiro amor conjugal sem que tudo isso seja varrido dos corações humanos.

Vou dizer, gentefina, eu que sempre fui um bicho duro na queda, livre financeiramente, que estou há 3 anos da aposentadoria por tempo de serviço, que nunca me casei, que tive os filhos que quis, que dei pra quem e quantos quis, que fui um homem, por assim dizer..... vou dizer gentefina, que até hoje, com todos os calos que tenho, me dói quando tenho a infelicidade de ouvir homens falando de mulheres.

Nessa hora, penso que não tem jeito essa raça. O lance é acabar mesmo, tsunami, terremoto, peste, praga ou extra terrestres e começar de novo. Ou nunca mais!


segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Livro dos Ciúmes - Carlos Trigueiro

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Bendito dia em que o livro Confissões de um Anjo da Guarda me chamou da prateleira numa livraria. De lá pra cá, me delicio com a escrita abundante e generosa do Carlos Trigueiro. Agora, como não achava esse seu livro - o da foto, que está esgotadíssimo-, não é que ele me manda pelo correio?

Ah gentefina, as histórias são ótimas, eu que nem gostava de conto. Mas além da história ser sempre boa, indizível, matreira e inusitada, o Carlos(olha a intimidade) escereve de um jeito único. Ele antecipa e volta pra trás com tanta graça e facilidade, que parece filme, imagem pura, a gente fica enredada. Sua forma de escrever, de manter frase longas e explicativas, recheadas de humor e de caricaturas que pulam das páginas, é uma dádiva, uma alegria, um desfile de vida e possibilidades.

Olha Carlos, com esse último livro, digo que até sinto ciúmes de você. Mas é um ciúmes ao contrário, queria que toda gente pudesse ter essa alegria que tenho ao te ler, nesses tempos de tantas atribulações e tão poucas alegrias.

Já na página 26, fiz meu primeiro de muitos rabiscos no teu livro. Aqui:
 - Por incrível que possa parecer, sem nehuma explicação plausível, senti ciúmes de mim mesmo, do jovem que morou em mim, do moço galante que fui outrora. E enciumado, comecei a escrever.

obrigada.....


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