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Aprendi alguma coisa na minha vida no que diz respeito às pessoas. Elas reclamam muito da solidão e ficam a imaginar outras vidas onde estivessem mais assistidas e amadas. Sem exceção, a solidão é uma lamúria geral, independente do sexo, da idade ou da condição do ser. Mas se você vai falando e mostrando que ela tem gente na vida dela, ela de pronto diz que não, que não era bem isso que ela queria, que não era esse tipo de solidão a que ela se referia. Mas então, que tipo de solidão a pessoa se refere?
Experimente entrar na vida dessa pessoas imaginada aqui. Imagine-se interagindo e você, por experiência própria sabe: vai ter pau. Ah vai, porque apesar das lamúrias, ninguém, mas ninguém mesmo quer ver sua vida esmiuçada, conhecida e sujeita a críticas e conselhos. Basta isso acontecer, entra o outro vilão desse tipo de problema: espaço.
Pronto, começa a reclamação que está sem espaço, que está invadida, que se sente perseguida, que anseia, com toda sua alma, pelo silêncio, privacidade, e porque não dizer, pela solidão.
Ai, vai entender essa raça.
Vejo por mim. Tenho amigos maravilhosos, e nem vou ficar aqui rasgando seda, mas tenho sim. Aí, na boa acordo num sábado, fico com muita vontade de partilhar meu dia e vou pensando, pensando, e não encontro um, mas um só amigo que eu quisesse estar perto. Não é mal agradecimento não…. Me acompanhem num outro pensamento.
Vocês já perceberam a força que tem um comentário ou conselho de um desconhecido? Por outro lado, já notaram a verdadeira tara que temos por conhecer alguém novo, um novo lugar, e por que não dizer, uma nova vida? De preferência, que ninguém soubesse quem somos, de onde viemos e por aí afora.
Percebo também, que chego em casa com um conselho bárbaro, dado por algum desconhecido, e a galera aqui fica em chamas, dizendo que já haviam falado aquilo mil vezes. Se eles têm razão ou não, não vem ao caso, mas eles têm sim. O que conta é que um desconhecido pode falar o que quiser que a gente não fica minhocando, não faz nenhum link, não acha que ele está folgando ou querendo dizer outra coisa. Ou seja, ouvimos o desconhecido com a alma aberta, sem traumas, sem receios de invasão. Afinal, o desconhecido vai desaparecer em questão de minutos, nunca vai te cobrar atitude, nem pesar seu desempenho diante da vida. Ele veio, falou e disse… e se mandou.

Ou seja…. Difícil inferir, viu gente fina…. Mas o que me parece é que estamos presos em nossos mundos, de tal maneira, que nem palpite queremos ouvir, porque algum palpite pode mesmo desmantelar um modo de ser, de pensar, de agir. E, por mais que queiramos alguém, queremos alguém mais pro desconhecido, alguém que a gente não veja como inimigo. Porque a gente vê os mais próximos com o inimigos, concorrentes, ou pior, se acha tudo aquilo da gente, como pode nos amar? Aí tem coisa, ataca logo nossa mente, contaminando num segundo nossa alma, chegando em forma de grande dor em nosso coração.
Me olho sinceramente e vejo, como o desconhecido me agrada, principalmente porque eu o vejo com simplicidade, confiante, sem medo, não porque eu seja uma santa, uma evoluída. Não, o vejo assim simplesmente porque ele não me conhece e, portanto, não tem nada escondido no discurso dele. Porque eu, na doença suprema dessa raça, vejo sombras, indiretas, perigos e outros bichos mais, no discurso daquele que supostamente eu amo. Vou dizer gentefina, que raio de amor é esse heim?
Por essas e outras, quando acordo num dia como esse, sabadão, sol, prezo minha solidão, mas queria alguém. Ah, já sabem, alguém assim, uma miragem, quase um espelho.
Mas tudo isso fica pior quando pensamos que o que pensamos, está condicionado à nossa experiência, ao nosso conhecimento. Lógico, vocês dizem. É! O que não é lógico é que pensamos em círculo, queremos um pensamento novo, dentro um saco de pensamento viciado. É aí que precisamos das pessoas….. e seus pensamentos novos, diferentes, nem precisam ser os mais corretos…não. Mas ele dão pano pra manga, nossa mente vai lá checar, se alonga, faz espacate, pirueta….
Porém, se não conseguimos ouvir o outro sem essa peneira deprimente dos nosso traumas, fica tudo mais asfixiante, e a gente vem com essa conversa de que queríamos alguém novo. O chato é que esse alguém novo vai se tornar velho, questão de tempo apenas. E toca reclamar da solidão, pra depois reclamar da invasão.
Tô enrolando né? Tô mesmo…. Porque isso tudo é muito do triste. Vejo essa verdade(por enquanto é verdade ainda) assim, na minha cara, o tempo todo, e estou paralisada.
Não me perco de mim, e não me encontro em nada nem ninguém.
Crise de GPS interior….. ou vai saber…. Ou sei lá…. Ou porra nenhuma.