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Gentefina, eu ia escrever um lance, e percebi que já havia escrito aquilo....fui lá e tinha mesmo, não igualzinho, mas parecidinho. Entonces, reedito com algumas mudanças de percusrso.

Não sou uma pessoa normal, no bom sentido, sou uma diferente. Isso seria bom, se no escopo de ser alguém anormal (no bom sentido), não fosse eu também alguém anormal, no mau sentido.
Sou atrapalhada, obsessiva, emburrada, cismada. Não chego a ouvir vozes, mas pensando bem, nem saberia dizer se as ouço, porque dentro da minha cabeça rola tanta letra, tanto chamado e grito, que nem sei quem mora em mim. Estou ausente de mim, mas estou dentro da minha cabeça. Não sei onde estou, não saberia dizer. Se minha mente me domina, tenho uma alma solta, que vagueia sem dono pelos mares do universo. Fiz de tudo: toquei chocalho, rezei, fiz meditação, rezada, sentada, deitada, mantrada e o escambau….mas minha alma não voltou.
Estou amarrada em mim ao mesmo tempo que não me habito. Tudo isso não seria dito se não me sentisse culpada de ter um blog, de ter seguidores, e de estar assim, tão ausente, como se não desde a mínima. Deus, eu dou as máximas de ter gente me lendo, me ouvindo, porque mesmo sendo gente que nem sei quem é, elas têm o poder de me confortar. Então acho que é verdade que a gente escreve pra se sentir acompanhado….
Mas não era nada disso. Queria dizer que tenho tantas palavras, tantas frases, que nem sei por onde começar, nem sei se começo.

As palavras em português são muito fortes, dão rasteiras no pensador mais anormal. Em inglês, gift é presente, e presente de tempo, é present. Em português, presente, ganhar algo inesperado e único, é igual ao tempo presente. Outra….em inglês, sense, é senso, sentido. E sentir é feeling. Em português, sentir é sentir mesmo, mas ter senso, é fazer sentido. Poxa, não posso sentir o que não tem sentido…. Ave que minha cabeça vai assim, nessas palavras agarradas a sentimentos, desfilando na minha mente o dia todo.
Não sei mais o que é sonho, ou vida sonhada, vivida. Misturo os acontecimentos. Será que sonhei com isso, ou aconteceu? Minha biografia noturna se confunde com minha biografia diurna, soturna……
Não sei, não sei mesmo onde estou indo, onde chegarei, porque estou sendo levada. Pois é, estar sendo levada é estar sendo marota, desobediente…. ai meu Jesus…. quantas palavras significativas. Dava pra ser mais estadão?
Minha avó diria: menina, você tem que se emendar...
Pelamordedeus que passei a vida me emendando e deu nisso (outra palavra) sou uma emenda só, uma constituinte cheia de rabiscos, uma coisa pelo avesso, com nós, pedaços soltos, linhas partidas.... linhas interrompidas. E então a Gal Costa começa a cantar O Linho e a Linha bem agora, tinha que ser bem agora. E eu choro até não poder mais, e me sinto inteira, com alma, corpo e mente...será que terei que ficar chorando pra me sentir inteira? Essa emenda ambulante pode ficar inteira? Será essa a condição que a gente nem supõe que seja a necessária e suficiente? Divagando devagar..... devagar. Devagar uma ova, à velocidade da luz, que parece ser a única velocidade que conheço.
Me sinto alguém que se desculpa com todos, por não ser mais isso ou aquilo, enquanto secretamente quero distância, quero ser quem eu sou, ou melhor, quero poder saber quem sou. Mas são tantas culpas, tanto requisito, quesito, ai, não vou passar nesse concurso. É bilhete corrido. Nunca serei capaz de viver uma vida assim, normal, feliz, despreocupada. São muitas as palavras, muitas as imagens, e eu vejo tudo ao mesmo tempo....embora pareça que estou viajando em algum sonho, com cara de paisagem, tranquila e serena. Tudo mentira. Ou melhor, tudo imagem refletida na cara de quem quer ver o quer ver de mim. Sinceramente, nem eu me vejo, e quero me aventurar a achar o que os outros veem de mim.

Não sei, e aqui devia ter um ponto final, porque não vou dizer mais nada que não tenha já sido dito por mim, por outros, ai, por tanta gente nesse planeta. Talvez em outros também.
Hoje.... hoje eu tinha o firme propósito (dá vontade de rir) de responder aos comentários do blog, responder e.mail das minha amigas queridas.... e no entanto agora, de noite já, estou instalando atualizações no meu micro novo, que nem se justifica, porque não tenho mais tanto trabalho assim. Quando tinha, não podia comprá-lo.
Será tudo mesmo tão desconexo? Será essa a graça da coisa? Alguém poderia me fazer cócegas pra eu dar umas risadas, porque não tô vendo a menor graça?
A gente tem que achar a vida uma graça.
E eu não tenho achado isso, tenho perdido a graça.
Bem, resumindo, acho que queria era dizer isso pra vocês. Ando meio sem graça.
Pena que não acredito mais em nada que mude a nossa vida, tipo religião, seita, trabalho, dinheiro, novo romance, nada disso. Senão me ligava numa dessas tomadas e dava logo um update, mudava o papel de parede da minha mente, minha tela de descanso e o caralho a quatro. Mas não acredito, não consigo, não funciona pra mim.
Só eu posso mudar a minha vida.
E aqui retornamos ao ponto de partida.
Onde é mesmo que eu estou?
Qual o meu presente?
O que faz sentido?
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fotos - Walkyria Suleiman