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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Atentar

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Voltando pra casa, agora de noitinha, na mesma rua que caminho há mais de 20 anos, pedras molhadas da chuva, reflexo das luzes dos postes, não pude deixar de notar pequenos brilhos nos paralelepípedos.

Brita, cristais de rocha, lascas de pedras, não sei dizer, nem me interessou. O que me encantou foi perceber a quantidade de brilho que vinha das pedras da rua, como pedrinhas preciosas, pedras que sentem meus pés há tanto tempo, e hoje, somente hoje eu pude ver seu brilho.

Silenciosamente pensei, que é possível mesmo um chão de estrelas. Basta prestar atenção e não deixar o momento passar. 

E respirar......
porque esperar e vigiar, faz parte do processo.

foto: DanielAndrade

sábado, 27 de agosto de 2011

Pés no Chão

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Então, como disse um cara um dia, meu blog é um Parque Temático Sem Tema. É mesmo, aqui cabe tudo, e não seria um céuAberto se assim não se comportasse.

Tenho um monte de fotos onde mudo  a perspectiva da visão de mundo - acho que pra tentar mudar alguma coisa nessa vida - , e fotografo meus pés no chão. Tudo bem que é a vontade da alma que nos impele a prosseguir, a ir, a buscar. Mas é o corpitcho que carrega tudo isso.

Entonces, vou abrir uma aba nova de Pés no Chão. Começo com o pé do Daniel, hoje à tarde, na rua da nossa casa.

Pra todo mundo que aguenta meus altos e baixos, meus momentos distantes e ausentes, um obrigada do fundo desse sábado de Setembro....onde espero a Primavera, na certeza de dias melhores.

( acabo de me tocar que ainda é agosto, ao reler, mas fica assim. Vale o anseio)

foto: WalkyriaSuleiman

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Embaço

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Sabe quando a gente se sente, se vê, se locomove e se percebe embaçada?
Essa coisa que não ata e nem desata, é bem explicada por esse termo incrível: embaçamento.
Para explicá-lo melhor, anexo alguams fotos embaçadas que tirei.





domingo, 21 de agosto de 2011

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Viagem

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De hoje a domingo estarei longe de São Paulo
Longe do meu MAC
Longe do meu blog
Deixo o nosso céuAberto nas mãos de vocês.

1 beijo!

domingo, 14 de agosto de 2011

Medo - pro meu pai, o véio Ibrahim

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Naquela manhã não foi trabalhar. Cruzou a curta distância até a casa de seu pai. Passaram a manhã trocando memórias, silêncios e olhares, no mesmo sofá que conhecia há tanto tempo. Havia sido lá o primeiro beijo, a primeira festa, as reprimendas familiares, as brigas e conversas com os irmãos e amigos, um sem nome de momentos de sua vida compartilhados com o sofá.

Sentados ali, flutuando num tempo irreal, ela sentiu um grande carinho por seu velho pai e o abraçou fortemente, pensando em quanto tempo ainda o teria por perto, como que a sua espera, sentado no mesmo sofá que ela conhecia tão bem.

Percebeu então, que muitas pessoas não estão preparadas para morrer. Mas isso talvez fosse normal, aceitável mesmo, vindo de qualquer ser humano. O que não sabia ainda, até aquele instante, é que ela própria não estava preparada para viver!

aqui mais sobre o véio Ibrahim, no dia em que queriam comprar a cueca cor-de -rosa dele, lá no hospital em que ele estava internado

foto - WalkyriaSuleiman, dia dos pais de 2010
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Da minha janela

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Da minha janela vejo as outras janelas da minha rua.
As luzes me chamam, o silêncio me chama e eu penso.
Penso nessas pessoas atrás das janelas….


O que elas fazem, como elas vivem e sobretudo o que sentem.
Penso que deveriamos estar conectados em sentimentos, 
ou quem sabe estejamos e minha surdez 
me impede de ouvir os sentimentos dos outros.



Não sei, não sei, 
só sei que as luzes me chamam, 
aqui, na minha janela.

fotos: WalkyriaSuleiman

sábado, 6 de agosto de 2011

Sem emendas

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Gentefina, eu ia escrever um lance, e percebi que já havia escrito aquilo....fui lá e tinha mesmo, não igualzinho, mas parecidinho. Entonces, reedito com algumas mudanças de percusrso.

Não sou uma pessoa normal, no bom sentido, sou uma diferente. Isso seria bom, se no escopo de ser alguém anormal (no bom sentido), não fosse eu também alguém anormal, no mau sentido.

Sou atrapalhada, obsessiva, emburrada, cismada. Não chego a ouvir vozes, mas pensando bem, nem saberia dizer se as ouço, porque dentro da minha cabeça rola tanta letra, tanto chamado e grito, que nem sei quem mora em mim. Estou ausente de mim, mas estou dentro da minha cabeça. Não sei onde estou, não saberia dizer. Se minha mente me domina, tenho uma alma solta, que vagueia sem dono pelos mares do universo. Fiz de tudo: toquei chocalho, rezei, fiz meditação, rezada, sentada, deitada, mantrada e o escambau….mas minha alma não voltou.

Estou amarrada em mim ao mesmo tempo que não me habito. Tudo isso não seria dito se não me sentisse culpada de ter um blog, de ter seguidores, e de estar assim, tão ausente, como se não desde a mínima. Deus, eu dou as máximas de ter gente me lendo, me ouvindo, porque mesmo sendo gente que nem sei quem é, elas têm o poder de me confortar. Então acho que é verdade que a gente escreve pra se sentir acompanhado….

Mas não era nada disso. Queria dizer que tenho tantas palavras, tantas frases, que nem sei por onde começar, nem sei se começo.

As palavras em português são muito fortes, dão rasteiras no pensador mais anormal. Em inglês, gift é presente, e presente de tempo, é present. Em português, presente, ganhar algo inesperado e único, é igual ao tempo presente. Outra….em inglês, sense, é senso, sentido. E sentir é feeling. Em português, sentir é sentir mesmo, mas ter senso, é fazer sentido. Poxa, não posso sentir o que não tem sentido…. Ave que minha cabeça vai assim, nessas palavras agarradas a sentimentos, desfilando na minha mente o dia todo.

Não sei mais o que é sonho, ou vida sonhada, vivida. Misturo os acontecimentos. Será que sonhei com isso, ou aconteceu? Minha biografia noturna se confunde com minha biografia diurna, soturna……

Não sei, não sei mesmo onde estou indo, onde chegarei, porque estou sendo levada. Pois é, estar sendo levada é estar sendo marota, desobediente…. ai meu Jesus…. quantas palavras significativas. Dava pra ser mais estadão?
Minha avó diria: menina, você tem que se emendar...
Pelamordedeus que passei a vida me emendando e deu nisso (outra palavra) sou uma emenda só, uma constituinte cheia de rabiscos, uma coisa pelo avesso, com nós, pedaços soltos, linhas partidas.... linhas interrompidas. E então a Gal Costa começa a cantar O Linho e a Linha bem agora, tinha que ser bem agora. E eu choro até não poder mais, e me sinto inteira, com alma, corpo e mente...será que terei que ficar chorando pra me sentir inteira? Essa emenda ambulante pode ficar inteira? Será essa a condição que a gente nem supõe que seja a necessária e suficiente? Divagando devagar..... devagar. Devagar uma ova, à velocidade da luz, que parece ser a única velocidade que conheço.

Me sinto alguém que se desculpa com todos, por não ser mais isso ou aquilo, enquanto secretamente quero distância, quero ser quem eu sou, ou melhor, quero poder saber quem sou. Mas são tantas culpas, tanto requisito, quesito, ai, não vou passar nesse concurso. É bilhete corrido. Nunca serei capaz de viver uma vida assim, normal, feliz, despreocupada. São muitas as palavras, muitas as imagens, e eu vejo tudo ao mesmo tempo....embora pareça que estou viajando em algum sonho, com cara de paisagem, tranquila e serena. Tudo mentira. Ou melhor, tudo imagem refletida na cara de quem quer ver o quer ver de mim. Sinceramente, nem eu me vejo, e quero me aventurar a achar o que os outros veem de mim.

Não sei, e aqui devia ter um ponto final, porque não vou dizer mais nada que não tenha já sido dito por mim, por outros, ai, por tanta gente nesse planeta. Talvez em outros também.

Hoje.... hoje eu tinha o firme propósito (dá vontade de rir) de responder aos comentários do blog, responder e.mail das minha amigas queridas.... e no entanto agora, de noite já, estou instalando atualizações no meu micro novo, que nem se justifica, porque não tenho mais tanto trabalho assim. Quando tinha, não podia comprá-lo.

Será tudo mesmo tão desconexo? Será essa a graça da coisa? Alguém poderia me fazer cócegas pra eu dar umas risadas, porque não tô vendo a menor graça?

A gente tem que achar a vida uma graça.
E eu não tenho achado isso, tenho perdido a graça.

Bem, resumindo, acho que queria era dizer isso pra vocês. Ando meio sem graça.

Pena que não acredito mais em nada que mude a nossa vida, tipo religião, seita, trabalho, dinheiro, novo romance, nada disso. Senão me ligava numa dessas tomadas e dava logo um update, mudava o papel de parede da minha mente, minha tela de descanso e o caralho a quatro. Mas não acredito, não consigo, não funciona pra mim.

Só eu posso mudar a minha vida.

E aqui retornamos ao ponto de partida. 
Onde é mesmo que eu estou? 
Qual o meu presente? 
O que faz sentido? 
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fotos - Walkyria Suleiman

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Tem Que, Tem Que, Tem Que

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Conhecem aquela passagem de Bridget Jones, em que ela acorda no domingo e pensa que é a única mulher no mundo que acorda sozinha na cama?
Pois é, eu acordo sozinha, não vejo nenhum problema e este não é o mot deste post, mas é uma dica.

O que realmente é estar fazendo algo, estar dando sentido às nossas vidas, estar participando, seguindo seu destino, realizando sua missão e, outros imperativos que ouvimos de montão desde pequenos?

Porque será que temos que realizar algo? Onde está escrito, onde foi proferida esta maldição? Taqueipariu, como diz o Roberto, que perseguição….

Tenho vontade de fazer nada, nada mesmo, ficar deitada, ouvindo os sons da rua, sentindo a segurança e carinho da casa que criei pra mim. Mas não, isso não pode ser. Tenho que sair, que ir às festas, bares, apresentações, vernissages, e em mais duzentos outros lugares em que as pessoas que estão bem, comumente vão arrastadas pelo imperativo capitalista da diversão.

Ah, e vem gente querendo colocar tristeza e melancolia no meu fazer nada. E o pior, é que eu acredito. Fico contaminada, fico tentando achar a razão de eu não querer ser igual a todo mundo e viver na rua. Fico me culpando, sentindo que estou desperdiçando minha vida.

Tenho que fazer um malabarismo mental, tipo pensar que se eu estivesse lá no Alasca e estivesse acontecendo a maior nevasca, ah, delícia, podia ficar em casa sem que ninguém, inclusive eu mesma, me culpasse de não quere sair de casa. Mas nasci num país tropical, tenho que tomar sol, passear na cidade, andar nos parques, tomar sorvete, malhar, ai que tortura tropical meu Deus.

O duro de tudo isso é que acabamos por acreditar que existe algo de errado na gente. E toca a inventar depressão, solidão, incompreensão, genética e psicanálise.

Perguntas que nunca nos fizemos em sã consciência, assomam nosso palácio de sossego. Querida, você tem que arrumar um namorado, tem que ter algum projeto, tem que se ocupar….. tem que, tem que…. Tem que! Detesto essa formulação que me tolhe, que me reduz a um monte de obrigações e me colocam ao rés do chão, tendo que ser e sentir tudo igual a todo mundo.

Quando vejo gente como a Amy, ou a Janis, gente que tinha uma vocação, um objetivo, gente que fazia algo, se matar assim, deixar a vida, tenho certeza de que o buraco é mais em baixo. E quero que ninguém venha espiar no meu buraco, tentando me ver lá dentro e diagnosticar minha alma.

Tem época da vida, em que precisamos desesperadamente nos ocupar, precisamos sair de casa, queremos nossa própria vida, não temos tempo de pensar em nada a não ser sobreviver. Mas tem épocas também, que podemos parar e pensar sinceramente se fazer algo demanda mesmo tanto esforço e tanta negação.

Me parece que só quem anda por aí, com fogo no rabo, cercada de compromissos e pessoas, está vivendo a vida. Quer dizer, não me parece, parece que é assim.

E eu fico pensando na égua, onde amarrei minha égua, onde foi que eu resolvi acreditar nessas máximas e perdi a ingenuidade do viver. Assim, como uma cachorro que dorme o dia todo, sem se preocupar se vai dormir à noite. Como uma criança que come quando tem fome, sem minhocar se vai ter fome na hora do jantar.

É, deve ter existido um tempo neste mundo, onde as pessoas não eram medidas com essa régua tão castradora e punitiva. Dever ter havido uma naturalidade maior, onde não éramos julgados por atos tão banais como estes, onde nosso jeito de ser não era um item na relação de doenças. Se esse tempo não existiu, ele vai existir, porque não pesamos em nada que não possa ser passível de acontecer. Não, não temos essa imaginação toda, tão solta.

E me sento na minha cama, observando as fotos nas paredes, os objetos do meu viver, as histórias…. Sinto a maciez dos meus lençóis, a ternura do meu travesseiro, ouço a música que vem finnnnnninha, pedindo passagem dentro do dia, que vem de algum tempo desta terra, e queria ficar assim, neste momento suspenso na eternidade, onde apenas sou, onde não faço porra nenhuma. E isso basta!

fotos: Sleep__by_miken2kol4u
e sleep_by_MadzZ
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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Dúvida

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Tem dia que, me dou conta da minha situação e me pergunto: 
Onde foi que amarrei minha égua?

terça-feira, 26 de julho de 2011

Cyril Connolly

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Estava folheando uns cadernos, páginas da minha vida, revendo momentos e sentimentos, numa tentativa de me rever, de me reencontrar, assim, voando de alguma página, limpa e fresca como se fosse uma nova manhã nascendo colorida.... ao invés, encontrei essa frase de Cyril Connolly.

"É melhor escrever para si mesmo e não ter público, 
do que escrever para o público e não ter a si mesmo."

sábado, 23 de julho de 2011

Amy Winehouse

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“Suicídio é, freqüentemente, apenas um grito por ajuda que não foi ouvido a tempo.”
Graham Greene



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