.
.
Já era hora de contar que o Daniel, meu filho adorado-idolatrado-salve-salve, vai passar 7 meses em New York. Vai daí que eu ando meio devagar, meio - pra não dizer inteira -, com saudades dele já. Hoje fomos ver umas malas pra ele levar. Na foto vocês podem perceber que ele coube direitinho na mala. Vontade de despachar logo o garoto e ver como fica minha vida sem ele.
Ser mãe, só pode ser uma brincadeira. O cara aparece do nada, dentro de você, vai crescendo, ficando visível que tem algo dentro da sua barriga. Por fora você parece um balão, uma enpanzinada. Por dentro, é costela chutada, é estômago empurrado, é sensação desagradável e alienígena o tempo todo. Toca a ir pro hospital, anestesia, corte e bisturi, ponto, recuperação enfastiante. Mas não bastasse tudo isso, seu peito incha de leite e você se transforma num bebedor ambulante. Quando o bebê chega no quarto, ave, você não sabe bem o que fazer, onde ir....tipo, "daria pra você segurar este embrulho pra mim, que eu vou tomar um café na esquina?"
Enfim, vamos todos para casa. O serzinho se acomoda nos espaços da casa. Mas o que esperar de alguém que já havia se apropriado de seu próprio espaço interior?
Bom, o tempo passa entre fraldas, cadernos, remédios, vacinas, reuniões escolares, inapetência, sarampo, caxumba e catapora, primeiras festas, buscar neguinho de madrugada, adolescência, namoros, indecisões, choros, medos, e haja mãe viu.
Mas poxa, é seu filho né, você deu espaço no corpo, deu espaço na casa, deu espaço na tua vida. Não fez mais que a obrigação.
Enfim, um belo dia, depois deste desterro todo, ele chega com a maior cara de passageiro da paróquia e diz que vai embora, que vai viver a vida dele. Mas como, então todos estes anos ele estava vivendo a vida de quem? E você? Heim heim? Você sua tonta, estava vivendo a vida de quem?
Pois é, são esses movimentos que me abalam que me deixam atônita diante da complexidade do viver. Quem foi mesmo que inventou este filme?
foto: WalkyriaSuleiman