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Como todos perceberam (té parece) tô meio ausente, estive e estarei, vai saber né gentefina. Mas o que ocorre é que fui pra Califórnia e nem avisei minha gentefina (a populista) porque esse lance de tudo que é site, provedor e o carioa4 saber da minha vida, me incomoda.
Fico muito da puta quando paro no farol e vejo aquela câmera me zoiando. Será o Benedito ou o cabrito? Nota fiscal paulista? Nunca, jamais, por alguns tostões não revelo o que como, qual remédio tomo, aonde vou, onde estive e onde estarei, porque tem um lance chamado estatística. Vai daí que meus perfis são pouco verdadeiros. Mas quem é verdadeiro em perfil, gentefina. Se cara a cara a pessoa mente deslavadamente, imagina de perfil?
Mas entonces, tenho pensado muito e escrito pouco. Escrevo na mente e me divirto sozinha. Mas isso é bom, chama desprendimento.... Mas sabe do que mais? Saudadedo6....
Então vamos lá começar a ladainha, porque em tempo de semana santa, gente moderna faz ladainha.
Esse papo de Viver o Presente, desconfio que foi um truque de alguém muito esperto pra iludir os humanos.
Tudo que é gente, phina ou não, vem com esse conto do vigário pra gente. Tudo que é religião, credo e credo em cruz, dita essa máxima - inatingível, por sinal.
Tudo que é gente, phina ou não, vem com esse conto do vigário pra gente. Tudo que é religião, credo e credo em cruz, dita essa máxima - inatingível, por sinal.
Vamos lá especular um tiquito. Se a gente, phina ou não, foi provida de memórias, que se bem orientadas são um tesouro nessa vida - sem mencionar os benefícios biológicos que eu não sou do ramo -, entonces porquê temos que considerar pensar no passado um mal? Oquei que Deus não caprichou no quesito lógica, mas tenho cá comigo que ele não tava de brincadeira quando nos criou, ou criou o macaco que por sua vez.....
O passado é nossa caixa de ferramentas. É nele que vasculhamos, levantando instrumentos enferrujados, pedaços de coisa que não entendemos bem o que são, mas achamos que vamos usar algum dia, restos de antigos projetos, e voilá, achamos a resposta adequada, assertiva e mandamos a dita cuja pra ponta da língua ou da mente. Caixinha poderosa.......
Vale lembrar que quanto mais limpa e organizada for essa caixa, sem tralha velha e imprestável, sem apegos a instrumentos antigos, ou que eram da vó ou da mãe ou de quem mesmo era esse bagulho????? Mais bacana e útil, é a nossa caixa de ferramentas.
Deu pra entender né..... vou pular esse falatório porque vou longe ainda.
E o futuro? Gentefina querida, que seria de nosotros sem o sonho, sem a vontade de fazer algo, sem a inesgotável capacidade de inventarmos algo, de recriarmos a vida? Isso vem do metabolismo, do querer, da digestão do presente, nos instigando a virar a mesa, o armário e quiçá a vida toda.
Logo, vejam bem, se existe um vilão, é o presente.... ahhahahaha.
O que é esse presente que esse imperativo categórico prega? Sei lá gentefina..... sei lá. Não é enrolação não. Preciso da ajuda sempre presente de meu anjo da guarda e dos universitários pra entender, a todo momento presente, o que é o presente.
Cerveja bem.... Quando estou no meio de um lance, de uma transa, de uma paisagem, ou de uma coisa que quis muito, me pergunto? Tô curtindo? Era isso mesmo? Ai, parece que não to naquela alegria que a gente vê nos filmes, ou nos papos dessa gente iluminada e evoluída.
Me pego pensando se na verdade, realizar aquele sonho era assim tão bacana como eu pensava. Ou que sou uma volúvel mal agradecida, e aí ladainha, me desculpando com tudo que é força da Natureza. Ai, ai, ai ser gente não é fácil. Foi como quando tive minha primeira filha. Tava lá, parada na porta da maternidade, com aquele ser na mão, me sentindo a pessoa mais incapaz do mundo e ainda por cima, sem aquela alegria, aquela benção, aquele sentimento celestial de ser mãe. Tasqueopariu..... mas foi somente um exemplo, vista a carapuça e faça links com tua caixa de ferramentas.
Então, pra encurtar o papo, vou parar com essa história de viver o presente. O presente, o passado, o futuro, caracoles, são conceitos apenas....nada mais. Assim como União Soviética, China, Coréia do Norte, tudo conceito gentefina.
E desde quando, conceito virou vida? Desde que ELES decidiram que a gente não podia ser feliz e a gente muito da burra, acreditou.
Eles? Ai, são tantos Eles que nem sei e nem interessa muito. Mata a cobra e não fica elucubrando de onde ela veio ou se onde tem uma cobra sempre tem um casal.... mata a cobra e coloca na pinga.
Viver com alegria, com felicidade, transcende esses conceitos. Quantas vezes revivi fatos e pessoas com muito amor e felicidade. Quantas vezes o meu passado foi a mão que me ergueu do buraco..... muitas gentefina. Pensem ái comigo.
Quantas vezes foram meus sonhos que me fizeram levantar da cama num dia de frio, no corpo e na alma, com a promessa de realização dos meus sonhos, que no fundo é outro conceito, mas tem um encantamento, ajuda a gente a viver.
Era isso gentefina. Eu lá, na Califórnia, realizando um sonho de 30 anos e pensando se era tudo aquilo mesmo. Burra, ingrata, psicótica, normal, na média tosca da humanidade normal....
Mas eu sou uma diferente, esqueço disso, minha caixa de ferramentas não está bonitinha ainda. Aí eu mandei tudo praspica, e parei de pensar se era isso ou aquilo. Sabe o que aconteceu? Fiz a melhor viagem da minha vida. E com outras pessoas heim..... porque gosto de viajar sozinha, pra poder elocubrar bastante....hahaah.
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Assim, tia Walll adverte e diverte; gentefina, larga mão de tentar viver dentro das caixas dos conceitos e vambora viver a vida. Cada um por si, e todos por um. Porque sinceramente, não existe outro modo.
Tem boca livre não, alguém sempre tá pagando.
As fotos que ilustram a ladainha, são da nossa viagem à Califórnia e Nevada. Sintam ao vê-las, a música deste texto.
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