”Yo solía pensar que era la persona mas extraña en el
mundo, pero luego pensé, hay mucha gente así en el mundo,
tiene que haber alguien como yo, que se sienta bizarra
y dañada de la misma forma en que yo me siento.
Me la imagino, e imagino que ella también debe estar
por ahí pensando en mi.
Bueno, yo espero que si tu estas por ahí y lees esto sepas que,
si, es verdad, yo estoy aquí, soy tan extraña como tu.”
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Tem dia que eu queria ser uma pessoa que bate à porta de alguém,
desvairada, louca, tresloucada.....
Ou como naquela música, ir nua à rua onde você mora.
Mas eu não sou essa pessoa....mora!
Tenho que me haver apenas comigo mesma.
Mas que eu queria ser essa outra, que vejo em filmes,
novelas, romances.... eu queria.
Queria ter o dom de pedir colo
arrego
clemência....
Ainda mais no inverno.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Adeus, Victor
Neste final de semana, após alguns meses doente, o Victor Hugo Carrizo partiu da terra. Ele era um ator argentino que fez o curta Velar, lembram da foto da janela? Pois é, éramos nós.
Aqui vai o link do post do curta Velar.
Vai com Deus Victor, aqui no Brasil você deixou bons amigos e saudades.
Foto de adeus, minha mesmo e da janela, da Mariana Teixeira
Aqui vai o link do post do curta Velar.
Vai com Deus Victor, aqui no Brasil você deixou bons amigos e saudades.
Foto de adeus, minha mesmo e da janela, da Mariana Teixeira
Reciclagem
Gentefina, essa semana conheci uma loja muito linda e quero mostrar esse trabalho pra vocês. A artista é a Laila Assef, mineira que mora em Trancoso.
Sua loja é de longe a mais transada do pedaço, além de, como o próprio nome já diz, ser Cheia de Graça. Ela faz lustres e luminárias com garrafas Pet. Oquei que esse tipo de coisas é meio mambembe, mas no caso da Laila, custa a crer que suas obras venham mesmo de pets.
Os lustres são delicados, fashion, atrevidos e muito, mas muito Phinos.
Se um dia vocês passarem por Trancoso, não deixem de visitar a Laila, que além de tudo é linda e sabe dar ótimas dicas sobre a cidade. Sem falar no cafezinho! Vejam as fotos e me digam se vale a pena ou não.
Deixa eu dizer, também, que ela ensina sua arte às crianças do pedaço.
Deixa eu dizer, também, que ela ensina sua arte às crianças do pedaço.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Christina Bianco Impression Reel - Firework
Gentefina, faz tempo que não vejo uma comediante como essa, com um poder de imitação e percepção de movimentos impressionantes. Vocês vão gostar muito, sério.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Lamentinho
Parece que o tempo passa tão rápido
Parece que os dias
Não são mais suficientes pra conter a vida
Desaparece, a vida,
Desaparece
Sem pressa de ser cruel
O nada escuta minhas preces
fotos: WalkyriaSuleiman - luzes
Parece que os dias
Não são mais suficientes pra conter a vida
Desaparece, a vida,
Desaparece
Sem pressa de ser cruel
O nada escuta minhas preces
fotos: WalkyriaSuleiman - luzes
sábado, 2 de junho de 2012
A POBREZA DA RIQUEZA
Por Cristóvam Buarque
Os ricos brasileiros usufruem privadamente tudo o que a riqueza lhes oferece, mas vivem encalacrados na pobreza social. Na sexta-feira, saem de noite para jantar em restaurantes tão caros que os ricos da Europa não conseguiriam freqüentar, mas perdem o apetite diante da pobreza que ali por perto arregala os olhos pedindo um pouco de pão; ou são obrigados a restaurantes fechados, cercados e protegidos por policiais privados. Quando terminam de comer escondidos, são obrigados a tomar o carro à porta, trazido por um manobrista, sem o prazer de caminhar pela rua, ir a um cinema ou teatro, depois continuar até um bar para conversar sobre o que viram. Mesmo assim, não é raro que o pobre rico seja assaltado antes de terminar o jantar, ou depois, na estrada a caminho de casa. Felizmente isso nem sempre acontece, mas certamente, a viagem é um susto durante todo o caminho. E, às vezes, o sobressalto continua, mesmo dentro de casa.
Os ricos brasileiros são pobres de tanto medo. Por mais riquezas que acumulem no presente, são pobres na falta de segurança para usufruir o patrimônio no futuro. E vivem no susto permanente diante das incertezas em que os filhos crescerão. Os ricos brasileiros continuam pobres de tanto gastar dinheiro apenas para corrigir os desacertos criados pela desigualdade que suas riquezas provocam: em insegurança e ineficiência.

Para poderem usar os seus caros automóveis, os ricos construíram viadutos com dinheiro de colocar água e esgoto nas cidades, achando que, ao comprar água mineral, se protegiam das doenças dos pobres. Esqueceram-se de que precisam desses pobres e não podem contar com eles todos os dias e com toda saúde, porque eles (os pobres) vivem sem água e sem esgoto. Montam modernos hospitais, mas tem dificuldades em evitar infecções porque os pobres trazem de casa os germes que os contaminam. Com a pobreza de achar que poderiam ficar ricos sozinhos, construíram um país doente e vivem no meio da doença.
Se percebessem a riqueza potencial que há nos braços e nos cérebros dos pobres, os ricos brasileiros poderiam reorientar o modelo de desenvolvimento em direção aos interesses de nossas massas populares. Liberariam a terra para os trabalhadores rurais, realizariam um programa de construção de casas e implantação de redes de água e esgoto, contratariam centenas de milhares de professores e colocariam o povo para produzir para o próprio povo. Esta seria uma decisão que enriqueceria o Brasil inteiro - os pobres que sairiam da pobreza e os ricos que sairiam da vergonha, da insegurança e da insensatez.
Mas isso é esperar demais. Os ricos são tão pobres que não percebem a triste pobreza em que usufruem suas malditas riquezas".
"Em nenhum outro país os ricos demonstram mais ostentação que no Brasil. Apesar disso, os brasileiros ricos são pobres. São pobres porque compram sofisticados automóveis importados, com todos os exagerados equipamentos da modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado dos ônibus de subúrbio. E, às vezes, são assaltados, seqüestrados ou mortos nos sinais de trânsito. Presenteiam belos carros a seus filhos e não voltam a dormir tranqüilos enquanto eles não chegam em casa. Pagam fortunas para construir modernas mansões, desenhadas por arquitetos de renome, e são obrigados a escondê-las atrás de muralhas, como se vivessem nos tempos dos castelos medievais, dependendo de guardas que se revezam em turnos.
Os ricos brasileiros usufruem privadamente tudo o que a riqueza lhes oferece, mas vivem encalacrados na pobreza social. Na sexta-feira, saem de noite para jantar em restaurantes tão caros que os ricos da Europa não conseguiriam freqüentar, mas perdem o apetite diante da pobreza que ali por perto arregala os olhos pedindo um pouco de pão; ou são obrigados a restaurantes fechados, cercados e protegidos por policiais privados. Quando terminam de comer escondidos, são obrigados a tomar o carro à porta, trazido por um manobrista, sem o prazer de caminhar pela rua, ir a um cinema ou teatro, depois continuar até um bar para conversar sobre o que viram. Mesmo assim, não é raro que o pobre rico seja assaltado antes de terminar o jantar, ou depois, na estrada a caminho de casa. Felizmente isso nem sempre acontece, mas certamente, a viagem é um susto durante todo o caminho. E, às vezes, o sobressalto continua, mesmo dentro de casa.
Os ricos brasileiros são pobres de tanto medo. Por mais riquezas que acumulem no presente, são pobres na falta de segurança para usufruir o patrimônio no futuro. E vivem no susto permanente diante das incertezas em que os filhos crescerão. Os ricos brasileiros continuam pobres de tanto gastar dinheiro apenas para corrigir os desacertos criados pela desigualdade que suas riquezas provocam: em insegurança e ineficiência.
No lugar de usufruir tudo aquilo com que gastam, uma parte considerável do dinheiro nada adquire, serve apenas para evitar perdas. Por causa da pobreza ao redor, os brasileiros ricos vivem um paradoxo: para ficarem mais ricos têm de perder dinheiro, gastando cada vez mais apenas para se proteger da realidade hostil e ineficiente.
Quando viajam ao exterior, os ricos sabem que no hotel onde se hospedarão serão vistos como assassinos de crianças na Candelária, destruidores da Floresta Amazônica, usurpadores da maior concentração de renda do planeta, portadores de malária, de dengue e de verminoses. São ricos empobrecidos pela vergonha que sentem ao serem vistos pelos olhos estrangeiros.
Na verdade, a maior pobreza dos ricos brasileiros está na incapacidade de verem a riqueza que há nos pobres. Foi esta pobreza de visão que impediu os ricos brasileiros de perceberem, cem anos atrás, a riqueza que havia nos braços dos escravos libertos se lhes fosse dado direito de trabalhar a imensa quantidade de terra ociosa de que o país dispunha. Se tivesse percebido essa riqueza e libertado a terra junto com os escravos, os ricos brasileiros teriam abolido a pobreza que os acompanha ao longo de mais de um século. Se os latifúndios tivessem sido colocados à disposição dos braços dos ex-escravos, a riqueza criada teria chegado aos ricos de hoje, que viveriam em cidades sem o peso da imigração descontrolada e com uma população sem miséria.
A pobreza de visão dos ricos impediu também de verem a riqueza que há na cabeça de um povo educado. Ao longo de toda a nossa história, os nossos ricos abandonaram a educação do povo, desviaram os recursos para criar a riqueza que seria só deles, e ficaram pobres: contratam trabalhadores com baixa produtividade, investem em modernos equipamentos e não encontram quem os saiba manejar, vivem rodeados de compatriotas que não sabem ler o mundo ao redor, não sabem mudar o mundo, não sabem construir um novo país que beneficie a todos. Muito mais ricos seriam os ricos se vivessem em uma sociedade onde todos fossem educados.
Há um grave quadro de pobreza entre os ricos brasileiros. E esta pobreza é tão grave que a maior parte deles não percebe. Por isso a pobreza de espírito tem sido o maior inspirador das decisões governamentais das pobres ricas elites brasileiras.
Se percebessem a riqueza potencial que há nos braços e nos cérebros dos pobres, os ricos brasileiros poderiam reorientar o modelo de desenvolvimento em direção aos interesses de nossas massas populares. Liberariam a terra para os trabalhadores rurais, realizariam um programa de construção de casas e implantação de redes de água e esgoto, contratariam centenas de milhares de professores e colocariam o povo para produzir para o próprio povo. Esta seria uma decisão que enriqueceria o Brasil inteiro - os pobres que sairiam da pobreza e os ricos que sairiam da vergonha, da insegurança e da insensatez.
Mas isso é esperar demais. Os ricos são tão pobres que não percebem a triste pobreza em que usufruem suas malditas riquezas".
fotos: WalkyriaSuleiman, sampa, capturadas com iPhone.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Lembrarei, por Orlando Costa Filho
Por Orlando Costa Filho
Lembrarei
não esquecerei: comer folhas evita
levar picada nas pernas pernilongos e afins
que sempre haverá alguém melhor do que nós
naquilo que fazemos. não esquecerei
levei seu coração-clorofila e restou
uma caverna, private cavern club, um pub
uma noite doce e eterna enquanto ouvia
suas doces palavras que desciam das nuvens
lavando calçadas e vias...
não esquecerei
que eu e você somos um verso sem vírgulas
que nossas vidas são os combustíveis e o comburente
é a poesia
somos um pavio em que a chama é amarela,
avermelha e azula
paraíso em combustão já que as dúvidas e dívidas
são devidamente descartadas na pia
se perdem no sumidouro no fundo do mundo!
lembrarei ainda
a rotina jamais embaçou nossas retinas
não haveremos de ficar num canto da noite densa
sentados no chão entregues à parede como se fosse
um refúgio! não esquecerei
a morte é um subterfúgio do espírito
ante as dificuldades da matéria e eu
jamais morrerei por você. só viverei! só viverei!
como puder como você como vier sem pudor
mulher...
tatuada na memória trarei
sempre que ouvir badalos de sino
ecoarem na menopausa da tarde,
a grande verdade me abate, honey:
ninguém chega aos 50 impunemente
sob pena de ser santo e não gente,
damos um rolê lado a lado
até o céu encher-se de purpurinas e lantejoulas
e minha mão agarra-se à sua como se eu fosse
criança que caminha à beira de um precipício...
foto: WalkyriaSuleiman - Guarujá
Lembrarei
não esquecerei: comer folhas evita
levar picada nas pernas pernilongos e afins
que sempre haverá alguém melhor do que nós
naquilo que fazemos. não esquecerei
levei seu coração-clorofila e restou
uma caverna, private cavern club, um pub
uma noite doce e eterna enquanto ouvia
suas doces palavras que desciam das nuvens
lavando calçadas e vias...
não esquecerei
que eu e você somos um verso sem vírgulas
que nossas vidas são os combustíveis e o comburente
é a poesia
somos um pavio em que a chama é amarela,
avermelha e azula
paraíso em combustão já que as dúvidas e dívidas
são devidamente descartadas na pia
se perdem no sumidouro no fundo do mundo!
lembrarei ainda
a rotina jamais embaçou nossas retinas
não haveremos de ficar num canto da noite densa
sentados no chão entregues à parede como se fosse
um refúgio! não esquecerei
a morte é um subterfúgio do espírito
ante as dificuldades da matéria e eu
jamais morrerei por você. só viverei! só viverei!
como puder como você como vier sem pudor
mulher...
tatuada na memória trarei
sempre que ouvir badalos de sino
ecoarem na menopausa da tarde,
a grande verdade me abate, honey:
ninguém chega aos 50 impunemente
sob pena de ser santo e não gente,
damos um rolê lado a lado
até o céu encher-se de purpurinas e lantejoulas
e minha mão agarra-se à sua como se eu fosse
criança que caminha à beira de um precipício...
foto: WalkyriaSuleiman - Guarujá
segunda-feira, 28 de maio de 2012
De bem com a vida, poedeiras vivem soltas e ciscam à vontade
Por Olívia Fraga
JAGUARIÚNA, SP
O segredo da felicidade das poedeiras da Yamaguishi é o amor. Amor dos criadores, tão delicados que até “batem na porta” antes de abrir a gaiola onde elas põem os ovos; amor da terra, onde ciscam à vontade das 10 da manhã às 16h da tarde, comendo minhoca, folha de bananeira, agrião e rúcula da horta; e dos galos, que ficam por ali para lhes dar segurança e prazer.
“A gente acredita no potencial desestressante do ritual reprodutivo”, filosofa Romeu Mattos Leite, um dos sócios da fazenda Yamaguishi, a pouco mais de 100 km da capital. O veterinário defende o namoro entre galo e galinha para aliviar as tensões das poedeiras da linhagem lohmann, raça híbrida de porte altivo, parecida com galinha caipira apenas na cor das penas.
Comendo bem, de vida muito mais livre que suas colegas criadas em granja e com um macho por perto, as poedeiras passam bem. “Não têm como ser infeliz, elas vivem na vadiagem, só comem e dormem”, brinca Leite. De bem com a vida, as galinhas têm seu espaço e não competem entre si. Por isso, não é preciso cortar seus bicos – prática disseminada na indústria para conter o canibalismo entre as aves, que as impede de comer verduras.
A Yamaguishi é das poucas fazendas de produção orgânica de ovos e hortaliças do Estado. Foi inspirada numa propriedade em Tsu, centro do Japão, onde Alan Minowa começou a trabalhar nos 90 – antes disso, ele e o irmão Isaack trabalhavam na granja do pai, em Londrina. Alan ficou tão entusiasmado com o modelo da fazenda japonesa que convenceu o irmão e o amigo de faculdade Romeu a irem visitá-lo. A viagem virou estágio de dois anos. “Ninguém nem falava em orgânico. As pessoas diziam ‘criação de vida livre’ ou ‘humanizada’.”
Quando voltaram ao Brasil, venderam os negócios de Londrina e se fixaram na região de Campinas. “Não sabíamos o nome do que estávamos fazendo. A gente só queria produzir alimento, não mercadoria, de forma que meus filhos pudessem ter acesso a comida de qualidade”, conta Isaack Minowa. Construíram 15 galpões e aviários com lotação de 2,5 aves por m² (na criação convencional são 12 aves/m²), bebedouros distantes, teto solar, chão coberto de palha de arroz e poleiros, além de aberturas para que elas caminhem pela terra, do lado de fora, onde há árvores frutíferas. A ração de milho orgânico local é moída em quirera e misturada à soja orgânica trazida do Paraná. As galinhas comem ração à tarde, pouco antes de serem recolhidas para dormir.
As aves chegam pequeninas à fazenda, sem as mães, e são abrigadas em abas que imitam as asas da galinha e lhes dá calor. Outra diferença é que só começam a produzir a partir da 24ª semana de vida (no sistema convencional, botam antes da 18ª semana). Produzem por dois anos e depois são vendidas para abatedouros – a fazenda não tem licença da Vigilância Sanitária para abatê-las. “Dá pena, porque poderíamos vendê-las legalmente, já que são galinhas bem alimentadas e criadas, mas não temos permissão”, explica o veterinário.
Os produtores garantem que suas 12 mil galinhas não adoecem. Sua saúde é garantida pela alimentação baseada em verduras e administração de fitoterápicos, como extrato de própolis e melissa, e homeopatia, se alguma ave der sinais de fraqueza. “A dieta tem muito caroteno, que lhes dá força e garante ovos com uma gema bem escura e densa”, afirma o produtor.
“A criação convencional já entrou em colapso. Animais confinados adoecem mais e transmitem a doença para o resto da criação. Ou seja, se a indústria não der antibiótico com a ração, morrem todos”, diz Leite.
Certificada como produtor orgânico desde 2007, a Yamaguishi produz 10 mil ovos/ dia e quase não dá conta de demanda.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Bonita
Bonita, por Antonio Penteado Mendonça
A foto da mulher em pé na janela do prédio velho, foi pensada antes de ser batida. Não é uma foto espontânea, um flash de vida. Não, foi pensada, montada e executada.
A mulher não mora no apartamento atrás da janela. No entanto, ela, em pé no parapeito, segurando na vidraça, tem alguma coisa de imã, como se dependesse dela o prédio deteriorado, mas não tanto, se manter como parte da cidade, como parte viva da cidade. Respirando seu ritmo de passado, de coisa que um dia foi, mas ainda não deixou completamente de ser. E luta para permanecer.
A alma da foto é a mulher. Despojada, mais que informal, relaxada, quase despida pelo camisão branco que faz que a cobre, como quem não tem contas pra acertar. Como quem encara o mundo e a vida de frente, sem medo, mas sem soberba, porque estar vivo é uma dádiva que pode ser tirada a qualquer momento.
O duro é que não depende de nós.
Quanto de vida e de morte a janela já viu? E quanto ela escondeu?
Na longa existência do edifício quanto de bom e de ruim aconteceu por detrás dela? No semiescuro, na penumbra que não permite a quem esta do lado de fora ver o que acontece do lado de dentro.
Na foto o escuro do lado de dentro realça a beleza da mulher em pé na janela.
Não, ela não está saindo pela janela. Está lá, em pé na janela, imóvel, como um anjo aprisionado pela fotografia.
Bonita em sua naturalidade. Bonita no contraste com o prédio marcado pelo tempo. Ela também marcada, ela também vivida, mas íntegra e bela. No enquadramento da foto ela, a centelha que gera infinitos.
Crônica de Antônio Penteado Mendonça (o Nico), publicada em sua coluna diária na rádio Estadão ESPN, inspirado na foto de Mariana Teixeira, do still do curta metragem VELAR, de Nana Ribeiro.
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