Quando acontecem ataques terroristas como estes que estão
ocorrendo agora em São Paulo, não posso deixar de pensar o que penso, ou seja:
não me pergunto o que fez destes homens assassinos, mas sim o que ainda os faz
humanos como eu, como você, como todo o resto da da torcida do Corinthians e do
Flamengo.
Acho mais difícil descobrir essa humanidade, do que os
vários motivos que levam um ser humano a se tornar alguém tão sem amor à vida,
seja a dos outros, seja a dele mesmo. Estendo essa procura para os corruptos, os poderosos em geral, sejam do PCC ou da Monsanto.
Nessa missão de encontrar a humanidade nas pessoas, nunca
fecho o vidro do meu carro no farol, por exemplo. Quero que algum possível ladrão veja que eu acredito que ele seja
humano, que confio nele. Não sei se é sorte ou proteção, sei que nunca fui
assaltada em farol. Claro que pode acontecer de um dia, eu dar de cara com alguém que perdeu toda
humanidade, que vai me achar uma loira burra de vidro aberto, presa fácil. Porém,
essa única vez não invalidará meus 40 anos de vidro aberto.
Certa vez em São Francisco, um negro alto, forte, morador
de rua, me parou na calçada pedindo um a ajuda. Eu abri a bolsa, abri a carteira,
peguei uns dólares e dei pra ele. Ele ficou paralisado, olhou nos meus olhos,
agradeceu e não pegou o dinheiro. Naquele momento eu disse, com a minha
atitude, que eu acreditava nele, que sabia que ele era um desafortunado, uma
vítima, um ser humano digno do meu respeito. Ok gentefina, posso me estrepar
algum dia, mas continuarei a dizer pra essas pessoas que acredito nelas.
No primeiro ataque do
PCC em São Paulo, em 2006, um dos meus trabalhos
era no Centro Empresarial. No começo da tarde fomos avisados do ataque e os
prédios foram esvaziados. Estávamos perto do Terminal João Dias, um dos pontos
atacados.
Peguei meu carro, aquela onda de terror na rua, entrei na marginal,
ouvi as notícias pelo rádio, os pedidos da Polícia Civil para que ninguém saísse de casa. Os transportes urbanos seriam paralisados,
ônibus, metrô, enfim, quem estivesse na rua estaria por conta de Deus.
Vi um ponto de ônibus
lotado de gente. Parei meu carro, contei pras pessoas o que havia ouvido e
ofereci carona. Mais de 60 olhos me olharam espantados, receosos..... ninguém
aceitou.
Nisso, um homem com uma maleta disse que topava. Ele entrou no meu
carro, mezzo marguerita mezzo mutsarela. Comecei a puchar papo. Foi quando ele
contou que era segurança de uma empresa na Faria Lima, que tinha porte de arma,
e ao dizer isso, entreabriu a maleta e eu pude ver uma pistola.
JesusMaria&Joshef, pronto, tô fudida, pensei. Ele percebeu meu medo e se desculpou. Disse
que dava o maior valor pra minha atitude e que poderia ir para seu trabalho e passar
a noite em segurança.
Foi muito bonito, porém não posso deixar de pensar nas
dezenas de pessoas no ponto de ônibus que tiveram medo de mim. Medo de um ato
de fraternidade...... é isso que me pesa, é isso que me machuca, a descrença do
ser humano em outro ser humano.
Assim, não que eu seja a favor ou contra, muito pelo
contrário. Não sou psicóloga, cientista social, mestre em psicologia de massas,
sou porra nenhuma. Sou um ser humano tentando espalhar por aí, que eu acredito
no humano que exite dentro da cada um, por mais difícil que seja encontrá-lo.
Era isso aí, gentefina...... Vale a pena tentar! Afinal estamos aí uns para os outros!
As imagens que salvei aqui, são de uma página muito bacana, a
P.U.T.A ! Visitem